A VOZ DO FORNECEDOR

O fungo que combate a cigarrinha é gratuito para o associado da AFCPO fungo que combate a cigarrinha é gratuito para o associado da AFCP

AFCP REALIZA COMBATE BIOLÓGICO DA CIGARRINHA NOS CANAVIAIS

O combate a Cigarrinha é uma prioridade do Departamento Técnico da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP). O setor produz um fungo que controla biologicamente esta praga sem agredir o meio ambiente. A  AFCP orienta os associados a fazerem o levantamento populacional da cigarrinha, e, se for o caso, solicitar a visita de um técnico da entidade para analisar a situação e distribuir o controle biológico sem custos. O fungo é produzido pelo Laboratório de Entomologia da AFCP, que conta com uma equipe de técnicos qualificados e produz, por dia, 250 kg do produto.

O fungo que combate biologicamente a cigarrinha é o Metarhizium anisopliae. O associado da AFCP pode adquiri-lo gratuitamente. “Os não sócios ou unidades industriais também podem adquirir. Basta pagar uma taxa de R$ 8,50 por kg. É ainda necessário fazer a solicitação com antecedência”, informa o vice-presidente do órgão, Paulo Giovanni, que também dirige o Departamento Técnico da AFCP.

O cuidado no manuseio, transporte e na aplicação do fungo é de suma importância para se obter um bom desempenho no combate à praga. A dosagem utilizada por hectare deve ser de 5 kg e, ao deixar de seguir os procedimentos, Giovanni adianta que a ação não terá boa eficiência. O Departamento e o Laboratório de Entomologia ficam na sede da AFCP, situada na avenida Mascarenhas de Moraes, em Recife, e está à disposição para esclarecer dúvidas.

 

EM MEIO A CRISE, FORNECEDORES DE CANA ENCONTRAM NOVO NEGÓCIO

Os irmãos Thiago e Philipe Jatobá, fornecedores de cana de seis unidades do Estado de Alagoas, encontraram, em meio à crise, uma forma de obter maior rentabilidade e custear os investimentos feitos em colheita mecanizada.

Os produtores fornecem a matéria-prima para três unidades do Grupo Carlos Lyra: Cachoeira do Mirim, Usina Caeté e Usina Marituba. E isto só é possível diante do plantio médio de 600 ha/safra e com uma área total de 4,2 mil ha de cana, colhidas mecanicamente com tecnologia desenvolvida para reduzir o custo do corte, e plantadas de forma semi-mecanizada com uma plantadora de mandioca.

A colheita é feita com o implemento Centra-Cana da FCN acoplado em um trator PCR de 100 cv, que faz o corte basal de duas linhas simultâneas e desponte de palha. Segundo Thiago Jatobá, com a tecnologia, eles conseguiram alcançar níveis satisfatórios de redução de custos, uma vez que o corte é de cana inteira e o carregamento é feito de forma convencional, dispensando uma estrutura complexa de operação, como prancha de transporte, transbordo, caminhão bombeiro etc.

Conseguindo realizar a colheita mecanizada com menores custos e diante da crise econômica, os irmãos decidiram prestar serviços de mecanização agrícola para usinas do Nordeste e Goiás. Segundo Philipe Jatobá, quando eles terminaram a colheita de suas áreas, um amigo e diretor de uma usina no Estado de Sergipe os procurou para alugar a máquina. Depois deste primeiro aluguel, os irmãos se profissionalizaram e abriram uma empresa de mecanização agrícola, que atende clientes nos estados de Alagoas, Sergipe, Maranhão, Goiás e Acre. “Produzimos cana-de-açúcar no Nordeste e o ciclo de produção daqui é diferente das demais regiões do país. Isto nos favorece, pois quando terminamos nossa safra, já estamos com contrato firmado para alguma região que esteja iniciando a moagem”, explica Thiago.

Plantio de cana com plantadora de mandioca

Além da inovação na prestação de serviços, os irmãos adaptaram uma plantadora de mandioca para fazer o seu plantio de cana-de-açúcar. Thiago explica que como o plantio de mandioca é muito parecido com o de cana, salvo três diferenças distintas, como o espaçamento entrelinhas, a quantidade de semente por hectare e a profundidade de sulcamento, eles precisaram fazer algumas adaptações na máquina.

“Produzimos cana na zona da mata alagoana e vimos uma grande dificuldade para fazermos nosso plantio, principalmente de inverno (período  muito chuvoso), pois as plantadoras de cana convencionais necessitam de uma colhedora convencional de cana picada para distribuir a semente e esta teria grandes dificuldades de operar neste período tão chuvoso, pois é uma máquina pesada e trabalha melhor em  terrenos com baixa umidade, diferente da plantadora de mandioca, que é um implemento leve e que pode ser acoplado no terceiro ponto de tomada-de-força de um trator a partir de 120 cv. Basicamente as adaptações foram: aumento do espaço entrelinhas, aumento da quantidade de semente e aumento da profundidade do sulcamento”, revela Philipe.

A plantadora está em fase de confecção por um fabricante de plantadora de mandioca do Estado do Paraná. A ideia, segundo os irmãos, é cortar cana (semente) inteira com a Centracana e plantar com a plantadora de mandioca, uma vez que a plantadora já tem a mesma função de cortar a semente em toletes, semeando, aplicando inseticidas, adubando e cobrindo.

“Um dos maiores custos do plantio está no desperdício de sementes e mão de obra. Com esta nova técnica, teremos uma mão de obra de oito colaboradores plantando 2 ha/turno”, afirma Thiago.

SIAMIG LANÇA 2ª FASE DA CAMPANHA EU VOU DE ETANOL

Cooperativa de Cruangi ganha isenção fiscal sobre qualquer serviçoCooperativa de Cruangi ganha isenção fiscal sobre qualquer serviçoA Siamig (Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais) lançou no início de agosto a segunda fase da campanha Eu Vou de Etanol, que será veiculada no rádio e nas redes sociais. O objetivo é ampliar o consumo do combustível no Estado e reforçar seus vários benefícios econômicos, ambientais e sociais dentro dos 4Ps do etanol: boa Partida, melhor Preço, menos Poluentes, maior Potência.

 

As peças da campanha envolvem uma nova logomarca, mas preservando alguns símbolos da primeira fase, veiculada o ano passado nos meses de abril a julho, que remetem aos componentes dos carros como a roda, o volante e as luzes do painel. Além do lançamento de um vídeo, reforçando como é melhor abastecer com etanol, que não traz qualquer problema na partida do carro, oferece maior potência ao motor, tem melhor preço e é menos poluente do que a gasolina.

O novo site Eu Vou de Etanol traz dicas informativas sobre o etanol e a cadeia produtiva e explicações sobre seu ciclo, desde o cultivo da cana ao abastecimento do carro. A fanpage visa rebater os mitos que ainda persistem e reforçar as vantagens do combustível limpo e renovável para o meio ambiente e geração maior de empregos na comparação com a cadeia do petróleo. Além de anúncios patrocinados no Google Google Search, com mensagens atraentes para os usuários.

No rádio a campanha chama a atenção para a importância de se utilizar o etanol tanto para o meio ambiente quanto a saúde da população, em meio a notícias de aumento da poluição da capital mineira nos últimos anos. Minas Gerais tem a segunda maior frota de veículos do país e no ano passado reduziu a alíquota do ICMS do etanol hidratado de 19% para 14%.

TIMBAÚBA DÁ ISENÇÃO FISCAL À COOPERATIVA QUE ARRENDOU A USINA CRUANGI

Os 800 fornecedores de cana da Zona da Mata Norte, que fazem parte da Cooperativa responsável pela reabertura da Usina Cruangi (Coaf) no ano passado, responsável por movimentar R$ 44 milhões e empregar cerca de 4 mil trabalhadores no campo e na fábrica, preparam-se para o novo ciclo.

A expectativa é de manter o mesmo número de contratações e superar a produção frente o melhor apontamento do parque fabril e excelente condição dos canaviais diante das chuvas regulares. Aliado a isso, acaba de ser sancionada uma lei municipal em Timbaúba, onde a usina está instalada, que dá isenção fiscal à Coaf sobre qualquer serviço contratado pela unidade industrial, reduzindo custos de produção e deixando-a mais competitiva. A lei objetiva incentivar o cooperativismo no local, que, desde o último ano, tem sido o responsável por restabelecer a atividade sucroalcooleira com a reabertura de postos de trabalho e serviços extintos com o fechamento da usina, bem como o respectivo reaquecimento econômico da cidade.

“Enquanto dezenas de usinas fecharam nos últimos anos em virtude da aguda crise que afetou o setor sucroalcooleiro do país, aqui em PE, a Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP) e o Sindicato dos Cultivadores de Cana do Estado (Sindicape), através do cooperativismo e da parceria governamental, reativaram as usinas Cruangi e Pumaty. Não há outro caminho eficaz, senão a união entre a iniciativa privada e pública”, diz Andrade Lima.

Na última safra, apesar da seca, a Cruangi fabricou 21 milhões de l de etanol.

