FÓRUM

 

 
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Alisson Henrique
Natália Cherubin

Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria

REDUÇÃO DE COMPACTAÇÃO E READEQUAÇÃO DA NUTRIÇÃO

“Infelizmente as ações comumente realizadas pelas usinas e produtores para aumentar a produtividade agrícola dos canaviais não têm sido muito efetivas quanto ao ganho da produtividade geral das usinas. Uma das razões é que o canavial está envelhecendo, ou seja, está se plantando menos cana ao ano do que o mínimo necessário para que o ciclo fosse de 5 cortes. Hoje o ciclo dos canaviais do Centro-Sul ultrapassa 6,2 cortes. De qualquer forma, as usinas têm focado suas ações para aumento de produtividade principalmente nos seguintes tópicos: redução de compactação e pisoteio dos canaviais; readequação do pacote de nutrição dos canaviais e do uso de corretivos de solo; maior e mais efetivo controle de pragas, principalmente broca, cigarrinha e sphenophorus; mudança de variedades de cana nos novos plantios; e controle de mato.”

Alexandre Andrade Lima, presidente da FeplanaIRRIGAÇÃO E NOVAS VARIEDADES

“Tem havido muito investimento em irrigação pelo fornecedor de cana e pelas usinas nordestinas. Na região, não vejo outra forma de ampliar a produtividade senão pela irrigação, a qual é capaz de dobrar (ou até mais) a produtividade dos canaviais do Nordeste. Tem ainda as novas variedades de cana, que têm gerado grande expectativa para o setor.  Além disso, o cooperativismo do fornecedor de cana, a exemplo de Pernambuco através da Coaf, tem favorecido o aumento da produtividade através do estímulo e da redução do custo de produção com a oferta de insumo, outros produtos e ainda dando oportunidade de crédito financeiro e outras ações.”

Manoel Ortolan, presidente da CanaoesteVARIEDADES, MPB E CONTROLE DE PRAGAS

“Procurando as variedades mais adequadas para os ambientes de produção, mudas sadias, novas tecnologias como as MPBs (Mudas Pré-Brotadas), bem como todo o trabalho no controle de pragas e ervas daninhas. Ainda assim, os desafios são muitos, mas o principal é o de gestão efetiva da propriedade. Controlar bem os custos e gastos para saber exatamente quanto custa cada processo.”

 

Ismael Perina, produtor de cana-de-açúcarMPB E TRATOS CULTURAIS

“Ações efetivas para melhoria de produtividade vem acontecendo, mas deveriam ser melhor observadas. Renovações de canaviais com variedades de bom potencial produtivo e uso de tecnologias mais novas como MPB na formação dos viveiros passam a ser essenciais para termos canaviais com melhor qualidade e sanidade. Os fertilizantes estão com preços melhores e podem ser utilizados em sua dosagem indicada. Além disto, os cuidados de sempre nos tratos culturais não devem ser esquecidos. Assim sendo, certamente teremos ganhos importantes para minimizar nossos custos. Em outra frente temos discutido, junto ao setor industrial, a conclusão dos trabalhos dentro do Consecana, o que, sem dúvida, fará com que a relação seja cada vez mais representativa a nossa realidade.”

NOVAS VARIEDADES, TECNOLOGIAS E IRRIGAÇÃO

“Nas últimas duas safras, a Biosev reforçou seus investimentos na área agrícola, tendo como meta aprimorar as variedades de cana conforme diferentes condições de clima e solo, otimizando os tratos culturais de forma a maximizar os índices de ATR e de TCH. Como resultado desses esforços, a produtividade agrícola atingiu 77,9 t/ha e o ATR Cana foi de 129 kg/t. Ao longo do último ano-safra, a Biosev disponibilizou R$ 28,2 milhões em pesquisas e desenvolvimento agrícola, que abrangeram seleção de clones promissores e novas variedades comerciais; experimentação para validação de novas técnicas de manejo, produtos e equipamentos; introdução de novas técnicas e metodologias nas unidades; e desdobramento das estratégia da companhia e planejamento agrícola a nível tático operacional nas unidades. Em razão das 11 unidades da empresa estarem localizadas em diferentes regiões, suas necessidades também são distintas e merecem atenção especial. No NE, por exemplo, foi implantado um projeto de irrigação por gotejamento em cerca de 264 ha. Em Estivas, em RN, a colheita na safra 2016/17 foi de 133 t de cana por ha nas áreas com gotejamento, mais que o dobro da média das demais áreas. A variedade mais produtiva chegou a render 160 t/ha.

Outros projetos iniciados em safras anteriores permanecem aprimorando o desempenho das lavouras, como o uso de Veículos Aéreos Não Tripulados (Vants) para monitorar o canavial e detectar falhas e ataque de pragas; o uso crescente de informações online para dar mais agilidade as decisões do Centro de Operações Agrícolas; uso de MPB; e o avanço da mecanização agrícola (97,9% na colheita própria), com estímulo para os fornecedores adotarem o mesmo sistema, assegurando melhor produtividade.”
Ricardo Lopes, diretor de Operações e Originação da Biosev

CAPACITAÇÃO

“Temos buscado uma maior integração entre as associações, promovendo um plano integrado de comunicação, buscando discutir o maior número de casos de sucesso e insucessos nas práticas agrícolas. Desde 2015 temos intensificado as reuniões do Grupo Técnico Orplana e a criamos mais sete grupos que abordam assuntos que ‘batem’ a porta do produtor constantemente de maneira que uma ação mais incisiva e com a ajuda de diversas empresas e profissionais de destaque em inovações, tecnologias e capacitação, contribuam para o fortalecimento e a sobrevivência do produtor de cana.”
Celso Albano de Carvalho, gestor executivo da Orplana

INIBIDORES DE FLORESCIMENTO, MICRONUTRIENTES E FUNGICIDAS

“Nós temos uma base técnica muito robusta e para atingir a produtividade de 100 t por ha fazemos 80% do nosso preparo com arado de aiveca, utilização de novas variedades e planejamento de colheita antecipando os primeiros cortes, independente da maturação. Temos aqui um tripé importantíssimo: a utilização de inibidores de florescimento, micronutrientes e fungicidas.”
Michel da Silva Fernandes, gerente Agrícola da Usina Cerradão