O Brasil vai mal e o setor canavieiro vai bem. Isto é sustentável?

Por: Julio Maria M. Borges

I – A safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil: produção elevada, exportações recordes, mercado interno abastecido com restrição.

Segundo a JOB Economia e Planejamento, a safra de 2016/17 na região Centro-Sul apresentará redução na moagem de cana-de-açúcar, quando comparada com a última safra 2015/16, em torno de 2,5%. A renovação dos canaviais e tratos culturais ainda foram deficientes, além disso, pragas e doenças que foram verificados com mais intensidade na atual safra trouxeram influências nesta redução de moagem.

A previsão de moagem de cana-de-açúcar para 2016/17 no Centro-Sul é de 602 milhões de  toneladas, algo em torno de 15 milhões de toneladas abaixo da safra anterior 2015/16.

O destaque da atual safra é a elevada produção de açúcar, que é cerca de 4 mi t maior que a da safra passada, motivada por preços atrativos no mercado internacional. Esta condição levou o Brasil a apresentar exportações recordes que estimamos em torno de 27 milhões de toneladas. Isto é muito próximo de 50% das exportações mundiais de açúcar.

 

No caso do etanol a produção total estimada é inferior àquela do mesmo período da safra passada em 2,8 bi litros, puxada pela queda na produção de hidratado de 2,9 bi l. Dai o abastecimento do mercado interno de carros flex ter sido feito com restrição e com preços relativamente altos.

Quanto aos preços, estes foram acima dos custos totais de produção (incluindo depreciação e juros) , o que não ocorria desde 2012. Esta condição vai permitir uma melhora significativa na situação econômico-financeira das usinas. Pelo menos no caso de usinas com gestão competente.

II – O Brasil vai mal. Pode melhorar?

A situação econômica e política do Brasil está complicada e desanimadora.

Por outro lado, se olharmos nossa história, particularmente o ano de 1822, quando conseguimos nossa independência de Portugal, podemos concluir que a saída da crise é relativamente fácil.

Na época de nossa independência 90% da população brasileira era analfabeta e 2/3 da população era negra ou indígena. Ou seja, os brancos administravam o tempo todo o medo de uma revolta da maioria.

O Brasil era dividido em províncias que se reportavam diretamente a Portugal. Ou seja, o risco de divisão territorial com a independência era grande .

A proclamação da independência tinha tudo para dar errado. E deu certo. Quatro pessoas, incluindo Dom Pedro I, sustentaram a transição, que não foi fácil.

Hoje os principais medos daquela época não mais existem. Contudo dependemos de homens que sejam líderes competentes e pensem no bem do Brasil. É possível isto? É possível, esperança existe, mas a solução não será fácil.

A solução de nosso problema econômico e político se faz urgente pois é a única condição necessária e suficiente para dar ao Brasil as condições de competitividade e eficiência econômica que vão garantir a sustentabilidade de nosso desenvolvimento econômico.

Sem isto, nem o setor canavieiro do País sobreviverá no longo prazo.

Por: Julio Maria M. Borges, sócio-diretor da JOB Economia e Planejamento.

Topo