A VOZ DO FORNECEDOR


FORNECEDORES DE CANA COBRAM DÍVIDAS DE USINAS

O presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Filho, recebeu, no início de outubro, fornecedores de cana-de-açúcar de Alagoas para discutir a situação da dívida das usinas, que segundo reclamam os representantes do setor canavieiro, estão moendo sem fazer o devido pagamento aos produtores. A reunião aconteceu na sede da Asplana, em Maceió.

De acordo com Edgar Filho, as usinas do estado devem aproximadamente R$250 milhões aos cerca de oito mil fornecedores de cana de Alagoas. “E tem produtores que não recebem das usinas já há três safras. Na última safra tem usina que moeu e não pagou um real aos fornecedores.” Ainda de acordo com ele, a única saída apontada pelas usinas foi a liberação de um financiamento, junto a um banco internacional.

A falta de alternativas apontada pelas usinas foi justificada pelo período de seca e momento de crise que o país está passando. No entanto, o repasse desse financiamento estaria se arrastando desde o mês de dezembro de 2015. “A situação de dificuldade do fornecedor tem se arrastado há três anos. Então, quando saiu a notícia de que esse financiamento viria para as usinas e elas se comprometeram junto ao governador a utilizar esse dinheiro para pagar os seus fornecedores de cana, gerou-se uma esperança para a classe. No entanto, desde dezembro o dinheiro não saiu para as usinas e elas não pagaram os fornecedores de cana. Temos um ano de esperanças frustradas e de uma situação que está cada dia mais grave”, explicou.

Os pequenos produtores têm amargado os principais reflexos da falta de pagamento e relatam estar vivendo uma situação crítica. “A situação passou de calamidade no campo, porque você não tinha como renovar seu canavial, para calamidade dentro da própria casa, com os fornecedores sem conseguir pagar nem as contas, principalmente pelo fato de 90% da classe ser formada por pequenos fornecedores, que sobrevivem com um salário mínimo por mês”, afirmou o presidente da Asplana.

FORNECEDOR DE CANA RECEBE REUNIÃO TÉCNICA DO CTC

No último dia 6 de outubro, em Ituverava, SP, o CTC realizou mais um Dia de Campo voltado para fornecedores de cana-de-açúcar. O evento contou com cerca de 25 clientes e palestras técnicas sobre as variedades mais adaptadas à região, como as da série 9000, por exemplo, além de demonstrações em campo sobre manejos como: adubação, sistematização e conservação do solos. “Este é um público que sempre foi muito importante para o CTC e queremos cada vez mais reforçar esse relacionamento mostrando a eles que é possível se sobressair em produtividade quando se investe em tecnologia”, explica Luis Gustavo Dollevedo, diretor Comercial do CTC.

EM PLENA CRISE, COAF/AFCP FORTALECE COOPERATIVISMO RURAL EM PE

Apesar da grave crise econômica ainda em curso, a Cooperativa do Agronegócio da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (Coaf/AFCP) não para de crescer. Tanto que acaba de ampliar suas instalações no Recife, triplicar postos de trabalho e elevar o faturamento. Embora a previsão anual fosse de faturar R$ 8 milhões, a cooperativa já atingiu nos últimos 12 meses o montante de R$ 11 milhões. O segredo do desempenho está no método que a Cooperativa aplica em favor dos seus agricultores cooperativados. Ela aposta na diversificação do portfólio de produtos agropecuários comercializados com preços abaixo dos praticados no mercado, já que atua para reduzir os custos de produção da cana e de pastagens, estratégicos para entidade.

Além de comercializar fertilizantes e herbicidas para cana e pastagens a preços diferenciados do mercado, bem como ferramentas, utensílios e várias linhas de pastagens, a Coaf passou a comercializar também peças para tratores de todas as marcas e ainda implementos agrícolas a partir de outubro. A Cooperativa, que fica na Av. Mascarenhas de Moraes, no bairro da Imbiribeira no Recife, já realizou cadastro com várias distribuidores locais dessas peças e também está buscando firmar parcerias com as indústrias do segmento.

“A nossa intenção é trazer também a indústria de peças de tratores para perto do produtor de cana e com preços mais baixos que os praticados no mercado”, explica o gerente Comercial da Cooperativa, Hermano Interaminense.

Peças de tratores são uma demanda cotidiana dos agricultores, já que o uso destas máquinas é essencial para a produção da cana-de-açúcar e o gasto com peças é um dos fatores que mais encarecem os custos de produção. Desta forma, como a Coaf tem como missão baixar tais custos dos seus cooperativados, a direção da entidade decidiu inserir estes produtos em seu portfólio.

“Desde 2010, quando foi criada, a Coaf/AFCP se destaca pelo valor diferenciado dos produtos comercializados para os seus cooperativados. E isso ocorre justamente porque esta é a sua finalidade: baixar custos de produção da cana e agora também de outros setores agropecuários”, diz o responsável por sua criação, Alexandre Andrade Lima, presidente da AFCP e da Coaf.

NOVA ARALCO LANÇA APLICATIVO PARA COLABORADORES E FORNECEDORES DE CANA

O Grupo Nova Aralco, formado pelas usinas Alcoazul, Aralco, Figueira e Generalco, lança ferramenta digital para aprimorar a disponibilidade das informações aos colaboradores e fornecedores de cana. Numa iniciativa de inovação aberta, foi desenvolvido o aplicativo CS ERP, formatado em parceria com a empresa de Tecnologia Compusoftware e alunos do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Fatec, de Araçatuba, SP.

A ferramenta de comunicação foi pensada pela equipe de Recursos Humanos da Nova Aralco com objetivo de oferecer, na palma da mão do colaborador, informações de seu interesse como plano de carreira, holerite, desempenho etc. Durante a execução do projeto, outras ideias surgiram e ampliaram o escopo do projeto para o relacionamento com fornecedores de cana.

No aplicativo, os colaboradores conseguem visualizar holerite, vagas disponíveis, evolução de carreira, folha de ponto e acompanhar o desempenho diário, semanal e mensal. Já os fornecedores de cana, têm à disposição informações referentes à entrada de cana, relatórios de produção, extratos de contrato e fornecedor, entre outras. Para acessar, os usuários precisam estar cadastrados previamente no sistema interno da empresa para depois usufruir dos benefícios da ferramenta.

A Aralco priorizou a necessidade de apresentar um sistema online, totalmente integrado ao seu banco de dados, que oferece modernidade, funcionalidade e eficiência na gestão dos negócios e informações de seus públicos. De acordo com Jennifer Leal, assistente de Recursos Humanos da Nova Aralco, é uma ferramenta de rápida implantação, baixo custo e praticidade incomparável. “Além disso, a nova ferramenta viabiliza aos nossos usuários, todas as informações referentes aos interesses deles aqui dentro”, disse a idealizadora do projeto.

GESTÃO

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*Jair Rosa Claudio

A preocupação em combater práticas de suborno e corrupção não é só das empresas brasileiras ou que atuam no Brasil, nem é decorrente exclusivamente da repercussão dos episódios recentes de corrupção no país. A organização não governamental “Transparência Internacional” publicou recentemente o índice da corrupção no mundo em 2015, pelo qual, em um universo de 168 países, o Brasil, Bósnia e Herzegovina, Burkina Faso, Índia, Tailândia, Tunísia e Zâmbia ocupam, juntos, a posição 76 numa escala decrescente entre os países mais corruptos. Vale destacar que, por essa avaliação, a Dinamarca seria o país menos corrupto em todo o planeta, enquanto a Coreia do Norte e a Somália, ocupariam juntas a triste posição de países mais corruptos em todo o mundo.

Inspirada em outros países, como na Lei Federal dos EUA de Combate a Práticas de Corrupção no Exterior, promulgada em 1977 (Foreign Corrupt Practices Act 1977), ou simplesmente FCPA, na Lei Sarbanes-Oxley de 2002, mais recente e também norte-americana, conhecida como Sarbox ou simplesmente SOX, ou ainda na Lei do Suborno (Bribery Act 2010) estabelecida pelo Parlamento Britânico em 2010 e em vigor desde julho de 2011, o Brasil cria, em 2013, a Lei nº 12.846/2013, alcunhada de Lei Anticorrupção, que visa prever a responsabilização objetiva, no âmbito civil e administrativo, de empresas que praticam atos lesivos contra a administração pública nacional ou estrangeira.

Segundo o Claudio, além de contribuir para o aprimoramento da gestão global e compliance, a ISO 37001 poderá auxiliar as organizações tanto na implementação da gestão antissuborno, como também na melhoria de controles já existentesSegundo o Claudio, além de contribuir para o aprimoramento da gestão global e compliance, a ISO 37001 poderá auxiliar as organizações tanto na implementação da gestão antissuborno, como também na melhoria de controles já existentes

Em um cenário de profusão de leis e regulamentos nacionais que visam evitar as práticas de suborno e corrupção, a ISO (Organização Internacional para Normatização) se mobilizou em 2012 para criação de uma referência internacional para gestão de compliance, ou seja, de conformidade legal. Atendendo proposta da Austrália, que já detinha um importante programa nacional de compliance, a ISO cria naquele ano um comitê coordenado por esse país com a missão de desenvolver um padrão internacional de gestão de conformidade legal.

Em 2014 este comitê publica a versão preliminar da Norma ISO 19600 de Gerenciamento de Conformidade Legal (ISO 19600 – Standard for Compliance Management – Draft), que fornece orientações para que uma organização possa se estruturar com uma ferramenta de gerenciamento específica, que garanta o cumprimento de leis, padrões e normas estabelecidas, que lhe sejam aplicáveis, ou que sejam por ela subscritos voluntariamente. Trata-se, contudo, de uma norma de diretrizes (guideline) que não se presta, em princípio, para fins de certificação de uma terceira parte independente.

A conformidade com as legislações nacionais, contudo, não têm conseguido evitar a crescente repercussão, não só no Brasil, dos casos de corrupção envolvendo grandes corporações empresariais. Assim, é natural que mesmo a grande maioria das empresas do setor sucroenergético, e outros que atuam dentro da lei, e que sempre rejeitaram as práticas de corrupção ou suborno para alavancarem seus negócios, passem a se preocupar em demonstrar que não fazem parte “disto que aí está”. O modelo gerencial proposto pela Norma ISO 19600, antes mesmo de se consolidar, mostra-se insuficiente para ajudar as organizações a demonstrarem que são idôneas para todas as partes interessadas em seus desempenhos. Assim como para a mulher de Cesar não bastava apenas parecer honesta, para as organizações empresariais, já não basta mais atuarem dentro dos padrões legais nacionais, por mais rígidos que sejam. É preciso também que estas empresas demonstrem idoneidade, independente do contexto geográfico e político onde atuam.