OFICINA DE GESTÃO DE CUSTOS SUCROENERGÉTICOS

O segundo módulo da Oficina de Gestão de Custos Sucroenergéticos, uma parceria da Orplana e Pecege, foi ministrado no último dia 29 de julho. Com foco na Metodologia de levantamento de custos, no primeiro dia os alunos conheceram os métodos voltados aos fornecedores de cana e o segundo dia foi voltado as usinas e seus custos industriais.

A próxima turma da oficina será em Piracicaba, SP, sendo o primeiro módulo nos dias 21 e 22 de outubro e o segundo módulo nos dias 25 e 26 de novembro. Para mais informações acesse o site: www.orplana.com.br.

 

 ENTREVISTA

Muito mais do que oferecer uma mão de obra capacitada para atender uma das principais necessidades do setor sucroenergético - a segurança patrimonial – o Grupo Impacto, especializado em serviços de segurança, limpeza e facilities, quer oferecer tecnologia de ponta. A empresa, que tem forte e distinta atuação na área de segurança pessoal e vigilância patrimonial, vem trabalhando com o método de projetos personalizados.

 

Natália Cherubin

Com centro administrativo instalado em São Paulo, a Impacto possui uma filial em Campinas, bases operacionais em São José dos Campos e Ribeirão Preto, SP, além de um centro de recrutamento localizado no centro de São Paulo. Atendendo grandes clientes de outros segmentos como a American Airlines, a expectativa é conseguir desenvolver cases dentro do agronegócio, mais especificamente no setor sucroenergético, segmento dominante na região de atuação da companhia. A RPAnews bateu um papo com presidente do Grupo Impacto, Sérgio Laganá, sobre como o grupo pretende oferecer soluções que atendam as necessidades do segmento no quesito segurança, com planejamento e tecnologia embarcada.

Laganá: “Nossa ideia não é ter o preço mais baixo e sim maior valor (qualidade). Valor para nós é a integral sinergia entre tecnologia, pessoas e processos”Laganá: “Nossa ideia não é ter o preço mais baixo e sim maior valor (qualidade). Valor para nós é a integral sinergia entre tecnologia, pessoas e processos”

RPAnews - Como o Grupo Impacto pretende atuar no segmento sucroenergético?

Sérgio Laganá - Diferentemente da limpeza, a segurança tem sido algo cada vez mais necessária para estas grandes unidades produtoras. Então, o que estamos propondo são projetos que não agreguem apenas em segurança patrimonial como também em segurança eletrônica. Este setor tem duas realidades: a fábrica e o campo, então conseguimos idealizar um projeto completo desde o monitoramento do canavial, envolvendo os ativos agrícolas como máquinas, equipamentos e locais de armazenamento de peças, passando pela indústria até o transporte dos subprodutos ao seu destino, com o uso de tecnologias de última geração como drones e autenticação biométrica, por exemplo.

A estrutura ideal para segurança patrimonial está lastreada no dimensionamento adequado do sistema de segurança. A análise do sistema de segurança é que irá apontar a linha de ação preventiva para o gestor responsável pela segurança da usina sucroalcooleira e, neste sentido, o Grupo Impacto possui um departamento com profissionais de expertise comprovada para o desenvolvimento desta análise.

O que uma empresa ganha ao terceirizar a sua segurança?

Muitas vezes o barato pode acabar saindo caro, então, ter uma segurança própria pode dar a ilusão de que é mais em conta e mais segura, mas não é bem por aí. A mão de obra precisa estar em treinamento constante, se capacitar e é preciso ainda incorporar novas tecnologias focando nas necessidades de cada área. Além disso, ao se terceirizar este serviço, tira-se a responsabilidade da empresa em contratar ou dispensar funcionários que atuam na segurança, blindando-a de problemas futuros.

O que é essencial em um projeto de segurança para uma usina sucroenergética?

Dentro da estrutura de cada usina, a Impacto pode montar uma área perimetral com estruturas de monitoramento via câmera, barreiras eletrônicas, além de fazer um mapeamento de risco para a situação de cada usina. Tudo isso em um único projeto. A partir daí conseguimos sugerir a melhor solução em termos de segurança. A ideia é analisar o que não funciona dentro da planta e indicar um projeto que atenderá e resolverá as questões de segurança de forma segura e precisa.

Eu indicaria as usinas a dedicarem um pouco mais de atenção a utilização de ferramentas tecnológicas. Naturalmente nenhuma tecnologia funciona sem que haja um trabalho humano conjunto, mas a ideia é utilizar cada vez menos pessoas e cada vez mais tecnologias.

Qual é a importância da prevenção na segurança patrimonial?

Inicialmente, acredito que os gestores destas grandes empresas entendam que a prevenção é o melhor investimento na área de segurança. Os investimentos, após a ocorrência da ação criminosa, desde o simples furto de uma peça ou um grande roubo, irá gerar ações reativas e com custos quase sempre elevados. O que se percebe na prática é que além dos custos diretos, experimentados pela contratação de efetivo de segurança, compra de equipamentos e para a implementação de infraestrutura, existem os que não são mensurados, como o tempo em que os colaboradores discutem o que ocorreu, reuniões da alta direção para discussão do fato, desconfiança entre os colaboradores e a sensação de insegurança. Ou seja, se o gestor da empresa investir em prevenção suas perdas serão menores.

 

 

 CONJUNTURA

 

O ciclo 2016/17 pode significar o começo de uma retomada para a região do Nordeste, que deverá produzir 54 milhões de t de cana-de-açúcar

 

Natália Cherubin

As usinas sucroenergéticas nordestinas estão se preparando para uma safra que aponta para o começo da recuperação do setor na região. Iniciada oficialmente no mês de setembro, as perspectivas são positivas e de aumento de moagem, que deverá atingir, segundo a Datagro, a 53,5 milhões de t de cana, podendo chegar as 54 milhões de t, de acordo os sindicatos da região.

Segundo o superintendente Agrícola da Agrovale, o setor nordestino precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima, financeiras e diversificar mais, para reduzir os custos de produção alterando a escala convencionalSegundo o superintendente Agrícola da Agrovale, o setor nordestino precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima, financeiras e diversificar mais, para reduzir os custos de produção alterando a escala convencional

Entre agosto e setembro, o desenvolvimento da cana-de-açúcar foi beneficiado com o aumento das chuvas. E mesmo com a perspectiva de uma produção com aumento satisfatório, se comparada a última temporada, ela não deve chegar aos níveis alcançados no ciclo 2014/15.

Na safra 2016/17, o setor sucroenergético nordestino terá em funcionamento 73 unidades produtoras, sete a mais do que na última safra. De acordo com Alexandre Lima, presidente da Unida e da Feplana (União Nordestina dos Produtores de Cana e Federação dos Plantadores de Cana do Brasil), a colheita na região será maior porquê no mês de julho houve uma ótima distribuição das chuvas.

“Houve uma excelente distribuição das chuvas de dezembro até meados de junho, embora nesse último mês de julho, período tradicional de bom volume pluviométrico, choveu apenas 10% da sua média histórica. A previsão é de ter também uma produção de açúcar maior que a do ano anterior, face a melhora dos preços do adoçante. Deveremos produzir cerca de 3,3 milhões de t de açúcar. ”

Já o etanol, segundo projeções de Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar-PE (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Pernambuco), deverá bater 1,95 bilhão de l na safra nordestina de 2016/17.

Mesmo com o aumento de produção de cana, o volume ainda deverá ficar aquém do total processado na temporada 2014/15, que chegou a 61 milhões de t de cana. “O ideal seria que o regime de chuvas estivesse associado a um melhor nível de capitalização para que fosse possível investir mais em adubação e tratos culturais”, afirma Cunha.

Em Pernambuco a moagem deverá atingir 13,5 milhões de t de cana, ainda como reflexo da seca ocasionada pelo El Niño entre 2014 e 2015. O perfil do Estado, num volume do ponto de maturidade, gravita entre 17 a 19 milhões de t. “Estamos, portanto, abaixo do que podemos produzir, operando com capacidade ociosa.”

A estimativa é passar de 820 mil t de açúcar da safra 2015/16 para uma produção entre 950 mil t e 1 milhão de t na safra 2016/17. “Já a produção de etanol deverá ser de 310 milhões de l na safra 2016/17, 10 milhões a mais do que a safra passada, na qual foram produzidos 300 milhões de l.”

Pedro Robério, presidente do Sindaçúcar Alagoas (Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool do Estado de Alagoas), conta que pelo menos para sua região, a safra não significará uma retomada. “Na minha opinião, essa safra poderá apenas significar uma paralisação da queda de produção de cana. Decorrente da situação econômica que estamos vivenciando, acreditamos não ser possível quaisquer investimentos, salvo uma retomada lenta da renovação de canaviais, caso se consolide um financiamento externo e de longo prazo, que está sendo negociado pelas empresas exportadoras da região. ”

 

HISTÓRICO DA
SAFRA NORDESTE

2012/2013

55,61 milhões de t

2013/2014 

55,73 milhões de t

2014/2015

61,25 milhões de t

2015/2016

49,07 milhões de t

2016/2017

(estimativa)

54 milhões de t

Fonte: Sindaçúcar-PE

Francisco Celestino, superintende Agrícola da Agrovale, unidade localizada em Juazeiro, BA, que já iniciou sua moagem, também acredita que a retomada para o setor deverá acontecer somente na próxima safra. “Não será uma retomada para a região, continuaremos em fluxo normal. Há necessidades e possibilidades de investimentos só a partir de 2017. Neste ano de 2016 trabalharemos com contenção total de custos, fazendo somente o estritamente necessário para funcionamento do negócio”, afirma.

