CONJUNTURA

 

Natália Cherubin

Para sobreviver neste campo disputado que é o agronegócio, além das habilidades mínimas comuns à área, como experiência profissional e qualificação na área de atuação, o planejamento de carreira e a busca por novos conhecimentos através do estudo vem ganhando muita importância nos últimos anos, principalmente diante das constantes inovações tecnológicas e novas metodologias que surgem para a agroindústria, que precisam ser acompanhadas e dominadas de perto pelos profissionais que ali atuam.

Para quem busca não só renovar seus conhecimentos específicos, mas também em obter ascensão na carreira executiva, os programas de MBAs e pós-graduações são opções ideais, pois permitem, em um menor tempo, uma sólida formação, com troca de experiências e capacitam os profissionais a lidar com situações adversas e a superar limites, aumentando a sua capacidade de buscar melhores resultados para as organizações em que atuam ou desejam atuar. Quem procura especialização sem dúvida terá um diferencial na hora de concorrer às melhores vagas.

O MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia é o único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética e já está em sua quinta turma em Sertãozinho, SPO MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia é o único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética e já está em sua quinta turma em Sertãozinho, SP

Para Paulo Roberto Gallo, presidente do Ceise BR, a oferta de cursos de alto padrão de qualidade, como os que vêm sendo disponibilizados atualmente para profissionais do setor sucroenergético, é sempre um fator importante de aprimoramento de carreiras. “Em tempos de baixa na economia, com um mercado de trabalho extremamente desafiador, dada à redução de ofertas de boas posições, estes cursos podem representar um significativo diferencial competitivo para aqueles que buscam novas oportunidades no mercado ou que buscam solidificar suas atuais posições através da melhoria de seu desempenho em função de novos conhecimentos que venham a ser adquiridos por meio das aulas ministradas por professores de reconhecida qualidade, tantos em aspectos teóricos, quanto na visão prática das disciplinas contempladas.”

De acordo com Silvio Luiz de Flório, coordenador do curso presencial de Gestão de Pessoas nas Organizações, da Faculdade Barão de Mauá, de Ribeirão Preto, SP, os cursos de especialização proporcionam aos alunos uma visão integrada da moderna gestão de pessoas nas organizações dentro de um contexto competitivo e globalizado. “Possibilita ao aluno conhecer, vivenciar e desenvolver um projeto de conclusão de curso que vise a compreensão da interdisciplinaridade das disciplinas do curso, assim como, adequar o futuro profissional a ter uma visão ampla da organização e de seu negócio ”, opina.

A qualificação profissional é de suma importância para o desenvolvimento do setor sucroenergético, para Osmar Rosanese, coordenador geral do Programa de Pós-graduação do Centro Universitário Moura Lacerda, que oferece cursos de Graduação em Agronomia e MBAs em Gestão Estratégica de Pessoas, Logística e Supply Chain, Controladoria e Finanças, e Marketing e Vendas. “Hoje é possível observar a constante busca por melhores desempenhos no ambiente empresarial e que isso tem sido uma das maiores preocupações dos gestores atualmente. O talento é o maior diferencial da economia criativa. Porém, todos aqueles que almejam liderar neste mercado, precisam também se capacitar para empreender e gerir negócios com os olhos postos no futuro.”

Segundo Fabio Matuoka Mizumoto, coordenador Acadêmico do MBA em Agronegócios da FGV-Management, que surgiu em 2006, 80% do público que procura este curso é formado por profissionais que já atuam no agro. Além destes profissionais já experientes, as turmas são compostas por filhos de produtores agrícolas ou pessoas que trabalham com os negócios da família ou estão se preparando para isso. “Mas é importante destacar que pessoas de outras áreas acabam buscando especializações no setor porque sabem que o agronegócio é um mercado com um futuro muito consistente.”

