TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Natália Cherubin

A cana energia parece, mas não é algo complemente novo. A busca por uma variedade com maior teor de fibra data do início da década de 70, quando alguns programas de melhoramento de países como Barbados, Índia, Cuba e Austrália tiveram êxito no desenvolvimento destas variedades. No Brasil, a cana energia também foi explorada na década de 80, mas o projeto não caminhou nos anos seguintes. A retomada das pesquisas em cana energia aconteceu em 2002, quando o setor se despertou não só para a cogeração de energia, diante de um mercado mais maduro e que trazia garantia de faturamento extra, como também para o desenvolvimento de outros produtos a partir da cana, caso do etanol de segunda geração.

De acordo com Rubio, a Vignis tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.De acordo com Rubio, a Vignis tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.

A Vignis foi pioneira neste desenvolvimento, de acordo com Luis Claudio Rubio, hoje diretor-presidente da empresa. Tudo começou quando ele, um executivo do fundo de capital de risco da Votorantim, conheceu o engenheiro agrônomo Sizuo Matsuoka, que chefiava um grupo de pesquisadores do Programa de Melhoramento Genético em Cana-de-açúcar da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o que culminou na criação da CanaVialis, vendida em 2008 para a Monsanto, que acabou descontinuando as pesquisas com cana energia e, em 2016, fechou todo o segmento de cana-de-açúcar.

A venda para a Monsanto envolveu uma transação de R$ 300 milhões e obrigou os fundadores a cumprirem um contrato de dois anos de não-competição com a multinacional americana. Só depois deste período que Rubio e Matsuoka puderam criar a Vignis.

“A Vignis é uma empresa que nasceu dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e produção da sua cana energia e com suas próprias variedades. Dividimos o nosso mercado em dois: empresas do setor sucroenergético e a indústria em geral, onde estão inseridas as de alimento, mineração, siderurgia, cimentos etc. Com base nesta divisão, nos contratos com o setor sucroenergético, além da biomassa total, priorizamos o plantio de variedades que possam produzir mais açúcar por hectare. E para isso, a Vignis tem um programa de melhoramento genético que desenvolve vários tipos de variedades.”

A Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético) e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), iniciaram suas pesquisas em cana energia um pouco mais tarde, entre 2008 e 2009. O projeto do IAC teve início em 2009, onde passou por uma fase prospecção e diagnóstico, mas, segundo Mauro Xavier, engenheiro agrícola do Programa Cana IAC, o desenvolvimento iniciou efetivamente em 2013, com a importação de acessos para a estruturação das pesquisas em cana energia.

O programa de melhoramento que recentemente deu origem às primeiras variedades da Granbio – a Cana Vertix, lançada em março deste ano - teve início em 2012 e é realizado pelas subsidiárias da companhia, a BioVertis (que tem como missão viabilizar matérias-primas competitivas para a indústria de biocombustíveis, bioquímicos e bioenergia para projetos da Granbio e terceiros) e BioCelere (Centro de Pesquisas em Biologia Sintética, que tem foco no melhoramento genético de microrganismos, processamento de biomassa, desenvolvimento de processos de fermentação e de hidrólise enzimática).

José Bressiani, diretor de Tecnologia Agrícola da Granbio, conta que no início do programa de melhoramento da companhia, foram estabelecidas parcerias com diversos institutos de pesquisa, entre eles o IAC e a Ridesa de Alagoas. No caso da Ridesa/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), o convênio foi realizado nos mesmos moldes que a instituição normalmente faz com usinas.

“Nós investimos no programa de melhoramento deles para que desenvolvessem variedades de cana energia e pudéssemos utilizar em nosso plantio comercial. Já com o IAC, a parceria foi para buscarmos um germoplasma básico no exterior e depois compartilharmos para os dois programas de melhoramento (Granbio e IAC). Adicionalmente, com o IAC houve também o compartilhamento técnico e de sementes sexuadas dos cruzamentos realizados na estação de hibridação do IAC, na Bahia”, explica.

 

CANA ENERGIA X CANA CONVENCIONAL

Uma variedade de cana-de-açúcar considerada tradicional geralmente tem um alto nível de açúcar, ou seja, mais de 15% de sacarose, e médio teor de fibra, que fica entre 12% e 13%. Já a cana-energia é uma variedade desenvolvida a partir do cruzamento de espécies ancestrais e híbridos comerciais de cana-de-açúcar, com a diferença de que é mais robusta e com maior teor de fibra e potencial produtivo, o que faz desta variedade, ideal para fabricação de biocombustíveis e bioquímicos de segunda geração, e para geração e/ou cogeração de energia elétrica.

Segundo Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa, professor e doutor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ridesa), a cana energia pode ser dividida em duas categorias:

- Cana Tipo I: com médio nível de açúcar (acima de 12% de sacarose) e alto teor de fibra (acima de 18%);

- Cana Tipo II: com baixíssimo nível de açúcar (sacarose menor que 6%) e elevado nível de fibra (acima de 28%).

Uma das maiores vantagens destas variedades, segundo Bressiani, é que elas podem ser plantadas em áreas com baixa aptidão agrícola, ou seja, com limitações hídricas e de nutrientes, o que permite a exploração de regiões desfavorecidas e o aumento da produtividade por hectare. “O potencial para esta variedade é enorme, porque só o Brasil tem 32 milhões de ha de pastagens degradadas que podem ser ocupadas com cana energia, mais do que toda a área agricultável da Europa.”

Para usinas, o interesse é geralmente pelo bagaço para cogeração, mas do seu caldo se pode ainda fazer etanol. Aquelas que não têm mais área de expansão podem, na mesma área, produzir mais do que o dobro de cana ou dispensar as áreas mais distantes, diminuindo assim o seu custo de logística. Já aquelas unidades que não têm matéria-prima suficiente, a cana energia pode rapidamente supri-la, pois a partir de um pequeno viveiro se pode fazer grandes áreas. Isto porque, segundo Rubio, enquanto na cana tradicional a razão de multiplicação é de 1:10 (ou 1:5 no plantio mecanizado), na cana energia é de 1:30, às vezes até mais. Além disso, a muda brota melhor, uma vantagem especialmente observada em condições impróprias para a brotação (seca, frio etc).

“Para as empresas que estão surgindo para produzir etanol 2G, a cana energia se presta muito bem para tal, além de ainda permitir a produção de etanol 1G a partir do seu caldo. Empresas que estão surgindo para a produção de etanol de milho estão considerando vantajosa uma destilaria flex que produza etanol também de cana energia, pois assim têm bagaço suficiente como fonte de energia de que necessitam. Já as indústrias do ramo de metalurgia, cimento, etc estão desenvolvendo projetos para uso do bagaço de cana energia em substituição às fontes atualmente em uso, seja de outra biomassa (eucalipto), coque ou óleo”, destaca Rubio.

Além disso, o setor historicamente apresenta instabilidade, ou seja, tem momentos de alto e baixo em termos financeiros, seja pelo preço dos produtos finais (açúcar, etanol e eletricidade), seja pela baixa produtividade dos canaviais devido a fatores climáticos. Outros fatores que tem pesado muito atualmente são os altos custos de produção e de logística de entrega da matéria-prima na esteira. Estes altos custos só podem ser anulados com a produtividade elevada dos canaviais, mas, segundo o diretor-presidente da Vignis, a cana tradicional não consegue entregar essa alta produtividade, porque o potencial genético chegou ao limite e, apesar das novas variedades serem importantes, elas somente substituem outras que apresentam problemas, mas não conseguem dar ganhos substanciais de produtividade.

“Isso é genético, resultado de um parâmetro básico estabelecido pelo setor que é um baixo teor de fibra. Isso torna as variedades pouco resilientes, ou seja, que não suportam estresses, como é o caso da colheita mecanizada. Com isso, o canavial fica falhado e, com a compactação do solo, o crescimento é reduzido. Juntando-se a isso com um evento climático desfavorável, é inevitável uma queda significativa de produtividade, como ocorreu nas safras de 2011 a 2013. Para romper esse círculo vicioso, só mesmo aumentando o teor de fibra. É o que faz a cana energia que, além disso, apresenta vigor de híbrido (razão da alta produtividade) e maior estabilidade (resiliência) devido ao seu vigoroso sistema radicular e presença de rizomas”, acrescenta.

 

DESEVOLVIMENTOS DO MERCADO

A Vignis tem oito variedades para comercialização. Cada uma delas com suas particularidades e potenciais produtivos que variam de acordo com as regiões onde se situam as lavouras comerciais da empresa. “As canas da Vignis são de alta produtividade agrícola, com teor de fibra na faixa de 20 +- 2% e açúcar de 10 +- 2%. O foco é basicamente maior produção de fibra (bagaço) e açúcar por hectare, ou seja, em última instância, maior retorno financeiro e maior previsibilidade da produção”, afirma Rubio.

Os resultados dos plantios veem confirmando a expectativa da Vignis. Nas condições de cada região, a cana energia vem produzindo pelo menos o dobro ou as vezes o triplo que a cana tradicional produz naquele local em termos de biomassa total. Assim, em termos de ATR por área, a sua produção é maior. A grande vantagem é que a sobra de bagaço é pelo menos 10 vezes maior. “Quando pensamos no grande desafio de sustentabilidade do setor que é um melhor uso do seu ativo de terras, ficamos muito felizes com os resultados que temos alcançado até agora”, destaca Rubio.

A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com  teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa.A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa.

A Vignis tem 10 mil ha plantados com cana energia, distribuídos em vários estados brasileiros como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, além disso tem alguns projetos sendo discutidos para implementação em Tocantins, Maranhão e Rio de Janeiro. A empresa inclusive tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.

“Todos os nossos projetos, sejam eles no setor sucroenergético ou em outros setores da indústria, são realizados com um contrato de longo prazo. Assim, nós fornecemos o produto, ou seja, no setor sucroenergético fornecemos cana na esteira da usina, e nos projetos com outros setores da indústria, fornecemos biomassa (bagaço), que é processada em nossas indústrias. Em todos os projetos, nós somos os proprietários do canavial e não licenciamos variedades”, explica Rubio.

Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa, professor e doutor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, revela que a Ridesa desenvolve a cana energia Tipo I, voltada para atender empresas do setor sucroenergético que estão investindo na produção de etanol de segunda geração e no aumento da cogeração de eletricidade, e a Tipo II, procurada por empresas que desejam produzir e fornecer biomassa para a geração de eletricidade. As variedades devem ser liberadas em 2018.

“Temos clones nas diversas fases do melhoramento (seleção e experimentação). São cinco séries RB que vem sendo testadas em vários estados nas áreas de abrangência das universidades federais da Ridesa. Os resultados denotam superioridade em relação as variedades padrões de cana-de-açúcar convencional como, por exemplo, maior rendimento por área, quando soma produção de açúcar mais produção de fibra, maior resistência a pragas e maior longevidade do canavial (maior número de colheitas).”

Como o foco do programa de melhoramento da GranBio consiste, desde o início, em chegar a uma variedade rica em biomassa, buscou-se nos bancos do IAC e Ridesa, espécies ancestrais da cana-de-açúcar que originalmente são constituídas por mais fibra do que açúcar. Características de resposta a estresses típicos da agricultura, como o ataque de pragas e doenças, seca e salinidade também foram buscadas nos bancos de germoplasma.

O resultado disso, segundo Bressani, é uma cana que se destaca-se pelo potencial de produção de biomassa, alto teor de fibras e intermediária concentração de açúcares no caldo. Suas principais características são robustez, presença de rizomas radiculares, alta capacidade de perfilhamento e excelente brotação de soqueira. Por conta do reduzido teor de açúcares solúveis e maior conteúdo de fibras, as variedades Vertix também apresentam índice reduzido de ataque de pragas. Devido a estas características, a Cana Vertix pode ser utilizada tanto em projetos focados em geração de energia elétrica como também em modelos mistos de produção de etanol (1G e 2G) e energia.

“Os testes iniciais foram realizados no Estado de Alagoas, mas temos também plantações experimentais em cinco estados das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, com características de clima e solo distintas. Até o momento, já validamos a utilização da cana energia para o processamento em usina de primeira geração, com posterior destino do caldo para fermentação e produção do etanol e do bagaço para a queima em caldeira e produção de vapor e energia elétrica. Também já destinamos a cana energia colhida de forma integral com forrageiras para queima direta em caldeira, com e sem secagem prévia. Em ambos os casos, os resultados foram promissores e confirmam nossa recomendação de uso da cana energia para as usinas 1G e também para o uso direto como fonte de biomassa para a geração e/ou cogeração de energia, além da utilização em projetos de segunda geração (biocombustíveis e bioquímicos)”, conta Bressani.

A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com  teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa. Outros experimentos que avaliaram o ataque de broca comum e broca gigante tiveram intensidade de infestação significativamente inferior nas variedades Vertix quando comparadas a variedades comerciais de cana-de-açúcar. Tais características, de acordo com o diretor de Tecnologia Agrícola da Granbio, têm impacto direto no custo de produção e torna os projetos que venham a utilizá-la mais competitivos.

No fim de março deste ano, a GranBio lançou suas primeiras variedades comerciais da Cana Vertix, já registradas no Ministério da Agricultura e em fase de comercialização no mercado. A expectativa é que a utilização das variedades se dê tanto em projetos industriais de produção de etanol e/ou eletricidade, como também em substituição a outras biomassas em indústrias intensivas em energia elétrica. Isso porque o custo de produção da cana energia é muito competitivo quando comparados com outras fontes de biomassa.

 “As expectativas são as melhores possíveis. Trata-se de uma solução inédita que, por suas características, pode tornar mais competitivos os projetos que venham a utilizá-la como matéria-prima e, assim, impulsionar o setor. O alto teor de biomassa por hectare associado à concentração flexível de açúcares no colmo representa uma oportunidade importante para o setor, que terá mais flexibilidade para se adaptar às constantes flutuações de preço dos produtos etanol, açúcar e energia”, conclui Bressani.

O alto teor de biomassa associado à concentração variável de açúcares destas variedades, podem dar maior flexibilidade ao setor diante das constantes flutuações de preço dos seus produtos

 
 

 

 

 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

Para a escolha dos ativos adequados para um manejo mais moderno no cultivo da cana-de-açúcar, é importante adotar ferramentas pautadas na análise de infestação, tipo de solo e período de aplicação

*Paulo Donadoni

Dentre os vários fatores de sucesso no manejo e controle das plantas daninhas da cana, um deles certamente está relacionado com a possibilidade de se usar herbicidas com diferentes modos de ação. Isto devido à sinergia que estes tratamentos podem oferecer para a redução da resistência de plantas daninhas aos herbicidas e também quanto ao efeito de amplo espectro de controle, reduzindo a possibilidade de escapes e, consequentemente, da interferência das plantas daninhas.

O conceito de manejo das plantas daninhas, segundo pesquisador da Bayer, Johann Reichenbach, em um de seus artigos recentemente publicados, pode ser definido como um conjunto das práticas que o agricultor implementa visando o controle das plantas infestantes, reduzindo ao máximo a mato competição por água, nutrientes e luz.

Existem diferentes formas de controle das plantas daninhas, como, por exemplo, o controle mecânico, o uso de cobertura morta e as aplicações de herbicidas. O planejamento cuidadoso destes métodos de controle e a alternância do uso de diferentes modos de ação dos herbicidas são as medidas de manejo que irão favorecer a obtenção de resultados satisfatórios no controle, a diminuição dos riscos de surgimento de resistências e consequentemente uma redução nos custos de produção, assegurando-se o potencial produtivo das lavouras.

No manejo moderno de herbicidas no cultivo de cana, para a escolha dos ativos adequados, é importante adotar ferramentas pautadas na análise de três cenários importantes. O primeiro deles é a análise de infestação de plantas daninhas presentes na área a ser tratada e o efeito de tratamento necessário (pré e/ou pós-emergência das plantas daninhas); o segundo seria o tipo de solo (percentual de argila e matéria orgânica), visto que a maioria das associações de herbicidas indicadas para cana leva em conta pelo menos um produto com efeito pré-emergente; e por último, e não menos importante, seria a análise do período de aplicação do tratamento herbicida, considerando se é época seca ou úmida, e o tipo de segmento da cana, plantio ou socarias.

