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INVESTIMENTOS INDICAM QUE SETOR DE ETANOL SE RECUPERA

Receitas maiores por vendas no mercado doméstico e no exterior estão permitindo a primeira onda de investimentos na complicada indústria de etanol no Brasil. Depois de quase uma década, empresas voltam a expandir ou aumentar a sua capacidade. A usina Rio Verde, de porte médio, afirmou que vai dobrar a sua produção de etanol ao longo dos próximos dois anos por conta do mercado de biocombustíveis.

O colapso do real melhorou as perspectivas do etanol brasileiro no exterior e os recentes aumentos dos preços nas refinarias, feitos pela Petrobras e o aumento de impostos sobre a gasolina, impulsionaram a demanda doméstica para o biocombustível a níveis recordes. No acumulado do ano até setembro, as vendas de etanol hidratado aumentaram 42,2%, para 13,14 bilhões de l, segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo).

“O cenário para o etanol se iluminou, mesmo com a economia geral parecendo mais difícil,” disse Luis Galan, gerente de operações da usina de Rio Verde, no Estado de Goiás.

CONSUMO DE ETANOL TRIPLICA EM MINAS GERAIS

Em Minas Gerais o consumo de etanol triplicou este ano. O aumento no preço do combustível anima os produtores de cana e a expectativa é que o setor sucroenergético movimente R$ 8 bilhões no Estado em 2015, 1 bilhão a mais em relação ao ano passado.

O reajuste no preço da gasolina aqueceu a demanda no mercado interno e o consumo de etanol no Estado deve ser de 1,9 bilhão de l. Em novembro, o etanol hidratado no Estado foi comercializado a R$ 1,70 pelas usinas. O valor é 30% maior em relação ao mesmo período de 2014. De acordo com o presidente das Indústrias Sucroenergéticas de Minas, Mário Campos, o reajuste foi necessário para cobrir os custos de produção do setor.

A alta nos preços já reflete em outros setores da cadeia produtiva. A Associação dos Fornecedores de Cana de Campo Florido, cidade próxima à Região do Triângulo Mineiro, acredita que até o fechamento da safra 2015/16, os produtores devem receber de 5% a 8% a mais pela tonelada de cana, em comparação com a temporada anterior.

ETANOL 2G PRECISA TER ESCALA DE PRODUÇÃO

O etanol de segunda geração (2G), feito a partir da palha ou do bagaço da cana, precisa ganhar escala antes de se tornar uma realidade para o setor sucroenergético no futuro. A avaliação é do presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. Segundo ele, não é possível transformar o etanol 2G em tábua de salvação.

Para o curto prazo, o consultor engrossa o coro de analistas e produtores e avalia que o setor sucroenergético precisa, como meta para as próximas quatro décadas, de uma regulação de mercado. “Até hoje não se sabe qual é o nível correto da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) cobrada sobre a gasolina e também não se sabe se o preço da gasolina na refinaria vai seguir os valores internacionais”, disse.

USINA É MULTADA POR QUEIMADAS

A 2ª Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo manteve decisão da 2ª Vara de Novo Horizonte que multou usina por ter se beneficiado da queima da palha de cana-de-açúcar durante período de proibição estabelecido pela Resolução SMA 35/2010.

De acordo com os autos, a queima ocorreu em cinco propriedades da usina, localizadas no Município de Borborema, SP. Embora a responsável pelo plantio e colheita tenha sido outra empresa, ambas pertencem ao mesmo grupo empresarial que realizou a atividade em áreas de responsabilidade da usina.

SAFRA 2015/16 SERÁ MAIOR

A safra 2015/16 de cana-de-açúcar no Centro-Sul será 4,5% maior do que a anterior, avalia Fabio Meneghin, analista de cana-de-açúcar da consultoria Agroconsult. A moagem, que teve números iniciais estipulados em 620 milhões de t, chegará apenas na casa dos 600 milhões.

“O número até poderia ser maior, no entanto, o período chuvoso impossibilita às usinas de colherem a cana-de-açúcar neste período de final de ano”, ressalta Meneghin.

Os estados do Paraná, Mato Grosso e uma parte de São Paulo foram às regiões que tiveram um atraso maior na estimativa, o que deve resultar em cana bisada ao final desta safra. “Nesta conta dos 600 milhões de t, consideramos que entre 15 a 20 t serão processadas no período da entressafra – entre janeiro e março de 2015. Isso já aconteceu na safra 2009/10, quando, naquela época, foram processadas 26 milhões de t.”

ERRATA

Na edição 175, na nova editoria da RPAnews “Fora do Expediente”, publicamos uma foto para ilustrar a matéria do Tour Cervejeiro sem os créditos do autor, Thiago Fernandes.

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