Para Cunha haverá uma tímida retomada. “Mesmo que não tenhamos chegado aos mais de 60 milhões de t, o fato de crescer de 49 milhões para 54 milhões de t na moagem de cana, começa a sinalizar que talvez cheguemos novamente ao patamar que nos dá mais equilíbrio.”

Cunha adiciona que a sinalização de uma melhora na produção faz com que a contenção de gastos com novas tecnologias seja deixada de lado e novos investimentos em equipamentos de bioeletricidade sejam retomados. “No campo teremos investimentos em genética e na mecanização do corte, mas o setor ainda precisa de umas três safras com preços melhores para se capitalizar. ”

Lima parece estar mais otimista e afirma que após cinco anos trabalhando no vermelho os produtores estão mais otimistas com os preços deste ano para o açúcar e do etanol. “Será um ano de recuperação, de pagar passivos dos anos anteriores e depois investir. ”

 

Para Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológicaPara Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológica
CLIMA SERÁ BENÉFICO

O principal responsável pela melhora é o clima, que já havia sido apontada por uma série de consultorias nos últimos meses como benéfico para a produção de cana. A INTL FC Stone, em estudo sobre como o La Niña influenciará a safra brasileira, indicou que o Nordeste, diretamente afetado pelo El Niño, verá no La Niña um impacto mais definido e positivo. Segundo Lima, o prognóstico é de que o clima afete positivamente os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e Alagoas. “Nestes locais teremos aumento de safra”.

Já nos estados de Sergipe e extremo Sul da Bahia, poderá haver redução significativa de até 60% na produção. “Em Pernambuco e Alagoas, onde temos a maior produção, a safra será maior em cerca de 3 milhões de t de cana”.

“Os aspectos climáticos apresentaram chuvas imprevistas na colheita do Centro-Sul que, imagino, não devem diminuir as expectativas de safra, apesar de acarretarem mais custos desnecessários. As chuvas mais adequadas no atual inverno do Nordeste, depois das secas intensas nos últimos três anos-safra, deverão propiciar uma certa recuperação, com crescimento em torno de 12% em relação à safra 2015/16. O mês de julho não teve uma boa precipitação hídrica o que pode conter um crescimento além de 12%”, explica Cunha.

 

DIVERSIFICAÇÃO E OTIMIZAÇÃO DOS PROCESSOS PRODUTIVOS

O setor nordestino tem como grande desafio quebrar paradigmas. Esta é a opinião do superintendente Agrícola da Agrovale, que afirma que o setor da região precisa fazer diferente, pensar de outra forma e procurar diminuir as dependências de clima e as dependências financeiras, e diversificar mais para reduzir os custos de produção, alterando a escala convencional.

“É necessário otimizar os processos produtivos e ser mais previsível no ponto formação de ativo biológico e gestão do negócio como um todo, pois o modelo atual não resiste mais a tantos fatores de riscos e contrapontos, como baixos preços dos produtos e crescimento de custos de produção, sem apoio político ou outra forma de viabilização da atividade. ”

Para Cunha, no momento, o grande engajamento dos produtores está na busca por medidas estruturantes. Isso inclui políticas de estímulo, manutenção da competitividade tributária e previsibilidade mercadológica.“No segmento de energia automotiva, a definição de regras claras e previsíveis para o etanol é um dos principais pleitos do setor, tanto no Nordeste, quanto em todo o país. Precisamos que o etanol, um combustível limpo e que atende aos compromissos do Brasil com a COP 21, tenha uma política diferenciada, coerente com o bônus ambiental gerado.”

Na energia elétrica, o Nordeste tem um grande potencial para a produção bioeletricidade, com as térmicas de biomassa da cana. “Temos conversado com o Ministério das Minas e Energia sobre uma política adequada para a bioeletricidade que poderia vir a incrementar a geração. Ainda operamos muito abaixo do que podemos produzir e o ministro Fernando Bezerra Filho tem se mostrado muito sensível a esta questão. Quem sabe o ministério não estrutura, dentre outros programas para fontes renováveis, um para a biomassa? Estamos aguardando”, finaliza Cunha.

 

HISTÓRICO DA
SAFRA NORDESTE

2012/2013

55,61 milhões de t

2013/2014 

55,73 milhões de t

2014/2015

61,25 milhões de t

2015/2016

49,07 milhões de t

2016/2017

(estimativa)

54 milhões de t

Fonte: Sindaçúcar-PE

 

 

 

 

 TECNOLOGIA INDUSTRIAL

 

A Fermentec apresentou, durante seu encontro anual, vários resultados de pesquisas que mostram melhorias para aumentar o rendimento e a eficiência das usinas

 

Da Redação

O evento abriu com uma homenagem a Cícero Junqueira Franco, um dos idealizadores do Proálcool, que faleceu em maio deste ano. O presidente da Fermentec, Henrique Amorim, lembrou o entusiasmo, as ideias inovadoras e liderança do empresário no setorO evento abriu com uma homenagem a Cícero Junqueira Franco, um dos idealizadores do Proálcool, que faleceu em maio deste ano. O presidente da Fermentec, Henrique Amorim, lembrou o entusiasmo, as ideias inovadoras e liderança do empresário no setor

Capacidade de se adaptar ou evoluir positivamente após momento de adversidade. É isso que tem movido o setor sucroenergético ao longo dos últimos anos: resiliência, para ultrapassar as ruins condições econômicas, climáticas e de mercado que apresentaram e continuam apresentando desafios assustadores e transformadores que, de certa forma, são inevitáveis e que colocaram a prova o poder de sobrevivência de muitas unidades sucroenergéticas.

O poder de superação foi o tema principal das discussões que a Fermentec realizou para o setor no mês de julho, em Ribeirão Preto, SP. A tradicional reunião anual Fermentec, em sua 37ª edição, focou na tecnologia como ferramenta fundamental da resiliência.

Para Henrique Amorim Neto, vice-presidente da Fermentec, tecnologia e resiliência são temas fundamentais para o crescimento do setor e principalmente para a indústria. “Na minha opinião é disso que o setor precisa. Acredito que no evento deste ano conseguimos apresentar várias tecnologias de baixo custo de investimento, ou seja, o foco é incentivar as pessoas e empresas a mudar e querer implementar novas técnicas e tecnologias que são capazes de aumentar o rendimento, inovando o processo de produção e ainda reduzindo seus custos.”

Temas críticos como a redução na frequência de amostragem de cana foram discutidos. De acordo com o especialista Eder Silvestrini, da Fermentec, um dos pontos críticos para as usinas tem sido saber em quanto se pode reduzir a frequência das suas amostragens de cana com o intuito de reduzir os custos operacionais, mas sem causar impactos negativos.

“Visando um estudo de frequência mínima de amostragem de cana, adequada para uso em cálculos de eficiência industrial, a Fermentec realizou um trabalho estatístico na Usina Central Energética Morrinhos (CEM) e os resultados permitem concluir que a amostragem pode ser reduzida para 30% em relação a frequência de 40% (referencia), sem prejuízo de ocorrer diferenças estatisticamente significativas e expressivas para a indústria em qualquer época da safra; a frequência da amostragem pode ser reduzida em até 20% em alguns períodos de safra; e as frequências de amostragem de 10% 15% não são recomendadas devido à perda de aderência em relação a amostragem de 40% utilizada como referência”, explica.

Silvestrini destaca que estes resultados valem para a usina em questão e que cada unidade deve estabelecer a sua redução em uma frequência que não cause prejuízos nos resultados.

Outro assunto de destaque foi a determinação dos açúcares totais na cana com uso da cromatografia. Claudemir Bernardino, responsável pelos Cursos da Fermentec, afirmou que para contornar a interferência causada pelos infermentescíveis, muitas usinas e destilarias vêm adotando o método de cromatografia para a determinação de açúcar de cana no processo e nos pontos de perda.

Neste ano, o evento anual da Fermentec contou com a participação de 385 pessoas e 20 empresas, que apresentaram suas soluções para os participantesNeste ano, o evento anual da Fermentec contou com a participação de 385 pessoas e 20 empresas, que apresentaram suas soluções para os participantes

“Considerando os tipos de cromatografia, o setor tem optado pela utilização da cromatografia líquida que é de fato a melhor opção para a determinação de açúcar nas usinas e destilarias. Neste contexto, destaco a opção líquida utilizando o detector amperométrico, também conhecido como cromatógrafo iônico, pelas suas vantagens, como menor tempo de análise, maior durabilidade da coluna e melhor seletividade”, afirmou durante evento.

Constatino Dias da Silva, da CWC Assessoria e Tecnologia Agrícola, destacou a gestão da produção por satélite, destacando o manejo de fertilidade e o controle de pragas. “A amostragem dirigida, aumenta a assertividade do diagnóstico, otimiza a mão de obra no levantamento das pragas e reduz custos na aplicação dos produtos de controle, destacou.

