FÓRUM

 

 

Pedro Robério,
presidente da
Sindaçúcar- AL

 

PARALISA IMPORTANTES DECISÕES

“A crise política duradoura alonga a conclusão das reformas estruturantes que o Brasil precisa, o que gera incertezas na economia. No mesmo sentido, trava decisões e resoluções importantes por parte do Governo Federal. Como o setor sucroenergético vem demandando decisões fiscais imediatas para restabelecer os investimentos necessários à ampliação da produção e o cumprimento de metas ambientais, pode ser afetado pelo alongamento da crise política.”

 

 

Alexandre Lima,
presidente da Unida
(União Nordestina
dos Produtores
de Cana)

CLIMA DE INSEGURANÇA

“A crise política afeta bastante o setor como qualquer outra atividade no país porque reflete negativamente sobre as questões econômicos e nos setores produtivos, a exemplo do sucroenergético, que já convive com uma grande insegurança para se investir no Brasil. Tal crise atrapalha inclusive o andamento das atuais reformas trabalhista e previdenciária, as quais são fundamentais para o setor produtivo e que precisam ser aprovadas. Porém, elas podem ser paliativas se flexibilizações neste atual contexto de fragilidade do governo atual, com reflexos sobre os congressistas, forem refeitas por um outro governo.”

 

 

 

Ricardo Pinto,
sócio-diretor da RPA
Consultoria

PRÓS E CONTRAS

“Se a crise política afeta a economia brasileira, não há como não afetar o setor sucroenergético brasileiro, seja na redução do consumo de combustíveis e alimentos, seja na dificuldade do acesso ao crédito. Por outro lado, o dólar mais valorizado traz maior atratividade às exportações de açúcar e até de etanol. Todavia, as usinas que possuem dívida em dólar ficam em péssima situação, inclusive porque o próprio preço internacional do açúcar cai praticamente conforme o dólar se valoriza no Brasil. O custo de produção de cana, açúcar e etanol no Brasil, que vinha crescendo fortemente, deverá parar de crescer, o que não deixa de ser um alívio, perante tantas preocupações setoriais e nacionais.”

 

 

Mário Campos,
presidente da Siamig

AFETA O MERCADO,O CÂMBIO E o CRÉDITO

“Uma crise política da dimensão que estamos vivendo afeta todos os setores sem exceção. A falta de perspectivas positivas paralisam as pessoas que ficam mais receosas na tomada de decisões. Com relação ao setor, algumas variáveis são fortemente impactadas pelas crises: câmbio, crédito, demanda do mercado interno e capacidade de decisão e implementação de políticas públicas. Mais da metade do faturamento do setor vem do mercado interno e com a redução da renda do brasileiro praticamente não há crescimento. Sem crescimento econômico a frota de veículos cresce menos, há uma redução dos gastos das famílias, o setor industrial é afetado com impacto direto no consumo de combustíveis, energia e açúcar. Ao mesmo tempo, em uma crise política, a agenda de reformas, tão importante para melhoria do ambiente de negócios no país, é postergada aumentando ainda mais a paralisia do país.”

 

Manoel Ortolan,
presidente da
Canaoeste

NÃO HÁ AVANÇOS

“A crise política pela qual passa o nosso país traz incertezas e inseguranças para os investidores, afetando, dentre outros setores, o nosso agronegócio. Recentemente foi dito em um veículo de comunicação que temos duas linhas, dois ‘Brasis’, uma puxando para um lado e a outra puxando para o outro. Uma hora essa corda vai arrebentar e irá prevalecer um ou o outro. O resultado dessa esfera afeta a todos, afeta a economia, oscilam bolsas e dólar, preços dos produtos etc. Felizmente nossa economia conseguiu avançar um pouco. Taxa Selic caindo assim como a inflação. Isso tem ajudado. Dizemos que o país está estagnado, mas a vida continua. Comércio, indústria, agricultura e serviços continuam, mas não há avanços. É como se tivéssemos um batalhão marchando e seguindo em frente, mas que de repente ele para e continua marchando parado. O nosso setor está buscando políticas públicas que norteiem os empresários, os produtores nas questões do etanol e da bioenergia. Saiu o Novo Plano Safra 2017/18 e sabemos que houve muito empenho para reduzir mais os juros em função da queda da Taxa Selic, mas como discutir o assunto a fundo quando a cabeça certamente está com outro foco? Resumo da ópera: a crise em andamento, essa sim marchando e avançando vem prejudicando a todos. Acredito que, o ditado que ‘crise é também oportunidade’ não serve para o momento.”

 

André Rocha,
presidente do Fórum
Nacional Sucroe-
nergético e da
Sifaeg/Sufaçucar
 

CENÁRIO DE INSEGURANÇA

“A principal questão é que a crise política pode afetar a economia porque constrói um cenário de insegurança que acaba causando retração econômica nas diversas cadeias produtivas. A outra questão que diz respeito a incertezas é justamente a aprovação das reformas, que precisam ocorrer porque se não os indicadores brasileiros vão piorar e inibir os investidores estrangeiros. Um dos pontos positivos do momento é que temos visto, nos últimos anos, um declínio nas taxas de juros, o que é benéfico e primordial para o setor. Primeiro para a diminuição do custo financeiro do setor e também, dentro da própria economia, para que as famílias possam ter mais recurso, mais renda para poderem consumir. A alta do dólar é outro fator que pode ser vista por alguns como positiva, porque ela favorece as exportações, melhora os preços das commodities, mas por outro lado piora o lado das usinas que tem dívidas em dólar. Então esse é o cenário os empresários de uma maneira geral querem e torcem para um cenário de menos turbulências de mais segurança, torcendo para que as reformas sejam aprovadas.”

 

 

Ismael Perina,
produtor de cana

CRISE DE CONFIANÇA

“O setor sucroenergético tem como parte de sua produção o etanol e a energia elétrica. Ambos muito vinculados à estratégia e segurança do país e dependentes de políticas públicas para o bom desempenho. Fica muito claro que a crise política acaba interferindo bastante especificamente no setor e também na economia como um todo, pois a mesma gera desconfiança e este é o pior insumo para a credibilidade. Dias difíceis enfrentamos e infelizmente ainda nos esperam.”