Cenário agrícola é desafiador, mas promissor como sempre

Henrique Mazotini

Henriquefoto-Alf-Ribeiro-01De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do país avançou 1% entre janeiro e março e interrompeu a sequência de oito trimestres consecutivos no vermelho. A safra recorde cumpriu a promessa de tirar a economia de um ciclo de queda, enquanto a indústria cresceu abaixo do esperado e o segmento de serviços estagnou. O PIB da agropecuária cresceu 13,4% no primeiro trimestre, a maior alta em mais de 20 anos, e para 2017 é esperado crescimento em torno de 26%.

Passada a euforia, chegou a hora de interpretar, com visão crítica, o quanto estamos perdendo em não prover investimento público no agronegócio. Algumas prioridades do setor, já apontadas pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV) nos últimos anos, estão onerando e dificultando a safra do agricultor brasileiro, principalmente nas questões relacionadas ao armazenamento e ao escoamento.

 

Outro ponto fundamental é o acesso ao crédito rural que precisa, urgentemente, ser desburocratizado por meio de uma legislação moderna. Com recursos e subsídios, toda a cadeia do agronegócio passa a ser incentivada, contribuindo de forma positiva para a economia do país em períodos nebulosos.

 

O seguro agrícola é outro ponto que necessita de atenção especial, dado que possibilita ao agricultor uma estabilidade maior para investir em seus negócios. É um produto fundamental, considerando que as perdas no campo quando ocorrem são severas, causando dificuldades para os produtores.  O poder público deve ter ciência dessas dificuldades e implementar de vez o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. É preciso uma política estratégica de governo e com verba garantida no orçamento, sendo essa a única forma de estancar os custos financeiros e o desgaste político, em razão de renegociações de dívidas por perdas climatológicas e preço.

 

No combate a entrada e a utilização de defensivos ilegais são necessárias ações governamentais para estancar tal procedimento. Está em tramitação na Câmara Federal o Projeto de Lei (PL) que inclui no rol de crimes hediondos o roubo, furto, receptação e contrabando de defensivos agrícolas. Dada a relevância da questão para a sociedade, esse assunto deve fazer parte da agenda do Congresso Nacional.

Por fim, a questão de segurança, do transporte e do armazenamento de produtos é iminente, primando por melhores condições de segurança, fator essencial para aumentar os investimentos no agronegócio. Portanto, o investimento no setor certamente é o caminho para a recuperação da economia brasileira.

Na ANDAV, temos a visão de que está passando da hora do governo “olhar” com uma grande lupa para os principais gargalos do agronegócio. A distribuição de insumos agrícolas movimenta 60% do negócio de proteção de cultivos, e mais de 90% dos medicamentos veterinários. O faturamento dos insumos via distribuição é superior a R$ 47,4 bilhões, setor que emprega mais de 85 mil funcionários diretos. Portanto, temos condições de contribuir de forma significativa para a economia do país, gerando mais empregos e levando tecnologia ao campo.

É importante frisar que toda essa discussão sobre os cenários futuros, a macroeconomia e seus desafios, a profissionalização, os aspectos políticos e os cases inspiradores estão na programação do VII Congresso – ANDAV Fórum & Exposição, que acontecerá em agosto, em São Paulo.

A cada edição do Congresso buscamos inovar a pauta e ampliar os temas abordados em apoio constante às demandas e ao crescimento sustentável do setor, além do networking amplamente utilizado pelo canal de distribuição de insumos agrícolas e veterinários, indústria, poder público e associação de classe, para juntos avaliarmos nosso cenário e refletir sobre ações práticas para a maior vocação econômica do Brasil: “o agronegócio”.

Por: Henrique Mazotini, presidente executivo da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumo Agrícolas e Veterinários (ANDAV), que organiza o VII Congresso ANDAV – Fórum & Exposição, que acontece entre os dias 14 e 16 de agosto, no Transamerica Expo Center, em São Paulo - SP.

 

Agricultura, o berço da humanidade

Por Arnaldo Jardim

arnaldo-jardimO Dia do Agricultor (28 de julho) reforça a certeza da nobreza, versatilidade e força desta atividade diretamente relacionada com o próprio desenvolvimento da humanidade, há pelo menos 12 mil anos. O início das atividades agrícolas separa o período neolítico da idade da pedra lascada. Antes nômade, o Homem teve condições de criar raízes graças à agricultura, à fertilidade da terra que garante o alimento para sua existência todos os dias.

Esta é a missão nobre dos nossos agricultores. São eles os responsáveis pelo nosso tradicionalíssimo arroz com feijão cotidiano e trivial, mas também pelo delicioso sabor da quebra de recordes de produção e exportação, de valorização de commodities em bolsas de valores mundiais.

É o trabalho homem do campo que fez com o Brasil deixasse de ser dependente da importação de alimentos até a primeira metade do século passado. Hoje somos os provedores do alimento nas mesas de mais de uma centena de países, campeões de comercialização de itens básicos da dieta humana como proteína animal, açúcar e suco de laranja.

Esta vocação para a agricultura é justamente o nosso diferencial no mundo. No País onde já se disse que "se plantando tudo dá", abundam os recursos hídricos, o solo fértil e a luz solar que transforma sementes em renda e esperança para milhares de famílias na zona rural.

Um desenvolvimento econômico e social que é a chave da retomada do crescimento de nossa economia. É um setor fundamental para atenuar as sucessivas quedas do produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e os déficits da nossa Balança Comercial.

