FÓRUM

Natália Cherubin

TRANSPARÊNCIA NAS RELAÇÕES

A Governança Corporativa ganha cada vez mais importância no mercado. Um dos grandes desafios não só para o setor, mas para todas as empresas, é prover uma maior transparência nas relações. Atuar com uma equipe de trabalho, em todos os níveis, perfeitamente alinhada com os princípios éticos e que tenha no seu escopo de trabalho a análise dos impactos de suas ações na comunidade em que está inserida. As ações precisam ser monitoradas visando prevenir e identificar desvios. Afinal, uma efetiva prática de governança pode proporcionar o aumento do valor da empresa, facilitar seu acesso a crédito e a novos mercados, contribuir para a sua perenidade e para uma sociedade mais justa e sustentável.”

Claudinei Jose Nogueira, gerente de Recursos Humanos da Pedra Agroindustrial

 

IMPROVISO, DISSIMULAÇÃO E IMATURIDADE TÉCNICA

“Em nossa experiência com o setor, podemos afirmar que os três maiores desafios na gestão da Governança Corporativa hoje são: a) Maturidade técnica: enquanto a maioria dos setores há décadas já empregam os conceitos mais avançados de gestão, o setor sucroenergético só há poucos anos começou a se preocupar com novas metodologias e modernização de processos; b) Congruência: este desafio acaba se originando do anterior, pois na governança torna-se ainda mais difícil praticar o que se prega. Por exemplo, o corporativo estabelece uma diretriz para redução de passivo trabalhista, mas também estabelece metas de produção. Na prestação de contas ao corporativo a unidade afirma defender e empregar ambas as diretrizes, mas manipula as informações relacionadas ao passivo trabalhista para garantir a produção. Ou seja, diz agir de uma forma e na prática agem de modo diferente; c) Integridade das informações gerenciais: toda informação inserida em um sistema ou em uma planilha eletrônica por uma pessoa está sujeita a equívocos, podendo inclusive serem equívocos intencionais. Criar métodos seguros de entrada das informações nos sistemas de gestão que possibilitam a tomada de decisão em nível corporativo é um outro desafio a ser considerado. Em suma, o improviso, a dissimulação e a imaturidade técnica são verdades preocupantes e muitas vezes negadas, mas que devem ser tratadas antes mesmo de se falar dos conceitos centrais da Governança Corporativa.”

Ricardo Bortoli, consultor da Cadenc

TRANSPARÊNCIA

O setor sucroenergético tem evoluído muito nos últimos anos em alguns requisitos da gestão dos seus negócios, o que inclui a preparação para a prática da Governança Corporativa. Porém, o setor ainda é dominado por empresas familiares, com o comando concentrado nas mãos do dirigente maior. Já há um movimento claro dessas mesmas empresas para a migração da gestão tradicional para uma mais profissional, fruto das necessidades naturais que o mercado vai impondo a todos os segmentos de tempos em tempos. Também muitas empresas passam a buscar essa profissionalização da sua gestão com o objetivo de abertura do seu capital. Ainda temos, como setor, um longo caminho a percorrer, já que essa prática exige da organização e a transcendência em pontos que ainda estão longe de estar evoluídos. O sistema de governança começa com boas práticas em todos os níveis, já que ele se dedica a prestar contas ao exigente e alerta grupo dos stakeholders. Dentro os princípios básicos da Governança Corporativa (transparência, equidade, accountability e responsabilidade corporativa), destaco aqui a transparência como fator vital para o processo em questão. E acho que há um caminho trabalhoso pela frente quando pensamos no aspecto da prática da transparência. E não estou falando aqui somente do que vemos, do que está explícito e sendo tratado nos fóruns sobre este assunto, mas do que está também, e principalmente, no subliminar. Como profissional que tem o olhar voltado para o todo, não posso deixar de citar a insuficiência que ainda apresentamos no trato das relações e parcerias, internas e externas. E na forma que ainda enxergamos, operamos, tratamos e decidimos dentro do nosso negócio. Mas acho que há muito espaço para essa conquista.”

Beatriz Resende, consultora especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional da Dra.Empresa

MUITO O QUE EVOLUIR

“Como o setor sucroenergético ainda possui uma grande quantidade de empresas cujos acionistas, em sua maioria, são de uma mesma família, o tema Governança Corporativa ainda tem muito o que evoluir. Os exemplos são vários. Há ainda companhias cujo presidente (ou diretor executivo) também é o presidente do Conselho de Administração, tornando ineficaz o papel do próprio Conselho. Também é comum achar Conselhos de Administração de usinas que não tenham o mínimo de 20% de membros independentes. Há usinas que nem Conselho Fiscal ainda possuem. Outra característica fácil de identificar é de usinas e grupos que nem publicam balanço anual auditado por empresa de primeira linha. Em várias das companhias limitadas do setor não existe a obrigatoriedade de divulgar os termos de contratos firmados entre a companhia e partes relacionadas. Finalmente, vale dizer que poucos são os estatutos ou acordos de acionistas de companhias sucroenergéticas que preveem a extensão para todos os acionistas das mesmas condições obtidas pelos controladores quando da venda do controle da companhia (tag along). Assim, é comum encontrar usinas e grupos em crise dentre seus acionistas, principalmente quando da passagem da segunda para a terceira geração. Como tivemos uma longa crise de preços de açúcar e etanol recentemente, estes problemas foram potencializados. Temos muito o que evoluir em termos de governança corporativa.”

Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria

LIDERANÇAS

“Entendo que evoluir em Governança Corporativa é um grande desafio para a maioria das organizações, entre elas as do setor sucroenergético. É preciso definir políticas que atendam os princípios legais e éticos, e que sejam aderentes às estratégias traçadas para o negócio e às melhores práticas de mercado em gestão, especialmente de pessoas. Isso é fundamental. Implantar, divulgar de forma ampla e transparente estas políticas e segui-las com equidade é outro passo fundamental. Outras práticas importantes como pesquisas periódicas de clima organizacional, busca incessante das soluções para os problemas detectados e canais para recebimento de denúncias, também favorecem melhorias na gestão corporativa. No entanto, é pouco provável que os desafios de governança sejam efetivamente superados sem o desenvolvimento de um grupo de lideranças, nos mais diversos níveis hierárquicos, efetivamente preparados para seu papel de gestor. Estas pessoas devem ser exemplos em seus comportamentos dentro do que está estabelecido como cultura de uma organização que busca excelência em Governança Corporativa.”

Márcia Regina Frasson, gerente de Recursos Humanos do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira)

 
 
 
 
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