por Super User

fusao*Por Henrique Tarasiuk

Quase todos os dias acompanhamos em jornais e na internet, notícias sobre operações de compra e venda de empresas ou captações de investimentos bilionárias que ocorreram. E o que fica em nosso subconsciente é que esse tipo de transação é somente para os grandes players do mercado nacional ou multinacionais. É neste ponto que existe um ledo engano, embora existam portes de empresas que são mais atrativas para determinados investidores ou para concorrentes, isso não exclui que operações sejam realizadas para empresas familiares e regionais.


Segundo pesquisa realizada pela consultoria PwC em janeiro de 2017, os setores que mais tiveram operações de fusões e aquisições foram: serviços auxiliares, tecnologia da informação, químico, serviços públicos e de saúde, e em 2018 poderemos adicionar a esta lista as operações de varejo. Os principais objetivos destas operações estão relacionados com: estratégia de mercado; necessidade de obter sinergia; ganho de eficiência com a redução de consumo de recursos; e oportunidade de comprar uma empresa por um preço inferior ao seu real valor.


Dentro destas estratégias, as empresas podem estar tanto do lado vendedor (sell-side), quanto do lado comprador (buy-side). Em outras palavras, a estratégia de uma empresa pode ser vender uma de suas unidades, alguns de seus ativos, ou até mesmo parte de suas ações/cotas, trazendo assim um novo sócio e recursos para dentro da companhia. A outra ponta da estratégia pode ser o crescimento e expansão sendo feito com a aquisição de concorrentes, ganhando marketshare de maneira rápida e eficiente.


Um processo de compra, venda, captação de investimento, ou ainda de fusão, requer muito estudo, tempo, análise de cenários e entendimento das diversas opções existentes, e por este motivo, quando empresas são pegas despreparadas, a tendência é uma significativa divergência nas negociações, pois uma das partes já fez a sua lição de casa, enquanto a outra está correndo contra o tempo. Em processos estruturados, com ambos lados acompanhados de especialistas na área, os ganhos mútuos são muito maiores do que quando existe uma grande assimetria de informação de um dos lados.


Outro fator que leva empresas a temerem ou até mesmo fracassarem em operações como estas é a falta de clareza e organização dos dados, considerando que a quase 90% das empresas de médio porte brasileiras são familiares, isso acarreta em uma gestão caseira, com menos controles e até com alguns erros não propositais que podem reduzir consideravelmente o valor da empresa em uma negociação.


Por mais que pareça exagerado e utópico, toda empresa deveria iniciar as suas atividades sempre pensando em ser vendida. Mesmo que esta operação nunca venha a acontecer, a gestão será mais profissional, seus controles serão mais rígidos, informações sobre o mercado serão buscadas com mais frequência, seus processos internos mais limpos, entre outros pontos que auxiliam tanto na geração de valor em uma operação de fusões e aquisições como no dia-a-dia da empresa.


*Henrique Tarasiuk é consultor financeiro e fundador da Legacy Partners (www.legacypartners.com.br)