por jornalismo

Em Gamaches-en-Vexin, na Normandia, coração da produção de beterraba na França, agricultores como Alexandre Quillet estão com mais trabalho que o normal para esta época do ano.

Quillet está expandindo seu cultivo para se preparar para o fim de mais de uma década de normas que restringiram a produção de açúcar na União Europeia, estabeleceram preços garantidos para os produtores de beterrabas e limitaram as exportações. Os agricultores da França, maior produtora de açúcar do bloco formado por 28 países, estão apostando em uma produção maior para criar um futuro mais doce, mesmo que o resultado disso seja um maior risco de mercado.

"Estou passando da estabilidade para a incerteza, mas não existe nenhum outro tipo de cultivo que seja seguro", disse Quillet, 59, membro da quarta geração de produtores de beterraba da família, que cultiva 400 hectares nas planícies do norte da França junto com o filho. Ele atualmente está comprando sementes e planeja plantar beterrabas em março em 67 hectares de terras, 26 por cento a mais do que no ano passado.

Produtoras de açúcar como Tereos, Saint-Louis e Cristal Union pediram que os produtores de beterrabas ampliassem sua produção em cerca de 20 por cento. Apesar de o açúcar branco, uma das commodities de melhor desempenho de 2016, estar ampliando os ganhos devido à preocupação com o atraso na produção da Índia, segunda maior produtora do mundo, a oferta maior da UE pode limitar a alta.

"A UE realmente vai estragar a festa dos otimistas", disse Robin Shaw, analista da corretora Marex Spectron Group em Londres. "Temos conversado com os agricultores e todos eles assinaram contratos de dois, três, quatro ou cinco anos com as processadoras para produzirem o máximo possível."


Novos mercados

Em outubro, a UE verá o fim dos limites impostos à produção de açúcar em 2006. As restrições foram aplicadas depois que as medidas impostas pelo bloco em 1968 para garantir a segurança alimentar foram rejeitadas pela Organização Mundial do Comércio, limitando a quantidade que as produtoras de açúcar podiam vender no mercado doméstico e estimulando as importações.

Com o fim das cotas, a produção da UE poderá chegar a 20 milhões de toneladas, um salto de cerca de 20 por cento, segundo o Rabobank International. Os produtores franceses esperam somar cerca de 1 milhão de toneladas à sua produção anual combinada de 4,5 milhões de toneladas. A agência agrícola da França, a FranceAgriMer, estima uma demanda doméstica de cerca de 3 milhões de toneladas, o que significa que os produtores buscarão mercados para exportar.

"Estamos preparados para atender os mercados internacionais", disse Alain Commissaire, presidente da Cristal Union, em entrevista por telefone, de Villette-sur-Aube, na região nordeste da França. "Temos acompanhado clientes industriais e traders no exterior e agora que já não estaremos mais limitados poderemos fornecer a eles."

 
01/02/17
Angeline Benoit, Isis Almeida e Rudy Ruitenberg
Fonte: Bloomberg
Texto extraído do portal UOL