EXECUTIVO

 

Paulo Roberto Artioli

Naturalidade - Macatuba, SP

Formação - Engenheiro agrônomo pela Fundação Pinhalense de Ensino

Cargo - Produtor rural

Hobbies - Estar com a família, os amigos e praticar esportes náuticos

Filosofia de vida  - “Amar o próximo e fazer tudo com amor e competência. ”

 

Natália Cheruin

“Amor pela terra”. Essa frase define bem o executivo deste mês, um dos produtores de cana mais conhecidos do setor canavieiro. Betão, como é mais chamado pelos colegas, Paulo Roberto Artioli, construiu, junto com outras duas famílias produtoras de cana, a Tecnocana, uma das principais empresas produtoras e fornecedoras de cana-de-açúcar do Grupo Zilor.
Sua paixão pelo agronegócio começou bem cedo. Ele conta que os pais, Elpídeo e Mariza, logo perceberam sua forte ligação com a terra, transmitida pela convivência com os avós, produtores de café. “Lembro-me que na fazenda costumava brincar e aprender a fazer as mudas de café nos viveiros. Com isso meu amor pela terra só cresceu!”

Ao lado da esposa, Izabel, em uma de suas viagensAo lado da esposa, Izabel, em uma de suas viagens

Após concluir o ensino primário em sua cidade natal, Macatuba, SP, Betão viajava com minha mãe todos os dias para Lençóis Paulista, SP,  onde começou a estudar na mesma escola onde sua mãe trabalhava. “Completando o ginásio, fiz os dois primeiros anos do colegial em São Paulo, no colégio Objetivo, e o terceiro ano e cursinho preparatório para vestibular conclui na cidade de Piracicaba, SP.”
Após dedicar-se aos estudos, Betão passou em Engenharia Agronômica na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (ENA), na modalidade Mecanização Agrícola, mas acabou transferindo seu curso para Espírito Santo do Pinhal, SP, onde estudou na Fundação Pinhalense de Ensino e formou-se na modalidade Fitotecnia. Ao terminar a graduação, seu pai sugeriu que ele fosse trabalhar como gerente na empresa Disimag, a qual era acionista.
“A Disimag era uma distribuidora de máquinas e implementos agrícolas da marca Massey Ferguson. Entrei para gerenciar a revenda da cidade de Bauru, SP, onde atendia oito municípios. Mesmo assim, me mantive sempre em contato com o campo. Com esta gestão adquiri experiência e maturidade para, em 1990, gerir as fazendas de minha família, que já tinha como cultura principal a cana-de-açúcar. Tocávamos as lavouras de cana desde o plantio até a colheita, fornecendo o produto para a Usina São José, do grupo Zilo Lorenzeti, em Macatuba, assim como tínhamos uma estrutura de prestação de serviços de corte, carregamento e transporte, que também atendia parentes e vizinhos produtores. Como já éramos fornecedores tradicionais do grupo acabei sendo convidado para uma nova parceria agrícola”, revela Betão.
O Grupo Zilo Lorenzeti ofereceu uma área de 3.490 ha, onde Betão e a família fariam o plantio e o fornecimento de cana à unidade. Na época foi um enorme desafio, segundo ele, pois as regiões dos municípios de Borebi e Agudos, SP, possuem ambientes de produção muito restritivos, como solos arenosos. Acostumado com ambientes de solos argilosos e preocupado com a distância e o tamanho da área oferecida, Betão então propôs ao grupo dividir as terras com outras duas famílias, também fornecedores tradicionais do Zilor.
“O grupo aceitou a proposta da divisão das terras e analisamos as estruturas. Foi aí que decidimos fazer uma sociedade. Em 2000 nascia a Tecnocana, uma empresa composta pela fusão de três famílias e que, além de fornecer cana para a usina, também prestava serviços de corte, carregamento e transporte para os sócios em suas terras particulares. Desde então, a Tecnocana cresceu progressivamente com muito esforço e dedicação e acabou conquistando a confiança da Zilor, que nos ofereceu mais terras para trabalharmos em parceria. Outras empresas foram convidadas para trabalhar dentro do mesmo modelo de parceria com o Grupo Zilor, e, em 2008, com o ‘boom’ da cana-de-açúcar, vieram as expansões de áreas. Foi quando nos ofereceram mais terras”, acrescenta.
Hoje a Tecnocana possui uma área de aproximadamente 12.740 ha, localizados nos municípios de Macatuba, Lençóis Paulista, Agudos e Borebi, entregando cana para a Usina São José (Macatuba) e a Usina Barra Grande (Lençóis Paulista). A parte agrícola das Usinas São José e Barra Grande hoje é totalmente delegada às 26 empresas parceiras. Nesta safra 2016/17 a Tecnocana entregará cerca de 800 mil t de cana-de açúcar para o grupo.

