CONJUNTURA

Empresas e usinas voltadas à cadeia sucroenergética e ao agronegócio encontram na recuperação judicial um meio de ultrapassar a crise sem fechar as portas

Natália Cherubin

A crise econômica que atinge as empresas brasileiras nos mais diversos setores fizeram com que o número de pedidos por recuperação judicial nos últimos dois anos crescesse 88% em todo o Brasil. O agronegócio, um dos principais pilares econômicos do país, começa a enxergar a recuperação judicial como forma de superar os duros impactos deixados pela crise. A alta do dólar, que fez disparar o preço dos insumos e sementes, assim como o alto endividamento e as questões climáticas, que destruíram safras inteiras no biênio 2014/15, são os principais fatores que agravaram a situação pela qual muitas empresas enfrentam.

Apesar de esperar por uma significativa retomada a partir deste ano, o setor sucroenergético, que desde 2008 enfrenta severas dificuldades financeiras, teve em 2015 o maior número de usinas entrando em recuperação judicial em um único ano. Para se ter uma ideia, foram 13 no total, somando juntas uma dívida bancária perto da casa dos R$ 8 bilhões. Nos seis anos anteriores, a média anual era de 11 usinas. Um fato que despertou atenção foi que as unidades de médio e grande porte começaram a fazer parte da maior parcela de usinas em recuperação judicial. Se contarmos desde 2008, o País teve 79 usinas entrando em recuperação judicial, número que representa 23% do total de 350 usinas do Brasil.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na Lei 11.101/2005 que tem como objetivo viabilizar a superação da crise econômico-financeira, além de permitir soluções flexíveis para reestruturação do endividamento e reorganização das atividades da empresa, possibilitando a manutenção de todos os benefícios gerados pela atividade empresarial, como a geração de empregos, o recolhimento de tributos e preservação das oportunidades de negócios para clientes e fornecedores.

De acordo com Pedro Magalhães Neto, sócio da EXM Partners, a recuperação judicial é uma ferramenta jurídica direcionada às empresas que passam por uma crise aguda, mas que ainda são economicamente viáveis. “Ela tem como objetivo auxiliar o empresário e a sociedade empresária a ganhar um respiro para realizar a readequação do negócio e superar uma crise econômico-financeira de modo a permitir que a manutenção da atividade empresarial continue gerando os benefícios econômicos e sociais, como por exemplo, geração de empregos, circulação de bens, fomento da economia na área de sua influência e geração de tributos ao Estado.”

Para o advogado Ricardo Dosso, sócio do escritório Dossos Advogados, as usinas sucroenergéticas foram prejudicadas sensivelmente pela falta de políticas públicas de incentivo ao setor nos últimos anos. “Foram privilegiados os investimentos em combustíveis fósseis e o uso da Petrobras como instrumento de política monetária e isso prejudicou diretamente a competitividade do etanol. Não podemos esquecer também que as usinas têm um ciclo operacional longo e oneroso, que começa com o custeio dos canaviais e termina apenas com a comercialização do etanol e do açúcar. Seria preciso ter fontes de financiamento muito grandes para prover capital de giro necessário para atravessar todo esse período e, infelizmente, não há crédito e linhas de financiamento para esse fim. Essas circunstâncias, em resumo, que ocasionaram as dezenas de pedidos de recuperação judicial de usinas, além do fechamento de muitas outras.”

Empresas que encontram-se em recuperação

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QUANDO PEDIR?

Quando se fala que uma empresa precisa passar por recuperação judicial, muitos imaginam que o negócio já está fadado à falência. Mas é o contrário. Segundo Neto, a recuperação judicial é direcionada à empresa que ainda é economicamente viável, ou seja, produz um serviço ou produto que tem seu mercado consumidor. No entanto, o erro que muitas empresas cometem é deixar para pedir a recuperação judicial quando já há pouco o que fazer e negociar.

Os sinais para que uma empresa comece a pensar em um possível pedido de recuperação judicial podem variar conforme o perfil e a localização da empresa. “De forma genérica, é importante que o empresário verifique se há, por exemplo, redução no volume de venda, perda da margem de lucro, se a capacidade de geração de caixa é igual ou inferior ao custo de endividamento. Em caso positivo, podemos afirmar que acendeu o sinal amarelo e é necessário realinhar o negócio. Neste caso, o mais indicado é buscar o apoio de especialistas em reestruturação de empresas e recuperação judicial. Não importa o tamanho da empresa, ela pode ser reestruturada e superar a crise. Desde 2005, existem previsões específicas direcionadas para as micro e pequenas empresas”, explica o sócio da EXM Partners.

Atualmente, existem vários fatores que podem acarretar em um pedido de recuperação judicial por parte das usinas. “Esses fatores favoráveis a solicitação podem variar e decorrer de condições externas, oriundas de políticas governamentais, câmbio, fatores climáticos, retração de mercado etc. E também de fatores internos, como obsolência de produtos e serviços que afetam a competitividade da empresa, gestão ineficaz, elevado endividamento, que ocasiona despesas financeiras insustentáveis, enfim, fatores que comprometem as finanças de curto e médio prazo da empresa e que, consequentemente, impossibilitam o pagamento pontual das obrigações assumidas”, explica Dosso.

Hoje, a recuperação é o único instrumento disponível que permite a blindagem da empresa por pelo menos 180 dias, durante os quais ela terá tranquilidade financeira e operacional para reorganizar seus negócios. Dosso explica que a recuperação também faz com que a empresa seja protagonista da negociação com os credores, o que não ocorre quando as tratativas são feitas individualmente. “A força da empresa em recuperação para dialogar com os credores é muito maior do que se não estivesse nessa condição, e o resultado disso tem sido a redução substancial das dívidas e a possibilidade de pagamento com carência e em prazos alongados. ”

Além de opinião parecida com a do sócio do escritório Dossos Advogados, Neto salienta que o pedido de recuperação judicial também tem um lado ruim. “Como desvantagem, acredito que podemos atribuir o fator desgaste. Quando uma empresa faz o requerimento para entrar em recuperação, há um desgaste, não só dos executivos, mas também com relação a imagem da empresa. Isso costuma acontecer por certo tempo, perante seus principais fornecedores. ”

Em caso de empresas com ações na bolsa, com o pedido de recuperação, as negociações das ações são suspensas. A comercialização volta a ocorrer normalmente, mas seus papeis são excluídos dos índices de ações, que são um importante indicador do mercado de ações.

PLANO DE RECUPERAÇÃO

COMO A EMPRESA ENTRA EM
RECUPERAÇÃO JUDICIAL?

O pedido de recuperação judicial deve ser feito na Justiça. A partir do pedido, a empresa tem seis meses para tentar um acordo com credores sobre um plano de recuperação que definirá como sairá da crise financeira. Assim que entra com o pedido de recuperação judicial, a empresa precisa apresentar um processo para o juiz, que analisa a documentação e, se esta estiver completa, dá o despacho que autoriza a recuperação. Após o despacho, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação à Justiça (caso contrário, o juiz decreta a falência).

É no plano de recuperação que a empresa apresenta os meios pormenorizados, ou seja, os detalhes de como pretende superar sua crise. Nele, devem constar a demonstração da viabilidade econômica do negócio e também laudos de avaliação dos ativos da empresa, elaborado por profissionais habilitados. “No plano, também será apresentada a maneira com que a empresa pretende pagar seus credores, incluindo descontos, prazos e outras condições de pagamento compatíveis com sua geração de caixa”, explica Dosso.

Neto salienta que além do objetivo maior do plano, que é traçar as diretrizes e obrigações que orientarão a empresa a superar a crise, negociando as dívidas com seus credores, o que inclui novos prazos e formatos, é fundamental que a empresa solicitadora apresente detalhes que façam com que seus parceiros voltem a acreditar na empresa. “É essencial que também conste no plano o incentivo para que os credores voltem a apostar na devedora, através de novo dinheiro ou com abertura de crédito”, acrescenta.

A recuperação judicial começa com a apresentação do pedido ao Poder Judiciário no local do principal estabelecimento da empresa. Preenchidos os requisitos legais, é deferido o processamento da recuperação e, neste ato, é nomeado o administrador judicial e são suspensas todas as execuções movidas contra a empresa, justamente para dar fôlego financeiro ao negócio e para que existam condições para elaborar as estratégias de reestruturação.

“Em 60 dias deve ser apresentado o plano de recuperação, e nos 120 dias seguintes, havendo objeção de qualquer credor ao plano, será realizada a assembleia de credores para analisá-lo e votá-lo. Neste período, a empresa deverá dialogar com seus credores e convencê-los a apoiá-la, o que inclui a continuidade no fornecimento de produtos e serviços, abertura de novas linhas de crédito e outras formas de colaboração. A efetiva colaboração de credores é incentivada pela legislação, que lhe possibilita o pagamento dos créditos em condições mais favoráveis do que aquelas previstas para os demais credores”, explica Dosso.

A recuperação judicial é encerrada 24 meses após a decisão judicial que homologa a aprovação do plano, desde que este esteja sendo regularmente cumprido pela empresa. Até esse momento as atividades da empresa continuam sendo fiscalizadas pelo administrador judicial.

A não aprovação do plano ou seu descumprimento podem acarretar a convolação da recuperação judicial em falência. Dada a gravidade da decretação da falência, é comum e recomendável que seja dada à empresa oportunidade para modificação do plano e apresentação de novas condições que possibilitem a preservação de suas atividades. Genericamente, o melhor momento é aquele quando os primeiros sinais de crise já se fazem presentes - como a redução da margem de lucro, a queda no volume de venda, a capacidade de caixa inferior ao endividamento - porém ainda não destruiu os fundamentos econômicos do empreendimento, mantendo o negócio economicamente viável. Os maiores casos de sucesso têm como característica empresas que utilizaram o instrumento de forma preventiva, e não apenas de forma corretiva.

NEGOCIAÇÃO

Mesmo a recuperação judicial parecendo um bom meio de sair da crise e conseguir reconstruir a empresa economicamente, algumas usinas optam por não fazer o pedido, tentando, assim, renegociar suas contas diretamente com seus credores e fornecedores. O caso mais famoso dos últimos anos é o do GVO (Grupo Virgolino de Oliveira), uma das maiores companhias sucroalcooleiras do país, que mesmo com uma dívida estimada em US$ 735 milhões, abriu mão de um processo de recuperação judicial e partiu para a negociação individual com cada credor.

“Achávamos que pedir por recuperação judicial não era o melhor caminho. Acreditávamos que o melhor era conversar com cada um de nossos credores, mostrar boa vontade, mostrar a eles qual era a real situação da empresa, tentar colocar as quanto usinas em operação e, aos pouquinhos, ir adquirindo créditos outra vez. Foi um processo de conversar, quase que corpo a corpo, com cada um deles. Explicamos que a única chance deles poderem receber aquilo que tinham a receber era se a gente voltasse a operar. Era só trabalhando que poderíamos pagar as dívidas”, conta o presidente do GVO, Joamir Alves.

Para ele, o segredo de todo o processo foi manter as informações em aberto e ser honesto, tentando cumprir o que foi negociado. “Eu não tive problema de mostrar a cara e dizer que eu acreditava que íamos moer. Eu acreditava porque nós tínhamos muita cana própria. Isso ajudou o processo de restruturação. A família e as usinas tinham patrimônio. Além disso, a família estava envolvida no processo e se dispôs a atualizar o patrimônio para permitir a recuperação. É uma combinação de crença do executivo, funcionário e o próprio empenho da família em colocar as contas da usina em dia.”