Nesse cenário mundial onde a transparência, tanto nos negócios públicos como privados, passa a ser cada vez mais uma demanda da sociedade para permitir a sobrevivência das organizações e instituições, a ISO mais uma vez se mobiliza para estabelecer um padrão internacional que possa auxiliar organizações de qualquer natureza e porte a incorporarem, de forma prática, uma nova função em suas governanças: a gestão formal de práticas anticorrupção sem meias palavras. Foi assim criado em 2013 o Comitê Técnico 278 da ISO, secretariado pela BSI - Instituição Britânica de Normas BSI (British Standards Institution), para criação da norma ISO 37001 de Gestão de Práticas Antissuborno. O novo padrão a ser estabelecido deveria ainda permitir uma verificação dessas práticas por terceira parte independente com credibilidade internacional que possa emitir uma certificação de “empresa isenta de prática de suborno”.

O QUE É A NORMA ISO 37001 E PARA QUE SERVE?

A Norma ISO 37001 está sendo elaborada para ajudar pequenas, médias e grandes organizações dos setores público, privado e do terceiro setor a implementarem um sistema de gerenciamento que lhes possibilite prevenir práticas de suborno bem como detectá-las e tratá-las corretivamente, antes de ocorrerem. É uma ferramenta flexível, que pode ser adaptada de acordo com o tamanho, natureza da organização e em função do grau de risco de corrupção ativa ou passiva que enfrenta.

QUE BENEFÍCIOS A ISO 37001 TRAZ PARA UMA ORGANIZAÇÃO?

Assim como nenhuma lei ou outra ferramenta existente consegue eliminar completamente o risco de corrupção, o padrão ISO 37001 também por si só não poderá garantir a eliminação total dessa perniciosa prática nas organizações empresariais. No entanto, além de contribuir para o aprimoramento da gestão global e compliance com leis, normas e padrões aplicáveis, a ISO 37001 certamente poderá auxiliar as organizações empresariais tanto na implementação da Gestão Antissuborno, como também na melhoria de controles já existentes, dando maior garantia aos gestores, proprietários, agentes financiadores, clientes e demais parceiros, e ainda no fornecimento de provas a promotores e tribunais em casos de inquéritos e ações judiciais, mostrando que a organização adota as melhores e mais razoáveis medidas de prevenção de corrupção.

QUAIS MEDIDAS SÃO REQUERIDAS DAS ORGANIZAÇÕES QUE QUEIRAM ADOTAR O MODELO DE GESTÃO DA NORMA ISO 37001?

A exemplo dos demais modelos de gestão da ISO, amplamente conhecidos, a ISO 37001 exige da organização que seja estabelecida inicialmente uma política antissuborno e que seja nomeado pela alta administração um responsável para supervisionar o seu cumprimento. Devem ser fornecidos treinamentos a todos os níveis organizacionais, realizadas avaliações de risco de suborno e implantado um sistema auditorias em todos os projetos e em contratos de parcerias, bem como implementados procedimentos de controle das atividades financeiras e comerciais e ainda procedimentos de comunicação e investigação de não conformidades eventualmente detectadas.

A ISO 37001 NÃO IRIA IMPOR MAIS UMA BUROCRACIA PESADA E POUCO ÚTIL AS EMPRESAS DO SETOR SUCROenergético?

Os requisitos da norma são suficientemente flexíveis para possibilitar que sejam implementados de forma racional e proporcional ao tamanho da organização, à complexidade de suas atividades, à natureza e aos reais fatores de risco de suborno que está exposta. As normas de gestão ISO são intencionalmente concebidas com a preocupação de decodificar, para pequenas e médias empresas, as sofisticadas ferramentas gerenciais de melhoria contínua oriundas dos setores militar e aeroespacial e adaptadas, já em décadas passadas, pela indústria automobilística.

A EMPRESA QUE ADOTAR A ISO 37001 PODERÁ OBTER UMA CERTIFICAÇÃO POR UM ORGANISMO INDEPENDENTE?

Aguarda-se ainda para esse 2º semestre de 2016 a publicação da versão da norma ISO 37001 certificável por organismos independentes de terceira parte, denominada Norma Internacional ISO 37001- Sistemas de Gestão Antissuborno (International Standard ISO 37001 - Anti-bribery Management Systems). A Norma Internacional está sendo elaborada por um comitê constituído por representantes de mais de 40 países membros ou observadores e de sete instituições independentes ligadas à temática anticorrupção ou aos sistemas normativos.

Por fim, vale adiantar que a versão preliminar da norma internacional ISO 37001 (Draft International Standard DIS) já disponível, sinaliza que os elementos-chave a serem requeridos de uma organização que pretenda operar em conformidade com esse padrão internacional certificável serão, inicialmente, a demonstração do conhecimento que a organização possui de suas próprias práticas e das necessidades e expectativas das partes interessadas (stakeholders) e a definição dos limites da abrangência do Sistema de Gestão Antissuborno pretendido.

Essencialmente, a versão DIS da norma ISO 37001 requer a existência ou implementação de um modelo de gestão sistêmico baseado nos conceitos de melhoria continua (planejar, desenvolver, checar e agir - PDCA). O sistema de gestão deverá incluir monitoramento dos controles operacionais antissuborno estabelecidos, auditorias internas, tratamento das não-conformidades identificadas, verificação periódica da conformidade com os requisitos legais antissuborno e anticorrupção, e análise crítica periódica dos resultados pela alta administração a fim de estabelecer novas metas de melhoria contínua.

A organização deverá estabelecer um processo de avaliação dos riscos de suborno e uma política antissuborno com a qual a liderança deverá demonstrar expressamente seu compromisso. Um guardião responsável por manter a política antissuborno deverá ser designado formalmente na estrutura organizacional. Um processo contínuo de definição de metas de redução do risco de suborno, de planejamento e de implementação das ações definidas para atingi-las também precisará ser mantido.

A norma ISO 37001 deverá ainda enfatizar a necessidade da inserção da política antissuborno nos processos de comunicação com partes interessadas e de conscientização e treinamento dos empregados diretos e de terceiros atuando em nome da organização. Será também requerida a inserção de práticas antissuborno nos procedimentos de controles operacionais, onde apropriado, com ênfase nas operações financeiras e não financeiras, como comercial e suprimentos. Os controles operacionais antissuborno devem ser extensivos a todas as organizações controladas e às associadas se pertinente. Das organizações associadas será requerido compromisso formal de aderência à política antissuborno da organização

Entre os requisitos mandatórios da norma de Gestão Antissuborno incluem-se a obrigatoriedade de realização de due diligence nas transações relacionadas a associações, fusões, aquisições ou parcerias; o estabelecimento de critérios claros para recebimento e oferta de brindes, gratificações, hospitalidade, doações e benefícios similares; e de procedimentos para relato e investigação de práticas suspeitas de suborno.

Para as empresas do setor sucroenergético que já operam um sistema de gestão ISO (ISO 9001, ISO 14001, ISO 26000, ISO 31000) e/ou OHSAS (OHSAS 18001), a implementação de um Sistema de Gestão Antissuborno certificável com base na Norma ISO 37001 poderá se dar de forma facilitada e natural sem traumas ou grande perturbação na rotina operacional. Para as usinas que ainda não adotaram um modelo sistêmico de gestão baseado nos princípios de melhoria contínua, a adoção do modelo ISO 37001 poderá ser a oportunidade para integrarem o rol de mais de 1,6 milhão de organizações em todo mundo que operam sistemas ISO certificados por terceiras partes, conforme demonstra a mais recente estatística, de 2014, da Organização Internacional para Normatização.

*Jair Rosa Claudio é mestre em Engenharia Sanitária e Ambiental, consultor em Sistemas de Gestão com base nos padrões ISO e sócio-diretor da PLANT Sustentabilidade e Meio Ambiente

 

 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Natália Cherubin

A cana energia parece, mas não é algo complemente novo. A busca por uma variedade com maior teor de fibra data do início da década de 70, quando alguns programas de melhoramento de países como Barbados, Índia, Cuba e Austrália tiveram êxito no desenvolvimento destas variedades. No Brasil, a cana energia também foi explorada na década de 80, mas o projeto não caminhou nos anos seguintes. A retomada das pesquisas em cana energia aconteceu em 2002, quando o setor se despertou não só para a cogeração de energia, diante de um mercado mais maduro e que trazia garantia de faturamento extra, como também para o desenvolvimento de outros produtos a partir da cana, caso do etanol de segunda geração.

De acordo com Rubio, a Vignis tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.De acordo com Rubio, a Vignis tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.

A Vignis foi pioneira neste desenvolvimento, de acordo com Luis Claudio Rubio, hoje diretor-presidente da empresa. Tudo começou quando ele, um executivo do fundo de capital de risco da Votorantim, conheceu o engenheiro agrônomo Sizuo Matsuoka, que chefiava um grupo de pesquisadores do Programa de Melhoramento Genético em Cana-de-açúcar da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o que culminou na criação da CanaVialis, vendida em 2008 para a Monsanto, que acabou descontinuando as pesquisas com cana energia e, em 2016, fechou todo o segmento de cana-de-açúcar.

A venda para a Monsanto envolveu uma transação de R$ 300 milhões e obrigou os fundadores a cumprirem um contrato de dois anos de não-competição com a multinacional americana. Só depois deste período que Rubio e Matsuoka puderam criar a Vignis.

“A Vignis é uma empresa que nasceu dedicada exclusivamente ao desenvolvimento e produção da sua cana energia e com suas próprias variedades. Dividimos o nosso mercado em dois: empresas do setor sucroenergético e a indústria em geral, onde estão inseridas as de alimento, mineração, siderurgia, cimentos etc. Com base nesta divisão, nos contratos com o setor sucroenergético, além da biomassa total, priorizamos o plantio de variedades que possam produzir mais açúcar por hectare. E para isso, a Vignis tem um programa de melhoramento genético que desenvolve vários tipos de variedades.”

A Ridesa (Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético) e o IAC (Instituto Agronômico de Campinas), iniciaram suas pesquisas em cana energia um pouco mais tarde, entre 2008 e 2009. O projeto do IAC teve início em 2009, onde passou por uma fase prospecção e diagnóstico, mas, segundo Mauro Xavier, engenheiro agrícola do Programa Cana IAC, o desenvolvimento iniciou efetivamente em 2013, com a importação de acessos para a estruturação das pesquisas em cana energia.

