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Usinas geram crédito de carbono voluntário pela energia do bagaço da cana

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Três usinas de açúcar e etanol do Brasil geraram neste ano mais de 3,6 milhões de créditos de carbono referentes à energia a partir do bagaço de cana-de-açúcar e vendida no mercado brasileiro entre 2013 e 2024. A indiana Universal Carbon Registre (UCR), especializada em projetos de energia, certificou os créditos produzidos pelas plantas industriais.

Até o momento, a Cargill Bioenergia gerou 1,4 milhão de créditos de carbono; a usina Coruripe, mais 1,4 milhão; e a Bevap Bioenergia, 800 mil créditos. A desenvolvedora desses projetos, a FastCarbon, diz que tem contratos com mais quatro usinas com certificação da UCR. As operações tiveram apoio jurídico do Souza Okawa Advogados.

Na metodologia da UCR, os créditos de carbono são gerados de forma retrospectiva, com lastro em energia renovável gerada e vendida. É diferente do que ocorre na maior parte dos projetos em outros setores, que é de forma prospectiva.

A desenvolvedora utiliza os relatórios da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), de quanta energia cada empresa injetou na rede. A esse número, aplica a taxa média móvel de emissão de gases de efeito estufa por megawatt-hora, divulgado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Atualmente, cada 1 MWh de energia cogerada da biomassa da cana emite, em média, 0,3 crédito de carbono.

Para evitar o risco de dupla contagem de créditos de carbono, Eduardo Vianna, sócio-fundador da FastCarbon, diz que os projetos consideraram só a energia vendida ao mercado. Isso porque a energia consumida pode ser contabilizada no cálculo de emissões de carbono no programa RenovaBio para a geração de Créditos de Descarbonização (CBios).

A FastCarbon também descontou do cálculo a energia que emitiu certificados I-REC. São certificados voluntários que atestam a origem renovável da energia e que podem ser vendidos à parte para empresas que queiram compensar suas emissões do escopo 2 do GHG Protocol (relacionadas ao consumo de energia). Cada I-REC equivale a 1 megawatt-hora (MWh).

Vianna explica que o processo de geração de créditos via UCR é bem mais rápido que o de outras certificadoras. Pode levar 120 dias. Ele acrescenta que a FastCarbon adotou um modelo de negócios que exime a empresa que gerará os créditos de carbono do custo de transação.

Isso significa que, em vez de pagar a desenvolvedora para realizar e submeter o projeto à certificadora, a FastCarbon assume esse custo e cobra, em contrapartida, uma taxa em créditos de carbono gerados no fim do processo.

Dado o custo menor, o valor dos créditos de carbono gerados na UCR também são mais baratos do que por outras certificadoras. Segundo Vianna, o preço médio está entre US$ 3 a US$ 6 por tonelada de carbono de emissão evitada.

Segundo Vianna, esses valores são um atrativo, já que oferecem aos compradores uma possibilidade muito mais barata para compensação de emissões. “O Brasil pode ser um líder em mitigação por ter uma matriz limpa”, defende.

*Globo Rural/Camila Souza Ramos

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