O especialista da Irricana, Udo Rosenfeld, falou sobre o uso atual da vinhaça e suas perspectivas, destacando a sua produção e a sua diferente composição química, quando concentrada, in natura ou ainda proveniente de biodigestores, e as legislações que envolvem sua aplicação, bem como seus efeitos como adubo na cana-de-açúcar.

Especialistas da Fermentec, durante dois dias de evento, ainda apresentaram diversos outros temas voltados ao processo de fermentação, discutindo os impactos da temperatura no processo, bem como o teor alcoólico e os paradigmas do tratamento do fermento.

 

EFICIÊNCIA NA FERMENTAÇÃO

com alto teor alcóolico

A Fermentec ainda trouxe para as usinas e destilarias parceiras vários dados de pesquisas e melhorias importantes que aumentaram o rendimento e a eficiência das unidades. Segundo Neto, a eficiência da fermentação, que hoje está entre 91% e 92%, é o máximo teórico das usinas e é o mesmo desde 1994.

“Este percentual não aumentou porque a levedura precisa pegar um pouco deste açúcar que está na cana para sobreviver. Em alguns casos, este número pode ultrapassar um pouco os 92%, mas o foco para as usinas hoje não é aumentar o percentual de eficiência da fermenteação e sim reduzir os custos na produção de etanol e reduzir também a quantidade de vinhaça produzida, o que é possível de se fazer por do aumento do teor alcoolico da fermentação, que deveria ser de 11% a 11,05% e não 8% como na maioria das unidades.

 

TECNOLOGIA PARA USINAS FLEX
Amorim Neto: “o foco é incentivar as pessoas e empresas a mudar e querer implementar novas técnicas e tecnologias que são capazes de aumentar o rendimento, inovando o processo de produção e ainda reduzindo seus custos”Amorim Neto: “o foco é incentivar as pessoas e empresas a mudar e querer implementar novas técnicas e tecnologias que são capazes de aumentar o rendimento, inovando o processo de produção e ainda reduzindo seus custos”

Durante a Reunião Anual foi feito o lançamento da tecnologia StarchCane, que permite a produção paralela de etanol de cana e milho. A inovação foi desenvolvida pela Fermentec e patenteada em 2015. Com a tecnologia, é possível manter a usina em funcionamento por 345 dias por ano.

Uma das leveduras desenvolvidas pela Fermentec, a personalizada FT858L, é capaz de fermentar a glicose, a maltose e a maltotriose, promovendo uma quebra de paradigma, pois antes se pensava a fermentação com etanol de milho apenas com leveduras geneticamente modificadas.

Com o subproduto do milho, o DDG, é aberta outra possibilidade de negócios, a sua venda para a alimentação, especialmente ração animal. O DDG possui alto valor proteico e pode substituir em 100% o farelo de soja e em 30% o próprio milho. A produção de etanol de milho consome menos vapor, eletricidade e água, e tem payback ao redor de um ano. Todas as informações foram apresentadas por Alexandre Godoy, da Fermentec, durante o encerramento do primeiro dia da Reunião Anual.

 

 

 
 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Nos últimos anos muita coisa aconteceu no setor sucroenergético e a primeira transformação ocorrida dentro do cenário da indústria estabelecida após o Proálcool foi a introdução da colheita mecanizada. Esta mudança ocorreu em um intervalo de 20 anos, visto que a colheita mecânica sem queima iniciou-se em 1986 e a estabilização do crescimento foi obtido na segunda metade da década passada.

 

 
*Marcelo de Almeida Pierossi

*Jorge Luis Donzelli

A introdução da colheita trouxe muitos problemas ao setor e o custo do aprendizado foi alto, porém serviu como modelo para a segunda grande transformação na produção agrícola: a mecanização do plantio. Mecanização esta que surgiu dentro do contexto de modernização das usinas, demandando menor mão de obra itinerante. A terceira e mais recente transformação ainda se encontra em um ponto onde temos algumas certezas e muitas dúvidas, que é o aproveitamento da palha de cana-de-açúcar, seja para geração de energia ou como matéria-prima para produção de etanol de 2ª geração.

Este ambiente de certezas e dúvidas claramente tem dois principais vetores: o vetor tecnologia e o vetor político. As certezas claramente estão relacionadas com o desenvolvimento de tecnologias agrícolas e agronômicas para a utilização sustentável da palha, enquanto que as dúvidas têm no vetor político e regulatório a sua origem.

O desenvolvimento ocorrido nos últimos 15 anos com relação ao aproveitamento de resíduos da colheita de cana, seja pela rota do transporte da palha junto com a cana picada, através da diminuição da capacidade de limpeza da colhedora chamada a partir de agora de limpeza parcial, seja pela rota do enfardamento, mostraram desenvolvimento tecnológico e encontram-se estabelecidas de forma madura no setor. São opções atualmente utilizadas por algumas usinas e a sua escolha ocorre devido às especificidades de cada unidade, que, entretanto, encontra barreiras à ampla utilização da palha.

Os projetos relacionados à utilização da palha para geração de energia adicional não mostram viabilidade devido à falta de uma política bem definida para a geração de energia a partir de biomassa, assim como os projetos de etanol celulósico ainda encontram problemas tecnológicos para uma plena utilização desta biomassa adicional.

 

RECOLHIMENTO PARCIAL X ENFARDAMENTO

As duas rotas têm características diferentes e na rota de recolhimento baseada em limpeza parcial diminui-se a rotação dos ventiladores e consequentemente a sua capacidade de limpeza, fazendo com que uma maior quantidade de impurezas vegetais seja adicionada à carga de cana, valores entre 10% a 15%. Esta maior quantidade de palha atrapalha o processo industrial e deve ser separada na chamada Estação de Limpeza a Seco, onde a palha será separada dos colmos logo na entrada do processo industrial através de ventilação. Já o enfardamento, ocorre de 7 a 10 dias após a colheita da cana picada, quando se recolhe a palha mais seca com umidades em torno de 15% com a seguinte sequência de operações: aleiramento, enfardamento, recolhimento dos fardos, carregamento e transporte dos fardos até a usina e o seu processamento na unidade industrial.

Os principais problemas enfrentados pelos usuários atuais da rota da limpeza parcial é o alto custo de transporte, em virtude da diminuição da densidade da mistura palha-cana picada, e a eficiência da estação de limpeza a seco, que é muito baixa em alguns modelos e que tem uma ampla variação de acordo com à umidade da palha.

Com relação ao enfardamento, os principais problemas são o manuseio de muitos fardos (fardos de 500 kg apenas), que exige a introdução de uma nova colheita, e o maior de todos, a quantidade de terra incorporada ao fardo no processo. Como nova opção ao recolhimento de palha, a forrageira autopropelida está sendo introduzida e não existem dados ainda para a determinação de sua viabilidade.

Outras dificuldades que apareceram na utilização da palha são relativas às questões agronômicas que podem ser resumidas em duas grandes frentes:

• Palha como fonte de receita agrícola direta;

• Palha como um componente que influi na produtividade agrícola.

Nos dois casos há geração de valor e necessidade de discussão mais profunda de benefícios e perdas relacionadas ao processo. Mas, sob o ponto de vista da utilização da palha como fonte de receita agrícola direta há o desdobramento de quantificar quanta palha deve ser recolhida. Se o valor econômico da utilização final compensar, haveria uma tendência natural de recolher-se o máximo possível de material, pois a outra ponta (geração de energia elétrica e E2G) pagaria a conta de todos os outros benefícios agronômicos.

Agora, um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que nesta alternativa é possível embutir a segunda opção da palha como um componente da produtividade agrícola. De fato há um limite físico para a operação de recolhimento que faz um balanço entre quantidade de material recolhido e a quantidade de impurezas minerais que influenciam sua utilização. Assim, diversos estudos da quantidade ideal de palha que pode ser recolhida sem a perda dos benefícios agronômicos (vantagens e desvantagens) têm sido realizados. Manechini et al, (2000) e Bellinaso et al, (2015) reportam que as quantidades ideais de palha a serem deixadas no campo podem variar de acordo com a produtividade (estágio de corte), variedade, região climática e tipo de solo (ambiente edafoclimático).

Levantamentos da quantidade ideal de palha a ser recolhida em cada ambiente edafoclimático (Figura 1) podem ser realizados. Simulações destes valores mostram que a viabilidade técnica de projetos de utilização de palha dependem da quantidade gerada (Tabela 1). Unidades localizadas em regiões de ambientes (solos) predominantemente mais fracos deverão observar o balanço entre o benefício da manutenção da palha e a geração de valor direto.

 

COMO DEFINIR UM PROJETO DE APROVEITAMENTO DE PALHA
Com um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que é possível embutir a palha como um componente da produtividade agrícolaCom um olhar mais atento à realidade do campo, observando-se as tecnologias disponíveis para recolhimento da palha, nota-se que é possível embutir a palha como um componente da produtividade agrícola

Considerando-se o cenário atual e analisando o passado, aproveitando as experiências com a colheita e do plantio mecanizados, existe um potencial de redução de custos e melhoria da qualidade da operação devido à curva de aprendizado que se encontra em estágio inicial e do ganho de escala, conforme as unidades aumentem a quantidade de palha aproveitada. Entretanto, em virtude da complexidade dos projetos de biomassa criamos uma metodologia de avaliação qualitativa e quantitativa que pode ajudar o processo de tomada de decisão. A metodologia é baseada em seis fatores:

1) Suprimento de biomassa: Prever a quantidade de palha recolhida durante a operação e a garantia deste suprimento, evitando problemas operacionais para a unidade industrial.