Dosso explica que é natural que usinas e quaisquer outras empresas tentem reestruturar seu passivo sem a necessidade da recuperação judicial, e muitas vezes essa negociação tem êxito. “Em outras situações, no entanto, a pressão dos credores e a não obtenção de acordos compatíveis com sua capacidade de pagamento fazem com que a recuperação judicial seja o meio adequado e necessário para enfrentamento do problema. Ainda há certa resistência de empresas à recuperação judicial, mas creio que o adequado esclarecimento sobre todos os seus aspectos e consequências faz com que deva ser considerada uma alternativa eficaz e realmente poderosa”.

Neto conta que a grande diferença entre as duas ações, a de pedir ou não a recuperação, é que com a solicitação, há uma possibilidade de que as partes envolvidas renegociem não apenas o simples parcelamento de dívida, mas principalmente ajustes operacionais que possibilitarão à empresa retomar a sua atividade e seu desempenho financeiro. Os cenários que identificam o melhor momento para pedir a recuperação judicial podem variar, uma vez que cada caso tem suas particularidades. Uma companhia, por exemplo, pode não estar inadimplente, mas já ter conhecimento que não conseguirá rolar suas dívidas por não ter mais garantias para prestar.

A Dedini, empresa de bens de capital que fornece usinas sucroenergéticas completas, com duas sedes, uma em Piracicaba e outra atualmente parada, na cidade de Sertãozinho, SP, é uma das empresas que entrou em recuperação judicial recentemente. A Dedini apresentou em seu plano de recuperação judicial como pagamento dos débitos dos ex-trabalhadores, além de R$ 15,8 milhões, a venda da Dedini Refratário, a Codistil Nordeste, o pagamento de R$ 480 mil mensais, como também 50% sobre o licenciamento de marcas e patentes.

A empresa enviou comunicado, via assessoria de imprensa, informando que os R$ 15,8 milhões referentes à venda do estacionamento do Shopping Piracicaba já estão depositados na conta do processo de recuperação judicial, para que sejam direcionados aos ex-funcionários. No final de setembro, a Dedini conseguiu a aprovação dos credores para o plano de recuperação que viabilizará a sua retomada. A proposta básica do plano é pagar integralmente, já no primeiro ano, os créditos trabalhistas, de R$ 36,56 milhões. Também no primeiro ano, e com valor integral, seriam pagas as rescisões trabalhistas extraconcursais, estimadas em cerca de R$ 20 milhões. Pelo plano, também serão liquidados 50% do valor devido aos demais credores em 11 anos.

(Colaboração de Alisson Henrique)

 CONJUNTURA

 

O que é e para que serve o TAC? Autor explica quais as cautelas que devem ser tomadas antes de assiná-lo

 

*Fábio Luiz Pereira da Silva

O Termo de Compromisso de Ajustamento de Conduta – TAC é o instrumento pelo qual os órgãos públicos, entre eles o MPT (Ministério Público do Trabalho), firmam compromissos com as pessoas físicas ou jurídicas, com o objetivo de fazer cessar a prática de condutas contrárias à legislação, conforme autoriza a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 (Lei da Ação Civil Pública).

Neste artigo, vamos abordar referido instituto, com enfoque na atuação do MPT, visando esclarecer questões importantes, como: para que serve o TAC? Quando deve ser firmado? Quais cautelas adotar antes de assinar?

PARA QUE SERVE O TAC?
*Fábio Luiz Pereira da Silva é coordenador da Área Trabalhista do Escritório Pereira Advogados*Fábio Luiz Pereira da Silva é coordenador da Área Trabalhista do Escritório Pereira Advogados

De forma bem sucinta, o MPT, ao ter conhecimento da prática de condutas irregulares e que violam a lei trabalhista, instaura o que se chama de inquérito civil, por meio do qual serão avaliadas as circunstâncias em torno destas condutas e se elas ferem interesses coletivos. Vale lembrar que o MPT não atua para defesa de interesses meramente individuais.

Sendo uma questão coletiva, o MPT procederá à investigação dos fatos e constatando o descumprimento de normas trabalhistas, como, por exemplo, a exploração de mão de obra infantil, chamará os envolvidos para assumir o compromisso de adequar sua conduta.

Este compromisso, quando firmado, constitui o TAC. Ele é considerado um título executivo extrajudicial, o que vale dizer que as multas e obrigações nele inseridas podem ser executadas perante o juízo competente pela simples constatação de descumprimento de seu conteúdo.

Se não houver consenso para assinatura do termo de compromisso, o MPT estará legitimado para propor a ação civil pública, levando a demanda ao conhecimento do Poder Judiciário, que então dará a palavra final sobre o assunto, condenando ou absolvendo os demandados.

Desta forma, o TAC serve para que os envolvidos em práticas irregulares, que afetem direitos coletivos, reconheçam a ilegalidade de seus atos e assumam o compromisso de não mais desvirtuar sua conduta.

Este compromisso deverá prever prazo para cumprimento da obrigação assumida, multas em caso de novo descumprimento, forma de eventual reparação do dano causado (indenização) e, como muito bem se diz atualmente, um prazo de vigência.

Realmente, não se pode ter um termo de compromisso eterno, posto que a própria legislação estabelece as devidas punições a eventuais infratores. Vale ressaltar que o TAC não serve para reproduzir os termos da lei.

Em verdade, seu objetivo é certo, preciso, determinado. Se, após o prazo de vigência, o infrator voltar a descumprir a lei, os órgãos de fiscalização terão o dever de voltar a atuar, visto que esta é a sua função precípua. Se não, bastaria que a cada constituição de uma empresa fosse obrigatória a assinatura de um TAC, reproduzindo a legislação trabalhista, em que o empresário desde logo assumisse a responsabilidade por cumpri-la.

Por fim, é bom salientar que a assinatura do TAC não evita a fiscalização por outros órgãos de inspeção. Por exemplo, um mesmo fato pode ser investigado tanto pelo Ministério do Trabalho quanto pelo MPT. Se assinado TAC com algum deles, não é obrigatório que o outro órgão concorde com os seus termos e dê por encerrada a questão.

QUANDO O TAC DEVE SER DIRMADO?

O objetivo da Lei da Ação Civil Pública (que somente será necessária se não assinado o TAC) é que os interessados firmem “compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais”. Deste modo, tem-se por evidente que a lei quer do envolvido o ajustamento de sua conduta irregular aos ditames legais. Ocorre que, muitas vezes, a norma posta é de interpretação controvertida. Nestes casos, reputamos que a assinatura do TAC não é a saída mais correta para resolução da demanda. De fato, a depender do teor da norma, várias interpretações são possíveis; e não é sempre que a interpretação do MPT ou mesmo do Ministério do Trabalho é a que prevalecerá no Poder Judiciário.

Em nossa experiência, tivemos oportunidade de ver divergências de entendimento entre os próprios órgãos de inspeção. Nesta condição, o mais prudente é levar à Justiça todos os argumentos e opiniões possíveis sobre o assunto, para que, aí sim, ouvidos todos os interessados, chegue-se a uma interpretação coerente, mesmo que não seja aquela até então defendida.

Aqui, um parêntesis: é curioso ouvir dos membros do Ministério Público que, após o inquérito civil, não se negocia mais o valor para reparação de dano moral coletivo. Ora, se a intenção é adequação da conduta aos termos legais, e se o interessado, após a instauração da ação civil pública, se convencer de que o melhor é assumir o compromisso de ajustamento, qual a razão para que o pedido de reparação de dano seja diferente daquele oferecido na fase investigatória?

Não há qualquer coerência neste raciocínio, o qual só contribui para maior prolongamento das demandas. Por outro lado, como se verifica, o TAC não se presta para estabelecer melhores condições de trabalho. Seu objetivo é bastante claro: ajustamento da conduta irregular aos termos da lei.

A melhoria nas condições de trabalho está inserida no âmbito do diálogo permanente entre patrões e empregados que, via de regra, se dá por meio de negociação coletiva com os sindicatos das respectivas categorias. Deste modo, também em situações em que são inseridas cláusulas genéricas ou com abrangência maior do que a estabelecida em lei, recomenda-se que o TAC não seja assinado, deixando que o Poder Judiciário determine efetivamente a conduta a ser regularizada, se for o caso.

Entendemos alguns argumentos quanto à pressão sofrida quando da iminência do ajuizamento de uma ação civil pública contra a empresa. Entretanto, é muito mais recomendável discutir a demanda na esfera competente, do que ceder à tentação de firmar termos de compromisso de difícil cumprimento ou com penalidades exacerbadas. Desta forma, pensamos que o empresário deve avaliar os atos praticados e se efetivamente houver irregularidade, discutir veementemente todas as cláusulas do TAC proposto, adequando sua redação à realidade de sua atividade e contemplando obrigações executáveis, sem a inserção de penalidades exageradas.

QUAIS CAUTELAS ADOTAR ANTES DE ASSINAR O TAC?

Observando o que já foi dito, antes de se firmar o instrumento, o interessado deve avaliar criteriosamente a matéria envolvida, a posição do MPT e órgãos de inspeção, mas, em especial, o que a Justiça vem decidindo em casos análogos.

Ultrapassada esta análise inicial, com a constatação de que a conduta praticada pelo empregador realmente constitui violação a direitos coletivos tutelados pelo MPT, recomenda-se a adoção das seguintes cautelas ao firmar o TAC:

1) Conteúdo preciso e específico de cada cláusula, sem obrigações genéricas ou demasiado abrangentes, a fim de se evitar condições inexequíveis, de difícil cumprimento ou que representem um desequilíbrio para o interessado na execução de sua atividade;

2) Prever que não serão consideradas como descumprimento infrações meramente episódicas e pontuais;

3) Evitar cláusulas que impliquem alargamento do texto legal, fugindo do escopo do instrumento (que se direciona apenas ao ajuste de uma conduta ao que determina a lei);

4) Discutir o valor das multas e reparações, tendo sempre em mente as decisões judiciais já existentes sobre o assunto e tomando como parâmetro inicial os valores já previstos em lei;

5) Evitar cláusulas de multa em duplicidade para a mesma infração e ter muito cuidado ao estabelecer um valor por empregado envolvido, o que pode, a depender das circunstâncias, gerar valores milionários;

6) Estabelecer prazo de vigência para o TAC, evitando que ele se torne eterno;

7) Apesar de ser redundante, posto que o TAC, como dito, visa ajustar uma conduta a um ditame legal, prever que serão observadas as eventuais alterações legislativas em torno do tema;

8) Se possível, incluir cláusula que garanta o direito do envolvido de apresentar suas razões (direito de defesa), na hipótese de suposto descumprimento ou, ainda, um item que afaste penalidade no caso de imediata correção da conduta;

9) A depender do caso, estabelecer cronograma com prazos suficientes para a adequação. Há itens que precisam de tempo para serem implementados como, por exemplo, os que demandam algum tipo de construção.

*Fábio Luiz Pereira da Silva é coordenador da Área Trabalhista do Escritório Pereira Advogados

 CONJUNTURA

 

O ciclo 2016/17 pode significar o começo de uma retomada para a região do Nordeste, que deverá produzir 54 milhões de t de cana-de-açúcar

 

Natália Cherubin

As usinas sucroenergéticas nordestinas estão se preparando para uma safra que aponta para o começo da recuperação do setor na região. Iniciada oficialmente no mês de setembro, as perspectivas são positivas e de aumento de moagem, que deverá atingir, segundo a Datagro, a 53,5 milhões de t de cana, podendo chegar as 54 milhões de t, de acordo os sindicatos da região.

Segundo o superintendente Agrícola da Agrovale, o setor nordestino precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima, financeiras e diversificar mais, para reduzir os custos de produção alterando a escala convencionalSegundo o superintendente Agrícola da Agrovale, o setor nordestino precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima, financeiras e diversificar mais, para reduzir os custos de produção alterando a escala convencional

Entre agosto e setembro, o desenvolvimento da cana-de-açúcar foi beneficiado com o aumento das chuvas. E mesmo com a perspectiva de uma produção com aumento satisfatório, se comparada a última temporada, ela não deve chegar aos níveis alcançados no ciclo 2014/15.