O programa de melhoramento que recentemente deu origem às primeiras variedades da Granbio – a Cana Vertix, lançada em março deste ano - teve início em 2012 e é realizado pelas subsidiárias da companhia, a BioVertis (que tem como missão viabilizar matérias-primas competitivas para a indústria de biocombustíveis, bioquímicos e bioenergia para projetos da Granbio e terceiros) e BioCelere (Centro de Pesquisas em Biologia Sintética, que tem foco no melhoramento genético de microrganismos, processamento de biomassa, desenvolvimento de processos de fermentação e de hidrólise enzimática).

José Bressiani, diretor de Tecnologia Agrícola da Granbio, conta que no início do programa de melhoramento da companhia, foram estabelecidas parcerias com diversos institutos de pesquisa, entre eles o IAC e a Ridesa de Alagoas. No caso da Ridesa/UFAL (Universidade Federal de Alagoas), o convênio foi realizado nos mesmos moldes que a instituição normalmente faz com usinas.

“Nós investimos no programa de melhoramento deles para que desenvolvessem variedades de cana energia e pudéssemos utilizar em nosso plantio comercial. Já com o IAC, a parceria foi para buscarmos um germoplasma básico no exterior e depois compartilharmos para os dois programas de melhoramento (Granbio e IAC). Adicionalmente, com o IAC houve também o compartilhamento técnico e de sementes sexuadas dos cruzamentos realizados na estação de hibridação do IAC, na Bahia”, explica.

 

CANA ENERGIA X CANA CONVENCIONAL

Uma variedade de cana-de-açúcar considerada tradicional geralmente tem um alto nível de açúcar, ou seja, mais de 15% de sacarose, e médio teor de fibra, que fica entre 12% e 13%. Já a cana-energia é uma variedade desenvolvida a partir do cruzamento de espécies ancestrais e híbridos comerciais de cana-de-açúcar, com a diferença de que é mais robusta e com maior teor de fibra e potencial produtivo, o que faz desta variedade, ideal para fabricação de biocombustíveis e bioquímicos de segunda geração, e para geração e/ou cogeração de energia elétrica.

Segundo Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa, professor e doutor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas (Ridesa), a cana energia pode ser dividida em duas categorias:

- Cana Tipo I: com médio nível de açúcar (acima de 12% de sacarose) e alto teor de fibra (acima de 18%);

- Cana Tipo II: com baixíssimo nível de açúcar (sacarose menor que 6%) e elevado nível de fibra (acima de 28%).

Uma das maiores vantagens destas variedades, segundo Bressiani, é que elas podem ser plantadas em áreas com baixa aptidão agrícola, ou seja, com limitações hídricas e de nutrientes, o que permite a exploração de regiões desfavorecidas e o aumento da produtividade por hectare. “O potencial para esta variedade é enorme, porque só o Brasil tem 32 milhões de ha de pastagens degradadas que podem ser ocupadas com cana energia, mais do que toda a área agricultável da Europa.”

Para usinas, o interesse é geralmente pelo bagaço para cogeração, mas do seu caldo se pode ainda fazer etanol. Aquelas que não têm mais área de expansão podem, na mesma área, produzir mais do que o dobro de cana ou dispensar as áreas mais distantes, diminuindo assim o seu custo de logística. Já aquelas unidades que não têm matéria-prima suficiente, a cana energia pode rapidamente supri-la, pois a partir de um pequeno viveiro se pode fazer grandes áreas. Isto porque, segundo Rubio, enquanto na cana tradicional a razão de multiplicação é de 1:10 (ou 1:5 no plantio mecanizado), na cana energia é de 1:30, às vezes até mais. Além disso, a muda brota melhor, uma vantagem especialmente observada em condições impróprias para a brotação (seca, frio etc).

“Para as empresas que estão surgindo para produzir etanol 2G, a cana energia se presta muito bem para tal, além de ainda permitir a produção de etanol 1G a partir do seu caldo. Empresas que estão surgindo para a produção de etanol de milho estão considerando vantajosa uma destilaria flex que produza etanol também de cana energia, pois assim têm bagaço suficiente como fonte de energia de que necessitam. Já as indústrias do ramo de metalurgia, cimento, etc estão desenvolvendo projetos para uso do bagaço de cana energia em substituição às fontes atualmente em uso, seja de outra biomassa (eucalipto), coque ou óleo”, destaca Rubio.

Além disso, o setor historicamente apresenta instabilidade, ou seja, tem momentos de alto e baixo em termos financeiros, seja pelo preço dos produtos finais (açúcar, etanol e eletricidade), seja pela baixa produtividade dos canaviais devido a fatores climáticos. Outros fatores que tem pesado muito atualmente são os altos custos de produção e de logística de entrega da matéria-prima na esteira. Estes altos custos só podem ser anulados com a produtividade elevada dos canaviais, mas, segundo o diretor-presidente da Vignis, a cana tradicional não consegue entregar essa alta produtividade, porque o potencial genético chegou ao limite e, apesar das novas variedades serem importantes, elas somente substituem outras que apresentam problemas, mas não conseguem dar ganhos substanciais de produtividade.

“Isso é genético, resultado de um parâmetro básico estabelecido pelo setor que é um baixo teor de fibra. Isso torna as variedades pouco resilientes, ou seja, que não suportam estresses, como é o caso da colheita mecanizada. Com isso, o canavial fica falhado e, com a compactação do solo, o crescimento é reduzido. Juntando-se a isso com um evento climático desfavorável, é inevitável uma queda significativa de produtividade, como ocorreu nas safras de 2011 a 2013. Para romper esse círculo vicioso, só mesmo aumentando o teor de fibra. É o que faz a cana energia que, além disso, apresenta vigor de híbrido (razão da alta produtividade) e maior estabilidade (resiliência) devido ao seu vigoroso sistema radicular e presença de rizomas”, acrescenta.

 

DESEVOLVIMENTOS DO MERCADO

A Vignis tem oito variedades para comercialização. Cada uma delas com suas particularidades e potenciais produtivos que variam de acordo com as regiões onde se situam as lavouras comerciais da empresa. “As canas da Vignis são de alta produtividade agrícola, com teor de fibra na faixa de 20 +- 2% e açúcar de 10 +- 2%. O foco é basicamente maior produção de fibra (bagaço) e açúcar por hectare, ou seja, em última instância, maior retorno financeiro e maior previsibilidade da produção”, afirma Rubio.

Os resultados dos plantios veem confirmando a expectativa da Vignis. Nas condições de cada região, a cana energia vem produzindo pelo menos o dobro ou as vezes o triplo que a cana tradicional produz naquele local em termos de biomassa total. Assim, em termos de ATR por área, a sua produção é maior. A grande vantagem é que a sobra de bagaço é pelo menos 10 vezes maior. “Quando pensamos no grande desafio de sustentabilidade do setor que é um melhor uso do seu ativo de terras, ficamos muito felizes com os resultados que temos alcançado até agora”, destaca Rubio.

A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com  teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa.A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa.

A Vignis tem 10 mil ha plantados com cana energia, distribuídos em vários estados brasileiros como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, além disso tem alguns projetos sendo discutidos para implementação em Tocantins, Maranhão e Rio de Janeiro. A empresa inclusive tem um contrato de fornecimento de cana energia para a Raízen, que na próxima safra deve ser de aproximadamente 500 mil t, podendo chegar a 1 milhão de t na safra de 2018/19.

“Todos os nossos projetos, sejam eles no setor sucroenergético ou em outros setores da indústria, são realizados com um contrato de longo prazo. Assim, nós fornecemos o produto, ou seja, no setor sucroenergético fornecemos cana na esteira da usina, e nos projetos com outros setores da indústria, fornecemos biomassa (bagaço), que é processada em nossas indústrias. Em todos os projetos, nós somos os proprietários do canavial e não licenciamos variedades”, explica Rubio.

Geraldo Veríssimo de Souza Barbosa, professor e doutor do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Alagoas, revela que a Ridesa desenvolve a cana energia Tipo I, voltada para atender empresas do setor sucroenergético que estão investindo na produção de etanol de segunda geração e no aumento da cogeração de eletricidade, e a Tipo II, procurada por empresas que desejam produzir e fornecer biomassa para a geração de eletricidade. As variedades devem ser liberadas em 2018.

“Temos clones nas diversas fases do melhoramento (seleção e experimentação). São cinco séries RB que vem sendo testadas em vários estados nas áreas de abrangência das universidades federais da Ridesa. Os resultados denotam superioridade em relação as variedades padrões de cana-de-açúcar convencional como, por exemplo, maior rendimento por área, quando soma produção de açúcar mais produção de fibra, maior resistência a pragas e maior longevidade do canavial (maior número de colheitas).”

Como o foco do programa de melhoramento da GranBio consiste, desde o início, em chegar a uma variedade rica em biomassa, buscou-se nos bancos do IAC e Ridesa, espécies ancestrais da cana-de-açúcar que originalmente são constituídas por mais fibra do que açúcar. Características de resposta a estresses típicos da agricultura, como o ataque de pragas e doenças, seca e salinidade também foram buscadas nos bancos de germoplasma.

O resultado disso, segundo Bressani, é uma cana que se destaca-se pelo potencial de produção de biomassa, alto teor de fibras e intermediária concentração de açúcares no caldo. Suas principais características são robustez, presença de rizomas radiculares, alta capacidade de perfilhamento e excelente brotação de soqueira. Por conta do reduzido teor de açúcares solúveis e maior conteúdo de fibras, as variedades Vertix também apresentam índice reduzido de ataque de pragas. Devido a estas características, a Cana Vertix pode ser utilizada tanto em projetos focados em geração de energia elétrica como também em modelos mistos de produção de etanol (1G e 2G) e energia.

“Os testes iniciais foram realizados no Estado de Alagoas, mas temos também plantações experimentais em cinco estados das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, com características de clima e solo distintas. Até o momento, já validamos a utilização da cana energia para o processamento em usina de primeira geração, com posterior destino do caldo para fermentação e produção do etanol e do bagaço para a queima em caldeira e produção de vapor e energia elétrica. Também já destinamos a cana energia colhida de forma integral com forrageiras para queima direta em caldeira, com e sem secagem prévia. Em ambos os casos, os resultados foram promissores e confirmam nossa recomendação de uso da cana energia para as usinas 1G e também para o uso direto como fonte de biomassa para a geração e/ou cogeração de energia, além da utilização em projetos de segunda geração (biocombustíveis e bioquímicos)”, conta Bressani.

