TECNOLOGIA INDUSTRIAL

 

Ao se contabilizar os custos com mão de obra e insumos de montagem, o sistema de acoplamento fica, em média, 25% mais barato

Antes de começar o assunto, vale uma prévia reflexão a respeito de algumas situações especificamente ligadas ao mercado sucroenergético. Quanto vale o tempo de parada em uma usina? Quanto custa um funcionário afastado por acidente de trabalho? Qual é o valor de uma multa ambiental por vazamento na tubulação? Quanto de fluido é desperdiçado na linha por causa de pequenos rompimentos? Quanto vale a hora/homem de sua equipe de campo?

Figura 1 - Solda

Em tempos de crise profunda que o país vive, há, mais do que nunca, a preocupação substancial em se manter competitivo por meio da otimização da produção, minimizando perdas para incrementar as margens. Não há espaço para prejuízos. Cada detalhe conta para que o resultado no balanço final seja positivo.

Em usinas sucroenergéticas, bem como nos canaviais que as abastecem, existe um gargalo significativo que pode, de forma invisível, trazer agravo ao processo: trata-se do método adotado para unir tubulações.

Hoje em dia, as usinas costumeiramente usam a solda (figura 1) ou o flange (figura 2). Porém, tais sistemas apresentam questões limitantes e custosas, como, por exemplo: necessidade de mão de obra qualificada; processos lentos e de alto risco; necessitam de espessura de parede de tubo; dificultam o alinhamento; e demandam muitos insumos extras como ferramentas, equipamentos, EPI´s etc.

 

Figura 2 - Flange

No entanto, já existe como alternativa os sistemas de acoplamentos para união de tubulação. Eles são altamente confiáveis, simples de instalar, garantem uma série de vantagens técnicas durante a montagem e na manutenção, além de ter menor custo de instalação.

Por uma decisão estratégica, os principais projetistas, instaladores e clientes finais (usinas) reconhecem e aprovam a utilização dos acoplamentos pela vantagem competitiva que proporcionam e por suas características técnicas.

A utilização de acoplamentos elimina definitivamente o processo de solda e flange gerando economia operacional. O tempo de montagem também é menor e isso proporciona agilidade no cronograma de instalação, além de reduzir o custo de homem/hora, o tempo de parada durante as manutenções e os riscos inerentes aos procedimentos.

 

Figura 3 e 4 – Sistemas de acoplamentos para união de tubulação - Alvenius K – (shouldered end) e Ranhurado (grooved end)

Um exemplo desta agilidade e facilidade pode ser observado na Figura 5, onde duas situações foram simuladas: uma instalação utilizando solda e outra os acoplamentos mecânicos. É possível analisar a rapidez e a simplicidade com que o sistema de acoplamento é montado, resultando em uma ampla diferença de tempo. Imagine isso em campo, com condições desfavoráveis como altura, áreas remotas, difícil acesso à tubulação, emergência etc?

Entrando em uma análise mais quantitativa, que pode ser visto no Gráfico 1, é possível analisar os custos, em reais, com mão de obra, material e material + mão de obra, tanto com o uso do sistema de acoplamento, quando com o de solda. Enquanto o sistema de acoplamento traz um custo com materiais mais mão de obra de aproximadamente R$ 350 mil, o sistema de solda pode custar para uma usina, em material mais mão de obra, cerca de R$ 510 mil, uma diferença considerável.

Figura 5 - Simulação: Instalação utilizando solda X acomplamentos mecânicos

É importante destacar que, se comparado material contra material, o sistema de acoplamento é um pouco mais caro que o de solda, no entanto, se forem contabilizados os custos com mão de obra e insumos de montagem, o sistema de acoplamento fica, em média, 25% mais barato que a solda, além de 55% mais rápido. Isso sem considerar o tempo de parada da usina; os desperdícios em linha por vazamentos; indenizações e afastamentos por acidente; custo de pinturas externas; e retrabalho.

O sistemas de acoplamentos ainda:

- reduzem o tempo da manutenção corretiva;

- diminuem as perdas por gotejamento e vazamentos de fluidos;

- agilizam a desobstrução de tubulações;

- permitem a perfeita montagem e alinhamento;

- eliminam vibrações e desvios;

- permitem maior flexibilidade das linhas de tubulações;

- mitigam riscos de acidentes durante as intervenções;

- permitem o reaproveitamento dos acoplamentos em tubos novos.

Gráfico 1 - Acoplamento X Solda: análise de custos

Praticamente todas as tubulações em aplicações sucroenergéticas podem ser substituídas pelos acoplamentos mecânicos, uma vez que as peças são em ferro fundido ou aço inox e os tubos podem ser de aço carbono (pretos ou revestidos) ou em aço inox.

As faixas de diâmetro e as classes de pressão atendem aos mais diversos tipos de uso, independentemente do fluido transportado e sua temperatura. Porém, é importante que estes detalhes sejam especificados no projeto para que o material ideal seja usado - anel de vedação, segmento e modelo de acoplamento.

Usinas sucroenergéticas, destilarias de etanol, sistemas de irrigação e fertirrigação, sistemas de captação; estações de tratamento de água ou efluentes ; e redes de combate a incêndio, permitem que os acoplamentos mecânicos sejam usados de maneira substancial para trazer todos os benefícios apresentados neste artigo.

* Guilherme Teixeira é coordenador de Marketing da Alvenius, empresa fabricante e distribuidora de Sistemas de Tubulações