Cosan se mostra 'empolgada' com possível compra de ativos na Argentina

O presidente da Cosan, Mario Augusto da Silva, afirmou nesta segunda-feira que a companhia está “empolgada” com a possibilidade de compra de ativos da Shell na Argentina. Em setembro, a Raízen Combustíveis, na qual a companhia possui 50% de participação, apresentou uma proposta vinculante pelo negócio de refino, distribuição de combustíveis e lubrificantes da Shell naquele país.

Os detalhes do processo de venda estão protegidos por acordo de confidencialidade, mas agências internacionais indicaram que o valor dos ativos poderia chegar a US$ 1 bilhão. “Entendemos que são ativos bons, num mercado com potencial de expansão interessante. Estamos bastante empolgados com a possibilidade”, disse o executivo. “Mas ainda estamos numa segunda fase do processo, com outros concorrentes participando. Isso deve acontecer mais para o fim do ano ou começo do ano que vem. Estamos em compasso de espera, no ‘timing’ do vendedor”, acrescentou.

Conforme Silva; há oportunidade de captura de sinergias operacionais e logísticas e, uma vez que a potencial aquisição será feita pela Raízen, o impacto na alavancagem financeira da Cosan S/A será “marginal”. Hoje, a alavancagem da Raízen, na qual a participação da Cosan é de 50%, está em torno de 1 vez.

Desempenho

Sobre o resultado do terceiro trimstre, o diretor de relações com investidores da Cosan, Guilherme Machado, ressaltou que o melhor desempenho operacional de todas as divisões da companhia impulsionou o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado.

De julho a setembro, o Ebitda ajustado totalizou R$ 1,62 bilhão, com alta de 27,9% na comparação anual. Esse desempenho operacional, combinado com a menor despesa financeira, explica o lucro líquido de R$ 499,7 milhões no intervalo, 53,4% acima do verificado um ano antes.

Uma combinação de fatores no trimestre, porém, levou a Cosan a consumir R$ 518,6 milhões em caixae, em comparação a geração de caixa livre R$ 908,2 milhões no mesmo intervalo de 2016. “Houve alguns efeitos no trimestre, entre os quais a queda de 35% no fluxo de caixa operacional por causa da base de comparação, que considerava um impacto positivo da dinâmica de capital de giro da Raízen Combustíveis”, disse Machado.

Além disso, houve neste trimestre maior consumo de caixa em investimentos com a aquisição de duas usinas da Tonon e a base de comparação também é elevada porque o terceiro trimestre do ano passado inclui os ganhos com a venda da fatia da Raízen na Serviços e Tecnologia de Pagamentos (STP). (Valor Econômico)