EXECUTIVO

 

José Paulo Stupiello

Naturalidade -São Paulo, SP

Idade
-82 anos

Estado Civil
- Casado com Jorgete há 56 anos e tem dois filhos e dois netos

Formação
- Engenharia Agronômica pela Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo) e Doutorado em Tecnologia do Açúcar e do Álcool pela USP

Cargo -Consultor técnico em usinas sucroenergéticas e presidente nacional da Sociedade dos Técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil (Stab)

Hobbies - Viver intensamente o dia a dia do setor e cultivar orquídeas

Filosofia de Vida - “Creio que nunca saberei o suficiente. Ainda tenho muito a aprender.”

Alisson Henrique

Muitas pessoas que viveram neste planeta deixaram seu legado pelos atos que praticaram ou por atitudes que tomaram. Segundo o dicionário Michaelis: “legado é uma disposição feita em benefício de outra pessoa, é deixar algo, de valor ou não, para outro indivíduo ou indivíduos”. Existem e existiram muitos líderes que mudaram a percepção das massas, mostraram suas emoções e investiram em uma nova era na sua área de atuação. No setor sucroenergético não é diferente. Enquanto várias personalidades têm passado e deixado legados no setor, muitas continuam ativas, desempenhando um papel fundamental para a melhoria e inovação de um dos segmentos mais importantes para a economia brasileira.

Um dos exemplos de figura emblemática e que vem fazendo a diferença no setor há mais de 50 anos é o executivo do mês desta edição da RPAnews, José Paulo Stupiello. Chamado carinhosamente por muitos de ‘dinossauro do setor sucroenergético’, Stupiello, hoje com 82 anos, continua trabalhando muito e na busca constante por aprender mais. Essa é sua filosofia de vida. “Creio que nunca saberei o suficiente. Ainda tenho muito a aprender.”

Formado em Engenharia Agronômica pela Esalq-USP (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”), Stupiello revela que a escolha pela profissão começou quando ele notou que tinha muito interesse por assuntos ligados as plantas, ao clima e aos solos. “A minha paixão por essa área surgiu pela paixão que nutri, ao longo da minha infância, pelo solo, pelas plantas e especialmente pelo cultivo de orquídeas.”

Seu primeiro emprego no setor, depois se formar em 1961, foi como assistente técnico da Date (Divisão de Assistência Técnica Especializada) da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado e SP, onde convivia diariamente com plantas tropicais como seringueira, banana, cacau e pimenta do reino. “Fiquei nesta função de l962 a 1963. Minha segunda atividade, já em 1963, foi como professor do Departamento de Tecnologia do Açúcar e do Álcool na Esalq, onde lecionei por 32 anos. ”

 Considerado por muitos como uma das pessoas mais influentes que o setor já teve ao longo dos últimos anos devido aos serviços prestados, Stupiello tem acompanhado presencialmente as principais mudanças que a cadeia sucroenegética viveu nas últimas décadas. Ele explica que um dos segredos para estar na ativa há tanto tempo é manter-se sempre atualizado para que assim seja possível adquirir e conseguir passar conhecimentos aos outros. No entanto, ele tenta desmitificar toda a importância dada a sua pessoa e diz que é apenas mais um entre tantos membros no setor sucroenergético que une paixão e dedicação ao tema.

 

FAZENDO HISTÓRIA

Muitas entidades carregam um passado de lutas e conquistas. A dificuldade quase sempre está em encontrar a melhor maneira de se reinventar e reciclar a herança histórica. A resposta parece estar nos homens que comandam esses desafios. Stupiello comanda a Stab (Sociedade dos técnicos Açucareiros e Alcooleiros do Brasil), há 27 anos. Foi eleito presidente da entidade em 1990, mas entrou para a sua história por ser um de seus sócios-fundadores junto a um grupo de mais 83 técnicos do setor, liderados por Gilberto Miller Azzi, que, reunidos no pavilhão de Entomologia da Esalq, em 1963, decidiram criar uma entidade que fosse capaz de congregar profissionais interessados pelo progresso e aperfeiçoamento da pesquisa científica na agroindústria açucareira do Brasil.

