Os preços do açúcar encerraram a terça-feira em forte alta, impulsionados pelo enfraquecimento do dólar e pelo movimento de cobertura de posições vendidas nos contratos futuros. A desvalorização da moeda norte-americana estimulou recompras no mercado, revertendo parte das perdas recentes.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em março fechou em alta de 0,37 de centavo de dólar, ou 2,6%, a 14,63 centavos de dólar por libra-peso, após atingir uma mínima de dois meses e meio na segunda-feira, indo a 14,13 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo do açúcar branco subiu 3,1%, para US$ 417,60 por tonelada.
Na véspera, o açúcar negociado em Nova York havia recuado para o menor nível em dois meses e meio, enquanto o contrato em Londres atingiu o patamar mais baixo dos últimos cinco anos. A pressão sobre as cotações vinha sendo sustentada pelas perspectivas de excedentes globais e pelo aumento da produção mundial.
Na última quinta-feira, a Green Pool Commodity Specialists projetou um superávit global de açúcar de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26, além de um excedente adicional de 156 mil toneladas em 2026/27. Na sexta-feira, a StoneX também estimou um superávit global de 2,9 milhões de toneladas para a safra 2025/26.
No Brasil, a Unica informou, em 21 de janeiro, que a produção acumulada de açúcar do Centro-Sul na safra 2025/26, até dezembro, somou 40,222 milhões de toneladas, avanço de 0,9% na comparação anual. No mesmo período, a participação da cana destinada à produção de açúcar subiu para 50,82%, ante 48,16% registrados na safra 2024/25.
Na Índia, a India Sugar Mill Association (ISMA) reportou em 19 de janeiro que a produção de açúcar da safra 2025/26, no período entre 1º de outubro e 15 de janeiro, alcançou 15,9 milhões de toneladas, crescimento de 22% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. Em novembro, a entidade revisou para cima sua estimativa de produção indiana para a safra 2025/26, elevando o volume para 31 milhões de toneladas, ante projeção anterior de 30 milhões, o que representa alta de 18,8% na comparação anual.
A ISMA também reduziu sua estimativa de açúcar destinado à produção de etanol na Índia para 3,4 milhões de toneladas, abaixo da previsão de 5 milhões divulgada em julho. Esse ajuste pode abrir espaço para um aumento das exportações do produto pelo país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Os preços do açúcar seguem pressionados pelas expectativas de maiores exportações indianas. Segundo declarações do secretário de Alimentos da Índia, o governo pode autorizar volumes adicionais de exportação para reduzir o excesso de oferta no mercado doméstico. Em novembro, o Ministério da Alimentação do país informou que permitiria a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra 2025/26.
A Índia adotou um sistema de cotas para exportação de açúcar a partir da safra 2022/23, após chuvas tardias reduzirem a produção e limitarem a oferta interna.
Com informações da Barchart