Na safra 2016/17, o setor sucroenergético nordestino terá em funcionamento 73 unidades produtoras, sete a mais do que na última safra. De acordo com Alexandre Lima, presidente da Unida e da Feplana (União Nordestina dos Produtores de Cana e Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), a colheita na região será maior porquê no mês de julho houve uma ótima distribuição das chuvas.

“Houve uma excelente distribuição das chuvas de dezembro até meados de junho, embora nesse último mês de julho, período tradicional de bom volume pluviométrico, choveu apenas 10% da sua média histórica. A previsão é de ter também uma produção de açúcar maior que a do ano anterior, face a melhora dos preços do adoçante. Deveremos produzir cerca de 3,3 milhões de t de açúcar. ”

Já o etanol, segundo projeções de Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco), deverá bater 1,95 bilhão de l na safra nordestina de 2016/17.

Mesmo com o aumento de produção de cana, o volume ainda deverá ficar aquém do total processado na temporada 2014/15, que chegou a 61 milhões de t de cana. “O ideal seria que o regime de chuvas estivesse associado a um melhor nível de capitalização para que fosse possível investir mais em adubação e tratos culturais”, afirma Cunha.

Em Pernambuco a moagem deverá atingir 13,5 milhões de t de cana, ainda como reflexo da seca ocasionada pelo El Niño entre 2014 e 2015. O perfil do Estado, num volume do ponto de maturidade, gravita entre 17 a 19 milhões de t. “Estamos, portanto, abaixo do que podemos produzir, operando com capacidade ociosa.”

A estimativa é passar de 820 mil t de açúcar da safra 2015/16 para uma produção entre 950 mil t e 1 milhão de t na safra 2016/17. “Já a produção de etanol deverá ser de 310 milhões de l na safra 2016/17, 10 milhões a mais do que a safra passada, na qual foram produzidos 300 milhões de l.”

Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar Alagoas (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Alagoas), conta que pelo menos para sua região, a safra não significará uma retomada. “Na minha opinião, essa safra poderá apenas significar uma paralisação da queda de produção de cana. Decorrente da situação econômica que estamos vivenciando, acreditamos não ser possível quaisquer investimentos, salvo uma retomada lenta da renovação de canaviais, caso se consolide um financiamento externo e de longo prazo, que está sendo negociado pelas empresas exportadoras da região. ”

 

HISTÓRICO DA
SAFRA NORDESTE

2012/2013

55,61 milhões de t

2013/2014 

55,73 milhões de t

2014/2015

61,25 milhões de t

2015/2016

49,07 milhões de t

2016/2017

(estimativa)

54 milhões de t

Fonte: Sindaçúcar-PE

Francisco Celestino, superintende Agrícola da Agrovale, unidade localizada em Juazeiro, BA, que já iniciou sua moagem, também acredita que a retomada para o setor deverá acontecer somente na próxima safra. “Não será uma retomada para a região, continuaremos em fluxo normal. Há necessidades e possibilidades de investimentos só a partir de 2017. Neste ano de 2016 trabalharemos com contenção total de custos, fazendo somente o estritamente necessário para funcionamento do negócio”, afirma.

Para Cunha haverá uma tímida retomada. “Mesmo que não tenhamos chegado aos mais de 60 milhões de t, o fato de crescer de 49 milhões para 54 milhões de t na moagem de cana, começa a sinalizar que talvez cheguemos novamente ao patamar que nos dá mais equilíbrio.”

Cunha adiciona que a sinalização de uma melhora na produção faz com que a contenção de gastos com novas tecnologias seja deixada de lado e novos investimentos em equipamentos de bioeletricidade sejam retomados. “No campo teremos investimentos em genética e na mecanização do corte, mas o setor ainda precisa de umas três safras com preços melhores para se capitalizar. ”

Lima parece estar mais otimista e afirma que após cinco anos trabalhando no vermelho os produtores estão mais otimistas com os preços deste ano para o açúcar e do etanol. “Será um ano de recuperação, de pagar passivos dos anos anteriores e depois investir. ”

 

Para Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológicaPara Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológica
CLIMA SERÁ BENÉFICO

O principal responsável pela melhora é o clima, que já havia sido apontada por uma série de consultorias nos últimos meses como benéfico para a produção de cana. A INTL FC Stone, em estudo sobre como o La Niña influenciará a safra brasileira, indicou que o Nordeste, diretamente afetado pelo El Niño, verá no La Niña um impacto mais definido e positivo. Segundo Lima, o prognóstico é de que o clima afete positivamente os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas. “Nestes locais teremos aumento de safra”.

Já nos estados de Sergipe e extremo Sul da Bahia, poderá haver redução significativa de até 60% na produção. “Em Pernambuco e Alagoas, onde temos a maior produção, a safra será maior em cerca de 3 milhões de t de cana”.

“Os aspectos climáticos apresentaram chuvas imprevistas na colheita do Centro-Sul que, imagino, não devem diminuir as expectativas de safra, apesar de acarretarem mais custos desnecessários. As chuvas mais adequadas no atual inverno do Nordeste, depois das secas intensas nos últimos três anos-safra, deverão propiciar uma certa recuperação, com crescimento em torno de 12% em relação à safra 2015/16. O mês de julho não teve uma boa precipitação hídrica o que pode conter um crescimento além de 12%”, explica Cunha.

 

DIVERSIFICAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DOS PROCESSOS PRODUTIVOS

O setor nordestino tem como grande desafio quebrar paradigmas. Esta é a opinião do superintendente Agrícola da Agrovale, que afirma que o setor da região precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima e as dependências financeiras, e diversificar mais para reduzir os custos de produção, alterando a escala convencional.

“É necessário otimizar os processos produtivos e ser mais previsível no ponto formação de ativo biológico e gestão do negócio como um todo, pois o modelo atual não resiste mais a tantos fatores de riscos e contrapontos, como baixos preços dos produtos e crescimento de custos de produção, sem apoio político ou outra forma de viabilização da atividade. ”

Para Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por medidas estruturantes. Isso inclui políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológica.“No segmento de energia automotiva, a definição de regras claras e previsíveis para o etanol é um dos principais pleitos do setor, tanto no Nordeste, quanto em todo o país. Precisamos que o etanol, um combustível limpo e que atende aos compromissos do Brasil com a COP 21, tenha uma política diferenciada, coerente com o bônus ambiental gerado.”

Na energia elétrica, o Nordeste tem um grande potencial para a produção bioeletricidade, com as térmicas de biomassa da cana. “Temos conversado com o Ministério das Minas e Energia sobre uma política adequada para a bioeletricidade que poderia vir a incrementar a geração. Ainda operamos muito abaixo do que podemos produzir e o ministro Fernando Bezerra Filho tem se mostrado muito sensível a esta questão. Quem sabe o ministério não estrutura, dentre outros programas para fontes renováveis, um para a biomassa? Estamos aguardando”, finaliza Cunha.

 

HISTÓRICO DA
SAFRA NORDESTE

2012/2013

55,61 milhões de t

2013/2014 

55,73 milhões de t

2014/2015

61,25 milhões de t

2015/2016

49,07 milhões de t

2016/2017

(estimativa)

54 milhões de t

Fonte: Sindaçúcar-PE

 

 

 

 

 CONJUNTURA

 

Natália Cherubin

Para sobreviver neste campo disputado que é o agronegócio, além das habilidades mínimas comuns à área, como experiência profissional e qualificação na área de atuação, o planejamento de carreira e a busca por novos conhecimentos através do estudo vem ganhando muita importância nos últimos anos, principalmente diante das constantes inovações tecnológicas e novas metodologias que surgem para a agroindústria, que precisam ser acompanhadas e dominadas de perto pelos profissionais que ali atuam.

Para quem busca não só renovar seus conhecimentos específicos, mas também em obter ascensão na carreira executiva, os programas de MBAs e pós-graduações são opções ideais, pois permitem, em um menor tempo, uma sólida formação, com troca de experiências e capacitam os profissionais a lidar com situações adversas e a superar limites, aumentando a sua capacidade de buscar melhores resultados para as organizações em que atuam ou desejam atuar. Quem procura especialização sem dúvida terá um diferencial na hora de concorrer às melhores vagas.

O MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia é o único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética e já está em sua quinta turma em Sertãozinho, SPO MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia é o único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética e já está em sua quinta turma em Sertãozinho, SP

Para Paulo Roberto Gallo, presidente do Ceise BR, a oferta de cursos de alto padrão de qualidade, como os que vêm sendo disponibilizados atualmente para profissionais do setor sucroenergético, é sempre um fator importante de aprimoramento de carreiras. “Em tempos de baixa na economia, com um mercado de trabalho extremamente desafiador, dada à redução de ofertas de boas posições, estes cursos podem representar um significativo diferencial competitivo para aqueles que buscam novas oportunidades no mercado ou que buscam solidificar suas atuais posições através da melhoria de seu desempenho em função de novos conhecimentos que venham a ser adquiridos por meio das aulas ministradas por professores de reconhecida qualidade, tantos em aspectos teóricos, quanto na visão prática das disciplinas contempladas.”

De acordo com Silvio Luiz de Flório, coordenador do curso presencial de Gestão de Pessoas nas Organizações, da Faculdade Barão de Mauá, de Ribeirão Preto, SP, os cursos de especialização proporcionam aos alunos uma visão integrada da moderna gestão de pessoas nas organizações dentro de um contexto competitivo e globalizado. “Possibilita ao aluno conhecer, vivenciar e desenvolver um projeto de conclusão de curso que vise a compreensão da interdisciplinaridade das disciplinas do curso, assim como, adequar o futuro profissional a ter uma visão ampla da organização e de seu negócio ”, opina.

A qualificação profissional é de suma importância para o desenvolvimento do setor sucroenergético, para Osmar Rosanese, coordenador geral do Programa de Pós-graduação do Centro Universitário Moura Lacerda, que oferece cursos de Graduação em Agronomia e MBAs em Gestão Estratégica de Pessoas, Logística e Supply Chain, Controladoria e Finanças, e Marketing e Vendas. “Hoje é possível observar a constante busca por melhores desempenhos no ambiente empresarial e que isso tem sido uma das maiores preocupações dos gestores atualmente. O talento é o maior diferencial da economia criativa. Porém, todos aqueles que almejam liderar neste mercado, precisam também se capacitar para empreender e gerir negócios com os olhos postos no futuro.”

Segundo Fabio Matuoka Mizumoto, coordenador Acadêmico do MBA em Agronegócios da FGV-Management, que surgiu em 2006, 80% do público que procura este curso é formado por profissionais que já atuam no agro. Além destes profissionais já experientes, as turmas são compostas por filhos de produtores agrícolas ou pessoas que trabalham com os negócios da família ou estão se preparando para isso. “Mas é importante destacar que pessoas de outras áreas acabam buscando especializações no setor porque sabem que o agronegócio é um mercado com um futuro muito consistente.”

O MBA em Agronegócios é o carro-chefe do Pecege, que nasceu como grupo de extensão da USP/Esalq, e a sua procura é bastante grande, segundo o professor Pedro Marques, coordenador do Pecege. “Embora tenhamos alunos de diversas áreas neste curso, notamos uma crescente procura por profissionais que atuam indiretamente no setor e que precisam conhecer melhor a dinâmica do agronegócio. Bancos, consultorias e outros serviços relacionados são alguns exemplos deste público.”