A produtividade das primeiras variedades Vertix alcançaram entre 180 e 200 t/ha, na média dos dois primeiros cortes, com  teor de fibras em torno de 25% e conteúdo de açúcares entre 75 e 85 kg/t de biomassa. Outros experimentos que avaliaram o ataque de broca comum e broca gigante tiveram intensidade de infestação significativamente inferior nas variedades Vertix quando comparadas a variedades comerciais de cana-de-açúcar. Tais características, de acordo com o diretor de Tecnologia Agrícola da Granbio, têm impacto direto no custo de produção e torna os projetos que venham a utilizá-la mais competitivos.

No fim de março deste ano, a GranBio lançou suas primeiras variedades comerciais da Cana Vertix, já registradas no Ministério da Agricultura e em fase de comercialização no mercado. A expectativa é que a utilização das variedades se dê tanto em projetos industriais de produção de etanol e/ou eletricidade, como também em substituição a outras biomassas em indústrias intensivas em energia elétrica. Isso porque o custo de produção da cana energia é muito competitivo quando comparados com outras fontes de biomassa.

 “As expectativas são as melhores possíveis. Trata-se de uma solução inédita que, por suas características, pode tornar mais competitivos os projetos que venham a utilizá-la como matéria-prima e, assim, impulsionar o setor. O alto teor de biomassa por hectare associado à concentração flexível de açúcares no colmo representa uma oportunidade importante para o setor, que terá mais flexibilidade para se adaptar às constantes flutuações de preço dos produtos etanol, açúcar e energia”, conclui Bressani.

O alto teor de biomassa associado à concentração variável de açúcares destas variedades, podem dar maior flexibilidade ao setor diante das constantes flutuações de preço dos seus produtos

 
 

 

 

 

 DROPES

CTNBIO VAI ANALISAR PEDIDO DE LIBERAÇÃO DE CANA TRANSGÊNICA

A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) realizou, em outubro, uma audiência pública com a presença da sociedade civil para subsidiar a análise do primeiro pedido de liberação comercial de cana-de-açúcar geneticamente modificada. O processo é uma demanda do CTC (Centro de Tecnologia Canavieiro), que desenvolveu uma variedade da planta resistente à broca.

O CTC protocolou em 27 de dezembro de 2015 o pedido de liberação comercial que desencadeou a audiência pública. O processo em torno da cana-de-açúcar resistente à broca aguarda deliberação das subcomissões setoriais ambiental, animal, vegetal e de saúde humana da CTNBio. Segundo o presidente da CTNBio, Edivaldo Velini, em duas décadas de existência, a comissão elaborou relatórios acerca de 74 pleitos de Liberação Planejada no Meio Ambiente (LPMA) de cana-de-açúcar transgênica. “Tivemos um fluxo maior até 2010, seguido de uma breve interrupção e uma retomada desses trabalhos a partir de 2014”, disse Velini, acrescentando que processos de pelo menos sete empresas, além da CTC, já foram analisados.

UNICA FÓRUM 2016 TERÁ APOIO DO GOVERNO DOS EUA

O USDA, sigla em inglês para Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, será um dos apoiadores oficiais do Unica Fórum 2016, que acontece no dia 28 de novembro deste ano, em São Paulo. Promovido pela Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), o inédito seminário vai reunir autoridades governamentais, renomados especialistas, empresários e executivos do setor sucroenergético para debater o papel dos produtos e energias renováveis que vem da cana-de-açúcar e milho na matriz energética.

Responsável pelo desenvolvimento e execução de políticas que impactam o mercado americano e global de etanol e outras commodities, o USDA mantém 93 escritórios, cobrindo 171 países. Três desses escritórios estão no Brasil. “Como maiores produtores de etanol, os EUA e o Brasil têm um papel importante no mercado mundial. Nós do USDA estamos animados em participar deste importante fórum e agradecidos em apoiar a Unica neste evento”, afirma Chanda Berk, presidente do consulado geral dos Estados Unidos no Brasil.

ANDRÉ ROCHA É O NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA SETORIAL DO AÇÚCAR E DO ÁLCOOL

Em eleição ocorrida na primeira semana de outubro, durante reunião em Brasília, DF, a Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, órgão ligado ao Ministério da Agricultura, definiu seu novo presidente para o biênio 2017/18. O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, deve tomar posse como presidente na Câmara ainda em 2016. Ele substitui Ismael Perina Júnior, que presidiu a Câmara nos últimos dois anos.

Pelas regras adotadas pelos membros da Câmara Setorial, a presidência é alternada, a cada dois anos, por representantes dos dois principais elos que a compõem: fornecedores de cana e representantes das usinas. A Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool foi instalada em 26 de maio de 2003 pelo então Ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, tendo como missão atuar como foro consultivo na identificação de oportunidades ao desenvolvimento das cadeias produtivas, articulando agentes públicos e privados, definindo ações prioritárias de interesse comum, visando a atuação sistêmica e integrada dos diferentes segmentos produtivos.

PRODUÇÃO DE AÇÚCAR DA TAILÂNDIA EM 2016/17 DEVE CAIR 3,2% POR SECA

A produção de cana-de-açúcar da Tailândia no ano-safra 2016/17 deverá cair 3,2% devido a uma ampla seca registrada no país, o que irá reduzir também a produção de açúcar refinado. A Tailândia, segundo maior exportador de açúcar do mundo, passou pela maior seca em mais de duas décadas devido ao fenômeno climático El Niño, que impactou a produtividade de diversos cultivos ao levar um calor escaldante a todo o Sudeste Asiático.

A Tailândia espera colher 91 milhões de t de cana em 2016/17, abaixo dos 94,05 milhões de t em 2015/16, disse o secretário-geral do Conselho de Cana e Açúcar, Somsak Jantararoungtong. “Isso deve se traduzir em entre 9,3 milhões e 9,4 milhões de t de açúcar refinado no próximo ano, ante entre 9,6 milhões e 9,7 milhões neste ano”, disse Somsak. A produção de cana da Tailândia tem caído desde que o país colheu 105,96 milhões de t em 2014/15. A queda nos níveis de produção do país e da Índia contribuiu para previsões de um maior déficit no mercado global de açúcar neste ano, o que levou os preços internacionais da commodity.

GOIáS DEVERÁ TER QUEBRA DE 13% NA SAFRA

A safrav2016/17 em Goiás, segundo maior produtor de cana do País, deverá ter quebra de 13%, segundo avaliações do Sifaeg e do Sifaçúcar, sindicatos que representam o setor produtivo local. O Estado foi um dos mais afetados pelas adversidades climáticas neste ano, em especial a estiagem. Em outras localidades do País, como São Paulo e Paraná, a redução de produção será da ordem de 4%. A temporada em Goiás registrará a chamada “morte súbita”, fenômeno no qual, por falta de chuvas, a cana para de se desenvolver e tem de ser colhida precocemente, tendo como consequência perda de rendimento na indústria.

O presidente-executivo do Sifaeg/Sifaçúcar e também do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, afirmou que, além dos impactos do clima desfavorável, o Estado terá, como reflexo da crise, mais usinas entrando em recuperação judicial. O número subiu de cinco, no início do ano, para dez empresas nesta condição. Em 2015, até o fim da primeira quinzena de outubro, duas usinas haviam parado a moagem. Nesta safra, já são 12 unidades que encerraram a produção. No total, 60% das usinas terão encerrado a safra até o fim deste mês. A expectativa é de que o ciclo praticamente se encerre em novembro. Apenas duas das 36 unidades em operação em Goiás vão produzir em dezembro.

 FORA DO EXPEDIENTE

A

A história da produção de cerveja no Brasil começa por volta do século XIX, ou seja, há pouco menos de 200 anos. Apesar de estarmos atrás de alguns países como a Alemanha, Bélgica e Irlanda, onde a produção de cerveja é tradição há quase10 mil anos, estamos chegando lá. E bem rápido. Hoje somos o terceiro maior produtor do mundo. São 50 fábricas, entre grandes e microcervejarias, que são responsáveis pela produção de 14,1 bilhões de l de cerveja por ano, segundo os últimos dados da CervBrasil (Associação Brasileira da Indústria da Cerveja) de 2016.

Um dos motivos pela demora na popularização desta bebida em nosso país foi Portugal, que na época em que ainda colonizava o Brasil, dava preferência a importação do vinho português ao invés de incentivar a produção da cerveja. Influenciados por isso, o vinho e a cachaça acabaram se tornando as bebidas preferidas dos brasileiros até o final do século XIX. Isso mudou a partir de 1836, quando a primeira indústria cervejeira abriu suas portas no Rio de Janeiro. Na época, a bebida foi anunciada da seguinte forma: “Na rua Matacavalos, número 90, e rua Direita, número 86, da Cervejaria Brasileira vende-se cerveja, bebida acolhida favoravelmente e muito procurada. Esta saudável bebida reúne a barateza, um sabor agradável e à propriedade de conservar-se por muito tempo”.

Daí em diante a evolução foi rápida. Prova disto é que em pouco tempo chegamos a um mercado maduro e que continua em expansão. Temos grandes marcas comerciais, presença cada vez maior de cervejas especiais e também uma boa gama de cervejas artesanais. Hoje, mesmo com apenas quatro fabricantes de cerveja sendo responsáveis por 96% do mercado nacional, as cervejarias menores ou artesanais vêm apresentando crescimento anual entre 30% e 40%, conquistando cada vez mais uma fatia importante do consumidor brasileiro.

Com uma infinita variedade de maltes, cevadas, trigos e outros ingredientes, as mais diferenciadas do mercado atraem os mais diferentes paladares. Notas de jasmin, wasabi, chocolate e frutas são alguns dos aromas adicionados a estas novas receitas. São estes pequenos detalhes e cuidados que fazem da cerveja a nova “paixão nacional”. Pensando nisso, a RPAnews traz para você os dez rótulos nacionais mais premiados da atualidade de acordo com o ranking da BeerArt, que foi produzido através do resultado de um cruzamento de medalhas concedidas nos principais concursos cervejeiros realizados em 2016. Nesteranking geral estão as grandes e as pequenas cervejarias.

São chamadas de cervejas artesanais aquelas produzidas quase que de forma caseira. Várias microcervejarias, mesmo utilizando equipamentos modernos e engarrafando suas produções, são consideradas como artesanais pelo simples fato do cuidado que se têm em sua produção, indo desde os ingredientes básicos da cerveja, passando pela receita de preparo e chegando até aos conservantes finais, que devem ser naturais e não químicos. Já outras microcervejarias ou cervejarias caseiras, levam o significado ao pé da letra e utilizam equipamentos pequenos, que cabem em qualquer cozinha. Normalmente, elas não possuem engarrafadoras e guardam suas produções em garrafas de cerveja comum e rolhas.