A partir da análise destes cenários é possível definir os ativos a serem prescritos e, acima de tudo, a eficácia esperada em função do tamanho e do tipo da infestação presente, levando em conta sempre o conhecimento dos técnicos envolvidos no histórico do caso. Em muitas situações é necessário planejar o controle com uma ou duas aplicações, e, dependendo do tipo de segmento (plantio ou socaria), pode-se planejar aplicações nos formatos de pré-plantio incorporado (PPI), dessecação com pré-emergentes, pós-plantio com aplicação sequencial, entre outros formatos e possibilidades de recomendações e aplicações.

Outro aspecto importante no planejamento do manejo de plantas daninhas na cultura da cana é o acompanhamento e instalação de áreas referências para verificar se os níveis esperados de controle estão satisfatórios. Esse acompanhamento é fundamental para entender o efeito das escolhas dos ativos no manejo indicado, possibilitando corrigir os erros e aumentar a assertividade nas próximas recomendações.

Com as recentes mudanças na flora das plantas daninhas presentes na cultura da cana, houve um aumento do uso de herbicidas com efeito sobre folhas largas, aliado a ativos com controle direcionado para folhas estreitas. Essa sinergia proporciona um melhor nível de resultado sobre o amplo espectro de plantas daninhas que podem estar presentes nas áreas de produção agrícola das usinas e dos fornecedores de cana.

Segundo Donadoni, um conceito aplicado com sucesso na cultura da cana em relação ao manejo das plantas daninhas é o uso de diferentes ativos herbicidas pré-emergentesSegundo Donadoni, um conceito aplicado com sucesso na cultura da cana em relação ao manejo das plantas daninhas é o uso de diferentes ativos herbicidas pré-emergentes

Esta mudança foi provocada pela colheita da cana crua e permanência do palhiço e demais restos vegetais do cultivo sob o solo. Com a possibilidade de evolução, crescimento e recolhimento da palha para a indústria da usina, um novo momento quanto ao tipo e predominância de plantas daninhas deverá chegar às áreas de produção. O conhecimento e sensibilidade dos técnicos em recomendar o tratamento ideal para manejo das plantas daninhas neste contexto será fundamental para o sucesso desta operação de tratos culturais. O técnico responsável pela recomendação do tratamento herbicida deverá conhecer de forma ampla os efeitos de controle oferecidos pelos diferentes ativos e selecionar aqueles que melhor poderão se comportar em situações de presença ou ausência de palha.

Um conceito aplicado com sucesso na cultura da cana em relação ao manejo da interferência das plantas daninhas é o uso de diferentes ativos herbicidas pré-emergentes. Isto possibilitou um nível baixo de resistência de plantas daninhas comparativamente a cultura da soja, por exemplo. Porém, a resistência a ativos herbicidas em cana foi detectada recentemente e o uso de associações herbicidas se fez necessário, acarretando em resultados bastante satisfatórios, como no caso do manejo da Digitária nuda.

Devido à complexidade quanto ao ritmo de colheita da safra da cana, que acontece durante todo o ano, com plantio também em épocas distintas, o nível de atenção quanto ao tipo de ativo herbicida a ser usado é fundamental para o sucesso do manejo da mato competição, assim como para determinar sua capacidade em oferecer controle e residual considerando aspectos do ambiente, como época de uso, tipo de infestação presente e tipo de solo. Dessa forma, as novas operações sobre as socarias, no caso o recolhimento da palha e novos sistemas de plantio, como o MPB por exemplo, indicam a necessidade de novas formas de manejo para o herbicida em cana.

A seguir enumero alguns dos fatores que devem ser levados em consideração ao adotarmos o manejo moderno de herbicidas para a cultura da cana:

- Foco na aplicação de pré-emergência, recomendando aplicações antecipadas;

- No caso de chuvas excessivas, escolher herbicidas que possuam solubilidades mais baixas, visando elevada absorção e redução da lixiviação;

- Na palha o que rege o comportamento é o Kow (conceito de partição), então, é preciso buscar ativos herbicidas com características que demonstrem baixo potencial de adsorção;

- Calibrar a dose em função do tipo de solo, época de aplicação durante o ano agrícola e segmento de uso é fundamental para o sucesso do tratamento herbicida;

- Observar se o herbicida possui efeito residual que impede a rotação de culturas. Isso é importante para a alocação do tratamento herbicida em ciclos de cortes mais avançados, como os que antecedem a reforma do canavial;

- Visualizar tratamentos no pré-plantio, como PPI ou dessecação com pré-emergente, que auxiliam na redução do banco de sementes e consequentemente na emergência das plantas daninhas, reduzindo o potencial de infestação;

- Buscar herbicidas para o plantio que ofereçam residual consistente e amplo espectro de controle de plantas daninhas (para folhas estreitas e folhas largas), principalmente em plantios com espaçamentos alternados, onde a necessidade de residual de controle nas entrelinhas deverá ser maior;

- E buscar herbicidas para época seca com características físico-químicas compatíveis com a época de uso (baixa volatilidade, mínima fotodegradação, elevada absorção e média/alta solubilidade).

Estes conceitos de uso podem construir uma plataforma de tratamento herbicida consistente, podendo auxiliar nas novas demandas necessárias do manejo moderno sobre a mato competição em cana, levando em conta tanto a necessidade quanto o controle efetivo (espectro e residual) aliado a seletividade para a cultura.

*Paulo Donadoni é gerente de Estratégia de Marketing da Bayer para Cana-de-açúcar no Brasil

 
 

 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

Evoluções tecnológicas e automatização das plantadoras são algumas das soluções encontradas para os principais gargalos da atividade

Natália Cherubin

Em uma de suas últimas edições, a RPAnews abriu espaço para especialistas, produtores e fabricantes de plantadoras discutirem qual, afinal, seria o futuro do plantio de cana. Alguns apontam a MPB (Muda Pré-Brotada) ou a cana semente como as tecnologias que deverão dominar o futuro da atividade, outros, vislumbram o plantio mecanizado tal qual o que temos hoje, mas com algumas evoluções, como o principal método para o plantio da cana. Enquanto não há viabilidade econômica para o plantio comercial de MPB, assim como também não há, em curto prazo, previsão para o uso da cana semente em escala comercial, fabricantes e novas empresas têm evoluído significativamente as soluções existentes e trazido novos conceitos para a mesma operação, resolvendo os principais gargalos da operação: o gasto excessivo de mudas por hectare e as falhas, responsáveis pelo aumento dos custos da operação.

Cientes das reclamações dos produtores com relação as falhas e uso exagerado de mudas, que subiu de 12 t/ha (no plantio manual) para 18 ou até 20 t/ha, a DMB apostou na automação da sua máquina, tirando a responsabilidade das mãos do operador. De acordo com Auro Pardinho, gerente de Marketing da DMB, que lançou o modelo automatizado da PCP 6000 em 2014, a aposta na automação total da plantadora foi por acreditar que era preciso ter a menor interferência possível do homem na operação de plantio promovendo, com isto, uma melhor distribuição dos rebolos nos sulcos de plantio com as mesmas orientações técnicas de cada usina e gastando, em média, de 20% a 40% a menos de mudas.

“Acreditamos que tirar os comandos das cabines das plantadoras e passar para os tratores é apenas um paliativo para a redução de custos com mão de obra na operação, porque, em muitos casos, isto acaba até aumentando o gasto de mudas por conta de todas as operações estarem concentradas na mão de uma só pessoa”, afirma.

Para isso, ele explica que, além de adicionar um sistema eletrônico, que permite que todas as operações da plantadora sejam programadas para o trabalho de plantio, a máquina passou por evoluções em sua esteira dosadora de toletes, que vem com ângulo invertido e devolve para a caçamba o excesso de mudas, e os sensores, que mantém o fluxo de toletes no ponto exato da esteira dosadora, o que evita a ocorrência de falhas.

Até o ano passado, apesar das boas vendas da máquina e dos resultados de testes em campo, ainda não se tinha respostas concretas sobre a melhora na questão do gasto de mudas e na redução das falhas, mas após dois anos, a plantadora, que está sendo utilizada por usinas como Pedra Agroindustrial, Usina Ipiranga, Usina Rio Vermelho e Usina Guaíra, já acumula resultados muito interessantes de gastos de mudas de até 9 t/ha e uma média de 11 t/ha em algumas unidades com mais de 8 mil ha de plantio.

“Entre usinas e fornecedores, atualmente são cerca de 45 clientes que já adquiriram a plantadora automatizada. É importante salientar que é preciso seguir as recomendações técnicas de cada unidade para posteriormente poder ajustar a máquina e conseguir maiores economias. Temos hoje unidades e produtores independentes (fornecedores) trabalhando com nossa plantadora automatizada em seis estados brasileiros com total sucesso e reduções de custos totais do plantio de 10% a 15% e ganhos futuros com maiores produções de cana devido ao menor gasto de mudas”, revela Pardinho.

Ainda de acordo com ele, se considerarmos apenas o valor da tonelada de cana para muda e a venda de açúcar e etanol produzidos pela cana que ficou no campo ao invés de ser plantada (em excesso), há um valor altamente significativo que paga facilmente o custo do investimento na nova plantadora.  

“Gostaria de ressaltar que o mercado muitas vezes confunde plantadora automatizada com plantadora sem cabine. Esta máquina é uma plantadora totalmente automatizada onde o tratorista apenas liga e desliga o sistema, através de um IHM com touch screen, e verifica o trabalho realizado por um monitor HD que recebe imagens de cinco câmeras, não tendo nenhuma outra ação sobre o funcionamento da máquina. Outras plantadoras (sem cabine) ainda possuem controles, cujas operações são executadas pelo tratorista”, destaca.

Gustavo Villa Gomes, diretor agrícola da Usina Guaíra, afirma que com o uso de plantadoras mecanizadas e distribuidoras de toletes conseguia chegar a um gasto mínimo de mudas de 16 t/ha, o que o fez procurar trocar uma de suas frentes de plantio. “Fizemos testes com algumas plantadoras automatizadas e verificamos que é possível reduzir um pouco mais este número. No entanto, sabemos que o sucesso do plantio ainda dependerá das variedades de cana e da condição da muda.”

Cassio Manin Paggiaro, diretor agrícola do Grupo Clealco, de Clementina, SP, conta que a usina faz o seu plantio com 12 plantadoras convencionais e com uma média de gasto de mudas de 18 t/ha, às vezes com números um pouco abaixo disso.

“Os equipamentos para plantio mecanizado de cana ainda são muito imprecisos em suas regulagens, principalmente quanto ao volume de mudas, sua colocação no solo e cobertura, ocasionando falhas. É possível trabalhar um pouco abaixo das 18 t/ha, porém, com risco de falhas de distribuição, não corremos o risco. Ainda não investimos em plantadoras automatizadas, embora acredite poderem agregar resultados positivos à operação, principalmente na redução do consumo de mudas e na diminuição de custo por utilizar menor número de pessoas na operação das mesmas”, diz Paggiano, que adiciona que aperformance e a qualidade do plantio mecanizado também estão diretamente relacionadas à qualidade do preparo do solo e da sistematização do terreno e não somente as tecnologias.

Na Pedra Agroindustrial são utilizadas 24 plantadoras para a realização de todo o plantio da unidade. Deste total, 20 máquinas já são automatizadas. Segundo Hebert Trawitzki, gerente Agrícola da Usina da Pedra, as plantadoras automatizadas realmente permitiram a redução do gasto de mudas por hectare, o que trouxe como consequência um menor número de abastecimentos com a muda, melhorando o rendimento de plantio.

“É importante destacar a melhora também na distribuição dos toletes, porque fazer um plantio sem falhas é praticamente impossível, até mesmo no plantio manual. Com o plantio mecanizado a porcentagem de falhas aumenta em função da maior mecanização tanto na colheita da muda como no plantio propriamente dito. Na Pedra Agroindustrial trabalhamos para que esta porcentagem de falhas seja a menor possível, tolerando até 10% (metodologia Stolf, acima de 0,5 m é considerado uma falha). É importante lembrar que falhas no plantio dependem de vários fatores além do equipamento utilizado, tais como variedades, idade, porte da muda e da terra sobre a muda após o plantio.”

Trawitzki adiciona que a plantadora automatizada permite uma distribuição mais homogênea da muda dentro do sulco, pois como o próprio nome já diz, ela dosa a muda automaticamente e não de forma manual, excluindo desta forma um possível erro humano. “Em função disto, temos como resultado um plantio com menor porcentagem de falhas e, consequentemente, redução na quantidade de muda empregada, que no nosso caso foi de 12,5%, ou seja, saímos de uma média de 16 t/ha para 14 t/ha após a utilização das plantadoras automatizadas. É importante destacar que esta porcentagem pode ser maior ou menor, dependendo do grau de desenvolvimento que cada empresa está no processo do plantio mecanizado.”

Das 24 plantadoras da Pedra Agroindustrial, 20 são automatizadas. As novas máquinas têm proporcionado menor porcentagem de falhas e, consequentemente, redução de 12,5% na quantidade de mudas empregadas Das 24 plantadoras da Pedra Agroindustrial, 20 são automatizadas. As novas máquinas têm proporcionado menor porcentagem de falhas e, consequentemente, redução de 12,5% na quantidade de mudas empregadas
APOSTANDO NA AUTOMAÇÃO

A Sollus, empresa fabricante de implementos agrícolas desde 2006, oferece o modelo Plant Flex 8080 há 9 anos. Ao longo destes anos, segundo Rodrigo Veloso, gerente de vendas da Sollus, a empresa modificou itens como o peso e o comprimento da máquina, que ficaram menores para agilizar/diminuir o tempo de manobras na operação, e foram criadas as opções de trabalhar sem cabine, transferindo os controles do operador da plantadora para dentro da cabine do trator ou ainda a opção de trabalhar sem cabine, mas com a automação completa das operações, ou seja, tirando o controle das mãos do operador.

“O sistema de automação da máquina permite controlar a taxa de toletes (mudas) e também a quantidade de adubo. Oferecendo a redução dos custos de aplicação destes insumos e garantindo a uniformidade nas taxas aplicadas e menor gasto de mudas. Com a automação é possível depositar uma quantidade de cana no sulco entre 12 t/ha a 18 t/ha. O sistema de automação da Sollus faz a compensação nas taxas aplicadas independentemente da variação de velocidade de trabalho”, destaca Veloso.

Além disso, foram alteradas as esteiras plantadoras, o posicionamento das bicas condutoras e do sistema de cobrição para melhorar a distribuição e cobrição correta dos toletes de cana no sulco.

“Nós temos uma parceria direta com nossos clientes. Essa proximidade nos permite desenvolver melhorias nos produtos visando sempre atender as necessidades apresentadas. Acho que o plantio mecanizado de cana-de-açúcar tem muito a evoluir. O custo atual da operação ainda é muito alto e está aquém da rentabilidade e qualidade que tinha no plantio manual. Mas acredito que o que pode contribuir para a redução destes custos é exatamente o controle da dosagem de toletes (mudas) por hectare de forma automatizada, garantindo um plantio eficaz com menores índices de falhas.”

REDUZINDO OS DANOS NAS GEMAS
Das 24 plantadoras da Pedra Agroindustrial, 20 são automatizadas. As novas máquinas têm proporcionado menor porcentagem de falhas e, consequentemente, redução de 12,5% na quantidade de mudas empregadas Das 24 plantadoras da Pedra Agroindustrial, 20 são automatizadas. As novas máquinas têm proporcionado menor porcentagem de falhas e, consequentemente, redução de 12,5% na quantidade de mudas empregadas

A TMA, uma das primeiras empresas a desenvolver soluções para plantio de cana, teve como grande desafio, segundo Márcio Souza Leão, gerente Comercial Corporativo da TMA, quebrar paradigmas sobre o plantio mecanizado. “Trabalhamos em parceria com institutos de pesquisa e usinas para provar a viabilidade do processo. As evoluções aconteceram a partir disto, e provamos que o plantio mecanizado é possível de ser feito em grande escala e com qualidade. Buscamos então a preservação da qualidade das mudas, o menor uso toletes por hectare e todas as tecnologias que pudessem diferenciar nossas plantadoras”, explica Leão.

Usadas em usinas da Raizen, SJC Cargill, Grupo São Martinho, Cofco, Cerradinho, Odebrecht Agricultura, entre outras, a máquina foi projetada e pensada para resolver um dos itens mais importantes que é danificar menos a gema. Segundo Leão, o sistema da fabricante é exclusivo no mercado e trabalha com um ângulo de inclinação que, combinado com seu fundo móvel, promove o abastecimento da esteira de distribuição sem qualquer agressão ao tolete, ou seja, não existe corrente ou qualquer outro elemento que possa danificar as gemas.