Entendendo a importância da qualificação profissional, em 1985, a diretoria da Udop (União dos Produtores de Bioenergia) firmou uma parceria com o Planalsucar para que os cursos de aperfeiçoamento tecnológico passassem a ser feitos pela entidade. Vanessa Olivieri, coordenadora da UniUdop (Universidade Corporativa da Udop), conta que universidade surgiu a partir dos cursos de pós-graduação que a Udop passou a oferecer a partir de novembro do ano de 2000. “Antes dos cursos surgirem, os profissionais que eram contratados pelas usinas vinham, na maioria das vezes, dos bancos das universidades, sem experiência prática em cana-de-açúcar ou ainda, eram profissionais que tinham ligação com a pecuária extensiva, cujas terras ocupavam o Oeste Paulista. Daí a necessidade de treinar estes profissionais, habilitando-os para o trabalho com cana-de-açúcar”.

 

CURSOS ESPECÍFICOS PARA O AGRONEGÓCIO

A UniCeise surgiu em 2007, através de uma parceria com a UFSCar para a implantação da primeira turma de MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, em Sertãozinho, SP.

Segundo o coordenador do curso de Pós-Graduação Lato sensu “MTA” (Master of Technology Administration) em Gestão Tecnológica Industrial Sucroenergética da UFSCar, Octávio Antonio Valsechi, em 2007, quando o setor sucroenergético estava em plena expansão, muitas unidades industriais entraram em contato com a universidade solicitando indicação de profissionais capacitados para atuar nas mais diversas atividades da cadeia da cana-de-açúcar.

Naquela época, Sertãozinho, muito dependente do setor, também procurava profissionais com experiência nas mais diversas áreas. A partir de uma conversa entre UFSCar e a diretoria do Ceise Br, foi criada uma parceria entre a entidade de maior representatividade no setor e a universidade, surgindo então, efetivamente, em dezembro de 2010, visando capacitar e aperfeiçoar conhecimento de profissionais que estão atuando ou desejam atuar nesta área.

“De 2007 até a presente data, vitórias foram conseguidas como, por exemplo, o MTA (Master of Technology Administration), primeiro curso no Brasil em Administração de Tecnologia e único no mundo em Gestão Industrial Sucroenergética (UFSCar). Estamos na quinta turma em Sertãozinho, de um total de 12 em três cidades diferentes, o que caracteriza a UniCeise como pioneira na oferta deste curso”, revela Valsechi.

Os cursos ofertados hoje são o MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, com a sua 5ª turma em andamento (UFSCar), MBA em Agroenergia (Esalq), MBA em Gestão Estratégica (ESALQ) e MBA em Gestão Empresarial no Setor Sucroenergético (Fundace).

“Além da 5ª turma em andamento do MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética, a UniCeise está com inscrições abertas para o curso de aperfeiçoamento Gestão Eficaz na Indústria de Base do Setor, também em parceria com a UFSCar, com data de início prevista para 17/09 e duração de oito meses. Os cursos de especialização são certificados por universidades como UFSCar, Fundace/USP, Esalq/USP, e ministrados por professores doutores e titulares dessas instituições, além de profissionais de renomada experiência no setor privado”, explica Valsechi.

A UniUDOP oferece atualmente quatro MBA´s: em Estratégia e Gestão Agrícola no Setor da Bioenergia, em Operações Agroindustriais no Setor da Bioenergia, em Controladoria, Custos e Planejamento no Setor da Bioenergia e em Estratégia e Gestão Industrial no Setor da Bioenergia

Segundo Vanessa, a UniUDOP também realiza cursos em diferentes áreas, desde operacionais, através do Programa Qualifica, realizado na modalidade In Company, além dos cursos de aperfeiçoamento tecnológico nas áreas Administrativa/Financeira; Agrícola; Controladoria, Planejamento e Custos; Industrial; e Saúde, Segurança e Meio Ambiente do Trabalho.

Atualmente a entidade trabalha também na formatação, juntamente com uma comissão de notáveis das usinas, de cursos de qualificação de curta duração, que visam atender uma deficiência de mercado. “A UniUdop trabalha diuturnamente para fechar novas turmas, sendo necessário, para isso, a matrícula de um número específico de alunos por curso, que possuem módulos semestrais, o que também facilita muito a vida do aluno, propiciando, com isso, a transferência entre cursos com aproveitamento dos créditos já realizados”, salienta Vanessa.

De olho no agronegócio, a FGV lançou o seu MBA em 2006. De acordo com Mizumoto, na época, com o crescimento do setor cresceu também a procura por cursos específicos na área. O MBA, que é presencial e pode ser realizado em São Paulo, na sede da FGV ou em Ribeirão Preto, SP, na sede da Estácio, tem duração de dois anos e chega a formar seis turmas por ano.

“Nosso corpo docente tem mais de 50 profissionais que atuam no agronegócio. Muito deles inclusive tem uma formação de mestre ou doutor. O grande diferencial é trazer profissionais que atuam no dia a dia do campo, tanto para poder transmitir as particularidades quanto nas atualidades do setor. São ministradas 17 disciplinas focadas no agro, então o aluno ganha muito conhecimento em todas as áreas que cercam este segmento.”

Atualmente, o Pecege ministra o MBA em Agronegócios, o curso Gestão de Marketing em Agronegócios Pecege/Makestrat e os Cursos Rápidos Pecege, com diversos temas na área. Segundo Marques, somando turmas presenciais e EAD, mais de 40 já se formaram. Os cursos tem durações desde seis meses até um ano, dependendo da grade de cada programa.

“O MBA em Agronegócios USP/Esalq é completo. O programa envolve o módulo de Economia e Gestão e o módulo Agronegócios, que transmite a dinâmica de mercado das principais commodities agrícolas. É um curso avaliado como excelente pelos alunos. Os docentes são da USP, além de convidados de renome no mercado. O Gestão de Marketing no Agronegócio ou Agromarketing como vem sendo chamado, traz os melhores profissionais da Markestrat como professores e capacita profissionais do agronegócio para atuar em áreas de Marketing Estratégico e Operacional voltado para o desenvolvimento de negócios com os produtores rurais”, destaca Marques.

As aulas presenciais são ministradas no Campus da Esalq-USP em Piracicaba, SP. Em Cuiabá, MT, as aulas acontecem no Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (IMEA). Mas o Pecege também oferece aulas em EAD (Ensino a Distância). Os cursos hoje disponíveis são o MBA em Agronegócios USP/Esalq, o qual abre duas turmas por semestre, normalmente com início em maio e agosto/setembro. E o de Gestão em Marketing do Agronegócio, que abre turmas a cada três meses (próxima turma começa em outubro).

Hoje o capital intelectual é um dos maiores diferenciais diante da competitividade do mercado de trabalho. Destaca-se quem tem experiência profissional e boa qualificação

 
CURSOS A DISTÂNCIA PARA O SETOR AINDA SÃO RAROS

Mesmo com avanço da tecnologia, os cursos em EAD ainda fazem parte de uma pequena parte das instituições. Segundo Patricia R. Miziara Papa, coordenadora do curso EAD, MBA em Gestão Estratégia de Pessoas do Barão de Mauá, mesmo que a oferta desta modalidade seja pequena, os cursos que já existem em formato EAD trazem inúmeros benefícios aos estudantes, como a organização pessoal do tempo e do ritmo de estudo.

“O EAD garante autonomia e flexibilidade para os alunos que trabalham e proporciona ganhos pedagógicos, uma vez que permite trocas importantes com colegas de curso de todas as partes do Brasil. ”

De acordo com ela, é preciso entender que o EAD é apenas o recurso. “O cuidado rigoroso com os conteúdos, com o aprendizado do aluno e com a disponibilidade dos docentes para resolução de dúvidas é o mesmo dos cursos presenciais. Quem pensa que por ser EAD há perda na qualidade, se engana!”

 CONJUNTURA

 

 

 

Da Redação

Último Agroencontro da Ourofino Agriciência, realizado no mês de março deste anoÚltimo Agroencontro da Ourofino Agriciência, realizado no mês de março deste ano

Ter o cliente mais próximo, poder trocar ideias, ouvir sugestões e críticas, apresentar novas tecnologias, prestar e reforçar a assistência técnica e comercial quanto ao valor das soluções da empresa, são apenas alguns dos objetivos dos famosos e conhecidos “dias de campo”, eventos realizados pelas desenvolvedoras de tecnologias para seus clientes e parceiros com o intuito de apresentar novidades, fortalecer o relacionamento e verificar a excelência dos produtos, sempre com a espera do feedback dos agricultores.

Esses eventos servem para estreitar a parceria das empresas com os clientes, ouvindo, entendendo e atendendo suas necessidades para o desenvolvimento dos negócios. Segundo Marco Antônio Gobesso, gerente de Marketing e Produto Cana-de-Açúcar da AGCO, esses encontros são também “o momento em que se deixa de lado o Marketing tradicional e se dá espaço ao MarketingIntegrado, onde a imagem real e os fatores sensoriais são muito mais importantes”. Só para se ter uma ideia, existem empresas que promovem mais de 700 encontros como este por ano.

Para o produtor de cana Guilherme Salis Uitdewilligen, eventos como esses agregam muito ao setor sucroenergético. “Dias de campo são extremamente importantes para dividir tecnologias, inovações, divulgar pesquisas e melhorar a produtividade das diversas culturas que a gente trabalha. ”

Segundo Christian Menegatti, gerente de Marketing para cana-de-açúcar da DuPont Proteção de Cultivos/Brasil, que promove em média mais de 100 eventos como este para o setor canavieiro, a troca de experiências é, sem dúvida nenhuma, o grande retorno. “Poder estar perto do agricultor, discutir seus problemas e necessidades nos dá subsídios para continuar buscando sempre melhorias em nossas ofertas”, explica.

Todas as empresas contatadas pela redação da RPAnews revelaram que o maior retorno dos encontros é a conscientização que é possível transmitir aos produtores e participantes dos eventos. Segundo eles, o principal objetivo é levar conhecimento ao agricultor e também conscientizá-lo dos problemas que tem ou que podem vir a ter e orientá-los sobre a melhor maneira de proceder a fim de obter uma lavoura muito mais produtiva e rentável.

Flavio Cotrin, gerente de Marketing de Culturas da Syngenta, conta que esses eventos possibilitam que tecnologias e resultados alcançados sejam apresentados. “Os dias de campo também nos permitem ficar mais perto do nosso público, o que facilita no compartilhamento de informações e na identificação de demandas, para que assim busquemos prover as soluções lado a lado com nossos parceiros.” A Syngenta chega a realizar mais de 700 eventos anuais, incluindo dias de campo e outros encontros voltados ao público em geral.

No entanto, se engana quem pensa que o intuito é apenas auxiliar os atuais clientes. Daniel Pedroso, coordenador agronômico especialista em Cana-de-Açúcar da Netafim, salienta que além de sanar as dúvidas dos clientes relacionados aos produtos da empresa, os eventos servem principalmente para conquistar novos clientes. “Além de auxiliar e dar toda atenção aos nossos clientes, os dias de campo servem também para abrir novos mercados e conquistar novos parceiros.”

 

365 DIAS POR ANO
Temas como maturação, aplicações aéreas e melhoria da qualidade da matéria-prima, são os principais assuntos abordados nos eventos da DupontTemas como maturação, aplicações aéreas e melhoria da qualidade da matéria-prima, são os principais assuntos abordados nos eventos da Dupont

Seguindo a necessidade do produtor, os dias de campo acontecem durante todo o ano. De acordo Paulo Donadoni, gerente da Cultura Cana da Bayer, essas datas são escolhidas de acordo com as necessidades do produtor, visando sempre o momento em que a atualização se torna fundamental, ou seja, em datas estratégicas e estipuladas por cada empresa. “Prospectamos e reforçamos pontos críticos do dia a dia da produção do nosso cliente ao longo de toda a safra e entressafra, buscando sempre estar ao lado do produtor não só no momento em que ele demanda o uso de nossas tecnologias, mas ao longo de toda a safra”, relata. 