2) Operações agrícolas: Definição da melhor forma de recolhimento da palha no campo, considerando-se a quantidade de palha a ser recolhida e sua distribuição geográfica. Esta variável deve contemplar o custo agrícola de recolhimento.

3) Processamento industrial: Definição das operações unitárias necessárias para recepção e processamento da palha, considerando-se a escala do projeto em função da quantidade de palha a ser processada. Esta variável deve contemplar o custo de processamento industrial.

4) Qualidade da matéria-prima: Avaliação simples da umidade, poder calorífico e quantidade de terra presente na palha recolhida.

5) Armazenamento: Definição da estratégia de armazenamento considerando local de armazenamento, quantidade a ser armazenada e seu período. Devem ser estimados também os custos e riscos desta operação.

6) Investimento: Quantificação de todos os investimentos necessários para o projeto.

Estas seis variáveis deverão ser avaliadas para definição da estrutura do projeto de aproveitamento da palha.

Os autores acreditam que somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processoOs autores acreditam que somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processo

Visto isso, o que então esperar para o futuro do recolhimento da palha de cana? O recolhimento de palha até então foi baseado em duas soluções adaptadas. A primeira veio da produção de feno e forragem, e a segunda, aproveita a estrutura da atual colheita mecanizada de cana. Assim, os desenvolvimentos realizados por fabricantes e instituições de pesquisa visaram inovações incrementais que trazem benefícios também incrementais, por isso, somente o desenvolvimento de equipamentos e sistemas projetados especificamente para o aproveitamento da palha de cana poderão trazer maior viabilidade econômica ao processo.

*Marcelo de Almeida Pierossi é diretor da AgroPerforma Consultoria Agrícola

*Jorge Luis Donzelli é diretor da DZLL Planejamento & Consultoria em Cana-de-Açúcar

Diante das opções tecnológicas existentes no mercado, os autores desenvolveram uma metodologia de avaliação qualitativa e quantitativa que pode ajudar no processo de tomada de decisão das usinas que desejam recolher palha com mais eficiência e menor custo

 
 
 

 

 

 

 
 
 
 

 TECNOLOGIA AGRÍCOLA

 

Novas tecnologias em máquinas e softwares têm conseguido auxiliar o processo de maior custo dentro de uma usina, mas desafios ainda existem e precisam ser ultrapassados

 

Natália Cherubin

Após ultrapassar anos de crise, o setor aprendeu que era preciso não só apertar os cintos, como também conseguir reduzir os custos agroindustriais sem grandes investimentos. Só o CTT (colheita, transbordo e transporte) da cana, processo fundamental dentro de uma unidade, é responsável por cerca de 28% dos custos totais de produção. Sendo assim, ações e tecnologias que reduzem os custos desta fase do processo de produção têm sido muito bem-vindos.

Dentre as operações que compõem o CTT da cana-de-açúcar, as que mais impactam na formação do custo total em ordem decrescente são as de colheita, depois os de transporte e, por fim, o transbordamento. De acordo com o professor José Eduardo Holler Branco, docente do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Esalq (Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”) e pesquisador convidado do Grupo Esalq-Log, apesar dos custos fixos das colhedoras, dos veículos de transporte e dos equipamentos de transbordo assumirem grande parcela do custo total de CTT, existem os itens que compõem os custos variáveis, como o consumo de diesel e a manutenção dos equipamentos.

Além dos processos do CTT, também existe um conjunto de equipamentos que trabalham nas Atividades de Apoio ao CTT, que também constitui parcela significativa dos gastos. Desse modo, de acordo com Ângelo Domingos Banchi, diretor da Assiste Engenharia de Softwares Técnicos, ao se analisar o custo em cada etapa em um demonstrativo de CTT com um custo total de R$ 29,20/t cana, 41% correspondem à colheita mecanizada, a qual tem um custo de R$ 11,99/t cana, 33% vão para o transporte, cujo valor é R$ 9,72/t cana e o transbordamento consome 26% deste total, com R$ 7,49/t cana.

As chamadas operações de apoio, as quais correspondem ao caminhão comboio, bombeiro, oficina, borracharia, prancha, ônibus, utilitários, entre outros, representam 23,6% do custo total de CTT, o que mostra que seus gastos formam uma parcela representativa (Figura 1). “É preciso destacar que os equipamentos participantes do Apoio podem atuar em mais de um sub processo, o que não proporciona uma fácil divisão e sua respectiva atribuição com exatidão por sub processo. É também válido e importante mostrar que o CTT das usinas são diferentes entre si”, adiciona Banchi.

Segundo pesquisa da Assiste com várias unidades, o custo mínimo que algumas usinas conseguem chegar em seu CTé de R$ 27,20/t cana, enquanto o custo ideal fica entre R$ 28,25/t e R$ 29,19/t. As usinas com custos mais elevados chegam a valores acima de R$ 29,83/t e o custo médio entre as unidades analisadas ficou entre R$ 29,20/t e R$ 29,82/t (Figura 2).

 
MÉTODOS QUE CONTRIBUEM PARA REDUZIR OS CUSTOS

Dada essa magnitude de gastos com CTT, as usinas, com seus respectivos técnicos, e o mercado, composto de fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços, consultores etc, dedicam-se intensivamente aos aspectos operacionais e também às atividades de controle e programação do CTT para diminuí-los. Hoje existem vários fatores que têm por finalidade a redução de custos, como:

• Seleção do fabricante e do modelo de colhedora idealmente adaptada às práticas adotadas pela empresa;

• Largura de corte (1 linha ou 2 linhas) que se adeque à prática em uso na lavoura da unidade;

• Dimensionamento ideal da frente de colheita: 3, 4, 5 ou mais colhedoras por frente;

• A relação de transbordos por colhedora que proporcione melhor desempenho para cada frente de colheita;

• Distância mínima possível entre as colhedoras e o pátio de transbordamento;

• Tipo de transbordo adotado nas frentes (trator ou caminhão) e dimensão, e tipo de caixas de transbordo.

Já quanto à manutenção dos equipamentos, os seguintes pontos são importantes:

• Características dos processos de manutenção no campo e na oficina central;

• Manutenções preventivas e/ou planejadas, inclusive com a participação dos operadores (conceito de operador-manutenedor) têm apresentado menor custo do que a manutenção não programada, corretiva e sem apoio do operador;

• Tipo de transporte com um adequado dimensionamento e manutenção proativa;

• A correta definição e planejamento da estrutura de apoio, que pode reduzir seu custo fixo e garantir eficiência na operação, como também segurança no trabalho.

Quanto à engenharia econômica, há mais itens a se considerar como:

• Existência ou não de política de renovação de frota por tempo de vida útil;

• Critérios inteligentes de eliminação ou não de uma peça devido a seu desgaste parcial;

• Escolha técnica e econômica do grau de terceirização e da natureza dos serviços terceirizados.

Antonio Afferri, sócio-diretor da RPA Consultoria, afirma que atualmente a atenção maior das usinas está na melhoria da eficiência da gestão da operação das colhedoras. “O que normalmente encontramos são ineficiências na ordem de 30% a 35% para colheita em jornadas de 3 turnos de 8 horas e 26% a 30% para aquelas de 2 turnos de 10 horas. Reduzir esta ineficiência interfere positivamente no aumento do desempenho das colhedoras sem investimentos e com forte redução de custos. Gerar um maior número de horas de motor sem investimento e, concomitantemente, com redução do custo por tonelada colhida é o que vem sendo realizado por aquelas empresas que adotaram a estratégia dos 2 turnos de 10 horas”.

Além destas ações, de forma geral, as áreas de P&D dos fabricantes de equipamentos de CTT e os agentes do setor vêm buscando alternativas para aumentar a capacidade e a eficiência operacional dos equipamentos com o objetivo de diluir os custos fixos desses ativos produtivos. Buscando ganhos de escala, segundo o pesquisador da Esalq-Log, estão sendo testados novos equipamentos. Dentre estes, merecem destaque:

• Semirreboques com maior número de eixos para o transporte de cana-de-açúcar, como alternativa para aumentar a capacidade de carga e evitar o risco de sobrepeso por eixo do veículo;

• Transbordos de maior capacidade, como, por exemplo, o transbordo gigante de 22 t;

• Tecnologia GPS para aumentar a precisão das operações, automação e rendimento operacional;

• E colhedoras de maior potência e com maior número de bocas.

É importante frisar que as indústrias do setor sucroenergético estão enfrentando um cenário de intensificação da fiscalização das condições de trafegabilidade dos veículos canavieiros nas rodovias públicas e vêm sendo pressionadas por novos regimentos legais e órgãos de fiscalização a minimizar as ocorrências de sobrepeso e acondicionamento inapropriado da carga. Em face desse panorama, as indústrias de equipamentos e usinas vêm direcionando esforços para adequar os veículos de transporte às exigências legais de trafegabilidade nas rodovias”, adiciona.