Com a popularização das cervejas artesanais, surgiram muitos concursos com a intenção de premiar as melhores criações. Entre os campeonatos mais importantes do mundo, podemos destacar o European Beer Star, realizado na Alemanha, a World Beer Cup, nos Estados Unidos, World Beer Awards, realizado no Reino Unido, e a South Beer Cup, que acontece na América do Sul. No Brasil, um dos mais conhecidos é o Festival Brasileiro de Cerveja, que acontece anualmente na cidade de Blumenau, SC.

 

AS 10 CERVEJAS MAIS PREMIADAS DE 2016 BAMBERG ALTBIER

 
BAMBERG ALTBIER

Estilo: German-style Altbier

Cervejaria: Bamberg (Votorantim, SP)

Teor alcoólico: 5%

Características: notas de frutas vermelhas, floral e caramelo. Coloração marrom avermelhada cristalina, com espuma persistente. Presença de um frutado sutil, toffee e caramelo, amargor marcante do lúpulo, final seco.

Último prêmio: medalha de ouro na etapa Brasil World Beer Awards 2016

GUANABARA WOOD AGED / ITHACA

Estilo: Wood and Barrel Aged

Cervejaria: Colorado (Ribeirão Preto, SP)

Teor alcoólico: 10,5%

Características: é a Colorado Ithaca produzida para o mercado norte-americano, com a diferença que é envelhecida em barris de Amburana. Feita com uma mistura de maltes importados, lúpulo e rapadura queimada.

Último prêmio: medalha de ouro na International Beer Challenge 2016

HAUSEN DUNKEL

Estilo: German-style Schwarzbier

Cervejaria: Hausen Bier (Araras, SP)

Teor alcoólico: 4,7%

Características: encorpada, de coloração escura (é uma schwarzbier) e levemente lupulada, com espuma densa e final seco. Os maltes torrados especiais remetem a caramelo, chocolate e café.

Último prêmio: medalha de ouro & melhor lager do mundo no World Beer Awards 2016

EISENBAHN WEIZENBOCK

Estilo: South German-style Weizenbock

Cervejaria: Eisenbahn (Blumenau, SC)/Grupo Brasil Kirin

Teor alcoólico: 8%

Características: é uma mescla dos estilos Weizen e Bock. Usa seis tipos de malte. É escura, feita de trigo e não filtrada. Com aroma frutado e de especiarias, tem baixo amargor e corpo alto. Apresenta notas de torrefação, banana e cravo.

Último prêmio: medalha de ouro e melhor do mundo na sua categoria no World Beer Awards 2016

WÄLS PETROLEUM

Estilo: American-style Imperial Stout

Cervejaria: Wäls (Belo Horizonte, MG)

Teor alcoólico: 12%

Características: produzida com diversos tipos de grãos escuros, corpo aveludado, licoroso e denso. Aromas complexos de chocolate belga, café, toffee e caramelo. Maturada com cacau extra bruto/torrado belga.

Último prêmio: medalha de ouro na International Beer Challenge 2016

BIER HOFF PILSNER

Estilo: Bohemian-style Pilsener

Cervejaria: Bier Hoff (Curitiba, PR)

Teor alcoólico: 5%

Características: carrega um rico aroma floral, mantendo o equilíbrio entre o sabor herbáceo, o seco do lúpulo e a doçura da cevada.

Último prêmio: medalha de ouro e melhor cerveja brasileira na Copa Cervezas de América 2016

BIERLAND BOCK

Estilo: Traditional German-style Bock

Cervejaria: Bierland (Blumenau, SC)

Teor alcoólico: 7%

Características: apresenta cor marrom avermelhada, resultado de um blend de cinco tipos de malte de cevada. Dois tipos de lúpulo são utilizados. Nuances de caramelo, chocolate e leve torrefação.

Último prêmio: medalha de ouro no Festival Brasileiro da Cerveja de 2016

BAMBERG MAIBAUM

Estilo: German-style Heller Bock/Maibock

Cervejaria: Bamberg (Votorantim, SP)

Teor alcoólico: 6,5%

Características: encorpada, apresenta coloração laranja, cristalina, espuma com boa formação e boa persistência.

Último prêmio: medalha de ouro na International Beer Challenge 2016

URWALD EXPORT

Estilo: German Dortmunder/Export

Cervejaria: Urwald (São Vendelino, RS)

Teor alcoólico: 5%

Características: Cerveja de coloração dourado intenso, sabor refrescante e equilibrado entre o malte e o lúpulo.

Último prêmio: medalha de ouro na South Beer Cup 2016

BLUMENAU FRIDA BLOND ALE

Estilo: Belgian-style Blonde Ale

Cervejaria: Cerveja Blumenau (Blumenau, SC)

Teor alcoólico: 7%

Características: de cor amarela profundo, essa blond-ale tem em seu aroma notas frutadas e condimentadas, que faz lembrar o cravo. O sabor inicial é adocicado e maltado, e ao final um leve amargor com um final seco.

Último prêmio: medalha de ouro na South Beer Cup 2016

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 EXECUTIVO

 

Paulo Roberto Artioli

Naturalidade - Macatuba, SP

Formação - Engenheiro agrônomo pela Fundação Pinhalense de Ensino

Cargo - Produtor rural

Hobbies - Estar com a família, os amigos e praticar esportes náuticos

Filosofia de vida  - “Amar o próximo e fazer tudo com amor e competência. ”

 

Natália Cheruin

“Amor pela terra”. Essa frase define bem o executivo deste mês, um dos produtores de cana mais conhecidos do setor canavieiro. Betão, como é mais chamado pelos colegas, Paulo Roberto Artioli, construiu, junto com outras duas famílias produtoras de cana, a Tecnocana, uma das principais empresas produtoras e fornecedoras de cana-de-açúcar do Grupo Zilor.
Sua paixão pelo agronegócio começou bem cedo. Ele conta que os pais, Elpídeo e Mariza, logo perceberam sua forte ligação com a terra, transmitida pela convivência com os avós, produtores de café. “Lembro-me que na fazenda costumava brincar e aprender a fazer as mudas de café nos viveiros. Com isso meu amor pela terra só cresceu!”

Ao lado da esposa, Izabel, em uma de suas viagensAo lado da esposa, Izabel, em uma de suas viagens

Após concluir o ensino primário em sua cidade natal, Macatuba, SP, Betão viajava com minha mãe todos os dias para Lençóis Paulista, SP,  onde começou a estudar na mesma escola onde sua mãe trabalhava. “Completando o ginásio, fiz os dois primeiros anos do colegial em São Paulo, no colégio Objetivo, e o terceiro ano e cursinho preparatório para vestibular conclui na cidade de Piracicaba, SP.”
Após dedicar-se aos estudos, Betão passou em Engenharia Agronômica na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (ENA), na modalidade Mecanização Agrícola, mas acabou transferindo seu curso para Espírito Santo do Pinhal, SP, onde estudou na Fundação Pinhalense de Ensino e formou-se na modalidade Fitotecnia. Ao terminar a graduação, seu pai sugeriu que ele fosse trabalhar como gerente na empresa Disimag, a qual era acionista.
“A Disimag era uma distribuidora de máquinas e implementos agrícolas da marca Massey Ferguson. Entrei para gerenciar a revenda da cidade de Bauru, SP, onde atendia oito municípios. Mesmo assim, me mantive sempre em contato com o campo. Com esta gestão adquiri experiência e maturidade para, em 1990, gerir as fazendas de minha família, que já tinha como cultura principal a cana-de-açúcar. Tocávamos as lavouras de cana desde o plantio até a colheita, fornecendo o produto para a Usina São José, do grupo Zilo Lorenzeti, em Macatuba, assim como tínhamos uma estrutura de prestação de serviços de corte, carregamento e transporte, que também atendia parentes e vizinhos produtores. Como já éramos fornecedores tradicionais do grupo acabei sendo convidado para uma nova parceria agrícola”, revela Betão.
O Grupo Zilo Lorenzeti ofereceu uma área de 3.490 ha, onde Betão e a família fariam o plantio e o fornecimento de cana à unidade. Na época foi um enorme desafio, segundo ele, pois as regiões dos municípios de Borebi e Agudos, SP, possuem ambientes de produção muito restritivos, como solos arenosos. Acostumado com ambientes de solos argilosos e preocupado com a distância e o tamanho da área oferecida, Betão então propôs ao grupo dividir as terras com outras duas famílias, também fornecedores tradicionais do Zilor.
“O grupo aceitou a proposta da divisão das terras e analisamos as estruturas. Foi aí que decidimos fazer uma sociedade. Em 2000 nascia a Tecnocana, uma empresa composta pela fusão de três famílias e que, além de fornecer cana para a usina, também prestava serviços de corte, carregamento e transporte para os sócios em suas terras particulares. Desde então, a Tecnocana cresceu progressivamente com muito esforço e dedicação e acabou conquistando a confiança da Zilor, que nos ofereceu mais terras para trabalharmos em parceria. Outras empresas foram convidadas para trabalhar dentro do mesmo modelo de parceria com o Grupo Zilor, e, em 2008, com o ‘boom’ da cana-de-açúcar, vieram as expansões de áreas. Foi quando nos ofereceram mais terras”, acrescenta.
Hoje a Tecnocana possui uma área de aproximadamente 12.740 ha, localizados nos municípios de Macatuba, Lençóis Paulista, Agudos e Borebi, entregando cana para a Usina São José (Macatuba) e a Usina Barra Grande (Lençóis Paulista). A parte agrícola das Usinas São José e Barra Grande hoje é totalmente delegada às 26 empresas parceiras. Nesta safra 2016/17 a Tecnocana entregará cerca de 800 mil t de cana-de açúcar para o grupo.