“Além disso, conseguimos comprovar que elas proporcionam um menor consumo de mudas por hectare plantado, ao redor de 10 a 12 t/ha em vários ambientes de plantio. A evolução da automatização da plantadora incorporou, além dos mecanismos atuais de agricultura de precisão, rastreamento por câmeras e monitores, e a automação através de células de controles individuais de taxa variável, que controla a vazão dos produtos automaticamente, tanto os toletes quanto os fertilizantes e defensivos. A automação ainda compensa as variações de velocidade de deslocamento da máquina, mantendo constante a taxa de aplicação dos produtos”, detalha Leão.

DIRETO DA ARGENTINA

Se no campo de futebol a disputa é grande, fora deles, mas também no campo, a relação é um pouco mais amistosa e de cooperação. Há mais de 36 anos no mercado, uma empresa argentina de implementos agrícolas chamada Doble TT, investe, desde 2015, em sua nova unidade no Brasil, sediada em Lençóis Paulista, SP, e na fabricação de um novo conceito de plantadora de cana, a NeoZaf 8022, uma evolução do primeiro projeto NeoZaf 6000, lançada em 2013.

Segundo Trawitzki, as plantadoras automatizadas permitiram a redução do gasto de mudas por hectare, um menor número de abastecimentos com a muda, melhorando o rendimento de plantioSegundo Trawitzki, as plantadoras automatizadas permitiram a redução do gasto de mudas por hectare, um menor número de abastecimentos com a muda, melhorando o rendimento de plantio

Apesar da empresa ser argentina, as tecnologias embarcadas na plantadora NeoZaf 8022 foram todas desenvolvidas por engenharia brasileira para atender as necessidades dos plantios locais. De acordo com Leonardo Barbieri, engenheiro agrônomo e responsável pela área Comercial da Doble TT no Brasil, um dos destaques da máquina é que ela já foi desenvolvida pensando em altas declividades, situação que ocorre em canaviais argentinos. “Ela vem com um sistema exclusivo para auto nivelamento da caçamba, que permite com que a máquina trabalhe em declividades mais acentuadas.”

No entanto, o foco do projeto, segundo Barbieri, é obter a precisão do manual com a eficiência do mecanizado. Para isso a máquina traz características importantes como baixo consumo de mudas, mais simplicidade na operação, leveza e velocidade na operação.

A plantadora é articulada, sendo que a unidade de plantio é acoplada no terceiro ponto do trator, o que garante que os sulcos serão feitos na mesma linha de deslocamento do trator, sempre no local correto, inclusive em curvas de nível mais pronunciadas. Além disso, a máquina conta com computador de bordo de fácil manuseio e interpretação; automação de dosagem de mudas e adubo; compartimento de armazenagem de cana com exclusivo sistema auto nivelante; sistema Split Flow de dosagem uniforme entre os sulcos, isso devido ao exclusivo sistema de dosador de mudas para dois sulcos; sulcador de disco, que reduz ainda mais a necessidade de potência do trator; e menor peso estrutural, possível graças aos pneus Super Flotation (22% menos peso estrutural e 18% maior apoio no solo), que garantem menor compactação do solo.

“Com capacidade para 6 a 8 t de mudas, temos clientes trabalhando com velocidades de 8 a 12 km/h. O consumo de mudas também está superando as expectativas. Até o momento a máquina, no plantio de espaçamento de 1,5m, conseguiu trabalhar com um gasto de mudas de 8 a 16 t/ha, podendo atender outras demandas se necessário. Tem se mostrado muito eficiente, rápida inclusive nas manobras”, destaca Barbieri.

Alguns produtores de Lençóis Paulista já estão fazendo o uso da máquina, caso de Hamilton Rossetto, engenheiro agrônomo e sócio proprietário da PHD-Cana, que iniciou os testes com a máquina em maio de 2015. Segundo Rossetto, a máquina já plantou aproximadamente 1.000 ha com uma estrutura composta por uma colhedora, cinco caminhões transbordos, duas plantadoras NeoZaf 8022 T acopladas em dois tratores de 205 cv, mais o apoio.

“Ao comparamos com as plantadoras que já utilizávamos, esta máquina apresenta um rendimento maior, pois trabalha com uma velocidade maior e é mais rápida em manobras por ser articulada. Quanto ao gasto de mudas, já percebemos uma redução. Hoje estamos gastando, em média, 14,5 t/ha, variando de 12 a 16,5 t/ha dependendo da muda. Também não estamos percebendo problemas com brotação. Mas o que realmente chama atenção é o maior rendimento, que reduz o custo operacional”, revela o produtor, que diz que apesar de ainda estar avaliando diversos aspectos, está muito satisfeito com o que está vendo.

MUITO ALÉM DA TECNOLOGIA
Se de um lado as empresas fabricantes de tecnologias vêm tentando trazer grandes melhorias em suas plantadoras, de outro, é preciso que as usinas e produtores também evoluam na gestão de todo processo. Segundo Dario Wilian Sodre, da Dg2 Consultoria, não existe segredo para o sucesso. “É gestão do processo desde a escolha de variedades, a utilização de mudas mais sadias e novas, preparo de solo e o monitoramento da qualidade, da colheita da muda até sua distribuição. Só assim é possível obter falhas ao redor de 5% com uma dosagem econômica de 12 t/ha.”

Para o diretor agrícola da Pedra Agroindustrial, que considera o plantio mecanizado muito mais técnico do que o manual, a preocupação com a qualidade em todas as etapas envolvidas neste processo também é fundamental. “Desde a formação dos viveiros, onde a idade da muda é um quesito fundamental, passando pelo preparo de solo, que deve garantir boas condições para o trabalho das plantadoras, até o plantio propriamente dito, onde o cuidado com a terra sobre a muda é um ponto chave, são fatores de sucesso para um plantio de qualidade. Portanto, investir em treinamento de todos os envolvidos neste processo é fundamental, de forma que cada um tenha consciência da importância de seu trabalho. Ninguém se compromete com aquilo que não conhece”, enfatiza Trawitzki.

Além da tecnologia da plantadora automatizada, a Pedra Agroindustrial também investiu na utilização do piloto automático nos reboques de plantadora para que fosse possível efetuar os projetos de sulcação em 100% das áreas de reforma. “Com relação a tecnologia das máquinas empregadas, ainda tem muito a se fazer. Apesar das melhorias na distribuição da muda, ainda estamos longe do ideal, que pode ser facilmente comprovado, avaliando a deposição dos toletes no sulco de plantio. Também existe limitação de plantio em locais com declividade um pouco mais acentuada, onde a máquina tem dificuldade para se manter na linha correta de plantio, escorregando no terreno”, observa.

“As mudanças e evoluções ocorridas no plantio mecanizado não devem se restringir somente aos fabricantes de equipamentos, mas também na gestão do sistema como um todo, começando no planejamento e sistematização da área, preparo de solo, escolha da variedade, escolha do viveiro de mudas, colheita com qualidade e transporte das mudas, terminando na adoção de uma plantadora mais eficiente para a operação”, conclui Pardinho.

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Mais do que estabilizar os solos, a calagem é fundamental para facilitar a absorção de nutrientes pela planta e aumentar o seu potencial produtivo

 

Natália Cherubin

No Brasil, a maioria dos solos são ácidos, destacando-se aqueles sob vegetação de Cerrado. Caracterizados por possuir baixos teores de Ca2+ (cálcio) e Mg2+ (magnésio), além de teores elevados de Al3+ (alumínio) e uma baixa disponibilidade de P (fósforo), estes solos possuem uma acidez natural proporcionada por diversos fatores, como material de origem com baixo teor de cátions básicos e precipitação pluvial maior que a evapotranspiração, o que acarreta na lixiviação de bases no perfil do solo, um processo de perda de minerais.

Além de reparar os danos e estabilizar os solos, o calcário desempenha um papel fundamental no desenvolvimento das culturas, desencadeando diversas reações no solo de caráter benéfico às plantas como, por exemplo, o fornecimento de cálcio e magnésio para a cultura. O cálcio, por exemplo, é um elemento essencial para o desenvolvimento do sistema radicular, portanto, com a calagem, nome dado a aplicação de calcário ao solo, é possível aumentar a quantidade de terreno explorado, melhorando a nutrição geral das plantas e diminuindo os efeitos de secas prolongadas e veranicos.

Além disso, fazendo a calagem, é possível aumentar a disponibilidade de nutrientes, principalmente do H2PO4, conhecida como dihidrogenofosfato ou fosfato diácido, fonte de K (potássio) e P (fósforo), que serve basicamente para preparação de soluções nutritivas, adubação e correção de deficiências do solo. A calagem é realizada com a aplicação do calcário no solo, que deve ser realizado em área total, à lanço e incorporado em até três meses antes do plantio da cana-de-açúcar. A principal finalidade desta prática é a correção da acidez do solo e do fornecimento de Ca e Mg.

O nível de acidez é medido através do índice de pH. A sigla, que significa ‘potencial hidrogeniônico’, consiste num índice que indica a acidez, neutralidade ou alcalinidade de um meio qualquer. O pH é uma característica de todas as substâncias determinadas pela concentração de íons de hidrogênio (H+). Quanto menor o pH de uma substância, maior a concentração de íons H+ e menor a concentração de íons OH-. Os valores de pH variam de 0 a 14. De acordo com informações do Sindicalc/RS (Sindicato das Indústrias de Calcário do Rio Grande do Sul), quanto maior o pH do solo, ou seja, até 6 e 7, mais fácil será a germinação das sementes. Isso porque, com o pH alto, as raízes retiram do solo o máximo de macro e micronutrientes.

As reações que o carbonato de cálcio sofre no solo permitem que o H+ (substâncias ácidas) presente no solo seja neutralizado, elevando o pH. Como consequência, esta alcalinização promove o aumento da saturação de bases (V%), ou seja, porcentagem de nutrientes catiônicos (Ca, K e Mg) que ocupam a CTC (Capacidade de Troca de Cátions) e promove a redução do alumínio tóxico presente no solo, uma vez que este reage com as hidroxilas (OH-) liberadas e passa a se apresentar em uma forma precipitada (AI (OH)3), permitindo o correto desenvolvimento do sistema radicular da planta. “A finalidade da calagem é corrigir o pH do solo quando este estiver ácido e elevar para níveis adequados (+/- 6,5), onde a maioria das culturas manifestam o máximo potencial produtivo”, explica Ronaldo Cabrera, engenheiro agrônomo, doutor em Agronomia e consultor em Solos e Nutrição Mineral de Plantas.

Além de elevar o pH e neutralizar o alumínio tóxico e fornecer cálcio e magnésio, a calagem traz outros benefícios:

- Neutraliza o manganês em excesso;

- Melhora a disponibilidade de fósforo para as plantas, reduzindo as perdas deste nutriente;

- Melhora a disponibilidade dos micronutrientes molibdênio e cloro;

- E melhora a atividade microbiológica do solo, favorecendo os nutrientes nitrogênio, enxofre e boro, que estão muito ligados à matéria orgânica do solo.

Ao elevar o pH, reduz-se a disponibilidade dos micronutrientes metálicos, como zinco, cobre e manganês, que devem ser monitorados dentro de um programa de fertilização balanceada.

“Além de neutralizar o alumínio, a calagem forma uma camada de impedimento químico para o crescimento das raízes, bloqueia a acidez dos adubos acidificantes, aumenta a atividade dos micro-organismos do solo, aumentando assim, o aproveitamento dos adubos e melhorando o perfil do solo, o que faz com que haja um aumento na profundidade das raízes. Todos esses benefícios fazem com que no final, um aumento na produtividade e no lucro seja percebido”, explica Artur Cesaretti Pereira, engenheiro agrônomo e coordenador Comercial da Calcário Itaú.

 

FERRAMENTA A FAVOR DA PRODUTIVIDADE

A cana-de-açúcar também vem sendo beneficiada pela calagem. Com benefícios diretos e indiretos, o calcário, ao controlar o pH do solo, proporciona um aumento de produtividade e longevidade da planta. Segundo Cabrera, o bom rendimento de uma plantação de cana passa, inevitavelmente, pela saúde ou não do solo. “Por exemplo, o potencial produtivo da cana-de-açúcar ultrapassa 350 t/ha e a média nacional está abaixo de 75 t/ha. Então, a correção do solo e a fertilização são práticas que tem muito a contribuir para o aumento da produtividade desta cultura. ”

O coordenador Comercial da Calcário Itaú acrescenta que a calagem faz com que o solo tenha melhores condições para o crescimento das raízes da cana. “Além disso, o uso da técnica ainda fornece os micronutrientes como cálcio e magnésio, que são requeridos em grandes quantidades pela cana. Consequentemente, a cultura alcançará maiores produtividades”, relata. Quando o pH da cultura está baixo significa que o solo é muito ácido e muito tóxico, e que as plantas terão muita dificuldade em se alimentar dos nutrientes que elas tanto precisam para se desenvolver. Em resumo, a produtividade de um solo com pH baixo será também muito baixa.

Segundo o Sindicalc/RS, a quantidade de calcário por hectare varia de acordo com o maior ou menor grau de acidez do solo. Este grau de acidez é determinado no laboratório. Por isso é essencial que se faça a análise do terreno, a qual auxiliará na definição de qual é a quantidade ideal que deve ser aplicado por hectare. Vale destacar que o uso do calcário não dispensa a adubação e sim auxilia no aproveitamento dos adubos pelas plantas e, com isso, a atividade se torna mais eficiente para todas as culturas.

Na implantação do canavial, explica Pereira, o corretivo deve ser aplicado em área total efetuando-se incorporação o mais profunda possível. “Assim o sistema radicular poderá se desenvolver mais e a maiores profundidades, proporcionando maiores produtividades. Na cana soca deve-se efetuar a análise de solo anualmente e, sempre que necessário, fazer a aplicação do corretivo em área total.”

Cabrera explica que a indicação na utilização da calagem vai depender muito da análise de solo, pois a recomendação varia de acordo com os teores de cálcio e magnésio no solo. “Além disto, há de se descobrir qual o tipo de calcário será aplicado, para que assim o solo se mantenha estabilizado. Normalmente, busca-se um equilíbrio no solo com a relação cálcio x magnésio de 3:1, (3 cálcio para 1 magnésio) ”.

Os teores de cálcio e magnésio sofrem influência direta da rocha da qual é extraído o calcário, pois cada região tem uma formação geológica especifica que dará a qualidade do calcário. Processos industriais como a calcinação influenciam na concentração. O calcário comum está na forma de carbonado (Ca.CaCO3 e Mg.CaCO3) com peso atômico de 140 g e 124 g respectivamente. Ao passar pelo processo de calcinação, ocorre a perda de CO2 e passam a se apresentar na forma de óxido (CaO e MgO), com peso atômico de 56g e 40g respectivamente. Com isto, os teores de Ca e Mg chegam a quase a duplicar.

 

Existem aplicadores de calcário a lanço e tecnologias, como é o caso do SAK-4, que com quatro hastes faz a aplicação de calcário em profundidade

TECNOLOGIAS EM CALCÁRIO

 

Atualmente, existem diversos tipos de materiais corretivos disponíveis no mercado. De acordo com o Gape (Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão) da Esalq/USP, o mais comum é composto de CaCO3 (Carbonato de Cálcio) e MgCO3 (Carbonato de Magnésio), chamado de calcário tradicional. Este calcário pode ser classificado como calcítico (quando os teores de MgO - Óxido de Magnésio - são inferiores à 5%), como magnesiano (teores de MgO entre 5% e 12%) e dolomítico (com teores de MgO superiores à 12%).

Além deste, existem outros tipos de materiais corretivos como o calcário Filler, que corresponde ao calcário tradicional micropulverizado, ou seja, suas partículas são menores, e ele apresenta um PRNT (Poder Relativo de Neutralização Total) igual à 100%; o calcário calcinado, que é obtido a partir da calcinação parcial do calcário tradicional (tratamento térmico do calcário tradicional em elevadas temperaturas que promove a remoção de água), aumentando sua solubilidade; o cal virgem agrícola, obtido a partir da calcinação total, composta de óxidos de cálcio e magnésio (CaO e MgO); e o cal hidratada agrícola, advindo da hidratação parcial da cal virgem, portanto, composta de Ca(OH)2 e Mg(OH)2.