De acordo com Afferri, o uso de transbordos de alta capacidade tem proporcionado tempo de transferência da carga 50% menor e o maior aproveitamento do volume de cana transportado. “Por ter menos ‘cantos’, quando comparado a composições com dois compartimentos, considerando que ambos possuem o mesmo volume do compartimento de carga (m3), estes modelos gigantes têm contribuído significativamente para a redução de custos na operação de transbordo”.

Pedro Teston, produtor de cana, prestador de serviços e diretor da empresa desenvolvedora do primeiro transbordo gigante, a Teston, afirma que as usinas, prestadores de serviços e fornecedores de cana que estão buscando rendimento e baixo custo operacional já têm adotado os transbordos de alta capacidade. “O transbordo gigante aumenta o rendimento da colhedora, diminui o tempo de espera dos caminhões para serem carregados, aumentando a sua densidade de carga, reduz o consumo de óleo diesel tanto da colhedora como do trator, e diminui a compactação de solo. Outra vantagem é o aumento de produtividade agrícola em cabeceiras devido à redução do pisoteio na entrada e saída dos carreadores pelo giro maior em alguns modelos desta categoria.”

Ele ainda destaca o menor tempo para transbordarmento, reduzido em até 40%, e a menor manutenção, pois o transbordo de alta capacidade, em comparação ao conjunto duplo, mostra redução na troca de mangueiras, pistões, pinos, buchas e pontos de lubrificação. “Enquanto no modelo mais antigo se tem 8 pistões, no transbordo de alta capacidade são apenas quatro, reduzindo em 50% o índice de manutenção. Outro atrativo é a diminuição de frota, pois, para se trabalhar com os transbordos menores, é necessário um equipamento a mais, gerando maior administração por parte do controle de frotas e das oficinas, pois teriam o dobro de máquinas deste modelo em campo”, explica.

Usinas cogeradoras de energia vem utilizando o transbordo gigante também para colheita de palha a granel. “A linha de Gigantes 2017 ficará ainda melhor porque o departamento de engenharia conseguiu baixar a altura do transbordo em 200 mm, obtendo mais estabilidade em terrenos declivosos”, adiciona Teston.

 

SOFTWARES E HARDWARES

Além do dimensionamento de máquinas, existem inúmeras ferramentas tecnológicas disponíveis para a gestão do CTT e, quando adequadamente selecionadas, corretamente implantadas, contínua e devidamente operadas, têm alto potencial para reduzir custos. Estas tecnologias têm um destaque ainda maior quando, além do software, há a interação com hardwares embarcados e ligados diretamente à operação.

Banchi acredita que os softwares têm fundamental influência na gestão do CTT, mas destaca que, como há muitos produtos no mercado e que nem sempre têm a especialidade necessária e essencial para as operações, deve-se buscar uma solução que atinja a gestão das raízes dos problemas. “No entanto, infelizmente muitos produtos estão no nível primário e apenas limitam-se à coleta dos dados e a seu armazenamento, sem possibilitar sua extração em processos gerenciais ágeis, limitando-se a oferecer tabelas que acabam sendo tratadas e trabalhadas nem sempre adequadamente.”

O consultor diz que medir a capacidade operacional das colhedoras junto com a coleta de dados via computador de bordo, preferencialmente online, é um exemplo de ferramenta para reduzir custos do CTT. Essa análise não só pode ser aplicada para uma colhedora em específico, como também para um conjunto de máquinas (uma frente de colheita) ou para toda a frota de colhedoras, de forma que sua aplicação permite perceber quais equipamentos trabalham fora do padrão e devem ser corrigidos.

Para Branco, no caso de grandes usinas que operam e movimentam um grande número de equipamentos de CTT, a roteirização e sincronização da operação das colhedoras, transbordos e veículos de transporte são fundamentais para evitar a ociosidade dos equipamentos e também para minimizar os riscos de falta de cana-de-açúcar nas moendas. Diante disto, os modelos de otimização e ferramentas de gestão de CTT são imprescindíveis para garantir uma alocação eficiente das frentes de colheita e sincronizar o deslocamento dos transbordos e veículos de carga, proporcionando a minimização dos custos de CTT.

“Ademais, esse tipo de ferramental auxilia a elaboração do Plano de Colheita e proporciona agilidade nos ajustes do plano às condições operacionais vivenciadas no decorrer da safra, com foco na maximização do teor de açúcares disponíveis na cana-de-açúcar. Tais esforços para consolidar um Plano de Colheita otimizado são primordiais para o desempenho econômico das indústrias, haja vista que quanto maior o teor de sacarose disponível na cana, maior é a receita da usina, melhor o rendimento industrial e menores são os custos de CTT por tonelada de sacarose entregue nas usinas”, complementa o pesquisador da Esalq-Log.

Dada a importância da colheita mecanizada e o impacto que a logística tem nesse processo, a Solinftec desenvolveu, em parceria com alguns clientes, diversas soluções que atuam desde o planejamento da colheita até seu transporte para a usina.  

De acordo com Daniel Padrão, diretor de operações da Solinftec, uma boa gestão logística de CTT começa com informações de qualidade e em tempo real. “Pensando nisso, nossas soluções de monitoramento baseiam-se em obter dados de forma automática, sem necessidade de intervenção humana, e transmiti-las de forma online através da nossa rede SolinfNet, mesmo em locais sem cobertura de rede celular. Essas informações possibilitam aos diversos agentes envolvidos no processo (central de logística, equipe de manutenção e agrícola) automatizar ou tomar a decisão em tempo real.”

No entanto, em função dos recentes resultados, a principal solução da empresa para logística hoje é o Fila Única de Transbordos, também conhecido como FUT. A solução atua principalmente na parada das colhedoras por falta de transbordo, que é hoje o maior causador de ineficiência das colhedoras. Com essa solução, segundo Padrão, é possível distribuir dinamicamente os recursos, no caso os transbordos, de forma automática conforme a demanda das colhedoras. Isto porque, em muitos dos casos, a alocação de transbordo é feita de maneira fixa, ou seja, para cada colhedora separam-se dois transbordos ou faz-se de forma manual, requisitando o transbordo via rádio comunicação.

O foco principal da solução, segundo Padrão, é o aumento de eficiência das colhedoras, diminuindo o tempo de aguardar o transbordo e, consequentemente, gerando uma distribuição mais inteligente dos transbordos. No ano de 2015 a empresa realizou, em conjunto com seus clientes, mais de 14 pilotos, que mostraram ganhos de até 1,5 hora por colhedora/dia. Estes resultados se confirmam após a implantação do sistema por algumas usinas, que conseguiram reduzir a frota de colhedoras em mais de 10%.

A GAtec comercializa uma solução especializada para a gestão da logística de transporte de cana que tem como premissa otimizar a frota canavieira indicando o melhor local de carregamento no despacho da frota de caminhões, visando o abastecimento linear de matéria-prima na unidade industrial, bem como a redução de fila no campo.

Fernando Luís de Almeida, consultor e especialista em logística da GAtec, explica que a solução utiliza um sólido algoritmo de decisão desenvolvido pela empresa, baseado na lógica de restrições, que leva em consideração todas as variáveis envolvidas no processo, tais  como distâncias, velocidades, tempos de carregamento e auxiliares, equipamentos ativos, tempos de alocações, controle de saturação, potenciais de carregamento e modelos de frota e priorizações.

Em tempo real, o sistema demonstra a situação do CTT de forma dinâmica e interativa aos gestores, que têm à disposição diversas formas de visualização de chegada e saída da frota canavieira do campo, utilizando painéis e visualização das informações dos locais de carregamento, tais como: produção, estimativas, posicionamento dos veículos, eventos, ciclos e projeções. Os tempos operacionais de campo relacionados aos tempos de carregamento e auxiliares também são visualizados e são informados via rádio, voz ou automaticamente, ou seja, a usina acaba tendo à disposição uma logística online, com a integração do sistema com os eventos de todos os equipamentos que estão associados ao CTT.

Dentre os principais ganhos, Almeida destaca a redução de custos através da redução da frota canavieira que, em alguns casos, chega a 25%, principalmente em estruturas que não utilizam processos de otimização ou modelos matemáticos consistentes. Há, ainda, ganhos pela melhor produtividade dos equipamentos envolvidos no CTT e maior acuracidade na captação e qualidade dos dados e informações do campo, o que facilita a tomada de decisões.

“Esta tecnologia está totalmente relacionada com a redução dos custos do CTT devido à redução da frota, aumento da produtividade dos equipamentos, melhora do rendimento energético no transporte, que é a tonelada por litro de combustível, redução da ociosidade das máquinas e caminhões no campo, a redução de paradas da indústria devido ao ciclo contínuo, planejado e informado pela solução, e reduções e controle das divergências das viagens. Além disso, há ganhos imensuráveis, como, por exemplo, uma melhor qualidade da matéria-prima para o processamento, devido à redução do tempo médio de transporte e processamento em menor tempo (a partir da colheita)”, realça Almeida.

A Hexagon Agriculture desenvolveu uma solução para o CTT baseada em dois pilares principais: planejamento e operação. Na parte de planejamento a empresa oferta uma gama de sistemas de otimização que visam planejar as atividades que influenciam diretamente no CTT. Estes planejamentos abrangem os níveis estratégico, tático e operacional para a colheita de cana. Assim, as soluções vão desde os planos de reforma e plantio das áreas de cana, bem como o planejamento de colheita, que influenciam diretamente no CTT, até o sistema de despacho dos caminhões que realizam o transporte da cana para a usina.