 

EM BUSCA DA CANA DE TRÊS DÍGITOS
Ao lado da esposa e da enteada, suas companheiras de viagemAo lado da esposa e da enteada, suas companheiras de viagem

Com o fim das queimadas, o setor sucroenergético enfrentou os grandes desafios impostos pela mecanização. A Tecnocana, assim como muitas outras empresas do setor, precisou correr atrás de novas tecnologias, sem deixar de lado a busca pela maior produtividade. Segundo Betão, este período envolveu grandes investimentos e a organização de novos modelos de trabalho para que fosse possível atingir os objetivos da empresa.
Com isso, a Tecnocana investiu em agricultura de precisão com a incorporação do piloto automático nas máquinas envolvidas nos processos de plantio e colheita, e sistemas de aplicação em taxa variável nos implementos de corretivos e adubos; preparo do solo profundo, a fim de melhorar o enraizamento e mudança nos traçados, que foram também melhorados para melhor rendimento das colhedoras (em alguns lotes foram realizadas as sistematizações); resgate da sanidade das mudas, utilizando na maioria dos viveiros as mudas pré-brotadas; mudança no espaçamento de 1,10 m para 0,90 x 1,50 m, que proporcionou um melhor rendimento das máquinas, melhor controle de trafego, respeitando as linhas de cana e acabando com a compactação na linha de cana; nutrição de solo com a utilização de adubos organominerais, que ajudam a melhorar a matéria orgânica do solo, que é baixa; e recolhimento e enfardamento de palha, realizado em algumas áreas para a produção de energia, e recolhimento parcial da palha, que também contribui para a melhor brotação da socaria.
“A partir deste ano nas áreas de renovações, além do amendoim e clotalária, que já costumávamos cultivar, vamos iniciar o plantio de soja em aproximadamente 700 ha. Com a rotação desta cultura vamos obter maior controle das pragas, que aumentaram com o fim da queima da cana (o vazio sanitário da cana). Além da matéria orgânica deixada pela soja, o valor do produto no mercado está promissor para os próximos anos, nos proporcionando ganho financeiro.  Todo o custo destes investimentos em novas tecnologias de mudanças aos poucos está nos trazendo benefícios, ou seja, estamos baixando nosso custo de produção conforme aumentamos a produção”, destaca.  
Apesar de estar colhendo bons frutos agora, Betão afirma que não foi nada fácil ultrapassar as dificuldades dos últimos quatro anos, proporcionadas pela falta de incentivo do governo e aos altos investimentos realizados pela empresa em novas tecnologias. No entanto, este ano, com os preços melhores e as boas perspectivas para o mercado de açúcar, mais a esperança de mudanças governamentais, ele acredita na retomada do setor. “Ainda assim teremos que enfrentar a quebra de produtividade causada pelo clima neste ano. Teremos que ser cautelosos, pois a sequela das dívidas causadas pelo alto investimento e pelo não apoio governamental levarão anos para se equilibrarem”, adiciona.

 

PECUÁRIA DE CORTE
Há 10 anos, a Tecnocana abriu uma sede no Mato Grosso do Sul para desenvolver a pecuária de corte, uma outra paixão de BetãoHá 10 anos, a Tecnocana abriu uma sede no Mato Grosso do Sul para desenvolver a pecuária de corte, uma outra paixão de Betão

Visando diversificar suas atividades a Tecnocana, com sede também em Mato Grosso Sul, investe na pecuária de corte há dez anos, na modalidade de cria, onde comercializa os bezerros machos, utilizando as fêmeas para reposição de matrizes e também para engorda e abate. Segundo Betão, a empresa faz uma pecuária de corte diferenciada, pois se preocupa muito com a genética e a alimentação de seus animais. “Comercializamos os bezerros machos com média de idade de oito meses e peso aproximado de 300 kg na desmama, proporcionando aos compradores maior retorno na hora do abate precoce, trazendo maior lucratividade.”
Segundo Betão, a empresa está muito otimista com os investimentos que vem fazendo neste segmento, pois a exportação da carne bovina está cada vez mais sólida com a liberação das barreiras sanitárias dos países. No entanto, o produtor destaca a importância da conscientização a respeito das normas de exportação, pois os países importadores com certeza vão cobrar não só a sanidade dos rebanhos como também um melhor meio ambiente dos criadouros.
“Como um apaixonado pela agropecuária, sou otimista em relação ao crescimento e desenvolvimento do setor. Mesmo com toda a crise que enfrentamos, o agronegócio se manteve firme, sendo a única balança comercial positiva. O mundo vê nosso país como o celeiro mundial da alimentação e esperam sempre melhores resultados de nossas produções. O clima brasileiro nos proporciona 12 meses agricultáveis, ou seja, possuímos extensão territorial, clima, solo, tecnologia e mão de obra, que nos leva a ser um país diferenciado e capaz de oferecer alimentos de qualidade superior, sustentando realmente grande parte da alimentação mundial”, destaca.

 

VIAJANTE
Betão comemorando o aniversário da enteada, Izadora, junto da esposa IzabelBetão comemorando o aniversário da enteada, Izadora, junto da esposa Izabel

Com uma vida muito agitada e cheia de viagens, Betão tenta manter uma rotina mais ou menos normal. Ele reside em Bauru com a esposa e enteada, mas se desloca todos os dias para a Tecnocana de Macatuba.
Como gosta muito de se reciclar e repassar o conhecimento que adquire em sua vida profissional com os demais, ele participa de muitos congressos, encontros e seminários nacionais e internacionais, tanto do setor agrícola quanto pecuário. Uma vez ao mês ele vai ao Mato Grosso do Sul administrar a sede que cuida da pecuária, setor pelo o qual Betão tem se encantado cada vez mais. “Fiquei tão encantado que motivei meus sócios a fazer o investimento“, revela. Para se ter uma ideia, ele nos concedeu a entrevista e alguns dias depois estava voando para o Texas, nos Estados Unidos, onde foi visitar diversos centros de pesquisa e produção de gado de corte. “A tecnologia norte-americana me atrai para viagens de lazer, mas principalmente de negócios. Vou sempre que posso para conhecer as novas tendências. Aprecio muito o futuro.”
Além de viajar a negócios, Betão conta que adora planejar viagens com a família, com os quais já visitou a maioria dos países da Europa, América do Sul, América do Norte e Central. “Apesar de já ter conhecido tantos lugares, sempre que posso volto aos EUA, Itália e Argentina, onde eu e minha família vamos com frequência para curtir a gastronomia e a cultura destes lugares. Minha outra paixão são os esportes náuticos. Amo navegar quando tenho tempo.”
Quem conhece o Betão pessoalmente logo percebe que ele é uma pessoa bastante generosa e competente. Talvez seja porque ele siga à risca a sua filosofia de vida: amar ao próximo e fazer tudo com muito amor e competência.
“Amo estar com minha família, amigos e ser útil a quem precisa. Procuro fazer tudo com amor e competência. Profissionalmente, gosto de inovar e enfrentar desafios, dando sempre o meu melhor. Meu sonho é ver o mundo mais humanizado e justo, onde as pessoas trabalhem em prol da humanidade e não somente visando interesses pessoais e materiais. O maior aprendizado que tive no âmbito profissional nos últimos anos foi obter mais conhecimento, seja participando de seminários, congressos ou mesmo no relacionamento com pessoas competentes do agronegócio. No âmbito pessoal tenho amadurecido e compreendido melhor as necessidades das pessoas”, conclui. 

 POR DENTRO DA USINA

Natália Cherubin

SVAA FAZ CAMAPANHA DE CONSCIENTIZAÇÃO NO TRÂNSITO
De 19 a 23 de setembro, a Santa Vitória Açúcar e Álcool (SVAA) realizou a campanha da Semana do Trânsito com o tema “Seja um bom exemplo no trânsito”. Durante esse período foram distribuídos brindes e materiais explicativos com dicas para um trânsito mais seguro. A campanha abrangeu o público interno da SVAA e as comunidades de Santa Vitória, Ipiaçu e Gurinhatã, MG.

O objetivo da ação é sensibilizar os condutores sobre a direção segura e conscientizá-los de seu papel como influenciadores de futuros motoristas. Além da responsabilidade de manter o tráfego de veículos seguro, evitando acidentes, o motorista é exemplo para seus filhos e demais crianças e adolescentes, que em breve exercerão o mesmo papel.

Todos os anos, durante o mesmo período, a SVAA realiza ações em prol de mais segurança no trânsito. Em 2016 não foi diferente. Escolas da rede pública e privada de ensino de Santa Vitória, Gurinhatã e Ipiaçu receberam uma equipe da empresa para divulgação da campanha. Alunos de diversas faixas etárias participaram com o intuito de estender os ensinamentos recebidos aos pais e familiares.

 
 
 
ALCOESTE PROMOVE PROJETO DE REFLORESTAMENTO

A Destilaria Alcoeste, localizada em Fernandópolis, SP, promove desde 2006 o Projeto Vida Ribeirão Santa Rita, que tem como objetivo preservar a mata ciliar desse importante rio para a região. A 9ª edição do projeto, realizada na última semana de setembro, contou com a participação de mais de 200 crianças de sete escolas do município, que juntas plantaram cerca de 2 mil mudas de árvores nativas.

O diretor-presidente da Destilaria Alcoeste, Luiz Antônio Arakaki, afirmou sobre a importância de cuidar dessa área e preservar a nascente do rio, além de ter a empresa engajada em projetos ambientais. “A nossa intenção é que isso se repita ao longo dos anos. Quem dera chegarmos à 100ª edição”, estima Arakaki. Até o final do ano, serão mais de 10 mil mudas, completando 90 mil mudas pelo projeto. Após o plantio, a equipe de reflorestamento do grupo fornece todos os tratos culturais para as mudas. Além deste programa, o Grupo Arakaki desenvolve outras ações de preservação e tem cerca de 70 ha de áreas reflorestadas.

SÃO MARTINHO AMPLIARÁ MOAGEM DE CANA E PRODUÇÃO DE AÇÚCAR

A São Martinho informou que seu Conselho de Administração aprovou planos de ampliar a moagem de cana e a produção de açúcar na safra 2017/18. A Usina Santa Cruz, SP, vai elevar a capacidade de moagem para 5,6 milhões de t em 2017, ante 5,2 milhões de t neste ano e vai aumentar a capacidade de produção de açúcar para 434 mil t na próxima temporada, ante 353 mil t na atual safra, reduzindo a produção de etanol para 185 milhões de l, ante 200 milhões de l.

RAÍZEN FAZ PARCERIA COM STARTUP PARA ANTECIPAR PROJEÇÃO DE SAFRA DE CANA

A Raízen fechou uma parceria com a startup brasileira de inteligência artificial Space Time Analytics para o uso de uma tecnologia que deverá permitir fazer a previsão, com até um ano de antecedência, da capacidade de produção da safra de cana-de-açúcar em todas as suas 24 unidades. A Raízen afirmou em nota que o modelo é inédito no país não só pelo formato, mas também pela escala de produção.

A previsão é que o novo sistema comece a operar nos próximos meses. Segundo a Raízen, a parceria, firmada após um ano de trabalho em conjunto, permitirá análise de dados agronômicos e meteorológicos, obtidos por meio de drones e de satélites em tempo real, visando melhorar os processos de planejamento e de gestão de riscos. A plataforma, em sua primeira versão, permitirá o gerenciamento de riscos em toda a cadeia, desde o plantio até a operação comercial.