 

EM BUSCA DA CANA DE TRÊS DÍGITOS
Ao lado da esposa e da enteada, suas companheiras de viagemAo lado da esposa e da enteada, suas companheiras de viagem

Com o fim das queimadas, o setor sucroenergético enfrentou os grandes desafios impostos pela mecanização. A Tecnocana, assim como muitas outras empresas do setor, precisou correr atrás de novas tecnologias, sem deixar de lado a busca pela maior produtividade. Segundo Betão, este período envolveu grandes investimentos e a organização de novos modelos de trabalho para que fosse possível atingir os objetivos da empresa.
Com isso, a Tecnocana investiu em agricultura de precisão com a incorporação do piloto automático nas máquinas envolvidas nos processos de plantio e colheita, e sistemas de aplicação em taxa variável nos implementos de corretivos e adubos; preparo do solo profundo, a fim de melhorar o enraizamento e mudança nos traçados, que foram também melhorados para melhor rendimento das colhedoras (em alguns lotes foram realizadas as sistematizações); resgate da sanidade das mudas, utilizando na maioria dos viveiros as mudas pré-brotadas; mudança no espaçamento de 1,10 m para 0,90 x 1,50 m, que proporcionou um melhor rendimento das máquinas, melhor controle de trafego, respeitando as linhas de cana e acabando com a compactação na linha de cana; nutrição de solo com a utilização de adubos organominerais, que ajudam a melhorar a matéria orgânica do solo, que é baixa; e recolhimento e enfardamento de palha, realizado em algumas áreas para a produção de energia, e recolhimento parcial da palha, que também contribui para a melhor brotação da socaria.
“A partir deste ano nas áreas de renovações, além do amendoim e clotalária, que já costumávamos cultivar, vamos iniciar o plantio de soja em aproximadamente 700 ha. Com a rotação desta cultura vamos obter maior controle das pragas, que aumentaram com o fim da queima da cana (o vazio sanitário da cana). Além da matéria orgânica deixada pela soja, o valor do produto no mercado está promissor para os próximos anos, nos proporcionando ganho financeiro.  Todo o custo destes investimentos em novas tecnologias de mudanças aos poucos está nos trazendo benefícios, ou seja, estamos baixando nosso custo de produção conforme aumentamos a produção”, destaca.  
Apesar de estar colhendo bons frutos agora, Betão afirma que não foi nada fácil ultrapassar as dificuldades dos últimos quatro anos, proporcionadas pela falta de incentivo do governo e aos altos investimentos realizados pela empresa em novas tecnologias. No entanto, este ano, com os preços melhores e as boas perspectivas para o mercado de açúcar, mais a esperança de mudanças governamentais, ele acredita na retomada do setor. “Ainda assim teremos que enfrentar a quebra de produtividade causada pelo clima neste ano. Teremos que ser cautelosos, pois a sequela das dívidas causadas pelo alto investimento e pelo não apoio governamental levarão anos para se equilibrarem”, adiciona.

