Biosev concentra foco em redução de custos

A Biosev está passando por um "segundo ponto de inflexão" em sua estratégia desde que se estabeleceu no país, em 2000. E a ordem é reduzir custos para ser "resiliente" mesmo em cenário de preços baixos, afirmou o CEO da empresa, Rui Chammas, em apresentação a analistas ontem em São Paulo.

Essa "inflexão" ganhou força nesta safra (2017/18), que começou com os preços de petróleo próximo dos US$ 40 o barril e forte queda das cotações do açúcar. Diante da conjuntura adversa, a empresa começou a fazer um pente fino em todas as suas áreas. Com essa diretriz, passou a reduzir seus investimentos (capex) tentando não perder produtividade.

A primeira "inflexão" foi em 2014, quando a Biosev buscou fortalecer suas operações dado que registrava "um dos piores indicadores de produtividade agrícola e tinha consumo de caixa elevado", observou Chammas.

Nesta segunda fase, os primeiros passos envolveram a revisão dos custos das operações. Um exemplo, disse, foi a otimização do uso da vinhaça, que reduz os custos com aplicações de fertilizantes em cerca de R$ 200 por hectare. "Se considerarmos uma área de 240 mil hectares, mesmo que façamos só em uma porção, já é uma redução de custos significativa".

Nas operações, a companhia alterou seu calendário de plantio. Agora, concentrará a atividade entre dezembro a março, quando se plantam as variedades mais produtivas (que crescem em 18 meses). O objetivo é manter a taxa de renovação dos canaviais em 13% da área cultivada todo ano, garantindo que os pés de cana tenham idade média de quatro anos, afirmou Ricardo Lopes, diretor de operações e originação da Biosev.

Outro passo foi focar nos produtos sucroalcooleiros e eliminar do portfólio os que não estavam "adequados" aos preços baixos. Por isso, a empresa deixou de produzir açúcar branco em três usinas e levedura na usina de Leme (SP), além de ração animal e melaço em pó. Com essas interrupções, "sobrou" vapor para a produção de etanol anidro e energia elétrica.

Agora, o pente fino está sendo feito nas fazendas, que englobam 346 mil hectares próprios com cana. "Na década de 1990, o custo agrícola era variável. Hoje, dois terços do custo agrícola é fixo, referente a corte, colheita e transporte", afirmou Chammas. Todo esse plano sustenta a perspectiva de redução do capex desta safra para R$ 1,25 bilhão (com "margem de erro" de R$ 90 milhões), ante R$ 1,38 bilhão na safra passada.

Apesar desse esforço, a empresa sofreu uma forte redução de caixa nos primeiros seis meses da safra devido à amortização de uma dívida em julho. A expectativa, porém, é retomar a geração de caixa com seus estoques de açúcar e etanol, mais robustos neste ano, observa Paulo Prignolato, diretor financeiro e de relações com investidores.

A companhia tem covenants (compromissos com credores) que a obrigam a chegar ao fim de cada safra com uma alavancagem de 3,5 vezes. O índice do último trimestre foi de 3,8 vezes. Mas, segundo Prignolato, o objetivo "de médio prazo" é reduzir essa relação para 2,5 vezes.

Além de apostar na geração de caixa, a empresa diz que também tem "habilidade de rolar dívida e alerta à diversificação de recursos", disse o executivo. Questionado, Prignolato classificou como "interessantes" os mercado de bonds e de recebíveis do agronegócio (CRAs) como fontes alternativas de financiamento. (Valor Econômico)