A primeira solução da parceria estratégica, A-RowTM, automatizou a identificação de 100% das linhas de plantio da Raízen, mapeando as falhas de plantio com melhor assertividade e em uma velocidade 20 vezes maior do que as tecnologias convencionais.

CORURIPE É UMA DAS MELHORES EMPRESAS PARA SE TRABALHAR

A Usina Coruripe entrou, pela primeira vez, na lista das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil. O ranking foi produzido pela Revista Você S/A. A premiação, considerada uma das mais importantes de clima organizacional do Brasil, foi realizada na cidade de São Paulo.

Para Jucelino Sousa, presidente da Coruripe, estar inserido entre as melhores é motivo de muito orgulho. “Esse resultado é uma comprovação de que mesmo em tempos de austeridade e de muitas adversidades, quando temos um time que pratica os valores e trabalha com muita união, dedicação, comprometimento e segurança em todos os processos, é possível vencermos os desafios mantendo sempre um ótimo ambiente de trabalho”, afirmou Sousa.

No ranking da categoria agronegócio, em primeiro lugar ficou a Monsanto, seguido pela Bunge Brasil, Mosaic Fertilizantes, Usina Coruripe, Moinho Globo e Agro Amazônia Produtos Agropecuários.

 

ATUALIDADES JURÍDICAS

 
 
 

 

DIREITO CIVIL

PLANO DE RECUPERAÇÃO VALE PARA TODOS OS CREDORES

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o plano de recuperação judicial aprovado em assembleia geral de credores, em que se deliberou pela supressão das garantias reais e fidejussórias, produz efeitos plenos para todos os credores, e não apenas para os que votaram favoravelmente à sua aprovação.

Em primeira e em segunda instância, o argumento de um grupo de credores de que o plano aprovado pela assembleia deveria ter efeitos somente para quem o aprovou, no que se refere à supressão das garantias de pagamento dadas inicialmente pelas empresas, foi aceito em primeira e segunda instância No entanto, para o relator do recurso, o plano aprovado na assembleia vale para todos, uma vez que é inviável restringir os efeitos de determinadas cláusulas apenas a quem foi favorável ao plano. Ainda, o texto aprovado na assembleia deixou claro que a supressão das garantias foi uma forma encontrada para que as empresas tivessem condições de exercer suas atividades comerciais normalmente, podendo cumprir o plano de recuperação e, assim, quitar as dívidas com os credores.

Por fim, em relação ao questionamento levantado quanto à validade da interferência do Poder Judiciário em um plano de recuperação aprovado de forma autônoma por assembleia de credores, o relator destacou que, embora a restrição feita pelo TJMT à supressão de garantias tenha sido considerada indevida, isso não significa que o Judiciário não possa apreciar planos de recuperação aprovados em assembleias de credores e suas respectivas cláusulas.

DIREITO DO TRABALHO PERMANÊNCIA EM ÁREA DE RISCO POR DEZ MINUTOS DIÁRIOS NÃO DÁ ADICIONAL DE PERICULOSIDADE

A 9ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho negou provimento ao recurso de um motorista de caminhão de lixo que insistiu no pedido de adicional de periculosidade, por permanecer próximo a inflamáveis durante o abastecimento do veículo em que trabalhava. Segundo ele, “a própria perita reconheceu a permanência em área de risco durante o abastecimento do veículo, realizado, diariamente, por cerca de dez minutos”.

De acordo com a perícia, o reclamante permanecia em área de risco durante o abastecimento do veículo utilizado por ele, porém, tal fato ocorria de forma eventual, visto que, de acordo com informações do próprio reclamante, o veículo era abastecido uma vez por dia, sendo gastos dez minutos nesse abastecimento. A mesma perícia acrescentou que, pelo fato de essa exposição ser “eventual”, o reclamante não tem direito ao adicional de periculosidade.

Para o relator do acórdão, ficou comprovado pela perícia que o abastecimento do veículo era realizado por frentista. Além disso, “a permanência do empregado em área de risco por tempo extremamente reduzido – cerca de 10 minutos diários – atrai a incidência da ressalva contida na parte final da Súmula 364 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), segundo a qual o empregado não faz jus ao adicional de periculosidade”.

EMPREGADO QUE APRESENTOU CONVERSAS DE SKYPE OBTIDAS ILICITAMENTE NÃO CONSEGUE INDENIZAÇÃO POR ASSÉDIO MORAL

Um trabalhador procurou a Justiça do Trabalho pedindo que a empregadora fosse condenada ao pagamento de indenização por assédio moral alegando que, em determinado momento, os colegas teriam passado a tratá-lo com indiferença e atribuído apelidos ofensivos. Para provar o alegado, apresentou o conteúdo de conversas extraídas do Skype de uma funcionária da empresa, com registros de apelidos ultrajantes.

O pedido foi indeferido e na sentença a julgadora observou que o próprio empregado reconheceu, em depoimento, que gostava de trabalhar para a ré e que os supostos apelidos não eram dirigidos a ele de forma presencial e direta. A pretensão do reclamante era provar as alegações por meio de conversas retiradas do Skype, mas a julgadora rejeitou essa possibilidade. A atitude foi repudiada pela juíza por entender que ele teria agido de forma reprovável ao acessar as conversas particulares da sua colega de trabalho no aplicativo Skype, violando, assim, a privacidade de uma colega de trabalho, já que confessou que o acesso se dava por meio de senha.

O trabalhador recorreu da decisão, mas o TRT manteve a sentença. Os julgadores de 2º Grau consideraram que as conversas obtidas ilicitamente pelo reclamante não poderiam servir para comprovação dos fatos alegados, nos termos do artigo 5º, LVI, da Constituição Federal.

DIREITO AGRÁRIO

ARRENDADOR DEVE NOTIFICAR O ARRENDATÁRIO PARA ENCERRAMENTO DO CONTRATO

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em decisão unânime, julgou improcedente pedido de imissão contra dois arrendatários que, de acordo com as herdeiras, permaneciam no imóvel por tempo superior ao estabelecido em contrato. As autoras afirmaram que a mãe delas havia firmado contrato de arrendamento rural com os réus pelo prazo de oito anos, mas que os arrendatários permaneceram na posse do imóvel de forma indevida, mesmo após o término do período de arrendamento. Em decisão de primeira instância, foi determinada a saída dos arrendatários, o que foi confirmado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL).

Em sede de recurso, os arrendatários alegaram que o contrato fora renovado de forma verbal com a mãe das autoras antes de seu falecimento e que a prorrogação havia sido presenciada por terceiros. Alegaram ainda que, conforme o Estatuto da Terra, o arrendador deve expedir, em até seis meses antes do vencimento do contrato, notificação com as propostas de novo arrendamento recebidas de terceiros, garantindo-se preferência ao arrendatário no caso de igualdade entre as ofertas. Em caso da falta de notificação, o contrato é considerado automaticamente renovado. O relator do recurso no STJ confirmou que os procedimentos de renovação em contratos de arrendamento mercantil devem seguir as disposições do parágrafo 3º do artigo 92 do Estatuto da Terra, que exigem que o arrendador notifique o arrendatário, sob pena de prorrogação automática do contrato.

 

 CONJUNTURA

Empresas e usinas voltadas à cadeia sucroenergética e ao agronegócio encontram na recuperação judicial um meio de ultrapassar a crise sem fechar as portas

Natália Cherubin

A crise econômica que atinge as empresas brasileiras nos mais diversos setores fizeram com que o número de pedidos por recuperação judicial nos últimos dois anos crescesse 88% em todo o Brasil. O agronegócio, um dos principais pilares econômicos do país, começa a enxergar a recuperação judicial como forma de superar os duros impactos deixados pela crise. A alta do dólar, que fez disparar o preço dos insumos e sementes, assim como o alto endividamento e as questões climáticas, que destruíram safras inteiras no biênio 2014/15, são os principais fatores que agravaram a situação pela qual muitas empresas enfrentam.

Apesar de esperar por uma significativa retomada a partir deste ano, o setor sucroenergético, que desde 2008 enfrenta severas dificuldades financeiras, teve em 2015 o maior número de usinas entrando em recuperação judicial em um único ano. Para se ter uma ideia, foram 13 no total, somando juntas uma dívida bancária perto da casa dos R$ 8 bilhões. Nos seis anos anteriores, a média anual era de 11 usinas. Um fato que despertou atenção foi que as unidades de médio e grande porte começaram a fazer parte da maior parcela de usinas em recuperação judicial. Se contarmos desde 2008, o País teve 79 usinas entrando em recuperação judicial, número que representa 23% do total de 350 usinas do Brasil.

A recuperação judicial é um instrumento previsto na Lei 11.101/2005 que tem como objetivo viabilizar a superação da crise econômico-financeira, além de permitir soluções flexíveis para reestruturação do endividamento e reorganização das atividades da empresa, possibilitando a manutenção de todos os benefícios gerados pela atividade empresarial, como a geração de empregos, o recolhimento de tributos e preservação das oportunidades de negócios para clientes e fornecedores.

De acordo com Pedro Magalhães Neto, sócio da EXM Partners, a recuperação judicial é uma ferramenta jurídica direcionada às empresas que passam por uma crise aguda, mas que ainda são economicamente viáveis. “Ela tem como objetivo auxiliar o empresário e a sociedade empresária a ganhar um respiro para realizar a readequação do negócio e superar uma crise econômico-financeira de modo a permitir que a manutenção da atividade empresarial continue gerando os benefícios econômicos e sociais, como por exemplo, geração de empregos, circulação de bens, fomento da economia na área de sua influência e geração de tributos ao Estado.”

Para o advogado Ricardo Dosso, sócio do escritório Dossos Advogados, as usinas sucroenergéticas foram prejudicadas sensivelmente pela falta de políticas públicas de incentivo ao setor nos últimos anos. “Foram privilegiados os investimentos em combustíveis fósseis e o uso da Petrobras como instrumento de política monetária e isso prejudicou diretamente a competitividade do etanol. Não podemos esquecer também que as usinas têm um ciclo operacional longo e oneroso, que começa com o custeio dos canaviais e termina apenas com a comercialização do etanol e do açúcar. Seria preciso ter fontes de financiamento muito grandes para prover capital de giro necessário para atravessar todo esse período e, infelizmente, não há crédito e linhas de financiamento para esse fim. Essas circunstâncias, em resumo, que ocasionaram as dezenas de pedidos de recuperação judicial de usinas, além do fechamento de muitas outras.”

Empresas que encontram-se em recuperação

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QUANDO PEDIR?

