Fórum – Quais inovações tecnológicas realmente impactaram positivamente o setor sucroenergético?

Natália Cherubin

SETOR PRECISA DE MAIS RUPTURAS

“Temos que dividir em vários pontos. Acompanho o setor há mais de 30 anos. Se tirássemos fotografias temporais, veríamos uma evolução fantástica em mecanização agrícola e uma mudança substancial na qualidade do emprego. Tivemos também algumas rupturas de tecnologia industrial com aumento da eficiência da produção de etanol e açúcar, no entanto, não tivemos nenhum fato que possa ser considerado fantástico. Estão surgindo agora e em velocidade maior, embora sempre tenha existido, a cogeração, caldeiras de alta pressão, cada vez maiores e com maiores eficiências, participação da energia elétrica na matriz energética brasileira e o etanol 2G. No entanto, ainda não tivemos nenhum processo de ruptura que consiga reduzir substancialmente o custo de produção agrícola e industrial.”

Fernando Perri, consultor em gestão de usinas e destilarias

IMPACTOS POSITIVOS DEVEM OCORRER

“As inovações que estão sendo geradas ainda não impactaram suficientemente porque ainda não foram socializadas da maneira e na velocidade que imaginávamos. O manejo varietal, por exemplo, é uma coisa que se fala há décadas. Há alguns anos, lançamos o conceito de matriz de ambiente, que é justamente um estratégia usando conhecimento de ambiente de produção em época de colheita, uma estratégia aplicável e que protege os canaviais de um déficit hídrico exacerbado. Com isso, consegue-se um aumento de produtividade ao evitar uma junção de condições restritivas. Quem utiliza tem ganhos importantes. A Jalles Machado teve ganhos de 30% em sua produtividade usando a matriz e adotando variedades novas. Variedade é uma tecnologia que continua impactando bastante. Usinas e produtores que apostaram em novos materiais deverão sentir os impactos ainda nesta safra. As tecnologias de proteção que as empresas têm utilizado com produtos que associam uma segunda ação fisiológica também é importante. Temos uma série de impactos positivos com possibilidade de ocorrer, desde que as tecnologias sejam bem adotadas.”

Marcos Landell, diretor do Centro de Cana do IAC (Instituto Agronômico de Campinas)

AGRÍCOLA É GARGALO

“Eu diria que houve um processo inverso. A parte de processamento e a parte industrial conquistaram equipamentos de maior durabilidade, produtos de inox, automação elétrica, ganho de eficiência na extração, fermentação e destilação. O setor cresceu e conseguiu absorver todos os custos de produção na questão da produtividade. O gargalo ainda está na atividade agrícola devido a mudança radical no processo de colheita e plantio de cana. Nestas atividades não estão sendo utilizadas as melhores tecnologias e insumos. A falta de dinheiro também ajudou para que a produtividade não se desenvolvesse e ainda, tivemos a questão climática. Então há uma diferença muito grande no que aconteceu na atividade agrícola e o que aconteceu na atividade industrial. O grande desafio é ter uma matéria-prima mais competitiva, seja para o etanol 1G, seja para etanol 2G.”

Antônio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar)

INOVAÇÕES AGRÍCOLAS

“A pergunta é difícil. Mas, desde 2011, as inovações na indústria brasileira da cana-de-açúcar que eu penso terem mais impactado positivamente foram os 2 turnos de 10 horas, ao invés de 3 turnos de 8 horas no CTT; a automação no CTT; a plantadora de cana automatizada por toletes; o know-how em cana irrigada e no uso de micronutrientes e organominerais; o espaçamento duplo alternado; o concentrador de vinhaça; muda pré-brotada para viveiros e o recolhimento e cogeração da palha de cana.”

Ricardo Pinto, sócio-diretor da RPA Consultoria

MPB E AGRICULTURA DE PRECISÃO

“O que está impactando e vai impactar muito é a muda pré-brotada (MPB), que será de grande utilidade no setor. Eu também credito uma boa parte de eficiência e produtividade à agricultura de precisão. O setor agrícola é o que mais pode proporcionar melhores condições de evolução tecnológica para o setor.”

Manoel Bertone, CEO do Benri (Biomass Energy Research Institute)

PRODUTOS ENERGÉTICOS

“Acredito que tenhamos que ter uma visão um pouco diferente do setor agora. Na verdade, a indústria da cana-de-açúcar para sobreviver, na minha opinião, deve incorporar outros produtos energéticos que não necessariamente venham da cana. Por exemplo, uso de eucaliptos em áreas não propícias para cana para alimentar as caldeiras para geração de energia elétrica, o uso de energia solar em áreas apropriadas e que podem ser incorporadas dentro do parque energético da usina, energia eólica em usinas que possuem topos de morro. Tudo isso pode ser incorporado dentro da usina e ser exportado.”

Tércio Dalla Vecchia, CEO da Reunion Engenharia

MUDAS PRÉ-BROTADAS

“Creio que em termos de inovação para área de produção de cana, a grande tecnologia foi o desenvolvimento e uso de MPB. Mesmo que venha sendo ainda muito pouco utilizada, destaco que os benefícios são enormes, principalmente na formação de viveiros e até mesmo em áreas comerciais.”

Ismael Perina, produtor rural e presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal

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