O gerente de Marketing da Dupont, explica que no início de safra temas como maturação, aplicações aéreas e melhoria da qualidade da matéria-prima são os principais assuntos abordados. “Já no meio de safra damos foco nos tratamentos para controle de ervas daninhas e, durante todo o ano, atuamos fortemente no mercado de broca, que é o segmento que vem trazendo muitos prejuízos as usinas e produtores de cana devido aos grandes danos qualitativos e quantitativos causados por esta praga”, conta Menegatti.

Segundo Everton Molina, gerente Comercial da Ourofino Agrociência, cada evento busca apresentar o portfólio da empresa conforme perfil do produtor rural naquele momento ou região. “Em nossas ações, temos como foco as necessidades do cliente e a adequação das nossas tecnologias a esse público.”

 

MESMO EM ÉPOCA DE CRISE

Ao contrário do que se pode pensar, as empresas não diminuíram seus gastos com este tipo de evento, mesmo em tempos de crise. Algumas até chegaram a aumentar os valores investidos nestes encontros. A explicação das empresas é que, em momentos como este, a melhor tática é ter os parceiros mais perto ainda. Como é o caso da Netafim, que devido à crise resolveu investir ainda mais em dias de campo e visitas técnicas dirigidas.

Dia de campo da Valtra com a colhedora BE1035eDia de campo da Valtra com a colhedora BE1035e

“Essas visitas se caracterizam pela reunião de grupo de produtores ou técnicos de usinas, que são levados a visitar clientes que já usam o nosso sistema de gotejamento. Com isso, eles podem tirarin loco suas principais dúvidas diretamente com os irrigantes”, afirma Pedroso.

O mesmo fez a DuPont, que segundo Menegatti, continua acreditando fortemente no setor sucroenergético. “Nos últimos três anos não reduzimos nossos investimentos em eventos de divulgação de nossas ofertas para o setor. Ao contrário, 2015 foi um ano muito forte em investimentos nessa área e estamos repetindo a dose com a mesma intensidade em 2016.”

A Ourofino Agrociência é outra empresa que aposta cada vez mais em seus chamados Agroencontros. Este ano os investimentos da empresa foram ainda maiores que nos anos anteriores. “Acreditamos que a tecnologia tem papel fundamental na geração de valor e na busca por produtividade e, por isso, eventos como o AgroEncontro e os organizados por nossos parceiros são essenciais para a recuperação do segmento”, conclui.

(Colaboração de Alisson Henrique)

 CONJUNTURA

 

 

 
 

A edição 2016 marca a transição entre a recuperação, que deverá se iniciar no curto prazo, e a efetiva retomada, que poderá ocorrer já no médio prazo

 

Da Redação
 

A feira deverá marcar a transição entre a recuperação e a retomada do setor, que apesar de viver bons momentos tanto no mercado de etanol quanto no de açúcar, ainda não está totalmente preparado para investimentos em novas tecnologiasA feira deverá marcar a transição entre a recuperação e a retomada do setor, que apesar de viver bons momentos tanto no mercado de etanol quanto no de açúcar, ainda não está totalmente preparado para investimentos em novas tecnologias

Em meio a um cenário que aponta para o início da recuperação do setor sucroenergético, em crise desde 2011, acontecerá, na última semana do mês de agosto, a 24° edição da Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro & Agrocana), a maior feira do mundo voltada a este segmento.
Mesmo diante do mercado mais positivo com o consumo de etanol no país e dos preços e aumento da exportação de açúcar, a feira deverá movimentar, segundo os organizadores, R$ 2,8 bilhões, mesmo volume de 2015. A explicação para a estagnação do volume de negócios em pleno cenário de retomada se explica porque a maioria das usinas, principalmente da região Centro-Sul, ainda está se reestruturando e apenas investindo em manutenções de equipamentos, algo que havia sido deixada de lado nos últimos anos, ou seja, ainda não estão previstos grandes investimentos em novos equipamentos.
“Este ano o setor ainda precisa se dedicar a pagar as dívidas e recuperar o crédito. As usinas com operações encerradas devem voltar a moer e a Fenasucro deverá ser o marco zero, onde vamos conseguir identificar e mensurar o tamanho dessa reviravolta que o mercado já começou a sofrer”, explica Paulo Montabone, gerente Comercial da Fenasucro.
O número de estandes também será o mesmo de 2015, que contou com mil marcas expositoras. “Outro ponto relevante a destacar é a aproximação do setor Agrocana com o Industrial, pois acreditamos que quanto mais estiverem integrados, maior será o desempenho dessas duas áreas. Não adianta termos uma produção de cana de qualidade se a indústria não for top de linha ou vice-versa. É preciso que essas duas áreas se interajam mais e, por isso, nesta edição elas estarão bem mais próximas e vislumbrando alternativas para o mercado”, conta.
Para Paulo Gallo, presidente do CeiseBR, um dos grandes apoiadores do evento, a expectativa para a feira deste ano é a melhor possível, mesmo diante das incertezas macroeconômicas que ainda assolam o Brasil. “O cenário de preços do etanol ao produtor, bem como do açúcar nos mercados internacionais, que vem sendo relativamente remuneradores, se comparados aos últimos quatro ou cinco anos, e as perspectivas de que estes preços se mantenham em patamares um pouco mais elevados que no passado recente, levam a um ambiente menos pessimista, impactando positivamente os resultados da feira”, aposta.
Antonio Cesar Salibe, presidente executivo da Udop (União dos Produtores de Bioenergia), acredita que a feira terá um público seleto de expositores e técnicos que estarão mais esperançosos quanto aos rumos da cadeia sucroenergética e seus negócios. A Fenasucro poderá ser um termômetro da possível retomada do setor, mas ele destaca a necessidade de políticas de Estado mais estratégicas. “Esperamos que sim, uma vez que a Feira é um importante meio de medir o ânimo de nosso setor, além de nossa esperança de que possa representar o limiar de um novo ciclo de desenvolvimento para nosso segmento.”

De acordo com os organizadores da feira, o número de expositores deverá se manter o mesmo de 2015, quando participaram mil marcasDe acordo com os organizadores da feira, o número de expositores deverá se manter o mesmo de 2015, quando participaram mil marcas

O evento em si irá apresentar muitas novidades, dentre elas uma rodada nacional de negócios, que se juntará à rodada internacional, além do crescimento de mais de 100% dos eventos de conteúdo técnico, político e científico, que serão realizados ao longo da feira. “Estes são atrativos fortes para visitantes qualificados, oriundos de diversas partes do mundo, ampliando as oportunidades e negócios para os expositores, bem como proporcionando uma experiência melhor para nossos visitantes”, destaca Gallo.
Montabone revela que o público alvo da Fenasucro é o investidor brasileiro. No entanto, diante da crise econômica nacional, as rodadas de negócios internacionais devem continuar se destacando. No ano passado, visitantes de 30 países estiveram no evento e a expectativa é que neste ano o número seja ainda maior. “Estamos fazendo um trabalho em 43 países, onde identificamos potenciais plantações de cana-de-açúcar. Existem greenfields de usinas aprovados na África e na América Central. Então, estão sendo feitas missões em diversos países, convidando esses possíveis industriais e governos”, afirma.
O CeiseBR tem trabalhado fortemente em busca de oportunidades de vendas para empresas brasileiras no exterior, tanto que um recente acordo firmado com o Arranjo Produtivo Local do Álcool (APLA), sediado em Piracicaba, SP, e agora com uma extensão em Sertãozinho, já vem gerando os primeiros frutos, segundo o presidente do CeiseBR.
“Recentemente, estivemos em Londres onde pudemos apresentar nossas soluções de equipamentos e serviços para dezenas de investidores internacionais, ávidos por realizar projetos envolvendo energias renováveis, e, modéstia à parte, fomos muito bem-sucedidos na missão, dada a aceitação que os investidores demonstraram quanto aos fabricantes brasileiros. Temos certeza que este trabalho foi fundamental para recuperar a confiança em nossas empresas, e acreditamos que isto irá ajudar muito nas próximas concorrências internacionais em que viermos a participar. Porém, os grandes compradores nas nossas feiras são, tradicionalmente, as empresas locais, mesmo que tenham controle estrangeiro, e acreditamos que esta deverá ser a tendência nesta e nas próximas edições da Fenasucro&Agrocana, ainda que os números relativos a vendas para o exterior venham demonstrando resultados crescentes ano após ano”, declara Gallo.  
Montabone acrescenta que nem mesmo a retirada preliminar do açúcar e do etanol do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, criticada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), deve prejudicar a expectativa de negociações com o mercado exterior. Isso porque, a escassez global de açúcar deve se acentuar após prejuízos registrados na produção da Tailândia, que foram provocados pelo clima seco, e da queda de produção do maior consumidor mundial da commodity, a Índia, que também deve produzir cerca de 11,7% menos na safra desse ano.
 

Além da rodada de negócios internacional, este ano a edição conta com uma rodada de negócios nacionalAlém da rodada de negócios internacional, este ano a edição conta com uma rodada de negócios nacional
FEIRA DA TRANSIÇÃO

Realizada em Sertãozinho, interior de São Paulo, a 24° edição da Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética, a Fenasucro & Agrocana, apresenta equipamentos e insumos voltados para toda a agroindústria da cana-de-açúcar, desde preparo do solo, plantio e colheita, até o transporte, a produção de açúcar e etanol, e o aproveitamento dos subprodutos.
O layout da feira deste ano é mais compacto e tem como objetivo unir o setor agrícola e industrial. “Essa convergência desses setores da usina é importante na parte tecnológica. Nós convidamos faculdades e ‘professores pardais’ para participar”, conta Montabone, que espera que a feira seja melhor do que a do ano passado.
Gallo acredita que a edição 2016 marca a transição entre a recuperação, que deverá se iniciar no curto prazo, e a efetiva retomada, que poderá ocorrer já no médio prazo. “A recuperação deverá ocorrer pela demanda, hoje represada por serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, passando por algumas ampliações nos processos industriais, ainda que de forma tímida. Em um segundo momento, se não surgirem novas turbulências de mercado, poderá finalmente ocorrer a tão esperada retomada dos investimentos em ampliação de planta existentes (os projetos ditos brownfields) seguidos, ainda antes de 2020, por greenfields. De toda forma, esta edição da Fenasucro&Agrocana terá a missão de pavimentar a estrada à frente, rumo à recuperação deste setor fundamental para nossa economia”, conclui Gallo.
(Colaboração de Alisson Henrique)








 

 

 

 

 
 

 CONJUNTURA

 
Diante das dificuldades enfrentadas pela cadeia sucroenergética ao longo dos últimos anos, o autor dá sugestões de medidas que poderiam fortalecer e alavancar o setor frente ao novo cenário político
 

88476.png*José Américo Rubiano

A contribuição do Governo Dilma para a destruição do setor sucroenergético, antes da percepção que estava destruindo o Brasil, é de tal monta que a retomada em um cenário de crise geral torna-se ainda mais difícil. O Brasil vive um momento paradigmático. Ainda que com boa parte dos atores de filme B da Câmara Federal, um novo governo se inicia. Desce a rampa aquela que jamais poderia ter subido, e sobe um político experimentado, intelectual e politicamente mais preparado e com experiência para conduzir com melhores resultados as necessárias tratativas com o Congresso Nacional. A policromia política brasiliense impõe um ajuste de expectativa. Ainda assim, haverá avanços.

É nessa nova quadra da política nacional que o setor deve situar-se para buscar as conquistas necessárias para reencontrar-se crescentemente como provedor de empregos, de sustentabilidade, contribuinte de tributos e da balança comercial.