De acordo com Fábio Perna, responsável pela área comercial da Hexagon Agriculture, no âmbito operacional a empresa fornece os computadores de bordo para caminhões, que recebem as informações do despacho planejado e garantem o monitoramento do trajeto do veículo. “Esta tecnologia permite que as informações obtidas pelos sensores instalados nos veículos sejam enviadas remotamente à central de operações, informando a localização e a condição operacional.”

Além dos veículos para transporte de cana, a solução para o CTT da companhia disponibiliza nas frentes de colheita, o gerenciamento e o monitoramento das colhedoras e dos transbordos. Segundo Perna, é um conjunto de tecnologias que controla e despacha os transbordos na colheita e aloca os caminhões que fazem o transporte da cana nas frentes de colheita. A solução operacional contempla as seguintes funcionalidades:

• monitoramento dos veículos e equipamentos;

• navegação e rotas dos veículos;

• alocação dinâmica de transbordos;

• otimização do despacho de caminhões;

• e certificado digital de cana.

 

AINDA PRECISA MELHORAR

Em geral, os especialistas concordam que, apesar de novas metodologias e tecnologias, o que se observa na prática é a dificuldade das companhias no nível tático deste processo, ou seja, percebe-se uma estratégia (planejamento) e operação muito próximos da excelência, entretanto o elo de ligação entre estes pontos não possui efetividade.

Segundo Afferri, o nível de liderança das usinas (líder de colheita e/ou encarregado de frente) ainda está distante desta excelência, muitas vezes comprometendo significativamente a companhia no alcance de seus objetivos planejados de desempenho e redução de custo, e até frustrando o nível operacional ao não atingir suas expectativas de remuneração variável. “Portanto, recrutamento, formação, seleção e treinamento deste nível de funcionários é essencial para a garantia de estratégias voltadas para maior desempenho da colheita.”

Branco acredita que, além das inovações tecnológicas, outro vetor importante de ações para melhorar o desempenho da logística da colheita de cana tem como objetivo a seleção das áreas de abastecimento de cana e a racionalização da sua distribuição espacial, levando em consideração as condições de colheitabilidade das áreas e as distâncias percorridas das áreas até as indústrias. A colheitabilidade dos canaviais promove ganho de eficiência na operação de colheita e a otimização da distribuição espacial das áreas de cana proporciona a minimização do custo de transporte.

“Outra estratégia que merece destaque e deve ser avaliada pelas indústrias do setor sucroenergético é a utilização das ferrovias para o transporte da cana. Essa modalidade de transporte é utilizada em larga escala e com grande eficiência para o transporte de cana na Austrália, mas no Brasil essa opção ainda não vem sendo observada. Existe uma série de trechos de ferrovias que cruzam áreas de canaviais importantes e que poderiam ser utilizados para o transporte de cana mediante solicitação do Direito de Passagem junto às Concessionárias Ferroviárias. É uma alternativa que vale a pena ser investigada, pois pode revelar boas opções para redução de custos de CTT, principalmente se forem considerados os efeitos no custo de CTT decorrentes da intensificação da fiscalização das condições de trafegabilidade dos veículos canavieiros nas rodovias públicas”, observa o pesquisador da Esalq-Log.

Banchi aponta que os principais pontos que ainda podem melhorar são:

• informação online da quantidade de cana colhida;

• geração do peso online com o uso da balança dinâmica nas colhedoras;

• melhorias no corte pantográfico de base;

• e melhoria nos modelos de colhedoras que tenham maior largura de corte, para que trabalhem adequadamente.

“Essas características permitiriam alcançar fatores logísticos necessários e já concebidos”, acrescenta.

Para Almeida, em um primeiro momento é necessário analisar e até mesmo melhorar alguns processos que são importantes para a logística e que muitas vezes passam despercebidos pelos gestores, como um planejamento de colheita mais eficiente, além da qualidade das informações que serão utilizadas pelo processo de logística, que muitas vezes não são precisas (devido à utilização de sistemas inconsistentes).

“Algumas usinas têm a visão de que melhorar a logística e adquirir as tecnologias necessárias para esse processo tem alto custo, sem analisar o retorno ou a rentabilidade que se é obtida. Com a implantação das soluções, na maioria das vezes, o retorno do investimento é conseguido em curto prazo. Sem pensar no pay-back das soluções, estas usinas demandam grande número de pessoas, obtendo informações de baixa qualidade, com problemas de recebimento da matéria-prima e na qualidade, equipamentos ociosos, custos maiores com terceiros etc.”

No cenário de investimentos tecnológicos, Almeida acrescenta que o setor ainda está muito preso aos canais de telecomunicação, principalmente com utilização do sinal GPRS, o que pode dificultar os processos da gestão online e todo o processo de logística. No entanto, destaca que avanços significativos ocorreram através do uso de rede MESH e rádios.

Outro ponto a se evoluir são os computadores de bordos embarcados nos equipamentos. “Existem muitos equipamentos obsoletos sendo utilizados pelas usinas e que nos próximos anos deverão ser substituídos por equipamentos com melhor tecnologia e que não sofram por divergência nas transmissões das informações”, conclui.

 
 

 DROPES

ABENGOA CHEGA A ACORDO COM CREDORES PARA EVITAR FALÊNCIA

A empresa de energia renovável espanhola Abengoa afirmou ter chegado a um acordo de reestruturação com os credores para evitar a maior falência da história na Espanha, o que levou as ações a subirem quase 4%.

Um grupo de investidores, incluindo a Centerbridge PartnersElliott Management e Oaktree Capital Management, concordaram em injetar 1,17 bilhão de euros na companhia.

A Abengoa também deverá receber 307 milhões de euros em garantias financeiras. Em troca, os investidores e credores, como o Banco Santander e o Banco Popular Español, vão deter entre 90% e 95% da Abengoa, dependendo do alcance ou não de determinados objetivos.

A empresa não deixou claro se 75% dos credores concordaram com a reestruturação, como é exigido pela lei das insolvências da Espanha.

 

CIDE MAIOR DA GASOLINA ESTIMULARÁ R$ 40 BI NA ECONOMIA COM ETANOL

A fim de reverter esta situação e voltar a movimentar bilhões adicionais na economia com a retomada do incremento do etanol na matriz energética, com efeitos na geração de emprego e renda, o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), Alexandre Andrade Lima, reuniu-se com membros do governo e o ministro de Minas e Energias, Fernando Filho, para defender o reajuste da Cide da gasolina e a aplicação de um critério ambiental onde taxa o combustível a partir do seu teor poluente.

O ministro prometeu se reunir com a equipe econômica do governo para avaliar a viabilidade da medida, bem como outros pleitos do setor. Durante reunião, Lima também ressaltou a importância da medida para a ampliação do consumo do combustível a base de cana, que gerará grande movimentação financeira com positivos reflexos na economia.

O dirigente lembrou que mais de US$ 40 bilhões poderão ser investidos pelo setor para atender a demanda dos consumidores, além de todos os benefícios a serem gerados com milhares de novos empregos. A iniciativa ainda ajuda o país a cumprir a meta posta na COP 21.

 

PRINCIPAL ÁREA DE AÇÚCAR DA ÍNDIA VÊ PRODUÇÃO 40% MENOR EM 2016/17

O Estado indiano de Maharashtra deve ver sua produção de açúcar cair 40%, para 5 milhões de t na safra 2016/17, que começa em 1º de outubro. De acordo com um representante de um grupo industrial, o Estado, localizado no Oeste da Índia, produziu 8,4 milhões de t de açúcar na safra atual.

A produção mais baixa no principal estado produtor vai baixar a produção total da Índia e pode forçar o país a importar o adoçante. A área de cana-de-açúcar diminuiu e espera-se que a produtividade também caia em razão da seca, de acordo com Sanjeev Babar, diretor administrativo da cooperativa das usinas de açúcar do Estado de Maharashtra. Na safra atual, 178 usinas estavam operando, mas na próxima safra entre 30 e 40 usinas podem fechar devido à escassez da matéria-prima.

 

VOLTA DO PIS/COFINS SOBRE ETANOL ELEVARÁ PREÇOS E REDUZIRÁ CONSUMO, DIZ DIRETOR DA SÃO MARTINHO

O diretor financeiro e de relações com investidores do Grupo São Martinho, Felipe Vicchiato, avaliou que o retorno da cobrança de PIS/Cofins, de R$ 0,12 por l de etanol hidratado, a partir de 1º de janeiro de 2017, deve gerar aumento de preços ao consumidor e, consequentemente, reduzir a demanda pelo combustível às companhias. “A volta da cobrança ao produtor significa perda de produtividade na cadeia, porque aumentará o etanol na bomba e reduzirá o consumo, trazendo um ajuste da demanda à oferta”, disse Vicchiato. Com isso, segundo ele, o Grupo São Martinho não deverá importar etanol até o final desta safra, como fez no último trimestre da passada, entre janeiro e março desde ano.

