Os preços do açúcar voltaram a recuar na terça-feira, com o contrato mais próximo negociado em Londres atingindo o menor nível em cinco anos. Em Nova York, as cotações já haviam tocado, na última sexta-feira, a mínima em três meses. O movimento amplia a trajetória de queda observada ao longo do último trimestre, em meio às preocupações persistentes com excedentes globais da commodity.
Dados divulgados pela Unica na sexta-feira indicam que a produção acumulada de açúcar na região Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26, até meados de janeiro, somou 40,236 milhões de toneladas, volume 0,9% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Além do avanço na produção, o mix açucareiro também aumentou. A proporção de cana destinada à fabricação de açúcar subiu para 50,78% na safra 2025/26, ante 48,15% em 2024/25, reforçando a maior disponibilidade do produto no mercado.
O cenário internacional segue marcado por estimativas de superávit na oferta. Na última quarta-feira, analistas da trading Czarnikow projetaram um excedente global de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um superávit estimado em 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Em 29 de janeiro, a consultoria Green Pool Commodity Specialists estimou superávit global de 2,74 milhões de toneladas em 2025/26 e de 156 mil toneladas em 2026/27. Já a StoneX apontou, na última sexta-feira, excedente mundial de 2,9 milhões de toneladas para 2025/26.
Índia amplia produção e pode reforçar exportações
A India Sugar Mill Association informou, em 19 de janeiro, que a produção indiana de açúcar entre 1º de outubro e 15 de janeiro da safra 2025/26 avançou 22% na comparação anual, alcançando 15,9 milhões de toneladas.
Em 11 de novembro, a entidade revisou para cima sua estimativa de produção da Índia em 2025/26, elevando-a para 31 milhões de toneladas, ante previsão anterior de 30 milhões — alta de 18,8% sobre o ciclo passado.
Ao mesmo tempo, a associação reduziu a projeção de açúcar destinado à produção de etanol no país para 3,4 milhões de toneladas, frente à estimativa de 5 milhões divulgada em julho. A menor destinação ao biocombustível pode abrir espaço para aumento das exportações indianas. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Com produção robusta no Brasil e perspectivas de maior oferta global, o mercado segue pressionado por um cenário de excedentes, fator que tem limitado a recuperação das cotações nas principais bolsas internacionais.
Com informações da Barchart