O MBA em Agronegócios é o carro-chefe do Pecege, que nasceu como grupo de extensão da USP/Esalq, e a sua procura é bastante grande, segundo o professor Pedro Marques, coordenador do Pecege. “Embora tenhamos alunos de diversas áreas neste curso, notamos uma crescente procura por profissionais que atuam indiretamente no setor e que precisam conhecer melhor a dinâmica do agronegócio. Bancos, consultorias e outros serviços relacionados são alguns exemplos deste público.”

Entendendo a importância da qualificação profissional, em 1985, a diretoria da Udop (União dos Produtores de Bioenergia) firmou uma parceria com o Planalsucar para que os cursos de aperfeiçoamento tecnológico passassem a ser feitos pela entidade. Vanessa Olivieri, coordenadora da UniUdop (Universidade Corporativa da Udop), conta que universidade surgiu a partir dos cursos de pós-graduação que a Udop passou a oferecer a partir de novembro do ano de 2000. “Antes dos cursos surgirem, os profissionais que eram contratados pelas usinas vinham, na maioria das vezes, dos bancos das universidades, sem experiência prática em cana-de-açúcar ou ainda, eram profissionais que tinham ligação com a pecuária extensiva, cujas terras ocupavam o Oeste Paulista. Daí a necessidade de treinar estes profissionais, habilitando-os para o trabalho com cana-de-açúcar”.

 

CURSOS ESPECÍFICOS PARA O AGRONEGÓCIO

A UniCeise surgiu em 2007, através de uma parceria com a UFSCar para a implantação da primeira turma de MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, em Sertãozinho, SP.

Segundo o coordenador do curso de Pós-Graduação Lato sensu “MTA” (Master of Technology Administration) em Gestão Tecnológica Industrial Sucroenergética da UFSCar, Octávio Antonio Valsechi, em 2007, quando o setor sucroenergético estava em plena expansão, muitas unidades industriais entraram em contato com a universidade solicitando indicação de profissionais capacitados para atuar nas mais diversas atividades da cadeia da cana-de-açúcar.

Naquela época, Sertãozinho, muito dependente do setor, também procurava profissionais com experiência nas mais diversas áreas. A partir de uma conversa entre UFSCar e a diretoria do Ceise Br, foi criada uma parceria entre a entidade de maior representatividade no setor e a universidade, surgindo então, efetivamente, em dezembro de 2010, visando capacitar e aperfeiçoar conhecimento de profissionais que estão atuando ou desejam atuar nesta área.

“De 2007 até a presente data, vitórias foram conseguidas como, por exemplo, o MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia e único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética (UFSCar). Estamos na quinta turma em Sertãozinho, de um total de 12 em três cidades diferentes, o que caracteriza a UniCeise como pioneira na oferta deste curso”, revela Valsechi.

Os cursos ofertados hoje são o MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, com a sua 5ª turma em andamento (UFSCar), MBA em Agroenergia (Esalq), MBA em Gestão Estratégica (ESALQ) e MBA em Gestão Empresarial no Setor Sucroenergético (Fundace).

“Além da 5ª turma em andamento do MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, a UniCeise está com inscrições abertas para o curso de aperfeiçoamento Gestão Eficaz na Indústria de Base do Setor, também em parceria com a UFSCar, com data de início prevista para 17/09 e duração de oito meses. Os cursos de especialização são certificados por universidades como UFSCar, Fundace/USP, Esalq/USP, e ministrados por professores doutores e titulares dessas instituições, além de profissionais de renomada experiência no setor privado”, explica Valsechi.

A UniUDOP oferece atualmente quatro MBA´s: em Estratégia e Gestão Agrícola no Setor da Bioenergia, em Operações Agroindustriais no Setor da Bioenergia, em Controladoria, Custos e Planejamento no Setor da Bioenergia e em Estratégia e Gestão Industrial no Setor da Bioenergia

Segundo Vanessa, a UniUDOP também realiza cursos em diferentes áreas, desde operacionais, através do Programa Qualifica, realizado na modalidade In Company, além dos cursos de aperfeiçoamento tecnológico nas áreas Administrativa/Financeira; Agrícola; Controladoria, Planejamento e Custos; Industrial; e Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Trabalho.