Tem a pujança e o comprometimento necessários para encabeçar investimentos em infraestrutura, essenciais para diminuir os altos custos de produção e escoamento e aumentar ainda mais nossa competitividade no mercado mundial. É único setor da economia e da sociedade que cresce mesmo em tempos incertos, delicados e imprevisíveis.

Não apenas o nosso esteio, a agricultura é a nossa missão, e temos cumprido com excelência, inovação, apoio ao pequeno produtor, transferência de tecnologia e respeito ao meio ambiente. Temos a sorte de sermos no Governo do Estado de São Paulo liderados por um governador entusiasta da agropecuária.

Geraldo Alckmin é conhecedor da importância do setor para a economia, a sociedade e a natureza. É por isso que, mesmo em tempos de recessão continua por meio de nossa Secretaria de Agricultura e Abastecimento investindo em pesquisa, inovação, agregação de valor, geração de renda e sustentabilidade para nosso agricultor.

No turbulento ano de 2016, os institutos de pesquisa da nossa Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) receberam investimentos que ultrapassaram R$ 10 milhões. Dinheiro que se multiplica ao retornar à sociedade: cada R$ 1 investido garante retorno de R$ 11,40. Neste ano, o governador já liberou mais R$ 22 milhões para nossos institutos.

Com o Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável - Microbacias II - Acesso ao Mercado, desde o início, em 2011, já foram beneficiadas 263 organizações com 339 projetos, reformadas 38 Casas da Agricultura (CAs), sendo investidos mais de R$ 5 milhões e, para este ano, há quase R$ 10 milhões reservados para serem usados nas reformas de mais 39 CAs e duas Regionais da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati).

Também foram beneficiados 57 municípios com adequações em trechos de estradas rurais, totalizando a recuperação de 789,21 km, com valor total de R$ 25 milhões. E novos convênios foram assinados para beneficiar 46 municípios, totalizando 396,3 km, com valor total das obras de quase R$ 26 milhões.

São valores investidos na certeza de que serão bem aplicados porque sabemos que há muito tempo o agricultor não é amador, arcaico ou desconectado do mundo atual. Empreende, tem iniciativa e é capaz de sobreviver a diferentes desafios.

O homem do campo não é mais a figura folclórica do Jeca Tatu. Hoje ele quebra recordes de produtividade ao utilizar tecnologias para prever com mais detalhes as condições climáticas, mapear pragas e doenças, distribuir com eficácia sementes e adubos e mais uma infinidade de inovações que a modernidade trouxe e continua trazendo.

Parabéns aos nossos agricultores!

Por Arnaldo Jardim, Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

Arrendamento e parceria agrícola tornaram-se um grande vilão no Estado de São Paulo

* Ricardo Pinto
Representando o segundo maior desembolso agrícola de uma usina paulista, atrás apenas da Folha de Pagamento, o custo com arrendamentos e parcerias está inviabilizando a produção de cana em determinadas regiões. É crucial que soluções sejam discutidas e trabalhadas estrategicamente para contê-lo

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De olho no futuro: gestão eficiente garante sustentabilidade do setor

* Ian Dobereiner
A história de sucesso do setor sucroenergético brasileiro é evidente. Essa trajetória é marcada por profundas mudanças nos últimos anos em termos de eficiência, principalmente por causa da tecnologia. A força e a grandiosidade da agroindústria refletem a sua representatividade na economia do País.

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Em maio, quais são os fatos e impactos na cana?

* Prof. Dr. Marcos Fava Neves
(Minha Leitura dos Fatos da Cana em Maio de 2017) Quais são os fatos e impactos na cana?
A estimativa de produção de cana da UNICA para 2017/18 já reflete quebras: 585 milhões de toneladas (35,2 milhões de toneladas de açúcar, queda de 1,2% e 24,7 bilhões de litros de etanol, com mix de 47% para o açúcar).

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Quais são os fatos e impactos no açúcar neste mês?

* Prof. Dr. Marcos Fava Neves
-  Com uma mudança impressionante no mix de produção de mais de 5,6% em relação a 2015/16 (40,65% da cana destinada a açúcar para 46,29%), fechada a safra 2016/17 (dados da UNICA), produzimos 14,11% a mais de açúcar que no ano anterior, mesmo tendo  menos cana.

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O etanol não pode esperar

* Adriano Pires
O setor sucroalcooleiro nacional, que já passou por diferentes ciclos desde o advento do Proálcool, vem enfrentando um longo período de crise, motivado, em grande medida, por má gestão governamental.

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Cana: açúcar, etanol, energia e renda

* Arnaldo Jardim
A safra 2016/2017 da cana-de-açúcar do Centro-Sul brasileiro se inicia com a boa notícia do crescimento da produção de açúcar. Um fato positivo e animador em um momento ainda delicado na economia brasileira, com recordes de desempregados, continuidade da estagnação da produção industrial e queda por três anos seguidos do produto Interno Bruto (PIB).

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Um golpe no Acordo de Paris

* João Guilherme Sabino Ometto
É muito preocupante o decreto assinado pelo presidente Donald Trump, que restabelece a possibilidade de reconstrução acentuada de usinas de carvão nos Estados Unidos, inclusive em terras federais. A medida anula moratória que havia sido estabelecida por seu antecessor, Barack Obama.

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