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CAMINHÃO AUTÔNOMO PARA A CANA É LANÇADO

A fabricante de veículos Volvo apresentou na cidade de Maringá, PR, o primeiro caminhão autônomo para a cana. O veículo, testado nos últimos seis meses pela Usina Santa Terezinha, do Grupo Usaçúcar, pode ser, segundo a empresa, a solução para a compactação causada pelo pisoteio do caminhão que faz o transbordamento de cana, que gera perdas de até 10 t por ha. A precisão de 2,5 cm na passagem sobre as linhas do canavial evita este pisoteio. Só para se ter uma ideia da diferença que a tecnologia traz, o modelo não autônomo utilizado hoje no Grupo Usaçúcar, o VM Canavieiro, tem uma precisão de 30 cm. De acordo com o diretor-presidente do grupo, Paulo Meneguetti, a precisão do veículo autônomo é determinante para evitar perdas de produção. “Em cada safra, cerca de 20% do investimento é desperdiçado em função dos problemas de compactação”, diz.

Apesar do nome, o caminhão autônomo da Volvo ainda necessita de um motorista. A autonomia é total no momento da colheita, enquanto o veículo está alinhado à colhedora, mas o motorista precisa manobrar o veículo para a descarga no caminhão que vai transportar a cana até a usina. A máquina foi desenvolvida a pedido do próprio Grupo Usaçúcar. “Queríamos um equipamento que reduzisse o pisoteio e precisávamos de uma tecnologia que tivesse mais precisão e produtividade na colheita. Havia uma demanda de inovação e automação”, conta Meneguetti.

O caminhão automatizado ainda não tem previsão de comercialização. Em dezembro deste ano a Volvo terá a tecnologia de auxílio ao operador, ou seja, o monitor que segue as linhas de plantio importadas dos mapas de plantio que poderão vir de fábrica no modelo VM Canavieiro. O valor da tecnologia será divulgado em outubro durante a Fenatran. “O projeto completo de automação deverá ser finalizado ao longo dos próximos três anos”, afirmou o diretor Comercial da Volvo no Brasil, Bernardo Fedalto.

BRASIL DESENVOLVE COMBUSTÍVEL ESPACIAL À BASE DE ETANOL

Pesquisadores do LCP (Laboratório Associado de Combustão e Propulsão), do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), anunciaram o desenvolvimento de um combustível de foguetes e satélites à base de etanol. “É uma tecnologia nossa e o apelo é estratégico”, diz Ricardo Vieira, chefe do LCP.

O novo combustível tem a vantagem de ser mais barato: um litro custa, em média, R$ 20. Importar a mesma quantidade do combustível mais comum no setor espacial sai até 50 vezes mais caro. Além do etanol, o produto conta com peróxido de hidrogênio e etalonamina, substância muito utilizada em cosméticos.

Esses compostos químicos não agridem a saúde e nem o meio ambiente, ao contrário dos importados, que são tóxicos e cancerígenos. Vieira afirma que o INPE pretende patentear a fórmula. “A Agência Espacial Brasileira já demonstrou interesse em desenvolver um motor para satélite”, afirmou.

METANO A PARTIR DA VINHAÇA CONCENTRADA

Apesar do Brasil ser o segundo maior produtor de etanol do mundo, um desafio ainda persiste na sua produção: a correta destinação da vinhaça. “Na produção de etanol é gerado grande volume de vinhaça, cerca de 10 a 13 l desse resíduo por litro de etanol produzido. Isso significa uma produção anual de cerca de 300 bilhões de l desse material residual”, lembra o engenheiro ambiental Rubens Perez Calegari.

O pesquisador desenvolveu um estudo no programa de Pós-graduação em Microbiologia Agrícola da Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) que aponta uma alternativa para a vinhaça. “Em função do risco de contaminação ambiental por esse material, há necessidade de reduzir o volume desse resíduo. E isso pode ser feito a partir da concentração da vinhaça, que reduz o seu volume, contudo, aumenta sua carga orgânica. Com isso, a produção de metano a partir da vinhaça concentrada pode permitir reduzir a carga orgânica do material, produzir o biogás para a geração de energia e ainda reaproveitar parte da água contida na vinhaça in natura”, complementa Calegari.

Segundo o professor Baptista, as indústrias já têm interesse de implementar a proposta. “Quanto melhor pudermos aproveitar esse resíduo, menor poderá ficar o custo de produção. Além disso, o mercado de energia elétrica tem se apresentado com uma boa oportunidade para o setor sucroenergético. Por esses motivos, o objetivo deste projeto foi a produção de gás metano a partir do uso de vinhaça concentrada”, adiciona.

EM DEZ ANOS SETOR DEIXOU DE EMITIR 9,27 MILHÕES DE T DE CO²

Os setores Público e canavieiro comemoraram os dez anos do Protocolo Agroambiental que, entre outros avanços, evitou a emissão de mais de 9,27 milhões de t de CO²eq e 56 milhões de t de poluentes atmosféricos como monóxido de carbono, material particulado e hidrocarbonetos. Os resultados foram apresentados pelos secretários de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e de Meio Ambiente, Arnaldo Jardim e Ricardo Salles e pela presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

Atualmente, 131 usinas e 25 associações de fornecedores são signatárias do Protocolo, sendo responsáveis por 95% da produção paulista de cana-de-açúcar e 47% da produção nacional de etanol. Graças ao acordo, 94,3% da colheita da cana-de-açúcar das signatárias já é realizado sem o emprego do fogo. Arnaldo Jardim destacou, durante a apresentação dos resultados, a evolução tecnológica da colheita propiciada pelo Protocolo. Na safra de 2007/2008, havia 753 colhedoras de cana próprias e atualmente, são 3.080 colhedoras próprias e 667 terceirizadas utilizadas no processo.

A adesão ao protocolo também beneficiou a produção de bioeletricidade, pois elevou a potência instalada de 1,8 MW para 5,2 MW e também propiciou uma redução de 40% do consumo de água utilizada para o processamento industrial da cana, que era de 1,52m³ por t de cana em 2007 e passou para 0,91m³ por t na última safra. “O setor conseguiu obter ganho de produtividade com menor uso de recursos hídricos na indústria e atingir a meta de 97,4% de área sem a prática da queima”, afirmou Salles.

Outra questão foi o avanço da área agrícola comprometida com boas práticas, que aumentou de 2,68 para 4,90 milhões de ha, abrangendo questões que vão além das regras de produção, como conservação de solo e água, eliminação do uso de fogo e recuperação de áreas ciliares.