Fora do expediente

FORA DO EXPEDIENTE

 

Fora do expediente

Redação

Não importa o cenário econômico, a caderneta de poupança sempre aparece como preferência do brasileiro que quer aplicar o dinheiro de alguma forma. Mas você sabia que este tipo de investimento está longe de ser o mais rentável?

Por conservadorismo ou até mesmo por falta de informação, muitas pessoas desconhecem outras categorias de investimento. No entanto, o mercado oferece várias alternativas de aplicação que podem, inclusive, trazer retornos muito melhores.

Vale a pena recorrer a um consultor financeiro para saber se é mais aconselhável manter o dinheiro em poupança ou partir para outra opção. Pensando nisso, a RPAnews entrou em contato com profissionais da área e separou as melhores dicas para você.

De acordo com Rafael Panonko, analista de Investimentos do Toro Radar, a poupança é o investimento de pior rentabilidade. Segundo ele, a afirmação é muito simples de ser entendida, pois grande parte dos recursos destinados à poupança tem como destino o financiamento da casa própria. “Esses financiamentos normalmente são a juros mais baixos que a taxa básica de juros (Selic), portanto, a remuneração para quem investe na poupança vai ser a juros menos atrativos que a maioria dos investimentos indexados à Selic. Apesar disso, a poupança ainda é o investimento mais popular do país, justamente por causa das facilidades que as instituições financeiras oferecem.”

Hoje, não existe mínimo para aplicar na poupança. Além disso, a categoria é livre de imposto de renda, a aplicação e resgate podem acontecer a qualquer momento e muitas são interligadas a conta corrente.

A MELHOR OPÇÃO

João Pessine, planejador financeiro da DXI Planejamento Financeiro, conta que para encontrar o melhor investimento é preciso saber quais os riscos o investidor aceita correr e em quanto tempo o objetivo será alcançado. “Desta forma, sempre alinhe perfil de risco do investimento com o prazo dele. Se eu quiser investir em menos de três anos, por exemplo, devo preferir algo em renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs, e título do tesouro.”

Investimentos com prazo maiores que três anos podem ter mais riscos, como debentures ou títulos de longo prazo do tesouro direto. “É sempre bom ter a visão que quanto maior o prazo, maior a possibilidade de ter investimentos mais arriscados”, relata o especialista.

O analista de investimentos do Toro Radar destaca duas maneiras de encontrar a categoria correta para o investidor aplicar seu dinheiro. A primeira é estudando como funciona o mundo dos investimentos, quais as opções mais recomendadas para cada tipo de perfil de investidor e quais as características das principais modalidades de investimentos. “Dessa forma, o investidor terá capacidade suficiente para escolher os melhores produtos para montar seu portfólio. A outra forma é buscando ajuda de especialistas. No mercado existe a profissão do assessor de investimentos. Ele é o responsável por apresentar uma sugestão de investimento de acordo com o perfil de cada cliente, que fica com a decisão final de onde investir seu patrimônio”.

CUIDADOS

Dinheiro é coisa séria e saber usá-lo é fundamental. Segundo Pessine, uma dica muito simples para não cair em uma emboscada é tomar muito cuidado ao investir nos ativos simplesmente porque está na moda e muitas pessoas estão fazendo. “Cuidado também com rentabilidades passadas muito fora da média,” acrescenta.

Antes de começar a investir você deve definir o seu perfil de investidor. Para isso, explica Panonko, é preciso responder um questionário com algumas perguntas genéricas e pessoais, que vão determinar o percentual de exposição da sua carteira a investimentos de maior risco. “Esses questionários você responde no primeiro momento em que abre uma conta em qualquer corretora. Depois, você deve determinar o prazo, carência, montante a investir e valores dos investimentos, pois, mais importante do que saber investir é saber poupar. Definido essas regras, basta selecionar os melhores produtos por modalidade e comparar as melhores taxas de rentabilidade”, finaliza.

 

CONHEÇA 5 MODALIDADES DE INVESTIMENTOS

LFT: TESOURO DIRETO SELIC

Vem sendo muito usado atualmente, é um Programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a BMF&F Bovespa para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. É uma forma de emprestar seu dinheiro para o governo, tendo diversas formas de rentabilidade e prazos de vencimento. 

Título público pós-fixado atrelado à Selic, sua rentabilidade será indexado a taxa básica de juros da economia. Investimento mínimo de R$ 30. A rentabilidade em 2016 dos Títulos Selic foi de 13,64%. Para um investidor que alocou R$ 200, o rendimento acumulado foi de R$227,28.

 

LTN: TESOURO DIRETO PREFIXADO

Título público que tem sua taxa de juros conhecida no início da aplicação. O investimento mínimo é de R$ 30. A rentabilidade em 2016 dos Títulos Prefixados foi de 13,90%. Para um investidor que alocou R$ 200, o rendimento acumulado foi de R$227,80.

 

 

 

 

CDB: CERTIFICADO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS

Este é um título de renda fixa que é emitido pelos bancos como forma de captação de recursos para financiar suas atividades. Pode ser pós-fixado, normalmente indexado à taxa DI ou prefixado, a uma taxa acordada no momento da aplicação. O investimento mínimo em CDBs é, normalmente, de R$5 mil reais. Tem-se de rentabilidade de 13,5% ao ano. Um investidor que alocou R$200 obteve rentabilidade de R$227,00.

 

 

 

LCI: LETRA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO

A modalidade nada mais é do que um empréstimo que você faz a um banco ou corretora, sendo que esses recursos serão destinados para financiar o setor imobiliário, como a construção e reforma de imóveis. Tem a vantagem de ser livre de imposto de renda, mas não possui liquidez diária O investimento mínimo em LCI pode ser encontrado por R$5 mil, mas, normalmente, é em torno de R$30 mil.

Para um LCI que rende 94% do CDI, tem-se uma rentabilidade de 12,10% ao ano. No exemplo de um investidor que alocou R$200 a rentabilidade foi de R$224,2.

 

CARTEIRA DE AÇÕES

Este é um investimento a longo prazo em ações, comprando direto via Home Broker. Segundo Rafael Panonko, o recomendado é um portfólio de no mínimo cinco ações. As carteiras podem ter objetivos diferentes. A carteira de dividendos, focada em boas ações pagadoras de dividendos, é mais conservadora.

A carteira moderada apresenta maior flexibilidade, buscando proteção em momentos de crise e se arriscar mais em situações favoráveis. Já uma carteira agressiva, busca o máximo de retorno, investindo em empresas com grande potencial de crescimento, porém, com maior risco.

Normalmente, não é recomendado investir menos de R$5 mil em uma carteira. Um investidor que alocou R$5 mil na carteira de dividendos da Toro Radar em 2016, explica Panonko, obteve um retorno de 72,72%. Então, para título de comparação, no exemplo do investidor que alocou R$200, ele obteria R$345,44. Já na carteira moderada, a rentabilidade foi de 54,61%, nesse caso o rendimento seria de R$309,22. E, por fim, a carteira agressiva, que teve rentabilidade de 32,52%, o que daria um rendimento de R$ 265,04.

Observação: Vale lembrar que diante das mudanças nas condições de mercado, os títulos sofrem variações ao longo do tempo com relação a sua rentabilidade. Por isso, os exemplos são somente para título de ilustração. Não foi considerado para efeito de cálculo final o imposto de renda, sendo que o único investimento isento de imposto de renda mencionado acima é o LCI.