No ATR houve boa melhoria, chegando a 137,80 kg/ton, contra 134 na safra anterior. A amostra do CTC estima em 77,53 toneladas/ha desde o início desta safra, 1,58% menor.

O Brasil deve produzir menos açúcar em 2017/18 graças ao maior uso da cana para etanol. Preços do petróleo mais altos (perto de US$ 60 por barril) tem ajudado neste escoamento. A Biosev acredita em queda de 4,1 milhões de toneladas na próxima safra (de 36,2 milhões de toneladas para 32,1 milhões de toneladas) e a Datagro queda de 3,8 milhões de toneladas (de 36,4 milhões de toneladas em 2017-2018 para 32,6 milhões de toneladas na safra 2018-2019). Com isto, acredita que o superávit fique em apenas 430 mil toneladas na safra 2017/18, contra uma expectativa anterior de quase 3 milhões. É a empresa mais otimista, sendo que as demais ainda acreditam em superávit maior. A Copersucar acredita em queda de apenas 1,5 milhão de toneladas.

Já a FCStone crê em produção de açúcar 5,5% menor, caindo para 33,3 milhões de toneladas e de etanol 5,1% maior, chegando a 26,1 bilhões de litros (10,7 bilhões de anidro e 15,4 bilhões hidratado, representando quase 9% a mais. O mix para etanol pularia de 53,4% para 56% e o superávit mundial de açúcar seria de 2,8 milhões de toneladas, puxado por ganhos na União Europeia, Índia e Paquistão. Nossa fixação também está baixa. Pela FCStone até o final de outubro apenas 18% haviam sido fixados, contra 28,5% nesta mesma época do ano anterior.

Datagro acredita em processamento de apenas 580 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul em 2018/19 contra uma expectativa de 601 milhões de toneladas nesta safra. Devemos cair 3,5%, produzindo 25,3 bilhões de litros de etanol (1,2% a mais) e queda maior no açúcar que comentei acima. Entre os fatores que ajudarão o etanol estão os preços do petróleo e a tarifa aplicada na produção dos EUA, em 20%, do que exceder 600 milhões de litros.

Bom o resultado da Biosev no segundo trimestre da safra. A empresa teve um lucro líquido de R$ 33 milhões. Foi impactante para este a desvalorização do Real. A receita foi menor em 20%, devido à queda dos preços dos produtos, e também as despesas caíram bastante, contribuindo para este resultado. A empresa decidiu paralisar as operações da Usina Maracaju, triste notícia resultando na perda de 500 empregos, mas a cana consegue ser processada em unidades vizinhas, com ganho de eficiência.

Mesma análise para a São Martinho, que teve lucro de R$ 53 milhões no período. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 391 milhões, com margem de 53%. Tal como parte importante do setor, a empresa está acumulando estoques para vender em momentos futuros de preços melhores.

Outra empresa que anunciou resultados neste mês foi a Raizen Energia. Apresentou lucro líquido de R$ 390,8 milhões no segundo trimestre da atual safra, quase 30% superior que o da safra anterior. O da Cosan foi de R$ 393 milhões no período, alta de 43%, fruto da moagem de 28,3 milhões de toneladas de cana. O EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 1,4 bilhão (50% superior) fruto das vendas de açúcar, etanol e energia elétrica. A Raizen deve fechar a safra com moagem entre 59 e 63 milhões de toneladas, produção de 4,3 milhões a 4,7 milhões de toneladas de açúcar) e o etanol ficando entre 2 bilhões e 2,3 bilhões de litros.

O endividamento das usinas no Centro-Sul aumentou 138% no últimos 5 anos, de acordo com o Itaú-BBA. A Pedra Angular, capitaneada por Winston Fritsch ofereceu R$ 890 milhões para comprar a São Fernando, em Dourados (MS), a serem pagos em 20 anos, bem como desejam participar do leilão da Revati (Renuka). O valor presente seria de R$ 450 milhões (R$ 100 por tonelada).

Começam a convergir as opiniões que a safra 2018/19 será menor que esta. Como teremos crescimento econômico e aumento de consumo de combustíveis, se os preços do Petróleo se mantiverem ao redor de US$ 60, alocaremos mais cana para etanol, contribuindo para recuperar os preços do açúcar e hoje analisando o conjunto de fatos na mesa, aposto que a safra 2018/19 terá um valor de ATR maior que esta.

No açúcar, em outubro o Brasil exportou 2,88 milhões de toneladas de açúcar (2,47 milhões de toneladas de demerara e 412 mil toneladas de refinado), quase 17% a menos que setembro e 31% a mais que outubro de 2016. Este volume trouxe uma renda de US$ 1,030 bilhão (19,7% menor que setembro) e 18,4% a mais que outubro do ano passado.

