BATE-BOLA

 

Em junho deste ano, o Instituto Agronômico (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, comemorou 130 anos de contribuição à pesquisa paulista e brasileira.

Muitos não sabem, mas o IAC foi criado no dia 27 de junho de 1887 pelo Imperador Dom Pedro II e tinha como objetivo iniciar trabalhos com foco no desenvolvimento da cafeicultura nacional. Hoje, 90% do café utilizado no Brasil e no mundo são ou provêm das cultivares do IAC.

Além do centro de café, a estrutura do Instituto conta com 13 centros de pesquisa, sendo oito em Campinas e outros cinco em Ribeirão Preto (cana-de-açúcar), Cordeirópolis (citros), Votuporanga (seringueiras e agroambientais) e Jundiaí (frutas, engenharia e automação).

A fim de homenagear esta entidade de pesquisa tão importante para o setor sucroenergético, a RPAnews bateu um papo com o IAC sobre as realizações e projetos que estão por vir:

RPAnews - O QUE SIGNIFICA PARA O IAC ESTA COMEMORAÇÃO DE 130 ANOS?

IAC - O Instituto Agronômico (IAC) tem orgulho de estar presente no dia a dia dos brasileiros ao disponibilizar cultivares e tecnologias. Somos é a mais antiga instituição de pesquisa científica do Brasil, contribuindo na geração de ciência e tecnologias que estão adotadas em diversos Estados do Brasil e também em outros países. Ao longo dos seus 130 anos o IAC impactou na vida de produtores, da cadeia produtiva e consumidores ao desenvolver produtos, tecnologias e serviços, em cumprimento a nossa missão institucional de gerar ciência, tecnologia e produtos para otimizar os sistemas de produção vegetal, com responsabilidade ambiental. Mais do que isso, os requisitos da pesquisa científica de essencialidade, competitividade, responsabilidade e credibilidade nos orientam na gestão do Instituto, considerando um futuro inovador e eficiente com importantes conquistas para o setor agropecuário e para a sociedade.

QUAIS FORAM AS MAIORES REALIZAÇÕES DO IAC AO LONGO DESTES ANOS DE ATUAÇÃO?

O IAC é a mais antiga instituição de pesquisa científica do Brasil – sua atuação ininterrupta desde 1887, quando foi criado por D. Pedro II, resultou em contribuições na ciência agronômica básica e aplicada e em resultados que estão adotados em diversos Estados do Brasil e também em outros países. Foi responsável pela diversidade agrícola paulista, além de colaborar e inspirar a implantação de outras instituições de pesquisa agronômica no país. Ao longo de sua história, o IAC desenvolveu 1.060 cultivares, de 99 espécies, que incluem grãos e fibras, café, flores, frutas e hortaliças, citros, cana, seringueira e outros. As pesquisas desenvolvidas no IAC impulsionaram, por exemplo, o desenvolvimento da cafeicultura nacional. Hoje, 90% do café arábica plantado no Brasil e 70% no mundo são cultivares IAC.

QUANTAS PESSOAS FAZEM PARTE DO QUADRO DE PESQUISAS DO IAC E QUANTAS ESTÃO ENVOLVIDAS EM PESQUISAS COM CANA-DE-AÇÚCAR?

Para o desenvolvimento das atividades de pesquisa e de transferência do conhecimento e de tecnologias, o Instituto dispõe de 143 pesquisadores científicos e 260 funcionários de apoio à pesquisa. Participam também das atividades de pesquisa do IAC jovens pesquisadores, pós-doutorandos, doutorandos e mestrandos, estes últimos pertencentes ao curso desta e de outras instituições de ensino e pesquisa.

No Centro de Cana, localizado em Ribeirão Preto, há 14 pesquisadores científicos e 25 funcionários de apoio atuando nas atividades de pesquisa e desenvolvimento. Somam-se à equipe pesquisadores de outras instituições de pesquisa, além de alunos de pós-graduação, jovens pesquisadores e pós-doutorandos, aumentando substancialmente a capacidade da unidade na geração e transferência do conhecimento e de tecnologias ao setor de produção.

HÁ METAS PARA AMPLIAR O USO DE VARIEDADES IAC NO BRASIL?

Sim. Atualmente o Programa oferece um conjunto de cultivares modernas associado a estratégias de multiplicações de manejo e uso que estão impactando favoravelmente ao setor de produção de cana-de-açúcar.

O QUE O SETOR PRECISA SUPERAR E INOVAR NO MANEJO DA CANA-DE-AÇÚCAR?

A continuidade do fortalecimento de modelos de parceria com as instituições de pesquisa e desenvolvimento contribuirão para que o setor produtivo seja mais dinâmico na adoção de inovações, tornando mais efetivo a transferência de tecnologia e o seu uso na ponta final do processo.

EM PESQUISAS COM CANA-DE-AÇÚCAR QUAIS FORAM OS MAIORES DESENVOLVIMENTOS E CONQUISTAS DO IAC?

A equipe do Programa Cana IAC, além das novas cultivares, vem trabalhando no sentido de desenvolver pacotes tecnológicos, integrando áreas do conhecimento agronômico. Nos últimos anos foram desenvolvidas novas metodologias de levantamentos de pragas, sistemas de manejo varietal (matriz tridimensional) aliando ambientes, cultivares e época de colheita em uma estratégia inovadora de produção de cana-de-açúcar. O Programa, também tem desenvolvido e atualizado modelos de produção de mudas, como MPB (Mudas Pré-Brotadas) e micromeristema, que contribuem para um sistema mais equilibrado do ponto de vista ambiental e do consumo de energia envolvido no processo de produção de cana-de-açúcar.  A área de biotecnologia também tem contribuído para melhorar a qualidade e a rastreabilidade dos processos de produção.

QUAIS SÃO OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO DE NOVAS VARIEDADES DE CANA? QUAIS SÃO AS PRÓXIMAS APOSTAS DO IAC?

O Programa Cana do IAC mantém esforços no sentido de manter ativo o seu projeto de melhoramento, o que ocorre desde 1933 de forma ininterrupta. Nesse sentido, há uma grande número de clones em fases avançadas, o que poderá significar a liberação de novos pacotes de cultivares no curto e médio prazo. Recentemente, foi fortalecido e estabelecido novas estratégias nas fases iniciais do projeto de melhoramento visando melhorar a qualidade do processo de caracterização e diminuir o tempo para a liberação de novas cultivares regionais.   

O IAC ESTUDA CANA GENETICAMENTE MODIFICADA?

O Centro de Cana está estudando transgenia desde 2011, e desenvolve projetos visando a obtenção de cana geneticamente modificada para aumento no teor de biomassa, resistência a herbicida, maior tolerância a seca e melhoria do processo de sacarificação visando a obtenção de etanol celulósico.