Sem pretensão de esgotar o tema, vamos nomear algumas dificuldades e sugestões que contribuirão para o setor retomar o crescimento. Uma parte importante é o endividamento tributário. Acredito que uma ferramenta, já experimentada, mas que deve ser aperfeiçoada,seria a implementação de um novo PESA (Programa Especial de Securitização de Ativos). Afinal, como o governo contribuiu fortemente para as dificuldades, tem a obrigação de prover soluções.

O endividamento bancário tem que ser resolvido e está sendo resolvido em negociações entre partes. Importante observar que os credores tenham real consciência das dificuldades, para não imporem negociações que inviabilizem a atividade e o recebimento de seus créditos. Juros e prazos compatíveis com a capacidade de pagamento são fundamentais nessa negociação. Estes dois aspectos resolvidos terão reflexos importantes nos balanços das empresas.

A renovação da lavoura com a crise foi precarizada, com importante impacto no índice de produtividade. É necessário aumentar substancialmente os recursos do Prorenova, transformando-o em linha regular de financiamento pelo prazo de, no mínimo, dois ciclos da cana. Neste momento de dificuldades o BNDES pode buscar recursos no mercado internacional, disponibilizando financiamentos em moeda forte para as empresas que exportam produtos. Neste caso, a estruturação de garantias, além das usuais, considerando ainda a instabilidade do dólar, pode contar com instrumentos de mercado para mitigar o risco. Esta linha de financiamento com mais recursos, permitirá que as empresas tenham melhores condições de comercialização dos seus produtos, não precisando antecipar a venda de quase toda a produção.

Outra questão importante (aqui é uma questão de opinião), é a velha briga entre gasolina e etanol. Na data em que escrevo o preço do hidratado não paga o custo de produção. O anidro adicionado é vendido ao consumidor final por R$ 3,50. Não seria o caso de um combustível único onde se estabeleceria uma adição crescente de anidro? Neste caso, há espaço para um preço que remunere a produção. Outra alternativa seria o desenvolvimento de motores que tornassem o etanol mais competitivo com relação a gasolina, não pelo preço, mas pelo desempenho. O governo que sai, poderia ter condicionado o forte apoio ao setor automotivo para o desenvolvimento de novos motores, por exemplo.

Outro aspecto da maior importância é a representação do setor. As instituições existentes têm feito um trabalho importante. Mudar a adição de etanol de 25% para 27% é importante. Mas é preciso avançar, ter uma presença mais forte nas instâncias decisórias de governo. A pauta de reinvindicação tem que ser com temas mais amplos, estruturantes e que resolvam os nós do setor. Por exemplo, carga tributária não considera as externalidades do etanol. Ainda que neste momento discutir a carga tributária e a forma de incidência dos impostos possa parecer pecado, não é. Estamos falando de colocar o tema em discussão, para buscar um novo modelo tributário para o setor, para quando o momento se fizer oportuno, este modelo esteja maduro para ser proposto.

O setor deve atingir sua capacidade instalada nesta safra. Não seria o caso de se desenvolver um programa especial para recolocar em atividade as dezenas de empresas fechadas, seja nos locais onde estão instaladas ou a relocalização das indústrias, quem sabe até para uma nova fronteira do etanol? O setor produz energia limpa que ganha cada vez mais espaço no mercado internacional. É inacreditável que este problema não tenha solução.

Para estes temas estruturais a representação do setor precisa aprender a articular com as forças políticas que fazem a regra do jogo. Recentemente foi instituído o Programa de Combustíveis e Tecnologias Veiculares e o setor nem se quer está representado nesta comissão!

*José Américo Rubiano é proprietário da J.A Rubiano Consultores Associados

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Utilizados como principal canal para venda e compra de ativos, os leilões virtuais vêm crescendo e já representam mais de 90% dos pregões realizados por usinas sucroenergéticas

 

Uma mão se levanta e acena. “Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três! Vendido!”– diz o leiloeiro. O lance foi feito e o item foi arrematado. É assim que por muitos de anos foram e ainda são realizados os leilões por todo o mundo. Agora, imagine um produtor ou usina sucroenergética que deseja adquirir uma propriedade, uma frota de caminhões, um trator, ou ainda que precisa colocar alguns ativos à venda para gerar caixa, mas não tem tempo e nem disponibilidade para organizar ou se deslocar até um leilão?

Pois bem, estes têm sido alguns dos motivos que tem feito com que os leilões virtuais tenham tido crescimento expressivo nos últimos anos, principalmente dentro do agronegócio, onde já é possível, em um único clique, participar de leilões para compra de gado, imóveis, fazendas e de máquinas e equipamentos agrícolas e industriais.

Para participar de um leilão presencial o comprador teria muitas das vezes que viajar longas distâncias para participar do chamado pregão. Hoje, um lance ou arremate pode ser feito na comodidade e conforto do sofá de casa, via smartphone e com apenas um clique, evitando trânsito, longas filas e possíveis desgastes causados por um mau atendimento.

A maioria das empresas organizadoras de leilões ainda trabalha com a modalidade presencial e oferecem locais para a realização dos pregões físicos, mas a modalidade online vem predominando neste mercado. Pelo menos é o que tem acontecido com a Superbid, umas das principais empresas do ramo, a qual conclui 99,9% dos seus leilões via internet.

Nos leilões online, os internautas disputam os bens em igualdade de condições com as pessoas que estão nos auditórios dos pregões. Só em 2015, 114 leilões foram realizados por usinas sucroenergéticas com a intermediação do Superbid, a qual finaliza 99,9% dos leilões via internet

 

 

 

DOU-LHE UMA, DOU-LHE DUAS, DOU-LHE TRÊS

Ao invés de levantar as mãos, um clique no mouse. No lugar da conhecida martelada, um relógio virtual com a contagem regressiva para o final do pregão. O roteiro do leilão virtual é praticamente o mesmo dos presenciais, tanto que muitas empresas fazem ambos simultaneamente. Neste caso, os internautas disputam os bens em igualdade de condições com as pessoas que estão nos auditórios dos pregões e os lances aparecem nos telões instalados nos auditórios e são analisados como ofertas. Nos dois casos é preciso se cadastrar previamente. Para participar do leilão eletrônico, no entanto, a apresentação de documentos deve ser feita com antecedência.

 

Gustavo de Oliveira Rossi, diretor de marketing da empresa Rossi leilões, explica que, além dos leilões simultâneos (online/presencial), existem os leilões eletrônicos, que têm um tempo pré-definido para os lances e finalização da venda. Neste caso, o comprador pode fazer quantos lances quiser durante o tempo de realização de cada lote, porém, o arrematante será o que apresentar o maior valor até o encerramento do tempo. “A diferença está no tempo limite para a realização do apregoamento. Também é necessário que a pessoa tenha um cadastro no site para que tenhamos informações seguras de que a compra ou a venda ocorrerá sem maiores problemas.”

Pedro Suplicy Barreto, diretor comercial da Superbid, salienta que um dos maiores trunfos para o sucesso do leilão online é o fato de haver as mesmas condições seja para comprar presencialmente ou online, o que faz com que a maioria dos compradores opte pelo online.

“Oferecemos igualdade de condições entre os compradores online e os presenciais. Vale destacar que os compradores podem agendar com a Superbid a visita aos lotes desejados de acordo com a sua disponibilidade e no dia do encerramento, podem participar de onde estiverem, sem ter que lidar com os inconvenientes dos tradicionais pregões físicos”, conta.

De acordo com o produtor agrícola Wesley Castro, que costuma usar o site para vender os equipamentos que não utiliza mais em suas propriedades, a ideia de participar dos leilões online surgiu em 2013, depois que ele concluiu trabalhos em algumas de suas unidades e não tinha mais o que fazer com alguns dos seus equipamentos. “Não dava para bater de porta em porta e oferecer. Precisávamos de um meio mais ágil e a nível nacional. Foi então que procuramos um site de leilões online para fazer o negócio.”

Castro revela que a princípio houve receio e ansiedade em relação à modalidade de venda, que ainda não fazia parte do hábito de muitos produtores brasileiros naquela época. “Mas resolvemos arriscar devido ao conforto que a empresa nos deu em relação ao leilão”, explica ele, que na oportunidade, escolheu o Superbid para mediar às vendas de seus itens.

No primeiro lote Castro conta que vendeu 60 tratores com preços satisfatórios. No segundo e terceiro leilão chegou a negociar lotes que ultrapassavam R$ 2 milhões em equipamentos. “A partir daí, identificamos que esse negócio de máquinas e implementos seria um sucesso e resolvemos continuar.”

Em todos os leilões existe uma lista com todas as características dos bens que estão sendo vendidos, além de fotos que facilitam na hora do comprador avaliar e escolher ou não certos produtos. “É importante deixar claro que, em todo leilão, é possível visitar o lote pessoalmente para obter detalhes antes da compra”, relata Rossi.

De acordo com Barreto, os itens vendidos com maior frequência pelo setor sucroenergético por meio do Superbid são as frotas leves e pesadas, incluindo carros de passeio, pick-ups, tratores, máquinas pesadas, caminhões e também carretas. “Podemos destacar também uma vasta gama de implementos e equipamentos de apoio, tal como pulverizadores, transbordos, arados, tubos e bombas para irrigação. Já na parte industrial, podemos citar os conjuntos de moendas, tanques, filtros, centrífugas, caldeiras e turbinas.”

Os equipamentos vendidos com maior facilidade são os agrícolas, pois têm um público comprador mais amplo, segundo Barreto. Já os equipamentos industriais encontram boa liquidez, porém, com um número menor de potenciais compradores. “O público comprador é bastante variado, no entanto, tem havido uma presença crescente do consumidor final, aquele fazendeiro ou usina que quer realizar um bom negócio comprando produtos com descontos significativos, se comparados com a venda direta”, explica Barreto.

Só em 2015, foram realizados mais de 114 leilões de usinas sucroenergéticas via Superbid. Em 2016, até o momento, já aconteceram 46, segundo a empresa. Usinas como Santa Adélia, São Manoel, Pedra Agroindustrial, Abengoa, Guaíra, Agroterrenas e grandes grupos como Guarani, Bunge, Raízen, São Martinho, Aralco, Noble Agri e NovAmérica, são algumas das empresas que colocaram à venda suas frotas de carros, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas, máquinas pesadas, entre outros itens.

 

 

PRESENCIAL

Além de estar fisicamente presente no momento do leilão, é preciso fazer o lance através de um gesto, um aceno. O valor dos lances é definido pelo leiloeiro. Geralmente, são definidos intervalos de 1% do valor do bem, no mínimo. O leilão só se encerra com a saída do leiloeiro e da equipe do local do leilão.
 

ONLINE

 

O roteiro do leilão online é praticamente o mesmo dos presenciais, tanto que muitas empresas fazem ambos simultaneamente. Neste caso, os internautas devem primeiro fazer um cadastro e depois escolher o leilão que desejam participar. As disputas dos bens ocorrem em igualdade de condições com as pessoas que estão nos auditórios onde os pregões estão acontecendo.

 

 

ELETRÔNICO

 

Modalidade de leilão realizada através da internet com o envio de lances eletrônicos. Quem der o maior lance até o seu encerramento, já pré-estabelecido, arremata o bem. Para participar, o interessado deve primeiramente se cadastrar no site no qual se deseja arrematar algum bem e enviar a documentação necessária, conforme as condições específicas do leilão. São aceitos os lances que atenderem as normas e critérios de participação de cada leilão.