Quando se fala que uma empresa precisa passar por recuperação judicial, muitos imaginam que o negócio já está fadado à falência. Mas é o contrário. Segundo Neto, a recuperação judicial é direcionada à empresa que ainda é economicamente viável, ou seja, produz um serviço ou produto que tem seu mercado consumidor. No entanto, o erro que muitas empresas cometem é deixar para pedir a recuperação judicial quando já há pouco o que fazer e negociar.

Os sinais para que uma empresa comece a pensar em um possível pedido de recuperação judicial podem variar conforme o perfil e a localização da empresa. “De forma genérica, é importante que o empresário verifique se há, por exemplo, redução no volume de venda, perda da margem de lucro, se a capacidade de geração de caixa é igual ou inferior ao custo de endividamento. Em caso positivo, podemos afirmar que acendeu o sinal amarelo e é necessário realinhar o negócio. Neste caso, o mais indicado é buscar o apoio de especialistas em reestruturação de empresas e recuperação judicial. Não importa o tamanho da empresa, ela pode ser reestruturada e superar a crise. Desde 2005, existem previsões específicas direcionadas para as micro e pequenas empresas”, explica o sócio da EXM Partners.

Atualmente, existem vários fatores que podem acarretar em um pedido de recuperação judicial por parte das usinas. “Esses fatores favoráveis a solicitação podem variar e decorrer de condições externas, oriundas de políticas governamentais, câmbio, fatores climáticos, retração de mercado etc. E também de fatores internos, como obsolência de produtos e serviços que afetam a competitividade da empresa, gestão ineficaz, elevado endividamento, que ocasiona despesas financeiras insustentáveis, enfim, fatores que comprometem as finanças de curto e médio prazo da empresa e que, consequentemente, impossibilitam o pagamento pontual das obrigações assumidas”, explica Dosso.

Hoje, a recuperação é o único instrumento disponível que permite a blindagem da empresa por pelo menos 180 dias, durante os quais ela terá tranquilidade financeira e operacional para reorganizar seus negócios. Dosso explica que a recuperação também faz com que a empresa seja protagonista da negociação com os credores, o que não ocorre quando as tratativas são feitas individualmente. “A força da empresa em recuperação para dialogar com os credores é muito maior do que se não estivesse nessa condição, e o resultado disso tem sido a redução substancial das dívidas e a possibilidade de pagamento com carência e em prazos alongados. ”

Além de opinião parecida com a do sócio do escritório Dossos Advogados, Neto salienta que o pedido de recuperação judicial também tem um lado ruim. “Como desvantagem, acredito que podemos atribuir o fator desgaste. Quando uma empresa faz o requerimento para entrar em recuperação, há um desgaste, não só dos executivos, mas também com relação a imagem da empresa. Isso costuma acontecer por certo tempo, perante seus principais fornecedores. ”

Em caso de empresas com ações na bolsa, com o pedido de recuperação, as negociações das ações são suspensas. A comercialização volta a ocorrer normalmente, mas seus papeis são excluídos dos índices de ações, que são um importante indicador do mercado de ações.

PLANO DE RECUPERAÇÃO

COMO A EMPRESA ENTRA EM
RECUPERAÇÃO JUDICIAL?

O pedido de recuperação judicial deve ser feito na Justiça. A partir do pedido, a empresa tem seis meses para tentar um acordo com credores sobre um plano de recuperação que definirá como sairá da crise financeira. Assim que entra com o pedido de recuperação judicial, a empresa precisa apresentar um processo para o juiz, que analisa a documentação e, se esta estiver completa, dá o despacho que autoriza a recuperação. Após o despacho, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano de recuperação à Justiça (caso contrário, o juiz decreta a falência).

É no plano de recuperação que a empresa apresenta os meios pormenorizados, ou seja, os detalhes de como pretende superar sua crise. Nele, devem constar a demonstração da viabilidade econômica do negócio e também laudos de avaliação dos ativos da empresa, elaborado por profissionais habilitados. “No plano, também será apresentada a maneira com que a empresa pretende pagar seus credores, incluindo descontos, prazos e outras condições de pagamento compatíveis com sua geração de caixa”, explica Dosso.

Neto salienta que além do objetivo maior do plano, que é traçar as diretrizes e obrigações que orientarão a empresa a superar a crise, negociando as dívidas com seus credores, o que inclui novos prazos e formatos, é fundamental que a empresa solicitadora apresente detalhes que façam com que seus parceiros voltem a acreditar na empresa. “É essencial que também conste no plano o incentivo para que os credores voltem a apostar na devedora, através de novo dinheiro ou com abertura de crédito”, acrescenta.

A recuperação judicial começa com a apresentação do pedido ao Poder Judiciário no local do principal estabelecimento da empresa. Preenchidos os requisitos legais, é deferido o processamento da recuperação e, neste ato, é nomeado o administrador judicial e são suspensas todas as execuções movidas contra a empresa, justamente para dar fôlego financeiro ao negócio e para que existam condições para elaborar as estratégias de reestruturação.

“Em 60 dias deve ser apresentado o plano de recuperação, e nos 120 dias seguintes, havendo objeção de qualquer credor ao plano, será realizada a assembleia de credores para analisá-lo e votá-lo. Neste período, a empresa deverá dialogar com seus credores e convencê-los a apoiá-la, o que inclui a continuidade no fornecimento de produtos e serviços, abertura de novas linhas de crédito e outras formas de colaboração. A efetiva colaboração de credores é incentivada pela legislação, que lhe possibilita o pagamento dos créditos em condições mais favoráveis do que aquelas previstas para os demais credores”, explica Dosso.

A recuperação judicial é encerrada 24 meses após a decisão judicial que homologa a aprovação do plano, desde que este esteja sendo regularmente cumprido pela empresa. Até esse momento as atividades da empresa continuam sendo fiscalizadas pelo administrador judicial.

A não aprovação do plano ou seu descumprimento podem acarretar a convolação da recuperação judicial em falência. Dada a gravidade da decretação da falência, é comum e recomendável que seja dada à empresa oportunidade para modificação do plano e apresentação de novas condições que possibilitem a preservação de suas atividades. Genericamente, o melhor momento é aquele quando os primeiros sinais de crise já se fazem presentes - como a redução da margem de lucro, a queda no volume de venda, a capacidade de caixa inferior ao endividamento - porém ainda não destruiu os fundamentos econômicos do empreendimento, mantendo o negócio economicamente viável. Os maiores casos de sucesso têm como característica empresas que utilizaram o instrumento de forma preventiva, e não apenas de forma corretiva.

NEGOCIAÇÃO

Mesmo a recuperação judicial parecendo um bom meio de sair da crise e conseguir reconstruir a empresa economicamente, algumas usinas optam por não fazer o pedido, tentando, assim, renegociar suas contas diretamente com seus credores e fornecedores. O caso mais famoso dos últimos anos é o do GVO (Grupo Virgolino de Oliveira), uma das maiores companhias sucroalcooleiras do país, que mesmo com uma dívida estimada em US$ 735 milhões, abriu mão de um processo de recuperação judicial e partiu para a negociação individual com cada credor.

“Achávamos que pedir por recuperação judicial não era o melhor caminho. Acreditávamos que o melhor era conversar com cada um de nossos credores, mostrar boa vontade, mostrar a eles qual era a real situação da empresa, tentar colocar as quanto usinas em operação e, aos pouquinhos, ir adquirindo créditos outra vez. Foi um processo de conversar, quase que corpo a corpo, com cada um deles. Explicamos que a única chance deles poderem receber aquilo que tinham a receber era se a gente voltasse a operar. Era só trabalhando que poderíamos pagar as dívidas”, conta o presidente do GVO, Joamir Alves.

Para ele, o segredo de todo o processo foi manter as informações em aberto e ser honesto, tentando cumprir o que foi negociado. “Eu não tive problema de mostrar a cara e dizer que eu acreditava que íamos moer. Eu acreditava porque nós tínhamos muita cana própria. Isso ajudou o processo de restruturação. A família e as usinas tinham patrimônio. Além disso, a família estava envolvida no processo e se dispôs a atualizar o patrimônio para permitir a recuperação. É uma combinação de crença do executivo, funcionário e o próprio empenho da família em colocar as contas da usina em dia.”

Dosso explica que é natural que usinas e quaisquer outras empresas tentem reestruturar seu passivo sem a necessidade da recuperação judicial, e muitas vezes essa negociação tem êxito. “Em outras situações, no entanto, a pressão dos credores e a não obtenção de acordos compatíveis com sua capacidade de pagamento fazem com que a recuperação judicial seja o meio adequado e necessário para enfrentamento do problema. Ainda há certa resistência de empresas à recuperação judicial, mas creio que o adequado esclarecimento sobre todos os seus aspectos e consequências faz com que deva ser considerada uma alternativa eficaz e realmente poderosa”.

Neto conta que a grande diferença entre as duas ações, a de pedir ou não a recuperação, é que com a solicitação, há uma possibilidade de que as partes envolvidas renegociem não apenas o simples parcelamento de dívida, mas principalmente ajustes operacionais que possibilitarão à empresa retomar a sua atividade e seu desempenho financeiro. Os cenários que identificam o melhor momento para pedir a recuperação judicial podem variar, uma vez que cada caso tem suas particularidades. Uma companhia, por exemplo, pode não estar inadimplente, mas já ter conhecimento que não conseguirá rolar suas dívidas por não ter mais garantias para prestar.

A Dedini, empresa de bens de capital que fornece usinas sucroenergéticas completas, com duas sedes, uma em Piracicaba e outra atualmente parada, na cidade de Sertãozinho, SP, é uma das empresas que entrou em recuperação judicial recentemente. A Dedini apresentou em seu plano de recuperação judicial como pagamento dos débitos dos ex-trabalhadores, além de R$ 15,8 milhões, a venda da Dedini Refratário, a Codistil Nordeste, o pagamento de R$ 480 mil mensais, como também 50% sobre o licenciamento de marcas e patentes.

A empresa enviou comunicado, via assessoria de imprensa, informando que os R$ 15,8 milhões referentes à venda do estacionamento do Shopping Piracicaba já estão depositados na conta do processo de recuperação judicial, para que sejam direcionados aos ex-funcionários. No final de setembro, a Dedini conseguiu a aprovação dos credores para o plano de recuperação que viabilizará a sua retomada. A proposta básica do plano é pagar integralmente, já no primeiro ano, os créditos trabalhistas, de R$ 36,56 milhões. Também no primeiro ano, e com valor integral, seriam pagas as rescisões trabalhistas extraconcursais, estimadas em cerca de R$ 20 milhões. Pelo plano, também serão liquidados 50% do valor devido aos demais credores em 11 anos.

(Colaboração de Alisson Henrique)

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