Por enquanto, o Grupo São Martinho não considera que o governo aumentará a cobrança da Cide, hoje em R$ 0,10 sobre a gasolina, o que seria uma alternativa de aumentar a receita para minimizar o rombo das contas públicas. “O que a gente sabe é que, olhando do ponto de vista de inflação, a Cide impacta no curto prazo e é mais carga tributária”, afirmou Vicchiato.

 

LA NIÑA DEVE INFLUENCIAR SAFRA 2016/17

Após a ocorrência de um forte El Niño, que trouxe muitos prejuízos à agricultura brasileira, o clima passa por um período de transição para a chegada do La Niña. De acordo com informações do NOAA (Serviço Oficial de Meteorologia dos EUA) há de 55% a 60% de chances do evento ocorrer entre os meses de agosto e outubro. Já na visão do climatologista, Luiz Carlos Molion, o evento climático deverá se intensificar entre setembro e outubro, e permanecer até 2019, voltando a atrapalhar a produção agrícola nacional.

Como na cana-de-açúcar do Centro-Sul do país o plantio é feito entre outubro e março e a colheita entre abril e setembro, a falta de chuvas que poderia ser trazida pelo La Niña teria um efeito duplo, contribuindo para a conclusão da moagem nos últimos meses da safra ou comprometendo o desenvolvimento dos canaviais entre dezembro e janeiro, de acordo com informações da consultoria INTL FCStone. Em São Paulo, onde está mais de metade área plantada com cana do País, os efeitos em geral se limitam às regiões mais próximas da fronteira com Paraná e Mato Grosso do Sul. Todavia, no Nordeste, que foi mais diretamente afetado pelo El Niño, é possível que o La Niña tenha impacto mais definido, com chance de aumento das chuvas entre agosto e setembro, beneficiando o desenvolvimento da cana.

 EXECUTIVO

 

ELIANA APARECIDA CANEVAROLO

Idade 52 anos

Naturalidade - Sertãozinho, SP

Estado CivilSolteira

Formação  Engenheira Química pela Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto)

Cargo Presidente do Gegis (Grupo de Estudos em Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro)

Hobbies Estar na companhia da família e de seus animais de estimação, e plantar flores e cultivar hortaliças

Filosofia de vida - “Vencer os desafios. Todos!”

 

Natália Cherubin

O grande lema da vida da executiva deste mês é vencer desafios. Não alguns, mas todos! Eliana Aparecida Canevarolo, presidente e uma das fundadoras do Gegis, (Grupo de Estudos em Gestão Industrial do Setor Sucroalcooleiro), vem vencendo não só os desafios impostos pela crise econômica dos últimos anos, como também o de manter vivo, durante 15 anos, o único grupo de estudos voltado especificamente para área industrial das usinas sucreoenrgéticas.

Segundo Eliana, empresas fornecedoras de maquinários, soluções em tecnologia e desenvolvimento passaram a procurar o Gegis para fazer parecerias em estudos e testes de novos processosSegundo Eliana, empresas fornecedoras de maquinários, soluções em tecnologia e desenvolvimento passaram a procurar o Gegis para fazer parecerias em estudos e testes de novos processos

Muito antes de escolher estudar Engenheira Química, Eliana nem sonhava que teria a oportunidade de experienciar na prática o dia a dia de um laboratório, ainda mais dentro de uma usina de cana-de-açúcar. Pois é. Depois do primeiro emprego em um supermercado da cidade de Sertãozinho, SP, no qual trabalhava durante suas férias escolares, Eliana foi trabalhar em uma loja de materiais de construção. Nesta loja ela conta que conheceu Gilberto e a Elizabeth, um casal que trabalhava na Usina São Geraldo e que conseguiu uma vaga de trabalho no laboratório da usina.

“Foram meus primeiros passos de aprendizado nesta área. Na Usina São Geraldo trabalhava durante o dia e estudava a noite. Lá fui preparada para ser microbiologista. Comecei a aprender e me encantei com as leveduras e as bactérias. Fui tomando gosto de aprender cada vez mais. No meu percurso tive vários professores que me ensinaram e ensinam até hoje. Depois de dez anos de muito aprendizado fui trabalhar na Unialco, onde fiquei por nove anos. Após este período, já me sentia profissionalmente amadurecida, então iniciei meu trabalho como consultora”, relembra Eliana.

Depois da experiência dentro de usinas e durante a atuação como consultora, Eliana enxergou que existia uma grande dificuldade no intercâmbio de informação entre as usinas e a necessidade de aproximá-las umas das outras para trocar informações sobre as práticas utilizadas nos processos de produção, novas tecnologias, fornecedores, qualificação de mão de obra, custos operacionais etc. Foi aí que, junto a Akira Kawakami, do Instituto Master’s, uma consultoria especializada em gestão empresarial, e mais alguns de seus clientes, surgiu a ideia de criar um grupo formado por gestores técnicos de usinas onde cada empresa participante teria a oportunidade de trocar experiências com todas as outras usinas do Brasil inteiro, respeitando as particularidades de cada unidade.

A partir disso nascia o Gegis, hoje formado por profissionais de usinas de açúcar e etanol, gestores da área industrial e empresas patrocinadoras. Segundo Eliana, a participação dos associados é gratuita e subsidiada pelas empresas patrocinadoras. “Atualmente são 93 usinas parceiras dispostas em todo o território nacional. Reúnem-se mensalmente usinas de pequeno e grande porte. Não há diferença de tratamento entre os profissionais. A experiência bem-sucedida está presente independentemente do porte da empresa. Todos os participantes estão pré-dispostos a ouvir e aprender com o foco no aprimoramento”, destaca.

 

15 ANOS DE BENCHMARKING
Para ela, é preciso ter muita sabedoria, paciência e persistência tanto na vida profissional, quanto pessoalPara ela, é preciso ter muita sabedoria, paciência e persistência tanto na vida profissional, quanto pessoal

O Gegis, assim como o setor, ultrapassou grandes desafios, mas também obteve grandes conquistas ao longo destes 15 anos. Para Eliana, o maior desafio e conquista foi conseguir manter o grupo ativo após tantos anos.

“Enfrentamos juntos muitas crises econômicas, assim como também acompanhamos o crescimento e a transformação desse segmento. Passamos da colheita 100% manual para hoje estarmos bem próximos de uma produção 100% mecanizada. As indústrias dobraram suas capacidades de produção, investiram em tecnologia e mão de obra qualificada, e o Gegis contribuiu nesse processo proporcionando às usinas o acesso à informação, viabilizando visitas técnicas em unidades produtoras detentoras de tecnologia de ponta e realizando benchmarking entre as unidades e o mercado para assegurar a todas as empresas parceiras a garantia da informação correta e indicação das melhores tendências a seguir.”

O Gegis inclusive passou a ser referência neste segmento de mercado. Segundo Eliana, empresas fornecedoras de maquinários e soluções em tecnologia e desenvolvimento, passaram a procurar o grupo para fazer parecerias em estudos e testes de novos processos. “Toda essa evolução contribuiu para o crescimento de todos”, complementa.

Hoje os temas de maior discussão do grupo são a melhoria da eficiência industrial e a redução de custos. As reuniões são realizadas periodicamente em Sertãozinho e Dourados, MS, e os seminários e fóruns de debates são feitos por região, para facilitar a logística e viabilizar a participação de todos os parceiros e associados.

“Estamos planejando um Congresso Tecnológico voltado para o agronegócio que tem o intuito de fazer com que os profissionais discutam os desafios do nosso segmento e apontem o direcionamento que o setor deseja. O resultado desse congresso será um documento que será direcionado aos órgãos competentes com as propostas do segmento”, conta Eliana, que adiciona que a meta do Gegis é conseguir a parceria de 100% das usinas produtoras.

 

VIDA CORRIDA

Ela acorda cedo e vai dormir muito tarde, e descreve a rotina de vida como “muito corrida”. Eliana vive viajando a trabalho e diz que quando precisa se deslocar dirigindo, prioriza viagens durante o dia por questões de segurança, o que lhe toma ainda mais tempo. “Utilizo a tecnologia para resolver o que é possível, mas como fico muito tempo fora, tenho a preciosa ajuda da minha família para me representar em situações que não posso resolver à distância.”

É essa família que faz seus dias de descanso serem ainda melhores. Mesmo não tendo filhos, Eliana diz ter quatro grandes amores: Fernanda, Rodolfo, Catarina e Antonia, seus sobrinhos. “Amo a companhia da minha família. Todo final de semana estou com meus pais e sempre que posso tenho a companhia também dos meus sobrinhos e dos meus irmãos.”

Além de curtir a família, Eliana conta que sempre tem um tempo para estar em contato com o campo, mexer com a terra, plantar flores e cultivar o seu pomar no sítio da família, onde cria outros amores: seus cachorros. “Minha família tem uma tradição religiosa muito grande, então construí uma capelinha lindíssima, onde todas as celebrações especiais da família são realizadas. Poder curtir este sítio é uma satisfação enorme que tenho”, diz.

Mesmo com muito pouco tempo na agenda, Eliana sonha em poder viajar pelo mundo, conhecer e aprender mais com outras culturas. Mas diz que até agora a vida já lhe ensinou o mais importante: “É preciso ter muita sabedoria, paciência e persistência tanto na vida profissional, quanto pessoal. Estes são meus maiores aprendizados até o momento.”  

 

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