 

 

LEILÕES JUDICIAIS

Dentro do segmento existem ainda os leilões judiciais, caracterizados pelo fato dos bens leiloados terem sido levados a esta situação por determinação de um juiz para o pagamento de dívidas. No caso dos leilões da Justiça do Trabalho, por exemplo, estes são realizados para pagamentos de dívidas oriundas de processos trabalhistas. Já os realizados pela Justiça Federal e Estadual, geralmente são realizados por conta de tributos atrasados. A disputa pela compra pode ser eletrônica e presencial, tudo depende da regra específica do leilão, que pode variar.

De acordo com Iamily Rodrigues, da Leilões Judiciais no Brasil, os valores dos bens levados a leilão são definidos pelo oficial avaliador, - que é nomeado pelo juiz que preside o processo, podendo ser indicado pelo credor-, e são compatíveis com os valores praticados no mercado. A grande vantagem dos leilões judiciais, segundo Iamily, são os descontos praticados, que podem chegar a até 70% do valor do item.

Iamily explica que nos leilões judiciais o arrematante tomará posse do bem após a liberação da carta de arrematação. Com a carta em mãos, o comprador poderá ir direto ao endereço do fiel depositário e buscar o bem arrematado. “A carta de arrematação é liberada em, no mínimo, 30 dias, mas pode demorar um pouco mais dependendo do andamento do processo. Ela vale como nota fiscal do bem móvel, como o recibo de transferência do veículo ou como a escritura de um imóvel. Para saber se a carta está pronta, o comprador deve dirigir-se até a Justiça que realizou o leilão com o auto de arrematação em mãos”, explica.

Perguntada sobre a possibilidade do dono do bem pedir a devolutiva do item arrematado, Iamily explica que o réu - pessoa física ou jurídica que tem seus bens leiloados para pagamento de dívida em favor do exequente/credor – pode sim, em até dez dias, contestar a arrematação. “O juiz não tem prazo para decidir isso. Pode demorar entre 2 e 12 meses. De qualquer forma, ou o dinheiro investido pelo comprador é devolvido ou o bem, conforme consta no edital. Após a expedição da carta de arrematação ou ordem de entrega, a invalidação da arrematação será pleiteada por ação autônoma”, conclui.

Nos últimos anos o número de usinas sucroalcooleiras que participaram deste tipo de leilões aumentou. Entre as usinas que já passaram pela Leilões Judiciais, Iamily cita a Unialco S/A e a Usina Central do Paraná.

Em processo de recuperação judicial desde 2014, a Usina Carolo, leiloou, em junho de 2015, via Superbid Judicial, a Usina Planalto, sua unidade produtiva localizada em Ibiá, MG, e a fazenda Manchúria, de 1.271 ha. A planta industrial tinha uma estrutura de produção composta por conjunto de moendas, caldeiras e destilaria para a produção de etanol com uma capacidade nominal de 300 m3/dia de combustível e armazenamento de 15 milhões de l. A venda foi determinada, na época, pela Juíza da 1ª Vara Cível da Comarca de Pontal/SP, Drª. Carolina Nunes Vieira.

O lance inicial era de R$ 25 milhões, o equivalente a 45% do valor total das avaliações, mas pesquisas feitas pela equipe da RPAnews no site do Superbid Judicial mostram que o encerramento deste leilão, o qual obteve 14.826 visitas, ocorreu no dia 18/09/2015, após um último lance no valor de R$ 40.292.800. No entanto, o leilão fechou sem vencedores. De acordo com a Superbid, foram realizados, até o momento, 1.508 pregões judiciais.

(Colaboração de Alisson Henrique)

 CONJUNTURA

Mesmo com um público menor do que dos anos anteriores, Agrishow superou as expectativas em volume de negócios, que foi 2% maior em 2016

Mesmo em meio a uma das maiores turbulências políticas e econômicas que o Brasil já enfrentou nos últimos anos, aconteceu, entre os dias 25 e 29 de abril, em Ribeirão Preto, SP, a 23º edição da Agrishow, uma das principais feiras agrícolas do Mundo.

Ao observar os corredores da feira, pelo menos nos dois primeiros dias, era perceptível a redução no número de visitantes. Sinais da crise? Parece que não. Inclusive a Agrishow foi melhor do que 2015, com aumento de 2% no volume de vendas, movimentando R$ 1,950 bilhão em negócios. Este número supera em R$ 50 milhões o montante de vendas da edição 2014, quando o evento registrou queda histórica de 30%. No entanto, a organizadora da feira afirmou que contando os fechamentos dos bancos, bem como os negócios iniciados em Ribeirão Preto, mas finalizados nos próximos meses, a expectativa é que este valor seja um pouco maior.

Para esta edição, os organizadores do evento fizeram investimentos em infraestrutura com o intuito de proporcionar aos visitantes ainda mais conforto. Foram asfaltadas mais duas avenidas e duas ruas, no total de 25 mil m, além de um novo sanitário de alvenaria. Este ano, pela primeira vez, trenzinhos ficaram à disposição dos visitantes que quisessem dar um passeio pela feira. “Em ano de grandes desafios econômicos investimos, e esses recursos aplicados na Agrishow 2016 ressaltam o comprometimento dos organizadores com os expositores, os produtores rurais e toda a cadeia do agronegócio”, afirmou José Danghesi, diretor da feira.

O número de visitantes, como foi observado, realmente caiu ante ao ano anterior. De 160 mil pessoas o público reduziu para 152 mil. No entanto, segundo as mais de 800 marcas expositoras nacionais e internacionais, o público que passou pelos estandes era altamente qualificado, composto sobretudo, por compradores e produtores rurais de pequeno, médio e grande portes do Brasil e do exterior.

Para se ter uma ideia, já no primeiro dia de feira, as marcas presentes conseguiram realizar bons negócios. “Ficamos surpreendidos pelo volume de negócios no primeiro dia. Apesar do cenário econômico, estamos confiantes para encerrar o período com bons resultados”, afirmou Delmar Rugeri, diretor presidente da Mec-Rul, empresa com sede em Caxias do Sul, RS, que comercializou no primeiro dia da Agrishow, 46 máquinas.

Entre os produtos vendidos pela empresa, 95% foram a enxada rotativa - item acoplado aos tratores para fazer a aragem da terra para o plantio. O preço do equipamento gira em torno de R$ 10 a R$ 15 mil reais, dependo do seu tamanho, que varia de um a cinco metros. Além da enxada rotativa, a empresa vendeu roçadeiras e valeteiras.

A Sollus, que atua no segmento de cana-de-açúcar e grãos, também teve um bom primeiro dia de feira. Vendeu 10 máquinas, sendo cinco da linha Brazuka – carretas graneleiras. “Tivemos uma visitação acima da média no primeiro dia. Houve um volume de negócios grande em comparação com outros anos. Foi uma grande surpresa para nós”, explica Antonio Semmler, gerente comercial da Sollus. Outro destaque de vendas do primeiro dia do evento foi a Santa Izabel, que vendeu 25 máquinas de implementos agrícolas.

Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH na América Latina, também afirmou que mesmo no primeiro dia de feira, que costuma ser mais calmo, a empresa recebeu a visita de grandes clientes e havia boas perspectivas de negócios para marca, que espera um aumento de 10% na venda de colhedoras de cana para 2016.

A 17ª Rodada Internacional de Negócios obteve um recorde de US$ 18 milhões de vendas, entre negócios fechados e futuros, com prospecções para os próximos 12 meses. Esse montante representa um incremento de 23% em comparação com a rodada de 2015. Também houve um recorde no número de empresas brasileiras inscritas. Foram 46 fabricantes brasileiros, o que exigiu que mais de 400 reuniões fossem agendadas com compradores vindos de países como Argélia, Canadá, Colômbia, Egito, EUA, Etiópia, México, Quênia, Tailândia, entre outros.

CRÉDITO FACILITADO

A decisão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) de ampliar em R$ 300 milhões o orçamento do Moderfrota (Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras) chegou em boa hora e ajudou no resultado da feira. De acordo com dados do BNDES, o valor total destinado ao programa para o Plano Safra 2015/16 passou para R$ 4,04 bilhões. O incremento, segundo análise dos técnicos do banco oficial, segue uma tendência de ampliação no ritmo de aquisição de máquinas e implementos.

Do novo orçamento do Moderfrota, R$ 3,4 bilhões são destinados à micro, pequenos e médios produtores rurais, com receita operacional bruta (ROB) de até R$ 90 milhões por ano, com taxa de juros de 7,5% ao ano. Os R$ 640 milhões restantes foram destinados ao Moderfrota, a produtores rurais ou cooperativas agropecuárias com renda bruta anual acima de R$ 90 milhões e a taxa de juros de 9% ao ano.

Alguns bancos como Santander Brasil ofereceram durante a feira R$ 850 milhões em crédito pré-aprovado, um volume de recursos 95% maior que os R$ 436 milhões captados pelo banco na edição de 2015 do evento. Durante a feira, todos os bens protocolados no Santander estavam isentos da taxa flat fee (percentual que incide sobre o valor total da compra) e podiam ser financiados com apenas 20% de entrada. “Vamos muito além do crédito rural, porque ele é limitado: tem um limite para o banco privado conceder e um valor teto por CPF para quem quer tomar. Diversificamos a nossa oferta para que não faltem recursos aos produtores”, afirmou o superintendente executivo de Agronegócios do Santander, Carlos Aguiar.

O crédito rural representa 13% do total de empréstimos do Santander para a cadeia do agronegócio, com R$ 5 bilhões liberados em 2015. Os outros R$ 34 bilhões são financiamentos concedidos a partir de recursos livres.

O QUE FOI NOVIDADE PARA O SETOR CANAVIEIRO
Umas das novidades para o segmento canavieiro foi a TMPB 6.500, o protótipo de uma transplantadora de MPB automatizada lançada pela TMA TracanUmas das novidades para o segmento canavieiro foi a TMPB 6.500, o protótipo de uma transplantadora de MPB automatizada lançada pela TMA Tracan

A 23° Agrishow teve como foco principal manter os lucros de negócios gerados em 2015, mas nem por isso as empresas deixaram de trazer novidades. Pensando na otimização dos processos do setor sucroalcooleiro, a Casale lançou a CRC Biomassa, que foi desenvolvida para recolher e picar a palha da cana com velocidade. De acordo com a Casale, devido à elevada abrasão do material recolhido, as facas são temperadas e revestidas com carbeto de tungstênio, aumentando a vida útil do equipamento, reduzindo a necessidade de manutenção em curto prazo e tornando-as autoafiantes.

A Adama, indústria do segmento agroquímico, mostrou seu portfólio completo para a cultura da cana-de-açúcar, mas a principal novidade da empresa foi o herbicida Premerlin, indicado para o controle de plantas daninhas em pré-emergência de cana.

Já as grandes fabricantes de colhedoras de cana têm focado seus desenvolvimentos em soluções que tragam não só produtividade como também maior disponibilidade no campo, hoje um dos maiores desafios para as usinas.

A Valtra trouxe como uma de suas grandes novidades na feira o Fuse Connected Services e Sistema de Telemetria da colhedora BE1035. O primeiro é um programa de acompanhamento de desempenho que permite ao produtor aumentar o rendimento e eficiência de suas máquinas. Já o segundo é uma espécie de complemento do Connected Services, e serve para monitorar em tempo real o desempenho das máquinas Valtra.

Com quase 70 anos de tradição em soluções para o setor canavieiro, a Case IH levou o mais recente lançamento – a colhedora A8800, versão 2016 - projeto que traz a união de tecnologias que garantem o aumento da disponibilidade mecânica, gerando eficiência e maior produtividade. Peças mais robustas e resistentes possibilitam maior vida útil dos componentes e o novo sistema de iluminação auxilia os reparos noturnos, com um ponto de luz dedicado para a parte frontal do equipamento e um pendente, para utilização 360º. Já os novos rolamentos dos rolos alimentadores tiveram uma redução de 83% no seu tempo de troca, de 15 horas, para duas horas e meia. A centralização dos pontos de lubrificação é outro diferencial que possibilita realizar a tarefa em 30 minutos (a cada 50 horas de colheita).

