por editor

 Apesar de 31 usinas de açúcar e álcool já terem encerrado a safra 2016/17 no centro-sul brasileiro, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), até a primeira quinzena de outubro, as empresas do setor instaladas na região de Araçatuba devem prosseguir com a moagem pelo menos até o final deste mês.

Das 17 unidades industriais do setor sucroalcooleiro instaladas na região, incluindo a 
usina Renuka - unidade Madhu, em Promissão, a reportagem conseguiu falar com cinco. Outras cinco pertencem à Raízen, que não informou sobre a previsão de encerramento da safra nas unidades instaladas em Bento de AbreuAraçatubaAndradinaMirandópolisValparaíso.

grupo Clealco, que possui unidades em Clementina, Penápolis e Queiroz, por exemplo, informou que a estimativa é de que a safra não seja interrompida e possivelmente a moagem siga durante todo o mês de dezembro nas três unidades, podendo chegar até meados de janeiro, segundo a assessoria de imprensa do grupo.

usina Da Mata, de Valparaíso, é a única que deve encerrar a moagem neste mês. Entretanto, dependendo do clima, o encerramento da safra poderá ser adiado. Em caso de chuva intensa, por exemplo, o trabalho pode ser suspenso por alguns dias e depois retomado. De acordo com a empresa, neste ano houve menor quantidade de cana à disposição, se comparado com a safra anterior.

Na 
usina Diana, de Avanhandava, a moagem deve seguir pelo menos até dezembro, apesar de a empresa ainda fazer o levantamento sobre a produção. No ano passado a indústria não parou. A usina informa que devido ao clima, o TCH (Tonelada de Cana por Hectare) está um pouco abaixo do esperado e a produtividade menor. Para o próximo ano, a moagem na Diana deve ter o início antecipado. Normalmente a safra começa em abril.

usina Pioneiros/Santa Adélia, em Sud Mennucci, prevê o encerramento da safra para 8 de dezembro. A unidade regional deve contar com o apoio de uma frente de colheita que virá de Jaboticabal, onde está instalada a matriz do grupo, para manter a moagem.


Quebra

O presidente-executivo da UDOP (União dos Produtores de Bionergia), Antonio Cesar Salibe, explica que para o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a safra da cana-de-açúcar no Brasil começa em 1º de abril e termina em 31 de março. Entretanto, na prática, não há uma data definida para que as usinas iniciem ou encerrem a moagem.

De acordo com ele, houve quebra de safra e com isso, usinas da região também devem encerrar a safra antes do que cada uma havia programado. Além disso, a produtividade na safra atual está menor do que o esperado, de acordo com ele. "A queda na produtividade ocorre em função da chuva, que foi irregular, pois caiu em alguns lugares e em outros não. Também tivemos duas geadas, uma delas na região de Andradina ", comenta.

Segundo Salibe, a produção do setor sucroalcooleiro foi voltada mais para o etanol, apesar de a produção de açúcar ter sido maior do que nas safras anteriores. A tendência, de acordo com ele, é que o quadro se repita no próximo ano, caso o açúcar, que é uma commodity, continue valorizado na Bolsa de Nova York.

Sobre o preço do etanol, ele comenta que também deve se manter em alta, principalmente em função da entressafra ser mais longa. "O setor está tentando se recuperar, mas as empresas que tiveram problemas financeiros devido à desvalorização dos produtos podem não sobreviver", diz.


Cotação

Dados do Cepea/Esalq/USP mostram que o etanol hidratado, utilizado diretamente nos veículos, fechou a última semana de outubro cotado a R$ 1,9007 (sem impostos), com ligeiro recuo (-0,3%), ante a semana anterior (R$ 1,9062), o que interrompeu a sequência de altas que vinha sendo observada há dois meses.

Ainda assim, os valores são recordes para o período. Cotações semelhantes foram marcadas em fevereiro deste ano e início de março, quando os estoques estavam bastante reduzidos e as unidades produtoras já se preparavam para iniciar a safra 2016/17. 


Empregos

O Sindalco (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e da Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Biocombustível) informa que, por enquanto, não houve rescisões de contrato em massa na região, como ocorre no final de safra das usinas. Até o momento, também não rescisões em grande quantidade agendadas.


Fonte: Folha da Região - Araçatuba/SP