Atualmente, existem produtos no mercado que apresentam um poder reativo maior, que elevam, por exemplo, o nível do PRNT e faz com que ele chegue a ser muito superior a 100%. Isso porque há um processo de transformação na matéria-prima para que ela tenha uma eficácia maior, caso da tecnologia oferecida pela Oxyfertil.

“O calcário passa pelo processo de calcinação, ou seja, a rocha calcária fica durante 24 horas num forno a 1.100 °C, que faz com que ocorra a perda do CO2, transformando o carbonato (CO3) em óxido (O), elevando o teor de CaO para 60%, de MgO para 30% e o PRNT para 180%. Este produto foi ‘acelerado’ industrialmente. Isto quer dizer que a reação química de neutralização do pH do solo que a natureza demoraria 90 dias para fazer com aplicação de um calcário comum, ocorre em 15 dias com essas melhorias”, explica Cabrera.

Segundo ele, apesar de ter um valor maior por tonelada em relação ao calcário comum, o produto tem um custo-benefício melhor já que:

- é aplicado em menor dose;

- tem maior velocidade de reação no solo;

- tem maior concentração de cálcio e magnésio;

- maior PRNT;

- menor volume a ser aplicado (ganho operacional);

- é embalado em bags, resultando em menores perdas no campo e melhor logística de abastecimento do aplicador.

“Com um corretivo de reação rápida, os resultados agronômicos são obtidos no mesmo ano agrícola, resultando em maior retorno econômico para o agricultor. Ele pode ser aplicado à lanço em área total, em cima da linha de plantio da cana ou ainda incorporado em profundidade no solo”, complementa Cabrera.

O coordenador Comercial da Calcário Itaú explica que o poder relativo de neutralização total é um índice utilizado para calcular a quantidade de corretivo que se deve aplicar ao solo. “Este índice caracteriza a qualidade do corretivo e quanto maior o valor do PRNT menor será a quantidade a ser aplicado no solo. Portanto, o produtor deve sempre efetuar uma conta simples: R$ do calcário + R$ frete/PRNT. O corretivo que gerar o menor valor por ponto de PRNT será o mais econômico”, explica Pereira.

Para se aplicar o calcário, são necessários equipamentos especiais. Atualmente, há tecnologias que suportam até 15 t de produto. De acordo com Josiane Ferreira, Comercial da OTA Indústria de Máquinas Agrícolas, o equipamento aplicador de calcário, para atender a exigente demanda do mercado, deve ser um equipamento de alta precisão, robusto, durável, mas ao mesmo tempo deve propor facilidade no manuseio e na operação em campo.

Ela explica que hoje, a parte estrutural destes equipamentos tem que ser reforçada diante do conteúdo em que carregam, para que assim seja evitado problemas futuros como a corrosividade. “A estrutura de um equipamento OTA, por exemplo, representa a maior parte do investimento em matéria-prima de alta qualidade. Assim também acontece com os demais itens estruturais, como tubos, barras, ferros etc. Todo esse investimento agrega qualidade e durabilidade. ”

Em a cada reforma de canavial existe a possibilidade de fazer arações e gradagens profundas para incorporação de corretivos, mas é uma prática onerosa, além de desestruturar o solo que vem sendo melhorado intensamente com o cultivo de cana crua. Por outro lado, de acordo com Cabrera, o uso de máquinas cada vez mais pesadas, aumentaram muito o nível de compactação, e mesmo arações profundas não conseguem romper a camada compactada, que chega a 40 cm de profundidade e continua limitando a produtividade, exigindo mais uma operação no preparo do solo que é a subsolagem. Sendo assim, não seria mais lógico em uma única operação fazer o preparo do solo, a incorporação do corretivo e a subsolagem? Nesta linha de pensamento, a Kamaq desenvolveu o SAK, um Subsolador Adubador que faz a correção do pH do solo em até 1 metro de profundidade.

“Na renovação do canavial, esta tecnologia otimiza a operação de subsolagem com a correção em profundidade, alterando positivamente o “Ambiente de Produção”, melhorando o aproveitamento da água e nutrientes, resultando em aumento significativo de produtividade e longevidade dos canaviais. É uma prática que agrega ao produtor, pois a subsolagem já faz parte da rotina, não destrói a estrutura e não pulveriza o solo, e permite o cultivo mínimo ou plantio direto em cana. Num segundo momento poderá substituir arações e gradagens profundas, reduzindo custos operacionais e aumentando a sustentabilidade do sistema, como é visto hoje Brasil a fora no plantio direto de grãos. Em cana soca a subsolagem corretiva pode ser feita na entrelinha do canavial estabilizando a produtividade e aumentando a longevidade”, destaca Cabrera.

O Grupo Cerradinho Bio tem testado, na unidade Porto das Águas, localizada no Chapadão do Céu, GO, os benefícios do calcário. Segundo dados da empresa, a calagem foi aplicada via incorporação profunda na linha de plantio e teve como objetivos principais promover correção da acidez do solo e fornecer os elementos Ca e Mg em profundidade, possibilitando maior desenvolvimento e aprofundamento do sistema radicular. “Com base em análises de solo prévias, foram aplicados a taxa fixa 2,16 t/ha de calcário, 2,17 t/ha de gesso e 1 t de fosfato. Em cerca de seis meses, os índices de pH apresentaram um aumento significativo e saltaram de 4,1 para 6,1”, destaca Cabrera.

O setor de calcário segue passando aos produtores rurais a mensagem de que a calagem também contribui com os resultados, na medida em que a correção da acidez feita de forma preventiva reduz, por exemplo, o total investido em adubos. O consumo de calcário na agricultura do Estado de São Paulo apresentou um crescimento de 13,16% no primeiro semestre deste ano, na comparação com igual período do ano passado. Segundo dados divulgados pelo Sindicalc, em São Paulo, do período janeiro a junho de 2015 foram utilizados cerca de 1 milhão t. Nos cinco primeiros meses deste ano este número já foi superado e chegou a 1,19 milhões de t.

(Colaboração Alisson Henrique)

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

De acordo com os autores, a redução da área de plantio na região Centro-Sul trará consequências para a próxima safra

* Rubens L. do C. Braga Jr.

* Marcos G. A. Landell

 

A análise das áreas de plantio nos últimos anos mostra que a crise no setor sucroenergético está afetando significativamente a capacidade dos produtores da região Centro-Sul do Brasil em renovar os seus canaviais. Para estudar essas relações o Programa Cana IAC, com o patrocínio da Basf, Bayer e Syngenta e apoio da Fundag (Dundação de Apoio a Pesquisa Agrícola) lançou, em 2016, o Censo Varietal IAC, projeto liderado pelo consultor Rubens Braga Junior.

Iniciado em maio de 2016 esse projeto já levantou as áreas de variedades em 202 unidades produtoras totalizando, até o momento, 5,7 milhões de ha recenseados. Os resultados obtidos mostram que a proporção das áreas de plantio em relação à área total cultivada na safra 2016/17 foi a segunda menor já obtida na série histórica de 31 safras (Figura 1).

Outro aspecto interessante a ser observado está na distribuição das épocas de plantio. A ampla introdução do plantio mecanizado, que já ocupa 76% das áreas de plantio da região Centro-Sul (Benchmarking do CTC, 2014), forçou o plantio ao longo de toda a safra. Esse fenômeno fez com que, proporcionalmente, houvesse uma redução das áreas de plantio de cana de ano e meio e um aumento das áreas de plantio de cana de inverno, como pode ser observado na Figura 2.

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A cana de ano e meio, que historicamente continha mais de dois terços dos plantios, nas últimas safras foi responsável por aproximadamente 50% das áreas reformadas.

Além da mecanização, outro aspecto que proporcionou o acréscimo na proporção de plantio de cana de inverno foi o grande crescimento do cultivo da cana-de-açúcar no Cerrado brasileiro, onde os resultados dessa época de plantio são muito promissores.

A redução das áreas de plantio ocorrida nos últimos anos impactou de forma direta no aumento de Estágio Médio de Corte (E.M.C.) ocorrido na safra 2016/17. Esse índice que estava dentro da faixa de qualidade (entre 3,10 e 3,44) nas duas safras anteriores, atingiu o valor de 3,46 na safra atual (Figura 3).

A maior preocupação é o valor do E.M.C. projetado para a safra 2017/18 que pelas estimativas obtidas atingirá o maior valor já alcançado na região Centro-Sul do País.

Estudos mostram que a produtividade em toneladas de cana por hectare (TCH) está significativamente correlacionada com o estágio médio de corte. Quando se relaciona o TCH calculado isolando-se o efeito climático do ano agrícola com o E.M.C, percebe-se que existe uma correlação linear superior a 95%, mostrando como as variáveis estão altamente relacionadas (Figura 4). É fato que, um novo biótipo de cana-de-açúcar, preconizado por alguns programas de melhoramento, como o do Instituto Agronômico (IAC), indicam que as novas variedades deverão apresentar uma maior população de colmos, como uma das condições para enfrentar alguns efeitos negativos da mecanização intensiva, trazendo como consequência, uma maior longevidade dos cortes. No entanto, o censo varietal 2016, mostra que variedades com este perfil ainda representam pouco da área cultivada, eliminando assim, a interpretação de que o E.M.C. estaria, neste momento, sendo influenciado por este novo perfil.

 

O uso de variedades mais longevas deverá ser uma tendência futura, o que fará com que a análise dos dados históricos deste indicador necessite de um maior detalhamento em função da alteração do perfil varietal para genótipos com população de colmos significativamente maiores do que as variedades que hoje predominam na grande lavoura.

 

Isolando-se os fatores climáticos, a partir da equação gerada pela relação entre o TCH e o E.M.C é possível estimar que a quebra na produtividade para a próxima safra será de 2,7%, apenas em função do envelhecimento do canavial.

Essa análise associada ao fato de que as usinas vão parar a moagem mais cedo nessa safra e, por consequência, praticamente não teremos cana bisada na próxima safra, projetam uma significativa redução na produtividade e na produção total da próxima safra.

*Rubens L. do C. Braga Jr é consultor da RBJ Consult

*Marcos G. A. Landell é pesquisador e diretor do Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas)

 
 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Nos últimos anos muita coisa aconteceu no setor sucroenergético e a primeira transformação ocorrida dentro do cenário da indústria estabelecida após o Proálcool foi a introdução da colheita mecanizada. Esta mudança ocorreu em um intervalo de 20 anos, visto que a colheita mecânica sem queima iniciou-se em 1986 e a estabilização do crescimento foi obtido na segunda metade da década passada.

 

 
*Marcelo de Almeida Pierossi

*Jorge Luis Donzelli

A introdução da colheita trouxe muitos problemas ao setor e o custo do aprendizado foi alto, porém serviu como modelo para a segunda grande transformação na produção agrícola: a mecanização do plantio. Mecanização esta que surgiu dentro do contexto de modernização das usinas, demandando menor mão de obra itinerante. A terceira e mais recente transformação ainda se encontra em um ponto onde temos algumas certezas e muitas dúvidas, que é o aproveitamento da palha de cana-de-açúcar, seja para geração de energia ou como matéria-prima para produção de etanol de 2ª geração.

Este ambiente de certezas e dúvidas claramente tem dois principais vetores: o vetor tecnologia e o vetor político. As certezas claramente estão relacionadas com o desenvolvimento de tecnologias agrícolas e agronômicas para a utilização sustentável da palha, enquanto que as dúvidas têm no vetor político e regulatório a sua origem.

O desenvolvimento ocorrido nos últimos 15 anos com relação ao aproveitamento de resíduos da colheita de cana, seja pela rota do transporte da palha junto com a cana picada, através da diminuição da capacidade de limpeza da colhedora chamada a partir de agora de limpeza parcial, seja pela rota do enfardamento, mostraram desenvolvimento tecnológico e encontram-se estabelecidas de forma madura no setor. São opções atualmente utilizadas por algumas usinas e a sua escolha ocorre devido às especificidades de cada unidade, que, entretanto, encontra barreiras à ampla utilização da palha.

Os projetos relacionados à utilização da palha para geração de energia adicional não mostram viabilidade devido à falta de uma política bem definida para a geração de energia a partir de biomassa, assim como os projetos de etanol celulósico ainda encontram problemas tecnológicos para uma plena utilização desta biomassa adicional.

 

RECOLHIMENTO PARCIAL X ENFARDAMENTO

As duas rotas têm características diferentes e na rota de recolhimento baseada em limpeza parcial diminui-se a rotação dos ventiladores e consequentemente a sua capacidade de limpeza, fazendo com que uma maior quantidade de impurezas vegetais seja adicionada à carga de cana, valores entre 10% a 15%. Esta maior quantidade de palha atrapalha o processo industrial e deve ser separada na chamada Estação de Limpeza a Seco, onde a palha será separada dos colmos logo na entrada do processo industrial através de ventilação. Já o enfardamento, ocorre de 7 a 10 dias após a colheita da cana picada, quando se recolhe a palha mais seca com umidades em torno de 15% com a seguinte sequência de operações: aleiramento, enfardamento, recolhimento dos fardos, carregamento e transporte dos fardos até a usina e o seu processamento na unidade industrial.

Os principais problemas enfrentados pelos usuários atuais da rota da limpeza parcial é o alto custo de transporte, em virtude da diminuição da densidade da mistura palha-cana picada, e a eficiência da estação de limpeza a seco, que é muito baixa em alguns modelos e que tem uma ampla variação de acordo com à umidade da palha.

Com relação ao enfardamento, os principais problemas são o manuseio de muitos fardos (fardos de 500 kg apenas), que exige a introdução de uma nova colheita, e o maior de todos, a quantidade de terra incorporada ao fardo no processo. Como nova opção ao recolhimento de palha, a forrageira autopropelida está sendo introduzida e não existem dados ainda para a determinação de sua viabilidade.

Outras dificuldades que apareceram na utilização da palha são relativas às questões agronômicas que podem ser resumidas em duas grandes frentes:

• Palha como fonte de receita agrícola direta;

• Palha como um componente que influi na produtividade agrícola.

Nos dois casos há geração de valor e necessidade de discussão mais profunda de benefícios e perdas relacionadas ao processo. Mas, sob o ponto de vista da utilização da palha como fonte de receita agrícola direta há o desdobramento de quantificar quanta palha deve ser recolhida. Se o valor econômico da utilização final compensar, haveria uma tendência natural de recolher-se o máximo possível de material, pois a outra ponta (geração de energia elétrica e E2G) pagaria a conta de todos os outros benefícios agronômicos.

Agora, um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que nesta alternativa é possível embutir a segunda opção da palha como um componente da produtividade agrícola. De fato há um limite físico para a operação de recolhimento que faz um balanço entre quantidade de material recolhido e a quantidade de impurezas minerais que influenciam sua utilização. Assim, diversos estudos da quantidade ideal de palha que pode ser recolhida sem a perda dos benefícios agronômicos (vantagens e desvantagens) têm sido realizados. Manechini et al, (2000) e Bellinaso et al, (2015) reportam que as quantidades ideais de palha a serem deixadas no campo podem variar de acordo com a produtividade (estágio de corte), variedade, região climática e tipo de solo (ambiente edafoclimático).

Levantamentos da quantidade ideal de palha a ser recolhida em cada ambiente edafoclimático (Figura 1) podem ser realizados. Simulações destes valores mostram que a viabilidade técnica de projetos de utilização de palha dependem da quantidade gerada (Tabela 1). Unidades localizadas em regiões de ambientes (solos) predominantemente mais fracos deverão observar o balanço entre o benefício da manutenção da palha e a geração de valor direto.

 

COMO DEFINIR UM PROJETO DE APROVEITAMENTO DE PALHA
Com um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que é possível embutir a palha como um componente da produtividade agrícolaCom um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que é possível embutir a palha como um componente da produtividade agrícola

Considerando-se o cenário atual e analisando o passado, aproveitando as experiências com a colheita e do plantio mecanizados, existe um potencial de redução de custos e melhoria da qualidade da operação devido à curva de aprendizado que se encontra em estágio inicial e do ganho de escala, conforme as unidades aumentem a quantidade de palha aproveitada. Entretanto, em virtude da complexidade dos projetos de biomassa criamos uma metodologia de avaliação qualitativa e quantitativa que pode ajudar o processo de tomada de decisão. A metodologia é baseada em seis fatores:

1) Suprimento de biomassa: Prever a quantidade de palha recolhida durante a operação e a garantia deste suprimento, evitando problemas operacionais para a unidade industrial.