A John Deere, atenta ao cenário mais positivo para o setor canavieiro, levou seus dois recentes lançamentos de colhedoras de cana: a CH570 e a CH670. Estas máquinas passaram por testes de produtividade no campo com o Núcleo de Ensaio de Máquinas e Pneus Agroflorestais da Unesp (Nempa), que mostrou uma redução de 13% no consumo de combustível da CH570, em comparação ao modelo anterior 3520, ambas nas mesmas condições.

As colhedoras contam com o exclusivo sistema Econoflow, responsável por trazer melhorias nos mecanismos de alimentação, limpeza e hidráulico, a fim de garantir uma operação 8% mais eficiente, o que aumenta a capacidade de colheita e reduz o consumo de combustível.

Primeira empresa a lançar uma plantadora automatizada, ainda em 2005, a TMA trouxe para a 23° edição da Agrishow, o protótipo da sua transplantadora de mudas pré-brotadas, a TMPB 6.500 que, segundo a companhia, é a única plantadora de MPB totalmente automatizada do mercado e que atende integralmente a legislação trabalhista.

Outra novidade da empresa foram os dois modelos de trasbordos de alta capacidade – o VTT 5025 e o VTT 6030 – que visam otimizar o trabalho de carregamento no campo dos caminhões e facilitar o cumprimento da Lei da Balança, que passou o peso bruto total combinado (PBTC) do transporte de cana de 120 t para 74 t. Menos carga vai exigir mais viagens para o transporte da cana para usina, o que, segundo os especialistas, encarece em cerca de 25% os custos com logística. Esse é o grande diferencial dos novos modelos de transbordos de cana, que poderão lotar as caixas dos caminhões em menos operações.

Quem marcou presença na Agrishow e também trouxe novidades foi a Ipanema que mostrou, pela primeira vez, a sua nova aeronave agrícola, a Ipanema 203, desenvolvida pela Embraer. “Diversas funcionalidades que anunciamos no ano passado agora já estão incorporadas à aeronave”, explica Alexandre Solis, diretor da Unidade da Embraer em Botucatu, onde o Ipanema é produzido. “O significativo aumento de produtividade, o conforto superior para o piloto e o menor custo operacional do mercado oferecido pelo novo modelo têm atraído os olhares de novos clientes”.

A Screw Indústria Metalmecânica S/A, líder na fabricação de Transportadores helicoidais, levou seu mais novo lançamento, uma nova opção em helicóides. Trata-se do transportador helicoidal calandrado, produzido a partir de tiras de aços de espessuras robustas. Além de desenvolver os helicóides laminados, produzidos a partir de sliters de bobinas, os quais tem baixo custo, porém limitação de espessuras, e também produzir os helicóides na modalidade passo a passo, que tem opção de espessuras variadas, porém com maior custo, agora a Screw disponibiliza a alternativa calambrada.

Nesta opção, as peças são conformadas de maneira contínua, a partir de tiras, o que permite produzir peças sem emendas, com excelente acabamento, com espessuras uniformes, com redução significativa de desperdícios e de custos. Pode-se produzir, sob encomenda, peças em aço carbono em espessuras desde 10 mm a 25 mm, permitindo a produção de peças com diâmetro interno a partir de 250 mm.

A Trimble, pioneira no segmento de Agricultura de Precisão no Brasil, esteve presente com as inovações que ajudam a transformar a operação comercial de fazendas com o aumento de produtividade, redução de custos e proteção dos recursos naturais.

Tratando-se de conectividade, a empresa deu destaque ao seu monitor TMX-2050, intuitivo, com tela touchscreen de alta definição e sistema Android que permite adicionar Apps específicos para o produtor.

Outra novidade da Trimble é a tecnologia de manobra automática de cabeceira NextSwath, que calcula automaticamente e executa o melhor caminho possível para manobrar o veículo e entrar na próxima linha de trabalho com o implemento precisamente alinhado. Sua utilização permite maior eficiência e padronização de manobra, o que ajuda a melhorar a rentabilidade da lavoura e economizar no tempo e nos custos de combustível, além de prevenir danos à cultura e ao solo. Com o recurso “fique no limite”, fica mais fácil gerenciar a manobra do veículo e do implemento até os limites máximos da área, mesmo em áreas com formatos e limites irregulares.

Como não poderia faltar, a empresa levou o modelo de Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado) UX5. Projetado para ajudar os profissionais que necessitam de precisão e eficiência, o UX5 estabelece um novo padrão em cartografia e topografia através da combinação de um sistema robusto e de fácil manuseio, com uma câmera de alta resolução e precisão. Além disso, com autonomia de 50 min de voo a uma velocidade de 80 km/h, pode cobrir até 5 cm uma de área de até 250 ha por voo (dependendo das condições climáticas, plano de voo e tipo de área a ser trabalhada).

Mas o grande destaque este ano foi o Sistema de Informação do Solo (SIS), tecnologia de análise de solo da Trimble, que utiliza sensores avançados de segmentação e de geoprocessamento para produzir informações de alta resolução. Ao proporcionar um maior entendimento das características físicas e químicas do solo, o SIS permite que agricultores implementem soluções mais específicas para cada ponto da área. Estas informações podem ser utilizadas para tomar decisões de irrigação, drenagem, fertilização, além de criar mapas de solo, visando maximizar o potencial do crescimento das plantas em cada ponto da propriedade.

“A Trimble não desenvolve apenas produtos de agricultura de precisão, mas sim soluções que facilitam o trabalho em cada uma das etapas do ciclo agrícola, possibilitando a redução nos custos de produção e aumento de produtividade. Com elas, o produtor planeja e controla a quantidade exata de insumos necessários em uma área e também gerencia as diversas informações do dia a dia em tempo real e de forma remota”, afirma Guillermo Perez-Iturbe, diretor comercial para a América Latina da divisão de Agricultura. (Colaboração de Alisson Henrique)

 

 

 

Entrevista

 

O engenheiro agrônomo Eduardo Vasconcelos Romão, presidente da Associcana (Associação dos Plantadores de Cana de Jaú) desde 2011, assumiu, em março deste ano, a responsabilidade de também presidir a Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil).

Romão assume o lugar de Manoel Ortolan, que presidiu a entidade entre 2013 e 2016, e estará à frente da Orplana nos próximos três anos. A entidade representa os fornecedores de cana do Centro-Sul do Brasil, o que corresponde a 34 associações de fornecedores de cana, sendo 25 do Estado de São Paulo, uma do Mato Grosso, uma do Mato Grosso do Sul, quatro de Minas Gerais e três do Estado de Goiás.

Formado pela Esalq/USP, com especialização em Logística pela Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru, Romão sempre buscou meios para inserir os pequenos e médios produtores de cana no contexto do setor, sendo um grande defensor de que os produtores devem se preparar para a demanda crescente do mundo por alimentos, fibra e energia.

Em entrevista exclusiva para RPAnews, o novo presidente da Orplana conta suas expectativas e projetos.

RPAnews - Como você recebe a notícia de que é o novo presidente da Orplana?

Eduardo Vasconcellos Romão - Recebemos essa indicação com muito orgulho e humildade. É uma satisfação grande ter o nosso trabalho e luta sendo reconhecidos por associações amigas.

Quais são as metas que você tem frente à presidência de uma entidade tão importante para os fornecedores de cana como é a Orplana?

Primeiramente, meu foco será manter o fornecedor de cana no seu negócio, principalmente o pequeno e médio fornecedor que é cada dia mais desafiado diante do cenário produtivo e econômico. Atualmente, existem várias tecnologias disponíveis e a nossa missão é fazer com que todas essas informações e tecnologias cheguem até eles.

O que você pretende agregar ao trabalho da Orplana?

A meta é manter os fornecedores unidos para fortalecer a entidade e as nossas reivindicações para que, assim, possamos enfrentar melhor as demandas. Já foi iniciado um trabalho de reestruturação da Orplana para aproximá-la dos fornecedores. Pretendo dar continuidade aos projetos já desenvolvidos.

Quais devem ser os desafios que você deverá enfrentar diante da Orplana?

Mantê-la unida e coesa com as associações e seus produtores para atingir objetivos comuns ao nosso negócio. Manter a entidade forte e articulada, até mesmo com outras cadeias produtivas, para ocuparmos espaço que o agro merece na sociedade.

O Consecana deverá passar por modificações e revisões para a safra 2016/17?

Estamos lutando para isso, mas para termos nossas reivindicações e as revisões necessárias, é preciso o fortalecimento de nossa instituição, a Orplana, com a participação e ação das associações e seus produtores, intensificando nossa presença. Conteúdo técnico já dispomos e agora temos montado estratégias para podermos atingir o equilíbrio adequado entre partes: produtores e unidades industriais.

Diante do mercado positivo para o açúcar e etanol, qual é a expectativa para a safra 2016/17?

A expectativa é que esta safra seja promissora em relação a preços e produção. Os fundamentos de mercado sinalizam resultados parciais positivos devido ao câmbio e ao déficit da produção mundial, mas o custo social do setor como um todo para chegar até aqui foi alto. Toda nossa cadeia produtiva foi assombrada por políticas públicas equivocadas que deixaram marcas profundas no setor. Agora temos um longo caminho para chegarmos ao equacionamento econômico que é um verdadeiro desafio.

Em frente à Associcana quais foram as metas estabelecidas e cumpridas durante seu mandato?

Estou no segundo mandato à frente da Associcana, assumi em 2011 e fui reeleito em 2014. Desde que assumi, me deparei com a enorme mudança na forma de produção, com o fim queima da palha da cana e a mecanização plena dos processos, frente o aprofundamento da crise econômica que afetou em cheio as unidades industriais. A nossa principal meta foi criar condições para que o pequeno e médio produtor tenham meios para permanecer no seu negócio, com muito empenho e esforço. Mas é um trabalho diário e cheio desafios.

Como você deverá conciliar as atividades das duas entidades?

Pela Associcana nossos diretores e equipe, inteirados dos projetos, se empenharão em colocá-los em prática da melhor forma. Pela Orplana também existe uma equipe extremamente qualificada e muito empenho de nossos conselheiros. Assim, acredito que alcançaremos os nossos objetivos.

Quais são as ações e novidades da Associcana para 2016?

As novidades da Associcana para 2016 estão ligadas às ações da Orplana. Os grupos de trabalho formados nessa nova Orplana estão inovando posturas e serviços, que farão nossas associações ocuparem um espaço essencial na vida do produtor. Nossas associações e seus técnicos estão ativando a extensão rural e levando a tecnologia de maneira prática e de imediata aplicação ao produtor, oferecendo condições para permanecerem no seu negócio.

O custo de produção será ainda a maior dificuldade para os produtores?

O custo continua nos apertando na faixa da produção, embora os preços tanto do ATR, que é afetada consideravelmente pelo cenário de açúcar, como também do etanol venham subindo. Os nossos custos com a inflação impressa em toda a economia também nos afetou. Então, neste novo cenário, temos que estar nos adequando: minimizando custos e tentando ganhar eficácia nas ações para que consigamos equilibrar as contas.

Quais serão os maiores desafios para os fornecedores nesta safra que inicia?

Não será “dentro da porteira” o nosso maior desafio. O desafio será a mudança de comportamento dos produtores. O jeito como o avô ou o pai dele tocava o negócio não existe mais. É preciso se adequar ao novo modelo produtivo. É pegar a informação disponível (através das associações) e aplicá-la dentro da porteira. Somente assim ele irá melhorar o patamar de produtividade e ter um fôlego a mais para se manter no negócio. 

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