Biosev registrou prejuízo de R$ 278,7 milhões no tri da safra

A Biosev, controlada pela Louis Dreyfus Company, saiu do azul para registrar um prejuízo líquido de R$ 278,686 milhões no terceiro trimestre da safra 2017/18 (encerrado em dezembro). No mesmo período da safra passada, a empresa registrou lucro de R$ 42,787 milhões.
Nos três primeiros trimestres da safra atual, a empresa acumulou prejuízo de R$ 823,141 milhões, quase três vezes maior que no acumulado da safra passada.


A receita com vendas ficou praticamente estável no terceiro trimestre, em R$ 1,535 bilhões. No acumulado da safra, o faturamento recuou 5,6%, para R$ 5,148 bilhões.


Um dos fatores que mais pesaram negativamente no resultado líquido foi o aumento dos encargos financeiros. As despesas financeiras no terceiro trimestre mais do que duplicaram em relação ao mesmo intervalo da safra anterior, somando R$ 451,594 milhões. Apenas a variação cambial foi responsável por perdas de R$ 237,395 milhões.


Também cresceram os custos e as despesas operacionais. Tanto que, antes de descontar as perdas financeiras, a Biosev teve um resultado operacional 12,6% menor do que no mesmo trimestre do último ciclo, totalizando R$ 104,205 milhões.


O resultado líquido antes dos tributos no trimestre foi negativo em R$ 335,803 milhões, muito acima das perdas de R$ 48,990 milhões um ano antes.
A Biosev também informou que seu conselho de administração aprovou hoje a nova política financeira e de gestão de riscos da empresa, que hoje prevê um limite de 3,5 vezes para a relação entre dívida líquida ajustada e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (alavancagem). O alvo para esse indicador passa a ser de 2,5 vezes.


Para a liquidez corrente, relação entre o ativo e passivo circulantes, a empresa passa a ter que registrar uma relação superios a 1,1 vez.
A relação entre Ebitda ajustado e despesas financeiras líquidas passa a ser de no mínimo 2,5 vezes.
Para o prazo médio de vencimento das dívidas, a meta passa a ser de ao menos quatro anos.

Os limites devem ser observados no fim de cada safra, enquanto os alvos devem ser observados “como objetivos de longo prazo, em condições normais de mercado”, segundo documento publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).


A companhia estabeleceu, ainda, que deve ter caixa, investimentos de curto prazo e estoques de alta liquidez suficientes para cobrir suas despesas operacionais e serviço da dívida por 30 dias, “em condições normais de mercado”.


A Biosev também estabeleceu que deve ter precificado, no último dia de cada safra (31 de março), um volume tal de açúcar e energia elétrica da safra seguinte que corresponda a 60% e 100% de sua exposição líquida, respectivamente. Para o etanol, a precificação antecipada deverá ser de até 50% de sua exposição líquida da nova safra.