2) Operações agrícolas: Definição da melhor forma de recolhimento da palha no campo, considerando-se a quantidade de palha a ser recolhida e sua distribuição geográfica. Esta variável deve contemplar o custo agrícola de recolhimento.

3) Processamento industrial: Definição das operações unitárias necessárias para recepção e processamento da palha, considerando-se a escala do projeto em função da quantidade de palha a ser processada. Esta variável deve contemplar o custo de processamento industrial.

4) Qualidade da matéria-prima: Avaliação simples da umidade, poder calorífico e quantidade de terra presente na palha recolhida.

5) Armazenamento: Definição da estratégia de armazenamento considerando local de armazenamento, quantidade a ser armazenada e seu período. Devem ser estimados também os custos e riscos desta operação.

6) Investimento: Quantificação de todos os investimentos necessários para o projeto.

Estas seis variáveis deverão ser avaliadas para definição da estrutura do projeto de aproveitamento da palha.

Os autores acreditam que somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processoOs autores acreditam que somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processo

Visto isso, o que então esperar para o futuro do recolhimento da palha de cana? O recolhimento de palha até então foi baseado em duas soluções adaptadas. A primeira veio da produção de feno e forragem, e a segunda, aproveita a estrutura da atual colheita mecanizada de cana. Assim, os desenvolvimentos realizados por fabricantes e instituições de pesquisa visaram inovações incrementais que trazem benefícios também incrementais, por isso, somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processo.

*Marcelo de Almeida Pierossi é diretor da AgroPerforma Consultoria Agrícola

*Jorge Luis Donzelli é diretor da DZLL Planejamento & Consultoria em Cana-de-Açúcar

Diante das opções tecnológicas existentes no mercado, os autores desenvolveram uma metodologia de avaliação qualitativa e quantitativa que pode ajudar no processo de tomada de decisão das usinas que desejam recolher palha com mais eficiência e menor custo

 
 
 

 

 

 

 
 
 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Novas tecnologias em máquinas e softwares têm conseguido auxiliar o processo de maior custo dentro de uma usina, mas desafios ainda existem e precisam ser ultrapassados

 

Natália Cherubin

Após ultrapassar anos de crise, o setor aprendeu que era preciso não só apertar os cintos, como também conseguir reduzir os custos agroindustriais sem grandes investimentos. Só o CTT (colheita, transbordo e transporte) da cana, processo fundamental dentro de uma unidade, é responsável por cerca de 28% dos custos totais de produção. Sendo assim, ações e tecnologias que reduzem os custos desta fase do processo de produção têm sido muito bem-vindos.

Dentre as operações que compõem o CTT da cana-de-açúcar, as que mais impactam na formação do custo total em ordem decrescente são as de colheita, depois os de transporte e, por fim, o transbordamento. De acordo com o professor José Eduardo Holler Branco, docente do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) e pesquisador convidado do Grupo Esalq-Log, apesar dos custos fixos das colhedoras, dos veículos de transporte e dos equipamentos de transbordo assumirem grande parcela do custo total de CTT, existem os itens que compõem os custos variáveis, como o consumo de diesel e a manutenção dos equipamentos.

Além dos processos do CTT, também existe um conjunto de equipamentos que trabalham nas Atividades de Apoio ao CTT, que também constitui parcela significativa dos gastos. Desse modo, de acordo com Ângelo Domingos Banchi, diretor da Assiste Engenharia de Softwares Técnicos, ao se analisar o custo em cada etapa em um demonstrativo de CTT com um custo total de R$ 29,20/t cana, 41% correspondem à colheita mecanizada, a qual tem um custo de R$ 11,99/t cana, 33% vão para o transporte, cujo valor é R$ 9,72/t cana e o transbordamento consome 26% deste total, com R$ 7,49/t cana.

As chamadas operações de apoio, as quais correspondem ao caminhão comboio, bombeiro, oficina, borracharia, prancha, ônibus, utilitários, entre outros, representam 23,6% do custo total de CTT, o que mostra que seus gastos formam uma parcela representativa (Figura 1). “É preciso destacar que os equipamentos participantes do Apoio podem atuar em mais de um sub processo, o que não proporciona uma fácil divisão e sua respectiva atribuição com exatidão por sub processo. É também válido e importante mostrar que o CTT das usinas são diferentes entre si”, adiciona Banchi.

Segundo pesquisa da Assiste com várias unidades, o custo mínimo que algumas usinas conseguem chegar em seu CTé de R$ 27,20/t cana, enquanto o custo ideal fica entre R$ 28,25/t e R$ 29,19/t. As usinas com custos mais elevados chegam a valores acima de R$ 29,83/t e o custo médio entre as unidades analisadas ficou entre R$ 29,20/t e R$ 29,82/t (Figura 2).

 
MÉTODOS QUE CONTRIBUEM PARA REDUZIR OS CUSTOS

Dada essa magnitude de gastos com CTT, as usinas, com seus respectivos técnicos, e o mercado, composto de fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços, consultores etc, dedicam-se intensivamente aos aspectos operacionais e também às atividades de controle e programação do CTT para diminuí-los. Hoje existem vários fatores que têm por finalidade a redução de custos, como:

• Seleção do fabricante e do modelo de colhedora idealmente adaptada às práticas adotadas pela empresa;

• Largura de corte (1 linha ou 2 linhas) que se adeque à prática em uso na lavoura da unidade;

• Dimensionamento ideal da frente de colheita: 3, 4, 5 ou mais colhedoras por frente;

• A relação de transbordos por colhedora que proporcione melhor desempenho para cada frente de colheita;

• Distância mínima possível entre as colhedoras e o pátio de transbordamento;

• Tipo de transbordo adotado nas frentes (trator ou caminhão) e dimensão, e tipo de caixas de transbordo.

Já quanto à manutenção dos equipamentos, os seguintes pontos são importantes:

• Características dos processos de manutenção no campo e na oficina central;

• Manutenções preventivas e/ou planejadas, inclusive com a participação dos operadores (conceito de operador-manutenedor) têm apresentado menor custo do que a manutenção não programada, corretiva e sem apoio do operador;

• Tipo de transporte com um adequado dimensionamento e manutenção proativa;

• A correta definição e planejamento da estrutura de apoio, que pode reduzir seu custo fixo e garantir eficiência na operação, como também segurança no trabalho.

Quanto à engenharia econômica, há mais itens a se considerar como:

• Existência ou não de política de renovação de frota por tempo de vida útil;

• Critérios inteligentes de eliminação ou não de uma peça devido a seu desgaste parcial;

• Escolha técnica e econômica do grau de terceirização e da natureza dos serviços terceirizados.

Antonio Afferri, sócio-diretor da RPA Consultoria, afirma que atualmente a atenção maior das usinas está na melhoria da eficiência da gestão da operação das colhedoras. “O que normalmente encontramos são ineficiências na ordem de 30% a 35% para colheita em jornadas de 3 turnos de 8 horas e 26% a 30% para aquelas de 2 turnos de 10 horas. Reduzir esta ineficiência interfere positivamente no aumento do desempenho das colhedoras sem investimentos e com forte redução de custos. Gerar um maior número de horas de motor sem investimento e, concomitantemente, com redução do custo por tonelada colhida é o que vem sendo realizado por aquelas empresas que adotaram a estratégia dos 2 turnos de 10 horas”.

Além destas ações, de forma geral, as áreas de P&D dos fabricantes de equipamentos de CTT e os agentes do setor vêm buscando alternativas para aumentar a capacidade e a eficiência operacional dos equipamentos com o objetivo de diluir os custos fixos desses ativos produtivos. Buscando ganhos de escala, segundo o pesquisador da Esalq-Log, estão sendo testados novos equipamentos. Dentre estes, merecem destaque:

• Semirreboques com maior número de eixos para o transporte de cana-de-açúcar, como alternativa para aumentar a capacidade de carga e evitar o risco de sobrepeso por eixo do veículo;

• Transbordos de maior capacidade, como, por exemplo, o transbordo gigante de 22 t;

• Tecnologia GPS para aumentar a precisão das operações, automação e rendimento operacional;

• E colhedoras de maior potência e com maior número de bocas.

É importante frisar que as indústrias do setor sucroenergético estão enfrentando um cenário de intensificação da fiscalização das condições de trafegabilidade dos veículos canavieiros nas rodovias públicas e vêm sendo pressionadas por novos regimentos legais e órgãos de fiscalização a minimizar as ocorrências de sobrepeso e acondicionamento inapropriado da carga. Em face desse panorama, as indústrias de equipamentos e usinas vêm direcionando esforços para adequar os veículos de transporte às exigências legais de trafegabilidade nas rodovias”, adiciona.

De acordo com Afferri, o uso de transbordos de alta capacidade tem proporcionado tempo de transferência da carga 50% menor e o maior aproveitamento do volume de cana transportado. “Por ter menos ‘cantos’, quando comparado a composições com dois compartimentos, considerando que ambos possuem o mesmo volume do compartimento de carga (m3), estes modelos gigantes têm contribuído significativamente para a redução de custos na operação de transbordo”.

Pedro Teston, produtor de cana, prestador de serviços e diretor da empresa desenvolvedora do primeiro transbordo gigante, a Teston, afirma que as usinas, prestadores de serviços e fornecedores de cana que estão buscando rendimento e baixo custo operacional já têm adotado os transbordos de alta capacidade. “O transbordo gigante aumenta o rendimento da colhedora, diminui o tempo de espera dos caminhões para serem carregados, aumentando a sua densidade de carga, reduz o consumo de óleo diesel tanto da colhedora como do trator, e diminui a compactação de solo. Outra vantagem é o aumento de produtividade agrícola em cabeceiras devido à redução do pisoteio na entrada e saída dos carreadores pelo giro maior em alguns modelos desta categoria.”

Ele ainda destaca o menor tempo para transbordarmento, reduzido em até 40%, e a menor manutenção, pois o transbordo de alta capacidade, em comparação ao conjunto duplo, mostra redução na troca de mangueiras, pistões, pinos, buchas e pontos de lubrificação. “Enquanto no modelo mais antigo se tem 8 pistões, no transbordo de alta capacidade são apenas quatro, reduzindo em 50% o índice de manutenção. Outro atrativo é a diminuição de frota, pois, para se trabalhar com os transbordos menores, é necessário um equipamento a mais, gerando maior administração por parte do controle de frotas e das oficinas, pois teriam o dobro de máquinas deste modelo em campo”, explica.

Usinas cogeradoras de energia vem utilizando o transbordo gigante também para colheita de palha a granel. “A linha de Gigantes 2017 ficará ainda melhor porque o departamento de engenharia conseguiu baixar a altura do transbordo em 200 mm, obtendo mais estabilidade em terrenos declivosos”, adiciona Teston.

 

SOFTWARES E HARDWARES

Além do dimensionamento de máquinas, existem inúmeras ferramentas tecnológicas disponíveis para a gestão do CTT e, quando adequadamente selecionadas, corretamente implantadas, contínua e devidamente operadas, têm alto potencial para reduzir custos. Estas tecnologias têm um destaque ainda maior quando, além do software, há a interação com hardwares embarcados e ligados diretamente à operação.

Banchi acredita que os softwares têm fundamental influência na gestão do CTT, mas destaca que, como há muitos produtos no mercado e que nem sempre têm a especialidade necessária e essencial para as operações, deve-se buscar uma solução que atinja a gestão das raízes dos problemas. “No entanto, infelizmente muitos produtos estão no nível primário e apenas limitam-se à coleta dos dados e a seu armazenamento, sem possibilitar sua extração em processos gerenciais ágeis, limitando-se a oferecer tabelas que acabam sendo tratadas e trabalhadas nem sempre adequadamente.”

O consultor diz que medir a capacidade operacional das colhedoras junto com a coleta de dados via computador de bordo, preferencialmente online, é um exemplo de ferramenta para reduzir custos do CTT. Essa análise não só pode ser aplicada para uma colhedora em específico, como também para um conjunto de máquinas (uma frente de colheita) ou para toda a frota de colhedoras, de forma que sua aplicação permite perceber quais equipamentos trabalham fora do padrão e devem ser corrigidos.

Para Branco, no caso de grandes usinas que operam e movimentam um grande número de equipamentos de CTT, a roteirização e sincronização da operação das colhedoras, transbordos e veículos de transporte são fundamentais para evitar a ociosidade dos equipamentos e também para minimizar os riscos de falta de cana-de-açúcar nas moendas. Diante disto, os modelos de otimização e ferramentas de gestão de CTT são imprescindíveis para garantir uma alocação eficiente das frentes de colheita e sincronizar o deslocamento dos transbordos e veículos de carga, proporcionando a minimização dos custos de CTT.

“Ademais, esse tipo de ferramental auxilia a elaboração do Plano de Colheita e proporciona agilidade nos ajustes do plano às condições operacionais vivenciadas no decorrer da safra, com foco na maximização do teor de açúcares disponíveis na cana-de-açúcar. Tais esforços para consolidar um Plano de Colheita otimizado são primordiais para o desempenho econômico das indústrias, haja vista que quanto maior o teor de sacarose disponível na cana, maior é a receita da usina, melhor o rendimento industrial e menores são os custos de CTT por tonelada de sacarose entregue nas usinas”, complementa o pesquisador da Esalq-Log.

Dada a importância da colheita mecanizada e o impacto que a logística tem nesse processo, a Solinftec desenvolveu, em parceria com alguns clientes, diversas soluções que atuam desde o planejamento da colheita até seu transporte para a usina.  

De acordo com Daniel Padrão, diretor de operações da Solinftec, uma boa gestão logística de CTT começa com informações de qualidade e em tempo real. “Pensando nisso, nossas soluções de monitoramento baseiam-se em obter dados de forma automática, sem necessidade de intervenção humana, e transmiti-las de forma online através da nossa rede SolinfNet, mesmo em locais sem cobertura de rede celular. Essas informações possibilitam aos diversos agentes envolvidos no processo (central de logística, equipe de manutenção e agrícola) automatizar ou tomar a decisão em tempo real.”

No entanto, em função dos recentes resultados, a principal solução da empresa para logística hoje é o Fila Única de Transbordos, também conhecido como FUT. A solução atua principalmente na parada das colhedoras por falta de transbordo, que é hoje o maior causador de ineficiência das colhedoras. Com essa solução, segundo Padrão, é possível distribuir dinamicamente os recursos, no caso os transbordos, de forma automática conforme a demanda das colhedoras. Isto porque, em muitos dos casos, a alocação de transbordo é feita de maneira fixa, ou seja, para cada colhedora separam-se dois transbordos ou faz-se de forma manual, requisitando o transbordo via rádio comunicação.

O foco principal da solução, segundo Padrão, é o aumento de eficiência das colhedoras, diminuindo o tempo de aguardar o transbordo e, consequentemente, gerando uma distribuição mais inteligente dos transbordos. No ano de 2015 a empresa realizou, em conjunto com seus clientes, mais de 14 pilotos, que mostraram ganhos de até 1,5 hora por colhedora/dia. Estes resultados se confirmam após a implantação do sistema por algumas usinas, que conseguiram reduzir a frota de colhedoras em mais de 10%.

A GAtec comercializa uma solução especializada para a gestão da logística de transporte de cana que tem como premissa otimizar a frota canavieira indicando o melhor local de carregamento no despacho da frota de caminhões, visando o abastecimento linear de matéria-prima na unidade industrial, bem como a redução de fila no campo.

Fernando Luís de Almeida, consultor e especialista em logística da GAtec, explica que a solução utiliza um sólido algoritmo de decisão desenvolvido pela empresa, baseado na lógica de restrições, que leva em consideração todas as variáveis envolvidas no processo, tais  como distâncias, velocidades, tempos de carregamento e auxiliares, equipamentos ativos, tempos de alocações, controle de saturação, potenciais de carregamento e modelos de frota e priorizações.