Atualmente a entidade trabalha também na formatação, juntamente com uma comissão de notáveis das usinas, de cursos de qualificação de curta duração, que visam atender uma deficiência de mercado. “A UniUdop trabalha diuturnamente para fechar novas turmas, sendo necessário, para isso, a matrícula de um número específico de alunos por curso, que possuem módulos semestrais, o que também facilita muito a vida do aluno, propiciando, com isso, a transferência entre cursos com aproveitamento dos créditos já realizados”, salienta Vanessa.

De olho no agronegócio, a FGV lançou o seu MBA em 2006. De acordo com Mizumoto, na época, com o crescimento do setor cresceu também a procura por cursos específicos na área. O MBA, que é presencial e pode ser realizado em São Paulo, na sede da FGV ou em Ribeirão Preto, SP, na sede da Estácio, tem duração de dois anos e chega a formar seis turmas por ano.

“Nosso corpo docente tem mais de 50 profissionais que atuam no agronegócio. Muito deles inclusive tem uma formação de mestre ou doutor. O grande diferencial é trazer profissionais que atuam no dia a dia do campo, tanto para poder transmitir as particularidades quanto nas atualidades do setor. São ministradas 17 disciplinas focadas no agro, então o aluno ganha muito conhecimento em todas as áreas que cercam este segmento.”

Atualmente, o Pecege ministra o MBA em Agronegócios, o curso Gestão de Marketing em Agronegócios Pecege/Makestrat e os Cursos Rápidos Pecege, com diversos temas na área. Segundo Marques, somando turmas presenciais e EAD, mais de 40 já se formaram. Os cursos tem durações desde seis meses até um ano, dependendo da grade de cada programa.

“O MBA em Agronegócios USP/Esalq é completo. O programa envolve o módulo de Economia e Gestão e o módulo Agronegócios, que transmite a dinâmica de mercado das principais commodities agrícolas. É um curso avaliado como excelente pelos alunos. Os docentes são da USP, além de convidados de renome no mercado. O Gestão de Marketing no Agronegócio ou Agromarketing como vem sendo chamado, traz os melhores profissionais da Markestrat como professores e capacita profissionais do agronegócio para atuar em áreas de Marketing Estratégico e Operacional voltado para o desenvolvimento de negócios com os produtores rurais”, destaca Marques.

As aulas presenciais são ministradas no Campus da Esalq-USP em Piracicaba, SP. Em Cuiabá, MT, as aulas acontecem no Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Mas o Pecege também oferece aulas em EAD (Ensino a Distância). Os cursos hoje disponíveis são o MBA em Agronegócios USP/Esalq, o qual abre duas turmas por semestre, normalmente com início em maio e agosto/setembro. E o de Gestão em Marketing do Agronegócio, que abre turmas a cada três meses (próxima turma começa em outubro).

Hoje o capital intelectual é um dos maiores diferenciais diante da competitividade do mercado de trabalho. Destaca-se quem tem experiência profissional e boa qualificação

 
CURSOS A DISTÂNCIA PARA O SETOR AINDA SÃO RAROS

Mesmo com avanço da tecnologia, os cursos em EAD ainda fazem parte de uma pequena parte das instituições. Segundo Patricia R. Miziara Papa, coordenadora do curso EAD, MBA em Gestão Estratégia de Pessoas do Barão de Mauá, mesmo que a oferta desta modalidade seja pequena, os cursos que já existem em formato EAD trazem inúmeros benefícios aos estudantes, como a organização pessoal do tempo e do ritmo de estudo.

“O EAD garante autonomia e flexibilidade para os alunos que trabalham e proporciona ganhos pedagógicos, uma vez que permite trocas importantes com colegas de curso de todas as partes do Brasil. ”

De acordo com ela, é preciso entender que o EAD é apenas o recurso. “O cuidado rigoroso com os conteúdos, com o aprendizado do aluno e com a disponibilidade dos docentes para resolução de dúvidas é o mesmo dos cursos presenciais. Quem pensa que por ser EAD há perda na qualidade, se engana!”

Topo