 

PECUÁRIA DE CORTE
Há 10 anos, a Tecnocana abriu uma sede no Mato Grosso do Sul para desenvolver a pecuária de corte, uma outra paixão de BetãoHá 10 anos, a Tecnocana abriu uma sede no Mato Grosso do Sul para desenvolver a pecuária de corte, uma outra paixão de Betão

Visando diversificar suas atividades a Tecnocana, com sede também em Mato Grosso Sul, investe na pecuária de corte há dez anos, na modalidade de cria, onde comercializa os bezerros machos, utilizando as fêmeas para reposição de matrizes e também para engorda e abate. Segundo Betão, a empresa faz uma pecuária de corte diferenciada, pois se preocupa muito com a genética e a alimentação de seus animais. “Comercializamos os bezerros machos com média de idade de oito meses e peso aproximado de 300 kg na desmama, proporcionando aos compradores maior retorno na hora do abate precoce, trazendo maior lucratividade.”
Segundo Betão, a empresa está muito otimista com os investimentos que vem fazendo neste segmento, pois a exportação da carne bovina está cada vez mais sólida com a liberação das barreiras sanitárias dos países. No entanto, o produtor destaca a importância da conscientização a respeito das normas de exportação, pois os países importadores com certeza vão cobrar não só a sanidade dos rebanhos como também um melhor meio ambiente dos criadouros.
“Como um apaixonado pela agropecuária, sou otimista em relação ao crescimento e desenvolvimento do setor. Mesmo com toda a crise que enfrentamos, o agronegócio se manteve firme, sendo a única balança comercial positiva. O mundo vê nosso país como o celeiro mundial da alimentação e esperam sempre melhores resultados de nossas produções. O clima brasileiro nos proporciona 12 meses agricultáveis, ou seja, possuímos extensão territorial, clima, solo, tecnologia e mão de obra, que nos leva a ser um país diferenciado e capaz de oferecer alimentos de qualidade superior, sustentando realmente grande parte da alimentação mundial”, destaca.

 

VIAJANTE
Betão comemorando o aniversário da enteada, Izadora, junto da esposa IzabelBetão comemorando o aniversário da enteada, Izadora, junto da esposa Izabel

Com uma vida muito agitada e cheia de viagens, Betão tenta manter uma rotina mais ou menos normal. Ele reside em Bauru com a esposa e enteada, mas se desloca todos os dias para a Tecnocana de Macatuba.
Como gosta muito de se reciclar e repassar o conhecimento que adquire em sua vida profissional com os demais, ele participa de muitos congressos, encontros e seminários nacionais e internacionais, tanto do setor agrícola quanto pecuário. Uma vez ao mês ele vai ao Mato Grosso do Sul administrar a sede que cuida da pecuária, setor pelo o qual Betão tem se encantado cada vez mais. “Fiquei tão encantado que motivei meus sócios a fazer o investimento“, revela. Para se ter uma ideia, ele nos concedeu a entrevista e alguns dias depois estava voando para o Texas, nos Estados Unidos, onde foi visitar diversos centros de pesquisa e produção de gado de corte. “A tecnologia norte-americana me atrai para viagens de lazer, mas principalmente de negócios. Vou sempre que posso para conhecer as novas tendências. Aprecio muito o futuro.”
Além de viajar a negócios, Betão conta que adora planejar viagens com a família, com os quais já visitou a maioria dos países da Europa, América do Sul, América do Norte e Central. “Apesar de já ter conhecido tantos lugares, sempre que posso volto aos EUA, Itália e Argentina, onde eu e minha família vamos com frequência para curtir a gastronomia e a cultura destes lugares. Minha outra paixão são os esportes náuticos. Amo navegar quando tenho tempo.”
Quem conhece o Betão pessoalmente logo percebe que ele é uma pessoa bastante generosa e competente. Talvez seja porque ele siga à risca a sua filosofia de vida: amar ao próximo e fazer tudo com muito amor e competência.
“Amo estar com minha família, amigos e ser útil a quem precisa. Procuro fazer tudo com amor e competência. Profissionalmente, gosto de inovar e enfrentar desafios, dando sempre o meu melhor. Meu sonho é ver o mundo mais humanizado e justo, onde as pessoas trabalhem em prol da humanidade e não somente visando interesses pessoais e materiais. O maior aprendizado que tive no âmbito profissional nos últimos anos foi obter mais conhecimento, seja participando de seminários, congressos ou mesmo no relacionamento com pessoas competentes do agronegócio. No âmbito pessoal tenho amadurecido e compreendido melhor as necessidades das pessoas”, conclui. 

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