No comando da organização, Stupiello vem conquistando e somando sucessos e realizações, e, ao mesmo tempo, é testemunha e também o responsável por uma das mais importantes associações de técnicos do setor sucroenergético do Brasil. “Como objetivo básico ficou acordado que a Stab teria que propiciar um intenso intercâmbio científico e cultural entre as várias regiões produtoras de cana, açúcar e álcool, não só do Brasil, como também de exterior”, explica Stupiello, que esteve recentemente fazendo exatamente isso, recebendo visitantes da Angola que vieram interessados em conhecer mais sobre as tecnologias do setor no Brasil.

“A ideia fundamental de formar a Stab foi do professor Jayme Rocha de Almeida, que influenciado por outros países, achava que havia necessidade de fundar uma associação de técnicos para disseminação de tecnologia. Creio que a Stab conseguiu se transformar no maior entidade de disseminação de tecnologia do país. Conseguimos realizar três eventos de caráter internacional (ISSCT) em 1977, 1989 e 2013 sem nenhum apoio governamental, como ocorre na maioria de outros países, além de outros dez congressos nacionais”, destaca.

O que se deu de uma reunião de 83 técnicos, hoje congrega mais de 3 mil associados do Brasil e do exterior. “Os eventos no seu contato com os técnicos prestam bons serviços e transferem tecnologias no exato momento das necessidades do setor. E, com o auxílio da Stab, passam a identificar com antecedência as futuras demandas para atender ao mercado. Este é um legado que a companhia conquistou desde a sua criação e, com o passar do tempo, foi aprimorando em seu processo junto ao associado. Hoje, somos vistos como uma entidade referência da agroindústria da cana-de-açúcar do Brasil e isto é resultado do esforço de muitos que há 50 anos valorizam a importância de manter viva a inspiração e a difusão da tecnologia da cana-de-açúcar do Brasil”, destaca.

Stupiello diz que se pudesse se resumir em uma
única frase ela seria: “vontade de aprender”

PAIXÃO PELO SETOR

Mesmo depois de mais de 50 anos passando muito conhecimento a alunos e colegas do setor, Stupiello afirma que ainda tem muito a aprender e a dar ao setor. “No momento estou em busca consolidar algumas ideias ainda não consolidadas pelo setor, que teve um desenvolvimento significativo nos últimos anos, mas que no momento está um pouco retraído. Acredito que ainda tenho muito com o que contribuir”.

Entre muitas viagens que ainda se dispõe a fazer, ele conta que não tem uma rotina de vida muito estabelecida. Suas atividades diárias dependem do momento. “A única rotina definida que tenho é na questão de atender algumas unidades com as quais mantenho vínculo. Organizo-me entre os espaços que disponho, entre as visitas técnicas nacionais e exteriores”.

É a dona Jorgete, com que é casado há 56 anos, que o acompanha em muitas das suas viagens e eventos. Ela faz sempre questão de estar ao lado dele. Jorgete e Stupiello se conheceram por intermédio do pai dela, que era professor dele na Esalq. Deste longo e sólido relacionamento nasceram os filhos Maria da Graça, 53 anos, e Jaime José, 51, e seus dois netos: Maria Gabriela, 17, e Bruno, 15.

Além do setor e da sua família, Stupiello nutre uma outra paixão: o cultivo de orquídeas. Ele conta que carrega esse hobby consigo por mais de seis décadas. “Meu principal hobby é viver diariamente o setor sucroenergético, seja doméstico ou exterior. Mas me dedico bastante também ao cultivo de orquídeas, é uma paixão, um hobby de mais 65 anos.”

Mesmo depois de muito tempo no setor, ele salienta a importância de estar sempre se reciclando e aprimorando seus conhecimentos, pois acredita que nunca saberá tudo. ”Mesmo com a experiência que acumulei durante todos esses anos, nunca saberei o suficiente. Acredito que ainda tenho muito a aprender.” Para concluir, ele revela carregar consigo o mantra de respeito máximo ao próximo e diz que se pudesse se resumir em uma única frase ela seria: “vontade de aprender”. (Colaboração de Alisson Henrique com supervisão de Natália Cherubin)