Até o momento em 2017 vendemos 24,587 milhões de toneladas (3,5% a mais que 2016), com renda de US$ 9,914 bilhões (mais 20,3%), fruto principalmente dos travamentos de preços feitos ano passado. Os dólares estão vindo ao setor.

Há expectativa de alguns melhores momentos de preços do açúcar até o início da safra, o que pode ajudar na fixação por parte das usinas, pelo maior uso de cana para etanol, perspectiva da safra brasileira terminar mais cedo e janela de safra do hemisfério norte. Mas até o momento, segundo a Archer, as nossas usinas haviam fixado até o final de outubro pouco menos de 20% da exportação esperada para o ciclo 2018/19 a um preço médio de 16,17 centavos de dólar por libra peso, sendo o menor número desde que a empresa faz este monitoramento.

Copersucar acredita que esta safra terminar em 595 milhões de toneladas, contra as 607 da safra anterior.

A verdade é que o mundo está com muito açúcar. Nós fizemos mais do que devíamos, e ainda temos boas chances de boas produções e excedentes exportáveis na União Europeia, Índia, Tailândia, Ucrânia, Rússia e Paquistão. Resta saber a este preço médio, como fica a viabilidade produtiva em muitos destes países. Pode vir desestimulo pela frente e também aumentar o consumo, jogando pelo lado da subida dos preços. Ainda aposto que passamos de 16 centavos por libra peso antes da virada deste ano, algo que já venho dizendo aqui há 4 meses.

No etanol, em setembro o volume vendido de hidratado foi de 1,34 bilhão de litros, de acordo com a ANP. Desde o mês de julho aumentou o consumo graças ao aumento dos preços da gasolina em mais de 20%. Do início do ano até o final de setembro foram vendidos 9,431 bilhões de litros (16,1% abaixo deste mesmo período de 2016). Já para outubro as vendas de hidratado pelas Usinas do Centro-Sul cresceram 21%, num total de 1,5 bilhão de litros destinados às distribuidoras.

Finalmente a chave foi virada para o lado do etanol, pena que muito tarde. A última quinzena de outubro já teve destino bem maior da cana para combustível, pulando de 51,3% para 57,15%. Na segunda quinzena de outubro, a produção foi quase 20% maior que o mesmo período do ano anterior, foram 1,57 bilha-o de litros (921,07 milho-es de litros de hidratado e 648,70 milho-es de anidro). As exportac%7o-es em outubro foram de 171,97 milho-es de litros, sendo praticamente 80% de anidro.

Analistas acreditam que mesmo com a tarifa de 20% existe grandes chances dos EUA mandarem muito etanol de milho ao Brasil. A Platts estima 1,7 bilhão de litros, chegando a tomar 40% do consumo no Nordeste, pois o Sudeste não conseguirá abastecer. É uma grande diferença quando comparamos com os 400 milhões de litros importados em 2014. Em isto acontecendo, vem mais polêmica por aí.

Aqui no Brasil também o etanol de milho já está na mesa. Produzimos neste ano 206,18 milhões de litros, contra pouco menos de 80 na safra passada.

A São Martinho é uma das empresas que aguardou para vender e deve colher bons resultados. Segundo a empresa, quase 64% do etanol desta safra está armazenado.

A GraanBio adiou suas metas de produção de etanol de segunda geração. A Usina em Alagoas está agora produzindo apenas energia, que está dando retorno muito maior.

Refinarias que forem mais eficientes que a média global em termos de emissões terão direito também aos benefícios do RenovaBio, que finalmente entrou no Congresso Nacional via projeto de lei. Agora esperar para que tenha rápida tramitação e possamos entrar em nova fase de crescimento no Brasil. Sobre o projeto de lei vale explicar mais algumas coisas e destacar algumas mudanças, pois além da tributação do carbono via certificados de biocombustíveis (CBios) há alteração nas misturas de anidro na gasolina, que passariam de 27,5% para 30% (2022) e 40% (2030). O Biodiesel iria para 15% (2022) e de 20% (2030). Fora isto, o etanol teria que ocupar 40% do consumo de veículos leves até 2022 subindo para 55% em 2030, contra os pouco mais de 30% hoje.

No fechamento da leitura o hidratado base Paulínia estava R$ 1,75 e o anidro R$ 1,90/litro. Acertei meu viés de alta para os preços que coloquei aqui há 4 meses, quem seguiu e estocou ganhou bastante e mantenho ainda que devem subir mais.

Por: Marcos Fava Neves, professor Titular da FEA/USP, Campus de Ribeirão Preto