Em tempo real, o sistema demonstra a situação do CTT de forma dinâmica e interativa aos gestores, que têm à disposição diversas formas de visualização de chegada e saída da frota canavieira do campo, utilizando painéis e visualização das informações dos locais de carregamento, tais como: produção, estimativas, posicionamento dos veículos, eventos, ciclos e projeções. Os tempos operacionais de campo relacionados aos tempos de carregamento e auxiliares também são visualizados e são informados via rádio, voz ou automaticamente, ou seja, a usina acaba tendo à disposição uma logística online, com a integração do sistema com os eventos de todos os equipamentos que estão associados ao CTT.

Dentre os principais ganhos, Almeida destaca a redução de custos através da redução da frota canavieira que, em alguns casos, chega a 25%, principalmente em estruturas que não utilizam processos de otimização ou modelos matemáticos consistentes. Há, ainda, ganhos pela melhor produtividade dos equipamentos envolvidos no CTT e maior acuracidade na captação e qualidade dos dados e informações do campo, o que facilita a tomada de decisões.

“Esta tecnologia está totalmente relacionada com a redução dos custos do CTT devido à redução da frota, aumento da produtividade dos equipamentos, melhora do rendimento energético no transporte, que é a tonelada por litro de combustível, redução da ociosidade das máquinas e caminhões no campo, a redução de paradas da indústria devido ao ciclo contínuo, planejado e informado pela solução, e reduções e controle das divergências das viagens. Além disso, há ganhos imensuráveis, como, por exemplo, uma melhor qualidade da matéria-prima para o processamento, devido à redução do tempo médio de transporte e processamento em menor tempo (a partir da colheita)”, realça Almeida.

A Hexagon Agriculture desenvolveu uma solução para o CTT baseada em dois pilares principais: planejamento e operação. Na parte de planejamento a empresa oferta uma gama de sistemas de otimização que visam planejar as atividades que influenciam diretamente no CTT. Estes planejamentos abrangem os níveis estratégico, tático e operacional para a colheita de cana. Assim, as soluções vão desde os planos de reforma e plantio das áreas de cana, bem como o planejamento de colheita, que influenciam diretamente no CTT, até o sistema de despacho dos caminhões que realizam o transporte da cana para a usina.

De acordo com Fábio Perna, responsável pela área comercial da Hexagon Agriculture, no âmbito operacional a empresa fornece os computadores de bordo para caminhões, que recebem as informações do despacho planejado e garantem o monitoramento do trajeto do veículo. “Esta tecnologia permite que as informações obtidas pelos sensores instalados nos veículos sejam enviadas remotamente à central de operações, informando a localização e a condição operacional.”

Além dos veículos para transporte de cana, a solução para o CTT da companhia disponibiliza nas frentes de colheita, o gerenciamento e o monitoramento das colhedoras e dos transbordos. Segundo Perna, é um conjunto de tecnologias que controla e despacha os transbordos na colheita e aloca os caminhões que fazem o transporte da cana nas frentes de colheita. A solução operacional contempla as seguintes funcionalidades:

• monitoramento dos veículos e equipamentos;

• navegação e rotas dos veículos;

• alocação dinâmica de transbordos;

• otimização do despacho de caminhões;

• e certificado digital de cana.

 

AINDA PRECISA MELHORAR

Em geral, os especialistas concordam que, apesar de novas metodologias e tecnologias, o que se observa na prática é a dificuldade das companhias no nível tático deste processo, ou seja, percebe-se uma estratégia (planejamento) e operação muito próximos da excelência, entretanto o elo de ligação entre estes pontos não possui efetividade.

Segundo Afferri, o nível de liderança das usinas (líder de colheita e/ou encarregado de frente) ainda está distante desta excelência, muitas vezes comprometendo significativamente a companhia no alcance de seus objetivos planejados de desempenho e redução de custo, e até frustrando o nível operacional ao não atingir suas expectativas de remuneração variável. “Portanto, recrutamento, formação, seleção e treinamento deste nível de funcionários é essencial para a garantia de estratégias voltadas para maior desempenho da colheita.”

Branco acredita que, além das inovações tecnológicas, outro vetor importante de ações para melhorar o desempenho da logística da colheita de cana tem como objetivo a seleção das áreas de abastecimento de cana e a racionalização da sua distribuição espacial, levando em consideração as condições de colheitabilidade das áreas e as distâncias percorridas das áreas até as indústrias. A colheitabilidade dos canaviais promove ganho de eficiência na operação de colheita e a otimização da distribuição espacial das áreas de cana proporciona a minimização do custo de transporte.

“Outra estratégia que merece destaque e deve ser avaliada pelas indústrias do setor sucroenergético é a utilização das ferrovias para o transporte da cana. Essa modalidade de transporte é utilizada em larga escala e com grande eficiência para o transporte de cana na Austrália, mas no Brasil essa opção ainda não vem sendo observada. Existe uma série de trechos de ferrovias que cruzam áreas de canaviais importantes e que poderiam ser utilizados para o transporte de cana mediante solicitação do Direito de Passagem junto às Concessionárias Ferroviárias. É uma alternativa que vale a pena ser investigada, pois pode revelar boas opções para redução de custos de CTT, principalmente se forem considerados os efeitos no custo de CTT decorrentes da intensificação da fiscalização das condições de trafegabilidade dos veículos canavieiros nas rodovias públicas”, observa o pesquisador da Esalq-Log.

Banchi aponta que os principais pontos que ainda podem melhorar são:

• informação online da quantidade de cana colhida;

• geração do peso online com o uso da balança dinâmica nas colhedoras;

• melhorias no corte pantográfico de base;

• e melhoria nos modelos de colhedoras que tenham maior largura de corte, para que trabalhem adequadamente.

“Essas características permitiriam alcançar fatores logísticos necessários e já concebidos”, acrescenta.

Para Almeida, em um primeiro momento é necessário analisar e até mesmo melhorar alguns processos que são importantes para a logística e que muitas vezes passam despercebidos pelos gestores, como um planejamento de colheita mais eficiente, além da qualidade das informações que serão utilizadas pelo processo de logística, que muitas vezes não são precisas (devido à utilização de sistemas inconsistentes).

“Algumas usinas têm a visão de que melhorar a logística e adquirir as tecnologias necessárias para esse processo tem alto custo, sem analisar o retorno ou a rentabilidade que se é obtida. Com a implantação das soluções, na maioria das vezes, o retorno do investimento é conseguido em curto prazo. Sem pensar no pay-back das soluções, estas usinas demandam grande número de pessoas, obtendo informações de baixa qualidade, com problemas de recebimento da matéria-prima e na qualidade, equipamentos ociosos, custos maiores com terceiros etc.”

No cenário de investimentos tecnológicos, Almeida acrescenta que o setor ainda está muito preso aos canais de telecomunicação, principalmente com utilização do sinal GPRS, o que pode dificultar os processos da gestão online e todo o processo de logística. No entanto, destaca que avanços significativos ocorreram através do uso de rede MESH e rádios.

Outro ponto a se evoluir são os computadores de bordos embarcados nos equipamentos. “Existem muitos equipamentos obsoletos sendo utilizados pelas usinas e que nos próximos anos deverão ser substituídos por equipamentos com melhor tecnologia e que não sofram por divergência nas transmissões das informações”, conclui.

 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Startup cria um computador de bordo diferente, o CIA, que dispara mensagens de alerta para telefones celulares de tratoristas, seus fiscais, supervisores e gerentes quando o sistema identifica atos de indisciplina, irregularidades e desperdícios ocorridos com equipamentos da frota

 

Natália Cherubin

Os computadores de bordo para equipamentos e máquinas agrícolas já são produzidos e comercializados no Brasil há mais de 20 anos. Contudo, o seu alto preço de aquisição, ao redor de R$ 10 mil, aliado ao fato de apresentar as ineficiências e problemas da frota em relatórios um ou mais dias depois da situação acontecida, impediam que a maior parte dos equipamentos contasse com este importante acessório.

Mas este cenário pode estar com os dias contados. A Farm Solutions, uma empresa criada no final de junho na incubadora tecnológica ESALQtec, dentro do polo irradiador de inovação e tecnologia para o agronegócio AgTech Valley, em Piracicaba, SP, está lançando o CIA – Controlador Inteligente Agrícola. Disponível em dois modelos, o CIA 1.000 e o CIA 2.000, custando respectivamente R$ 945 e R$ 1.335, estes computadores de bordo têm preço quase 10 vezes menor do que os dos concorrentes.

Imagem 1 – Exemplo de oito dias de trabalho de uma mesma colhedora de cana, com média diária de apenas 10,87 horas colhendo (antes de ter ativado o envio de mensagens de alerta de irregularidades)

Para custar mais barato, o segredo dos CIAs está no seu sistema de gerenciamento inteligente, que funciona numa plataforma na nuvem. É ele que recebe as informações dos CIAs, processando-as e identificando quando irregularidades, indisciplinas e desperdícios de combustível ocorrem. Daí, ele envia instantaneamente mensagens de texto contendo alertas para telefones celulares que estiverem cadastrados no sistema. Desta maneira, o sistema possibilita reduzir capacidades computacionais e custos do computador de bordo.

“É esta atuação ininterrupta de checagem e cobrança que chamamos de Gestão Ativa. Com ela, conseguimos automatizar a cobrança de quaisquer pisadas de bola que os operadores, tratoristas e motoristas praticarem, exatamente na hora que elas acontecerem, sem qualquer intervenção humana. O sistema tornou-se um verdadeiro gestor virtual que não descansa nunca”, diz Tereza Peixoto, ex-executiva da Biosev e Cosan, uma das fundadoras da Farm Solutions.

Imagem 2 – Rastro de um dia de trabalho de um trator pulverizando um pomar de laranja com parte da área sem ter sido pulverizada
 

O desenvolvimento e os testes do CIA em operações mecanizadas de cana-de-açúcar e laranja apontaram ganhos de mais de 15% na quantidade de horas trabalhadas de equipamentos monitorados dentro do conceito de Gestão Ativa, quer dizer, após o envio de alertas para celulares ter sido ativado.

“Num dia inteiro de um trator com CIA instalado, o equipamento envia ao redor de 1.000 registros para o sistema central. Temos encontrado entre 40 e 70 irregularidades por dia em cada trator, problemas estes que geram mensagens de alerta sem que nada passe despercebido. Se uma frota de usina tiver, por exemplo, 400 equipamentos motorizados entre tratores, máquinas, caminhões, veículos leves e pulverizadores autopropelidos, seriam por volta de 22 mil irregularidades a serem identificadas ao dia por três controladores humanos de um COA (Centro de Operações Agrícolas), um por turno. Em cada caso, o controlador iria chamar o fiscal ou líder da frente do equipamento com irregularidade pelo rádio para alertá-lo. Isso é praticamente impossível, mesmo que existissem dez funcionários trabalhando por turno no COA. Com o CIA, esta logística de gestão está superada. O resultado é poder ter uma frota menor trabalhando mais e a um custo muito baixo. Queremos levantar a régua da eficiência de trabalho dos equipamentos agrícolas brasileiros”, exalta Ricardo Pinto, também fundador da Farm Solutions e diretor da RPA Consultoria e revista RPAnews.

Samuel Gazzola, presidente da Farm Solutions e ex-executivo de empresas sucroenergéticas como Odebrecht Agroindustrial, Biosev e Cosan, está entusiasmado com a tecnologia recém-lançada: “Conseguimos chegar numa solução para aumentar a eficiência do uso da frota agrícola que eu busquei por mais de dez anos, quando estava do lado de lá, ou seja, trabalhando como executivo de usinas canavieiras. Agora a solução está pronta, entrega o que promete e seu sistema é de operação fácil e intuitiva”.

E ele dá uma dica: “quando vamos instalar os CIAs para testes, sugerimos às empresas que deixem-os funcionando por pelo menos uma semana sem ativar o envio de mensagens de alerta. Depois, ativamos a Gestão Ativa, ou seja, o envio automático das puxadas de orelha quando acontecem irregularidades. Então, comparamos a eficiência de trabalho antes e depois do envio dos alertas. Os resultados de evolução são impressionantes”.

 

FISCALIZAÇÃO 24 HORAS POR DIA

O CIA e o sistema web que o gerencia conseguem monitorar diversos parâmetros da operação de uma máquina ou de um trator, identificando e alertando via telefones celulares quando o equipamento:

• está parado acima de um determinado tempo, por exemplo, 10 minutos, durante a jornada (CIA 1.000 e 2.000);

• está trafegando acima de uma velocidade máxima de segurança (CIA 1.000 e 2.000);

• está desperdiçando combustível ao ficar, por exemplo, mais de 5 minutos parado com o motor ligado (CIA 2.000);

• está trabalhando acima da velocidade máxima definida para a operação (CIA 2.000);

• iniciou trabalho numa área não permitida (CIA 2.000);

• ultrapassou os limites da fazenda ou empresa, podendo estar sendo roubado (CIA 1.000 e 2.000);

• teve seu botão de SOS (socorro) acionado pelo operador (CIA 1.000 e 2.000);

• teve seu CIA desligado (CIA 1.000 e CIA 2.000).

 

Imagem 3 – Trator começando a trabalhar em área errada (talhão não marcado em vermelho)

 

RASTRO QUE DENUNCIA

Além disso, com o CIA, fica fácil acompanhar o trabalho que cada equipamento está fazendo por meio de seu rastro – marcas do trajeto rodado ou trabalhado -, inclusive sendo possível verificar as áreas que foram trabalhadas e mesmo aquelas que deixaram de ser trabalhadas sem comunicação (como no canto superior esquerdo da Imagem 2).

Quando o sistema que administra os CIAs é alimentado das áreas ou blocos a serem trabalhados numa semana, por exemplo, por meio do cadastro de “cercas eletrônicas”, basta um trator iniciar o trabalho numa área fora desta “cerca eletrônica” para o tratorista e seu líder ou fiscal receberem um aviso em seus telefones celulares (Imagem 3).

 

RESISTENTE

O CIA está preparado para funcionar nas condições adversas que o maquinário agrícola costuma enfrentar? Tereza, responsável pela Operação da Farm Solutions, é assertiva na resposta: “Cada CIA é montado numa caixa blindada que nós desenvolvemos. Assim, ele mostrou-se totalmente resistente contra pó, vibração e intempéries. Justamente por isso damos garantia de 12 meses contra defeitos de fabricação”.

Por conta da falta de sinal de celular (GPRS) que possa ocorrer esporadicamente ou até por períodos maiores no campo, cada CIA tem capacidade de armazenar pacotes de dados por alguns dias antes de serem enviados, dependendo do intervalo de tempo entre envios. “E como não há tela e teclado para digitação, a probabilidade de quebra do CIA é muito baixa. Afinal, ninguém deve mexer com ele”, explica Tereza.

Imagem 4 – Sistema de gerenciamento do CIA opera na nuvem, tanto na versão desktop como na mobile, sem restrição de dispositivos para acesso e consulta
 

 

RANKING DE OPERADORES

Dentre as várias funcionalidades do sistema do CIA, uma é a de averiguar se o mesmo operador ou tratorista está repetindo a mesma irregularidade. Se estiver, além da mensagem de alerta ir para o líder ou fiscal deste tratorista, irá uma mensagem para o chefe deste fiscal ou líder, apontando que um funcionário dele não está corrigindo seu comportamento. Desta forma, toda a árvore de comando relacionada à frota da empresa cliente (sua hierarquia) é cadastrada no sistema para receber os alertas, que são subdivididos entre:

• problemas operacionais: somente operador/tratorista e seu líder direto recebem as mensagens;

• problemas operacionais recorrentes: líder direto e seu superior imediato recebem as mensagens de quais equipamentos estão repetindo os problemas;

• situações de risco humano ou material: supervisores recebem as mensagens, juntamente com líderes;

• avisos emergenciais: por exemplo, nos casos de colisão ou provável roubo do equipamento, até gerentes e diretores podem receber as mensagens.

“Só assim podemos dizer que a empresa está com sua frota na mão, ou seja, realmente sob controle”, sacramenta Tereza.

Finalmente, o sistema também registra e acumula os eventos que acontecem ininterruptamente com os equipamentos por frente e até faz um ranking dos operadores e tratoristas que melhor se comportam, ou seja, que mais trabalham e tem menos tempo parado nas piores situações, como com o motor parado, desperdiçando combustível.

