A diretora de transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Angélica Laureano, disse que a volta da estatal para a produção de etanol é prioridade dentro dos investimentos futuros da área. Ela afirmou que, “muito provavelmente”, haverá anúncios nesse sentido ao longo de 2026.
No novo plano estratégico para o período 2026-2030, a Petrobras reservou US$ 2,18 bilhões para o etanol, em linha com os US$ 2,14 previstos no plano anterior (2025-2029).
Segundo o diretor financeiro Fernando Melgarejo, este valor está integralmente dentro da nova “carteira em implementação base” da companhia, que soma US$ 81 bilhões para o quinquênio e reúne os projetos já aprovados e comprovadamente resilientes ao cenário macroeconômico e ao preço conservador do petróleo tipo Brent. Trata-se do conjunto de projetos “titulares” da companhia no período, com pouco ou nenhum espaço para não avançarem.
“Em renováveis, priorizamos bioprodutos. E o etanol está na lista das nossas prioridades. Estamos negociando com diversos players do mercado e, muito provavelmente, teremos algum anúncio em 2026”, disse Laureano.
Nos bastidores, fala-se que a Petrobras conversa com seis fabricantes de etanol para abertura de uma joint venture, mas tem tratativas mais avançadas com duas delas, Inpasa e FS, focadas na produção de etanol de milho. A ideia é que a Petrobras seja minoritária no novo negócio.
Os futuros investimentos em etanol estão dentro da previsão para o grupo “gás natural e energia de baixo carbono” que, ao todo, deve receber US$ 9 bilhões até 2030, uma redução importante ante os US$ 11 bilhões constantes no último plano.
De maneira geral, a estatal vive um contexto de restrição para se ajustar ao cenário de queda de receitas ligada ao baixo preço internacional do petróleo. Assim, a manutenção da projeção de capex para o etanol reforça a mensagem de que o biocombustível tem primazia no planejamento da estatal.
Agência iNFRA| Gabriel Vasconcelos