Com dívidas que se aproximam de R$ 40 milhões com pequenos produtores e bancos, a BioÓleo entrou com pedido de recuperação judicial no fim de março. A empresa, localizada em feira de Santana, interior da Bahia, tem como sócios a 2R Participações e a Petrobras, cada uma com fatia de 50%. A expectativa é de que o pedido de recuperação seja deferido ainda hoje.

Segundo Hilton Lima, sócio da 2R Participações, o pedido de recuperação tem relação com problemas derivados justamente da parceria com a Petrobras. Quando foi feita a proposta de sociedade, em 2010, a ideia era que a BioÓleo se tornasse a principal fornecedora de óleo refinado de origem vegetal para a fábrica da petroleira localizada em Candeias (BA). Isso, disse Lima, criou a necessidade de a empresa, que antes operava de forma independente, fazer aportes mais expressivos que os inicialmente planejados para elevar as capacidades de refino e esmagamento.

A Petrobras comprou em agosto de 2010, por R$ 15,5 milhões, 50% das ações da 2R Participações na BioÓleo, fundada em 2007. Logo depois as sócias fizeram um aporte de R$ 6 milhões na empresa, dividido em partes iguais. Com esse fôlego extra, a BioÓleo investiu R$ 16 milhões em uma esmagadora de soja, mas desde o fim de 2014, os investimentos pararam, segundo Hilton Lima.

Vieram, então, as investigações de corrupção e a crise financeira da Petrobras, que decidiu se desfazer de vários negócios, entre os quais os da área de biocombustíveis. No início da sociedade, a BioÓleo, com capacidade de produção de 54 mil toneladas por ano de óleo, vendia 45 mil toneladas anuais de óleo refinado à petroleira, mas em 2016 as vendas recuaram, conforme Lima, para cerca de 10 mil.

Como cliente compradora desse óleo, a Petrobras não tem dívidas com a BioÓleo. Mas como sócia da empresa, também está inadimplente com os credores.

Hoje, disse Lima, a BioÓleo tem débitos com bancos da ordem de R$ 37 milhões, além de R$ 3 milhões com pequenos fornecedores de óleo de caroço de algodão.

Procurada, a Petrobras Biocombustível afirmou, em nota, que "cumpre suas obrigações e vem avaliando com o sócio soluções para o negócio". A estatal informou, ainda, que as sucessivas quebras de safra de mamona (uma das matérias-primas usadas para a produção dos óleos vegetais) comprometeram uma importante fonte de receita, o que afetou a geração de caixa da BioÓleo.

Conforme Airton Carneiro, sócio da Carneiro Indústria e Comércio, entre os credores da empresa está um grupo de dez pequenos produtores nordestinos de caroço de algodão. Para a Carneiro Indústria, afirmou, a BioÓleo está devendo R$ 840 mil, referentes a 300 mil quilos de óleo de caroço de algodão.

A petroleira já sinalizou que não pretende voltar a elevar as apostas em biocombustíveis, como parte da estratégia adotada para mitigar os efeitos da crise. A Petrobras começou a se afastar oito anos após voltar a realizar aportes expressivos no segmento, época em que o governo Lula prometia tornar o Brasil a "Arábia Saudita do etanol".

Em etanol, a estatal já saiu da parceria com a Tereos na Guarani e da sociedade com a São Martinho na Nova Fronteira ­ embora ainda não tenha vendido as ações da São Martinho que recebeu nessa "separação". A Petrobras permanece com uma participação na Bambuí Bioenergia, por meio da sociedade na Turdus Participações.

"O problema é que a Petrobras, saindo do setor, não demonstra interesse em resolver esses débitos", afirmou Thyago Périgo, diretor comercial do Grupo Aba Brasil, empresa que faz a intermediação comercial entre os produtores e a BioÓleo. (Valor Econômico)

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