 

TESTES E VENDAS

As vendas do CIA iniciaram-se em julho. “No nosso primeiro mês de operação já comercializamos 50 aparelhos. E já temos encomendado um pacote para a frota toda da maior e mais reconhecida empresa prestadora de serviços de controle de ervas daninhas em cana-de-açúcar do Brasil. Em agosto, iniciamos a instalação de CIAs de teste em quatro grandes empresas canavieiras. Estamos indo com calma, pois nossa atual capacidade para vender e instalar é de 150 CIAs por mês. Mas estamos nos estruturando para atender à demanda que está sendo sinalizada em nossos contatos iniciais”, declara Ricardo, que responde pelo Marketing da Farm Solutions.

Como cada CIA recebe um chip de telefone celular durante sua instalação, há uma conta mensal a ser paga para a companhia telefônica. O uso do pacote de envio de mensagens SMS também implica em um gasto mensal. “Continuando na linha de facilitar ao máximo a vida para nossos clientes, cobramos uma única taxa mensal, que é de R$ 111 para o CIA 1.000 e de R$ 139 para o CIA 2.000, que responde pelos custos de telefonia, de envios de SMS e ainda dá direito ilimitado ao sistema por quantos desktopstablets e smartphones o cliente quiser acessar. Lembro que todas as novidades e manutenções que acontecerem no sistema automaticamente estarão disponíveis para todos os clientes”, detalha Gazzola.

 

 
Relatório diário de frente de tratores com ranking dos tratoristas
 
 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

 

A expansão da mecanização das operações agrícolas trouxe como uma das principais consequências a compactação dos solos, que ao longo de muitos anos e em culturas perenes como a cana-de-açúcar, tem causado sequelas como dificuldade de enraizamento, baixa eficiência dos fertilizantes, baixa resistência à seca, aumento do ataque de pragas e doenças, o que leva, consequentemente, a queda na produtividade e aumento nos custos de produção.

Um trabalho realizado pela Embrapa Cerrado junto a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), mostra que a monocultura favorece a redução da variabilidade microbiana dos solos, alterando sua estrutura física e gerando a compactação mesmo em culturas onde se realiza métodos mais conservacionistas como o plantio direto. Para se ter ideia do impacto, a cada cinco anos de sistema convencional de plantio direto, perde-se 70% da biodiversidade microbiana do solo.

Muitas têm sido as estratégias para corrigir os efeitos causados pela compactação, dentre elas, podemos destacar o preparo profundo de solo, a canteirização dos canaviais, o plantio em espaçamento alternado e o preparo reduzido de solo. Além disso, há diversas operações voltadas para a descompactação do solo mecanicamente. Assim, os produtores que optam pelo preparo de solo convencional ou com eliminador mecânico de soqueira gastam, de acordo com dados da RPA Consultoria, pelo menos R$ 139/ha com grade e mais R$ 163/ha com subsolagem. Já nos tratos de cana soca convencional se gasta ao redor de R$ 170/ha com a operação de cultivo com a finalidade de reduzir a compactação.

No entanto, gastos desnecessários com métodos para se descompactar o solo podem ser eliminados por meio da adubação biológica, uma das práticas conservacionistas que atua diretamente em uma das causas da compactação do solo, repondo a biodiversidade característica do ambiente e recuperando boa parte dos processos naturais com a reestruturação do solo. Isto é o que afirma Kauê Ferreira, coordenador técnico da Microbiol, empresa desenvolvedora da tecnologia Microgeo, uma ferramenta para a produção do adubo biológico. “A adubação biológica tem efeitos cumulativos. A produtividade da cultura tende a chegar cada vez mais perto do seu potencial produtivo à medida que o solo vai recebendo microrganismos benéficos que reconstroem o solo, tornando-o mais vivo e reestruturado.”

 

REESTRUTURAÇÃO DO SOLO

Antes de tudo é preciso entender o processo de reestruturação dos solos, que se dá pela transformação da matéria orgânica em substâncias estruturais e pode ser dividida em três partes. A biológica, que refere-se à inserção de microrganismos em diversidade e volume adaptados a cada tipo de solo e ambiente. Neste processo o solo se torna mais biodiverso e ocorre a redução da pressão de pragas e doenças devido à quebra da predominância de poucas espécies. A reestruturação física que se refere ao aumento da atividade de processamento de matérias orgânicas que apresentam como função a transformação de matérias orgânicas brutas em matérias orgânicas estruturais. Neste processo ocorre o aumento da macroporosidade e redução da densidade do solo.

“Os micro-organismos do solo atuam em dois ambientes, na matéria orgânica (MO) de cadeias complexas, como a lignina, que se encontra distribuída no perfil superficial do solo, e na rizosfera onde atuam em matérias orgânicas de cadeia mais simples, como os açúcares exsudados pelas raízes. Ao longo do tempo, as matérias orgânicas estruturais reconfiguram a estrutura física do solo através da agregação, aumentando a macroporosidade e reduzindo a densidade do solo”, detalha Ferreira.

Já a reestruturação química se dá em duas etapas: a direta, que ocorre pelo aumento da disponibilização de nutrientes provenientes da matéria orgânica pela imobilização e posterior mineralização, e de maneira indireta pelo aumento do volume do solo, que favorece o enraizamento das plantas e reduz a concentração dos nutrientes na solução do solo.

Esta reestruturação é o que propõe a tecnologia Microgeo, um componente balanceado que alimenta os micro-organismos do conteúdo ruminal bovino em Compostagem Líquida Contínua produzindo um adubo biológico capaz de promover a recuperação do solo e otimizar insumos agrícolas e fatores de produção.

Diferentemente da operação de descompactação mecânica do solo, na qual é realizada a quebra das camadas compactadas com o uso de subsoladores e grades, a reestruturação biológica é o processo de recuperação por meio de micro-organismos dos agregados do solo.

“Normalmente os micro-organismos produzem ácidos orgânicos que colam os grumos do solo formando os agregados. Inicialmente, este processo ocorre superficialmente, mas, ao longo do tempo e com o uso do Microgeo, este efeito tende a atingir as áreas compactadas em um processo progressivo de reestruturação”, adiciona Ferreira.

O solo reestruturado e descompactado permite que as plantas tenham um melhor enraizamento, havendo maior eficiência dos fertilizantes juntamente com aumento da retenção de água, aumento da CAD (Capacidade de Água Disponível) do solo e redução da pressão de doenças de solo e pragas. Ferreira elenca outros benefícios da tecnologia para o produtor de cana:

- Tem ação progressiva e que se potencializa nos tratamentos sucessivos;

- Tem baixo custo de aquisição, pois através da biofábrica de adubo, pode ser produzido dentro da própria unidade, o que no final apresenta baixo custo de tratamento;

- Por ser biológico, não impacta na eficácia e nem na eficiência de outros produtos químicos;

- E traz aumento da biomassa biológica do solo;

 

PRODUTIVIDADE E DESCOMPACTAÇÃO

Segundo Ferreira, amostras de canaviais de regiões do Estado de São Paulo e Minas Gerais mostraram ganhos significativos em produtividade e redução na compactação dos solos. “Na FazendaIbiporã, na cidade de Guararapes, SP, a aplicação do produto na variedade CTC 04 mostrou, em primeiro corte, um incremento de 24,57 t/ha. Na propriedade Estância Ocean Furlani, localizada em Pederneiras, SP, foi analisado um ganho de 10 t/ha na cana de variedade SP 801816 de terceiro corte. Na fazenda Monte Alto Estancia Vale do Sol, de Iturama, MG, os ganhos chegaram a 12,74 t/ha na variedade CTC 15 de terceiro corte. E na Fazenda Lagoa Seca, localizada em Lençóis Paulista, SP, a cana de variedade RB 867515 de segundo corte chegou a ter um aumento de 9,87 t/ha”, afirma Ferreira.

O produtor Hamilton Rossetto, de Lençóis Paulista, SP, faz o uso da tecnologia desde 2014 e afirma ter observado aumento de 8% na produtividade dos canaviais de terceiro corte. “Aplicamos o produto em aproximadamente 3,5 mil ha durante estes dois anos, utilizando 7,5 kg /ha no plantio e nos tratos culturais da soqueira. Ainda é cedo para fazermos uma avaliação exata do potencial do produto, mas diante do que foi alcançado já estamos programando aumentar a aplicação em 2016 para 4 mil ha.

Jose Tadeu Coletti, produtor da fazenda Monte Alto Estancia Vale do Sol, conta que iniciou o teste com o produto em uma pequena área de plantio ainda em 2007 e foi expandindo a tecnologia também em cana soca, acelerando ano a ano, até chegar ao manejo atual de 700 ha/ano, divididos entre 100 ha de cana planta e 600 ha de cana soca.

“A proposta da adubação biológica, através o uso de Microgeo, tem sido fornecer ao solo e planta uma contribuição expressiva no sentido de se incrementar o microbioma, responsável pela maior solubilização do fósforo e pela absorção dos demais nutrientes como um todo. A aplicação repetida da tecnologia permitiu-nos uma redução de fertilizantes minerais, particularmente em soca, oscilando entre 15% e 20%, sempre em obediência a critérios técnicos e em harmonia com o potencial dos diferentes ambientes de produção. A melhor indicação dos resultados da tecnologia está na estabilidade de canaviais seguidamente tratados com o adubo biológico. Em trabalho recente, acompanhado sob agricultura de precisão, contabilizou-se um diferencial positivo favorável ao emprego da tecnologia, com a cifra de 12 t/ha em canavial de terceiro corte”, afirma o produtor.

Outro benefício que, segundo ele, deve ser destacado, diz respeito a melhor estruturação dos solos tratados com Microgeo. “Foi notória a maior resistência à seca por glebas tratadas nos períodos de longa estiagem, o que também se comprovou no estudo colhido em 2015. Os níveis de compactação estiveram sempre inferiores nas áreas que receberam o adubo.”

As aplicações na propriedade de Coletti se harmonizam com as atividades convencionais, tais como inseticida de cobrição no plantio, o herbicida do quebra-lombo e o controle da planta daninha na cana soca. Na verdade, o veículo das caldas passa a ser o produto compostado com Microgeo, sempre na vazão de 300 l/ha.

“Na cultura da cana-de-açúcar são mais que expressivos os resultados positivos na produtividade agrícola promovidos pelo uso de organominerais através do emprego dos resíduos fabris, como torta de filtro e vinhaça. Indiscutivelmente, tudo o que concorre para incrementar a atividade microbiológica do solo contribui sempre para o melhor aproveitamento dos nutrientes oferecidos à cultura. E nesta linha se situa a tecnologia Microgeo. É um novo tempo na agricultura. É preciso ser sustentável!”, enaltece Coletti.

AUTOPRODUÇÃO

Assim como outros resíduos da produção de etanol e açúcar podem ser reutilizados e transformados em fertilizantes para aplicação em cana, o adubo biológico também pode ser produzindo com resíduos animais dentro da própria usina ou fazenda.

De acordo com Ferreira, para o processo de produção deste adubo, que passa por uma Compostagem Líquida Contínua em uma biofábrica, os componentes que serão necessários são: um tanque, água, filtro, esterco de ruminante/conteúdo ruminal e o Microgeo. A função do esterco de ruminantes/conteúdo ruminal é fornecer a primeira comunidade microbiana para o adubo biológico e a função do Microgeo é multiplicar os micro-organismos.

“O volume de esterco/conteúdo ruminal que é adicionado na biofábrica é de 15% do volume total e o Microgeo inicial é de 5% em Kg do volume total de água. Após a montagem da biofábrica o adubo biológico fica pronto para uso após 15 dias. E sua utilização pode ser feita de duas maneiras, semanal ou diária. A aplicação semanal é feita retirando-se 70% do volume da biofábrica. É importante lembrar que após a retirada deve-se repor 2,5% de Microgeo referente ao volume retirado mais água e aguardar uma semana para poder retirar novamente. Para a utilização diária, deve-se retirar 10% do volume da biofábrica e repor 2,5% de Microgeo referente ao volume retirado mais água. Neste processo já é possível, no dia seguinte, utilizar o adubo biológico novamente”, detalha.

Além de ganhos de produtividade de até 12 t/ha, produtores que têm feito uso contínuo de adubo biológico em cana têm conseguido reduzir a aplicação de fertilizantes minerais e amenizar a compactação dos solos

 

DICAS PARA PRODUZIR SEU PRÓPRIO ADUBO BIOLÓGICO

• Para a produção da biofábrica use PVC, fibra de vidro, metálico ou alvenaria. O tamanho do tanque não influi no custo de produção e manutenção do adubo biológico.

Instale o tanque em área ensolarada, próximo ao ponto de abastecimento de água, mantendo o mesmo sempre descoberto. É importante que o tanque receba luz solar direta.

Instale dentro da biofábrica um pré-filtro que terá a função de coar as partículas em suspensão.

Coe o adubo biológico com uma peneira na entrada do tanque pulverizador.

Instale um registro no cano de abastecimento de água da biofábrica para manter o nível do mesmo.

E agite a biofábrica duas vezes por semana ou sempre que adicionar o Microgeo no mesmo.

 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

 

Dentre os benefícios trazidos pelos bioestimulantes estão o aumento da CTC do solo, maior enraizamento, aumento da absorção de água e nutrientes pelas plantas, bem como sua resistência aos estresses hídricos e por pragas e doenças

 

Unidades e produtores que têm conseguido retomar os bons patamares de produtividade em seus canaviais, sem dúvida têm ido muito além do investimento no básico dos tratos culturais. As boas produtividades são resultado da combinação de uma boa adubação junto a outras ferramentas como biorreguladores, bioativadores ou bioestimulantes, compostos que adicionados às plantas aceleram o metabolismo das células vegetais e as ajudam a se desenvolver mais rapidamente, reduzindo estresses, sejam nutricionais ou por pragas, doenças, secas ou geadas.

Além de ser uma prática de manejo que incrementa em produtividade, o uso de biostimulantes pode ainda trazer bons retornos no rendimento industrial. Isto porque as substâncias que compõem os bioestimulantes são complexos que promovem o equilíbrio hormonal das plantas, favorecendo a expressão do seu potencial genético e estimulando o desenvolvimento do sistema radicular.

De acordo com Lucas Rona, gerente de Produto e Mercado Brasil para Cana-de-açúcar e Pastagem da Arysta, os biostimulantes agem na degradação de substâncias de reserva das plantas, na diferenciação, na divisão e no alongamento celular, estando divididas em dois subgrupos: o dos biorreguladores ou reguladores de crescimento e o dos biofertilizantes.

De acordo com os pesquisadores do Gape da Esalq/USP (Grupo de Apoio à Pesquisa e Extensão da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” da Universidade de São Paulo), Kauê Tonelli Nardi e André Kitaro Mocelin Urano, cada vez mais a utilização de técnicas avançadas para incrementos quantitativos e qualitativos na produção estão sendo estudados e, dentre eles, está a aplicação de bioestimulantes. “Um dos fatores mais relevantes para o crescimento e desenvolvimento das plantas são os de natureza química, destacando-se os reguladores de crescimento sintetizados pela planta. Os hormônios vegetais são substâncias orgânicas também importantes na regulação do desenvolvimento vegetal e com respostas fisiológicas específicas, sendo ativados em pequenas quantidades”, afirmam.

Segundo Gaspar Henrique Korndorfer, professor titular da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), estes produtos já são amplamente utilizados na Europa em outras culturas, porém, estudos apontam que a tecnologia também pode contribuir muito para a produtividade da cana. “Os compostos são utilizados no momento do plantio ou via aplicação foliar e induzem a resistência na planta, levando-a a alterações fisiológicas. Esses produtos podem, por exemplo, reduzir os efeitos de estresse hídrico, contribuindo significativamente na absorção de nutrientes.

O QUE SÃO BIOESTIMULANTES?

Diferentemente dos fertilizantes ou adubos (sintéticos ou orgânicos) que são substâncias aplicadas ao solo ou a tecidos vegetais (geralmente as folhas) com o objetivo de prover um ou mais nutrientes essenciais ao crescimento das plantas, os bioestimulantes, segundo Carla Renata Pazzotti, engenheira agrônoma, responsável técnica e gerente de Produção da Redi Fertilizantes, têm como objetivo acelerar algumas etapas de desenvolvimento fisiológico da planta.

O engenheiro agrônomo e pesquisador da Embrapa Roraima, Newton de Lucena Costa explica, em trabalho realizado sobre o tema, que os bioestimulantes são misturas de biorreguladores ou uma mistura entre um ou mais biorreguladores com outros compostos de natureza química como aminoácidos, enzimas, vitaminas, sais minerais etc.

