Fórum - Cana-de-açúcar x Cana fibra

 FÓRUM

 

 

Natália Cherubim

PREÇOS E POLÍTICAS

“Quando os preços e as políticas de geração de energia forem estabelecidas com mais clareza, transparência e a longo prazo.”

 

Humberto Carrara, diretor agroindustrial da Usina São João de Araras

 

 

ETANOL 2G

“Acredito que à medida que o etanol de segunda geração ganhar força, vamos ter o aumento do plantio de cana fibra, mas de maneira complementar e não antagônica.”

Paulo Rodrigues, produtor de cana do Condomínio Santa Izabel

 

DOIS A TRÊS ANOS

“Creio que em dois ou três anos, quando a questão da eletricidade renovável deverá ser muito mais sensível aos habitantes do planeta.”

 

Marcos Fava Neves, professor de Planejamento Estratégico e Cadeias Alimentares da FEA-RP/USP

 

 

 

TECNOLOGIA PRECISA EVOLUIR

“Acredito que ainda precisa de maturação. O lançamento da variedade da GranBio (cana Vertix) era para dezembro do ano passado, mas até agora não tive notícias deste lançamento. O IAC tem previsão de lançar algo até 2017 e a Ridesa está na fase três do programa de melhoramento genético, com previsão de lançamento para 2018.

De qualquer forma, para empresários de algumas unidades industriais já estabelecidas e que tem produção de açúcar, etanol e energia elétrica, quando se fala que a cana energia tem açúcar somente para produção de etanol, eles não veem vantagem nesta cana tipo 2 (alta fibra) que foi a que se destacou e se desenvolveu. Mesmo considerando os cenários em que essa cana seja moída em início ou final da safra.

Outro assunto a ser desenvolvido é a redução da energia gasta para processar a cana energia na extração do caldo. Além disso, o preço da energia elétrica praticado nos leilões também influencia na decisão da utilização da cana energia, tanto em unidades de cogeração existentes como em novas.”

Ramón Orlando Villarreal, engenheiro da V&R Consultoria e Projetos

 

DEFINIÇÃO DA MATRIZ ENERGÉTICA

“Creio que vai ser a partir do momento em que tivermos uma definição clara da matriz energética brasileira. A maioria das empresas foram projetadas para produzir açúcar e etanol. Então, querer inserir nas moendas a cana fibra talvez ainda não seja racional. As empresas teriam que estar muito mais preparadas para produção de energia do que para produção de açúcar e etanol. Insisto que precisamos ter definições que obrigatoriamente venham por parte do governo federal.”

 

Ismael Perina, produtor de cana e presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal

 

DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO

“A cana energia é o futuro. Não digo presente porque é necessário que tenhamos uma colhedora especial para ela. O que temos hoje no mercado ainda não faz a colheita correta deste material. Tenho a informação de que uma marca de colhedoras de cana alemã poderá adaptar uma máquina forrageira que eles têm. Então acho que além de desenvolver a variedade de cana energia, temos ainda que desenvolver uma tecnologia de plantio, adubação, enfim, é uma cultura nova e temos que desenvolver tecnologias para ela. Mas é o futuro e eu acredito muito nela.”

Antonio Cesar Salibe, diretor-executivo da UDOP

 

 

VIABILIDADE ECONÔMICA

“Acho fundamental que as pesquisas agronômicas e de engenharia de processo avancem para definir e estabelecer, com segurança, a relação econômica entre todas as alternativas em vários cenários, especialmente para responder em qual cenário a cana energia se tornará viável. Ao lado de tudo isso, existe um componente intangível que é o risco de incêndios espontâneos (por fermentação exotérmica) na estocagem da cana energia, situação que pesará fortemente na taxa de risco dos seguros e nas providências estratégicas (forte investimento) para mitigar tais riscos.”

Flavio Pompei, diretor industrial e responsável técnico da Euroforte Agrociências

 

POLÍTICA DE ENERGIA

“A evolução da cana energia e o caminho a ser trilhado dependerá da política de geração de energia do governo federal. E quando falamos em governo federal não dá pra investir sem grandes riscos. Sinceramente, acredito que a tecnologia vai evoluir apenas quando houver uma necessidade extrema de energia ou quando a política do governo mudar.”

 

 

Luiz Carlos Dalben, produtor de cana da Agrícola Rio Claro