Existem três tipos de bioestimulantes:

- os biorreguladores hormonais: onde encontramos as auxinas, citocininas e giberelinas;

- os biorreguladores não hormonais: aminoácidos, antioxidantes, extratos de enzimas e vitaminas;

- e os biofertilizantes: ácidos húmicos, fúlvicos, extratos de algas e micro-organismos, como bactérias, fungos e micorrizos;

“Os componentes dos bioestimulantes trazem vários benefícios para cana-de-açúcar como o aumento da CTC (Capacidade de Troca de Cátions) do solo, melhora de enraizamento, aumento da absorção de água e de nutrientes pelas plantas, bem como melhora sua resistência aos estresses hídricos e aos efeitos residuais de herbicidas no solo, aumentando o perfilhamento do canavial e sua longevidade, e diminuindo as falhas, além do aumento da produtividade e consequente redução de custos, fazendo com que seu uso em cana seja cada vez mais crescente”, adiciona Rona.

A concentração hormonal dos bioestimulantes quase sempre é baixa, menos de 0,02% ou 200 ppm de cada hormônio em um litro, sendo as doses recomendadas de 0,5 a 1,0 l/ha. De acordo com Costa, para o efeito desejado com o uso de bioestimulantes específicos é importante conhecer o processo regulado pelo hormônio ou grupo de hormônios, a dose necessária para manipular o processo, bem como o órgão da planta onde ocorrerão as reações biológicas.

“Por sua composição de múltiplos hormônios em baixas concentrações, bem como pelas pequenas doses recomendadas, a aplicação isolada de um bioestimulante dificilmente poderá regular ou manipular completamente um processo fisiológico. O bioestimulante será um complemento no auxílio da manutenção fisiológica, o que pode ser muito importante em condições ambientais (seca ou geada) ou bióticas limitantes (pragas e doenças)”, afirma em pesquisa.

FERTILIZANTES + BIOESTIMULANTES
Além de ser uma prática de manejo que incrementa em produtividade, o uso de biostimulantes pode ainda trazer bons retornos no rendimento industrial. Isto porque as substâncias que compõem os bioestimulantes são complexos que promovem o equilíbrio hormonal das plantas, favorecendo a expressão do seu potencial genético e estimulando o desenvolvimento do sistema radicular.Além de ser uma prática de manejo que incrementa em produtividade, o uso de biostimulantes pode ainda trazer bons retornos no rendimento industrial. Isto porque as substâncias que compõem os bioestimulantes são complexos que promovem o equilíbrio hormonal das plantas, favorecendo a expressão do seu potencial genético e estimulando o desenvolvimento do sistema radicular.

A aplicação dos bioestimulantes pode ser realizada via pulverização do colmo nas covas de plantio ou via pulverização foliar. Segundo Korndorfer, o custo de aplicação desses compostos é bastante baixo, variando de R$ 40 a R$ 60 por ha. “Já os benefícios são grandes, pois há registros de aumento de produtividade de até 10 t/ha.”

Rona afirma que os bioestimulantes podem ser inseridos junto aos fertilizantes, desde que o momento certo de aplicação de ambos coincida e desde que não haja problemas de interação entre as formulações, garantindo a eficácia dos dois componentes. “Ambos têm que ser manejados de acordo com seu posicionamento, necessidade da cultura e de acordo com tipo de solo, clima, variedade e época do ano. Afinal, ambos têm objetivo de melhorar a produtividade, um através do aumento do alcance do seu potencial genético e outro ao suprir suas necessidades de nutrientes.”

Ainda de acordo com ele, o ideal é manter a nutrição por fertilizantes e aumentar a produtividade através do uso de bioestimulantes, melhorando a absorção desses fertilizantes pela planta.  “O uso de bioestimulantes deve ser feita sob a supervisão de um engenheiro agrônomo, de acordo com a época indicada pelo fornecedor e através de recomendação e pesquisas feitas por instituições credenciadas. A utilização em excesso ou em momento errado pode não gerar o resultado esperado ou até mesmo ser prejudicial para o canavial. Cada produto tem a sua recomendação”, afirma Rona.

Segundo Bruno Rossetti Sardinha, gerente técnico e Comercial da Ubyfol, a aplicação de bioestimulantes em toletes favorece a melhor germinação e estabelecimento da cultura. Mas ele faz uma ressalva. “Os bioestimulantes podem e devem estar inseridos em fórmulas de fertilizantes, pois só assim estaremos explorando todo seu potencial de retorno. Um bioestimulante completo não deve somente atuar na germinação do canavial (isso um hormônio faz muito bem) e sim deve fornecer ferramentas para que a planta de fato transforme essa melhor brotação em produtividade final (isso um hormônio apenas não faz).”

Sardinha destaca ainda que é preciso tomar cuidado com o excesso de aplicação ou aplicação em época errada, que pode gerar um desequilíbrio fisiológico ou um falso positivo, onde se consegue uma melhora momentânea do canavial, mas que não é sustentável ao longo do ano, fazendo com que a produtividade caia.

MERCADO DE BIOESTIMULANTES

Um produto que foi desenvolvido para atuar como estimulante vegetal ou bioestimulante é o Stimulate, da Stoller do Brasil, uma substância líquida, não viscosa, solúvel em água e de fácil e rápida absorção. De acordo com indicações da fabricante, o produto, composto por três reguladores vegetais: 0,009% de cinetina (citocinina), 0,005% de ácido giberélico (giberelina) e 0,005% de ácido indolilbutírico (auxina), além de 99,981% de ingredientes inertes, pode ser aplicado via sementes e via foliar no sulco de plantio, e misturado a inseticidas, fungicidas, herbicidas, inoculantes e fertilizantes foliares sem restrições.

O Stimulate age sobre os diversos processos fisiológicos fundamentais das plantas superiores, tais como germinação de sementes, vigor inicial de plântulas, crescimento e desenvolvimento radicular e foliar, além de produção de compostos orgânicos, aspectos que irão contribuir positivamente na obtenção de altos índices de produtividade e qualidade nos produtos finais.

 

Ganhos obtidos com o uso de bioestimulante (Stimulate) e bioestimulante + fertilizante (Stimulate + Starter )

 

Resultados da aplicação de 0,5 l/ha do Stimulate em um canavial do APTA (Agência Nacional de Tecnologias dos Agronegócios), localizado em Jaú, SP, mostrou um melhor desenvolvimento de colmos por metro, que foi 11% maior. A produtividade deste mesmo canavial teve um acréscimo de 12 t/ha, saindo dos 171 t/ha para 183 t/ha. Em teste feito por Rafaella Rossetto, pesquisadora do APTA - Polo Centro-Sul/Piracicaba, SP, foi realizada uma aplicação foliar 60 dias após o início das brotações, nas doses 0,5 l/ha de Stimulate + 3 l/ha de Starter (produto para nutrição e defesa) e os resultados mostraram um ganho de 20 t/ha.

 

 

EXISTEM TRÊS TIPOS DE BIOESTIMULANTES:

Biorreguladores hormonais:

onde encontramos as auxinas, citocininas e giberelinas;

Biorreguladores não hormonais:

que contém aminoácidos, antioxidantes, extratos de enzimas e vitaminas;

Biofertilizantes:

compostos por ácidos húmicos, fúlvicos, extratos de algas, micro-organismos, como bactérias, fungos e micorrizos;

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Segundo Sardinha, todos os produtos da linha Ubyfol direcionados para cana-de-açúcar são bioestimulantes completos que, além de promoverem o estímulo esperado para o crescimento e desenvolvimento do canavial, fornecem também os nutrientes adequados para que a planta consiga sustentar tamanho crescimento, garantindo a correta marcha de absorção e acúmulo de sacarose. “Os produtos mais utilizados em diversas usinas do país são: Potamol e Kymon Plus, no tratamento de tolete; e MS-Cana + N-32 em aplicação foliar.”

A Brasilquímica oferta o biofertilizante Power Cana, composto por nutrientes minerais e orgânicos para ser utilizado em pulverizações agrícolas no estágio inicial da cultura, sendo pulverização no sulco de plantio ou foliar em soqueira. Contém quelatos, nutrientes, e aminoácidos com uma formulação composta por K2O =5%; N = 2,6%; S = 0,5%; Mg = 0,5%; B - 0,5%; Cu = 0,3%; Mn = 0,4%; Zn = 10%; Mo = 3%; Co = 0,3%; M.O. = 2,5% e C. Total = 7%. Na cultura da cana-de-açúcar em particular, proporciona maior pegamento das gemas em plantio mecanizado, ou seja, um sistema radicular mais vigoroso e que possibilita a maior retirada de água e nutrientes do solo, bem como maior proteção da cultura diante de estresse hídrico. Isto promove a planta, um arranque inicial maior e mais forte e, consequentemente, seu melhor desenvolvimento.

A Redi Fertilizantes entrou no mercado canavieiro com fertilizantes organominerais acrescidos de reguladores de crescimento como o Redi Start, um fertilizante foliar líquido de origem orgânica, que contém em sua composição NPK, aminoácidos naturais quelatizados e ácidos húmicos e fúlvicos. De acordo com Carla, seu uso contribui com a nutrição da planta e auxilia na formação dos principais hormônios vegetais. “O produto traz maior produtividade, qualidade e rendimento; alto desenvolvimento radicular, favorecendo a absorção de nutrientes; aumento da tolerância das plantas às intempéries; e redução das fitotoxidades causadas por defensivos agrícolas.”

Resultado do maior enraizamento de uma cana de 4 meses de idade, que atingiu mais de 2 m de comprimento após aplicação de fertilizante acrescido de componentes bioestimulantesResultado do maior enraizamento de uma cana de 4 meses de idade, que atingiu mais de 2 m de comprimento após aplicação de fertilizante acrescido de componentes bioestimulantes

Outro produto indicado para a cana é o Redi Renovare, um fertilizante orgânico em pasta, rico em ácidos húmicos, fúlvicos e aminoácidos naturais, à base de turfa e que age como um regenerador do solo, melhorando suas características físicas, químicas e biológicas. Utilizado em estufas e viveiros, o produto também é recomendado na implantação e condução de culturas comerciais e na fertirrigação. “Ele tem como características facilitar a entrada de nutrientes nas plantas; absorção rápida e facilitada pelo solo; proteção dos nutrientes do solo; potencializa a absorção de nutrientes evitando perdas por lixiviação; facilita a retenção de água no solo e é totalmente solúvel em água”, afirma Carla.

A Follyfertil trabalha com uma fórmula única chamada Celleron, um fertilizante foliar de ação fisiológica, que ao ser aplicado nas plantas acelera o processo de redução enzimática do nitrato, melhorando a administração do nitrogênio absorvido, provocando mudanças visíveis na parte aérea e no sistema radicular. Composto por macro, micronutrientes e enzimas probióticas que multiplicam os micro-organismos fixadores de nitrogênio, o produto melhora os processos de absorção e utilização do nitrogênio atmosférico.

De acordo com Valmor Rocha, diretor Comercial da Follyfertil, em mais de dez anos de avaliação do uso do produto em canaviais brasileiros, constatou-se um ganho médio que oscila entre 7 e 12 t de cana por ha. “Hoje temos usinas que estão indo para o terceiro ano de aplicação do Celleron em 100% de seus canaviais. A melhor fase para se fazer uso desta tecnologia é quando temos a conjugação de três fatores: umidade no solo em abundância, temperaturas altas e luminosidade plena (início das chuvas com o canavial em pleno estado de turgidez).”

A Euroforte desenvolveu os fertilizantes BVBooster, Eurobooster e o Rhyzomix, que contém a Cicloheptose, um conjunto de aditivos de desempenho para fertilizantes foliares, uma patente desenvolvida pela própria empresa. Segundo Flávio Pompei, diretor industrial da Euroforte, estas três formulações foram idealizadas para viabilizar a nutrição e estímulo das bactérias diazotróficas endofíticas da cana-de-açúcar através da própria hospedeira, portanto é considerado um bioestimulante.

O Rhyzomix e o Eurobooster são opções para aplicação direta nas mudas, sejam toletes ou micro toletes dentro do sulco ou MPBs, enquanto o BVBooster é a opção para nutrição foliar da soca quando o estande de desenvolvimento está fechando na linha.

“Nos ensaios, demonstrações e uso comercial essas formulações provaram que é possível eliminar o uso do N-mineral nos plantios e especialmente na cobertura da soca. A economia com o N-mineral acaba sendo maior do que o investimento nesses produtos que, de quebra, promovem aumentos robustos de produtividade, praticamente duplicando a rentabilidade líquida da cana-de-açúcar. Sei que a afirmação de eliminar o uso do N-mineral no cultivo da cana é desafiadora porque colide frontalmente com mitos e paradigmas da nutrição nitrogenada. Estudando os trabalhos espetaculares e as descobertas da ilustre engenheira agrônoma, Johanna Liesbeth Kubelka Döbereiner, sobre as bactérias diazotróficas endofíticas da cana-de-açúcar (que sempre existiram dentro da cana) e da ação fisiológica da FBN, percebi que havia uma grande oportunidade para eu propor a nutrição dessas bactérias”, revela Pompei.

 

ENTENDA A DIFERENÇA

BIORREGULADOR 

é um composto orgânico, não nutriente, aplicado às plantas em baixas concentrações (10-15- 10-4 M) que promove, inibe ou modifica os processos morfológicos e fisiológicos dos vegetais (NAA).

BIOESTIMULANTES

é uma mistura de biorreguladores ou mistura de um ou mais biorreguladores com outros compostos de diferente natureza química como aminoácidos, algas, vitaminas e sais minerais.

BIOATIVADORES

são compostos de biorreguladores e de macro e micronutrientes, que ativam a capacidade produtiva da planta.

 

A pesquisa pioneira que deu origem ao Eurobooster foi conduzida na UFSCar de Araras, SP, entre as safras de 2007 a 2009 onde, na dose de 1 a 3 l/ha aplicadas em toletes dentro do sulco, promoveu-se um aumento de 106 TCH sobre a testemunha. Dois a três anos depois, estudando melhor o metabolismo dessa simbiose, Pompei conta que optou por acrescentar determinadas aminas naturais ao Eurobooster, originando o Rhyzomix, que reduziu em quase 40% o custo dessa mesma nutrição.

“Quando adubamos a planta com N-mineral, seja via solo ou via folha, estamos deprimindo a FBN, porque essa é ação do nitrato desde o xilema. Suponho que é mais fácil a cana processar o nitrato, através de redutases até a amônia, do que processar a amônia como subproduto que é da FBN pelas bactérias diazotróficas. Portanto, ao aplicarmos N-mineral na cana estamos investindo dinheiro para substituir o que a natureza nos possibilita de forma econômica, mais rentável e sustentável”, detalha o pesquisador da Euroforte.

O BVBooster é um fertilizante foliar aditivado com Cicloheptose e destinado à aplicação em soqueiras quando o estande da vegetação da rebrota está fechando na linha. Na dose de 11 l/ha provou que, além de eliminar completamente o uso de N-mineral na soca, habitualmente de 100 a 150 kg N/ha, é mais econômico e aumenta expressivamente a produtividade da cana de 8 a 12±2 TCH, melhora o brix do caldo e, portanto, o ATR/h e a t de Pol l/h.

“A atuação dessas três alternativas de fertilizantes foliares acontece predominantemente no suprimento às bactérias dos micronutrientes responsáveis pelas enzimas que são as ‘chaves do processo’ natural da FBN. O mais importante é que as eventuais doses excessivas não prejudicaram as plantas, apenas doeram mais no bolso”, afirma Pompei.

A RPAnews tentou contatar todas as empresas que fornecem fertilizantes com adição de biorreguladores de crescimento ou empresas que fabricam bioestimulantes para a cana-de-açúcar, assim como pesquisadores especialistas na área, mas até o fechamento desta edição, apenas algumas empresas e pesquisadores se pronunciaram. Apesar de pouco discutido dentro do setor, é notável que muitas pesquisas vêm sendo realizadas a fim de desvendar novas moléculas que sejam capazes de trazer maior produtividade à cultura, com redução de custos e preservação do meio ambiente.

Tem sido crescente o número de estudos realizados para avaliar a interferência dos reguladores vegetais sobre diversas culturas. E, cada vez mais pesquisas têm apontado para a utilização de produtos que apresentem em sua composição mais de um regulador vegetal, como é o caso dos bioestimulantes.


 

 

 

 
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