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Moody’s rebaixa Raízen para CCC+.br e coloca rating em revisão para novo rebaixamento

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Agência aponta deterioração das métricas financeiras e risco elevado de reestruturação da dívida

A Moody’s Local Brasil rebaixou o rating corporativo da Raízen S.A. e da Raízen Energia S.A. para CCC+.br e colocou as classificações em revisão para rebaixamento, diante da deterioração significativa do perfil de crédito da companhia.

De acordo com a agência, a decisão está relacionada à recente contratação de assessores financeiros e legais para avaliar alternativas de reforço de liquidez e otimização da estrutura de capital. No relatório, a Moody’s afirma que o movimento “aumenta substancialmente o risco de uma reestruturação, distressed exchange ou outra transação com características de default”.

A agência também destaca que o patamar CCC+.br indica qualidade de crédito muito fraca em comparação com outros emissores nacionais e coloca a companhia próxima de um cenário de inadimplência, com perspectivas de recuperação moderadas para credores.

Entre os principais fatores que embasaram o rebaixamento está a deterioração das métricas financeiras. Nos 12 meses encerrados em setembro de 2025, a alavancagem bruta ajustada atingiu 7,8 vezes dívida bruta sobre EBITDA, avanço expressivo frente aos 4,9 vezes registrados em março de 2025 e aos 2,7 vezes observados em março de 2024. A dívida bruta ajustada alcançou R$ 82,1 bilhões, enquanto a cobertura de juros caiu para 0,1 vez.

O fluxo de caixa livre também apresentou deterioração relevante, somando geração negativa de R$ 14,5 bilhões no mesmo período. Segundo a Moody’s, a companhia “não dispõe atualmente de mecanismos internos suficientes para estabilizar sua estrutura de capital no curto e médio prazo”, seja por geração operacional, seja por desinvestimentos já identificados.

Na avaliação da agência, seria necessária uma entrada de caixa entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões para recompor a estrutura financeira. Contudo, os desinvestimentos potenciais, incluindo ativos na Argentina, poderiam somar cerca de R$ 8 bilhões, valor considerado insuficiente diante da necessidade estimada.

O relatório também menciona que as discussões sobre eventual aporte de capital por parte dos acionistas vêm ocorrendo desde o segundo semestre de 2025, mas ainda sem definição, o que ampliou as incertezas quanto ao suporte esperado.

Apesar do cenário financeiro pressionado, a Moody’s reconhece que o perfil de negócios da Raízen permanece robusto, sustentado pela escala operacional, pela posição relevante nos segmentos de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis e pela diversificação das operações. Ainda assim, ressalta que métricas de crédito mais sólidas e liquidez consistente são fundamentais para mitigar a volatilidade do mercado de commodities.

Em relação à liquidez, a companhia detinha, em setembro de 2025, R$ 18,6 bilhões em caixa e R$ 5,2 bilhões em linhas comprometidas, frente a R$ 9,7 bilhões em dívida de curto prazo ajustada. A Moody’s alerta que o consumo relevante de caixa esperado e o cronograma de amortizações nos próximos 18 meses podem pressionar rapidamente essa posição.

De acordo com a Moody´s, a  revisão para rebaixamento seguirá em andamento enquanto a agência avalia as medidas que poderão ser adotadas pela companhia e seus acionistas. Conforme o relatório, a estabilização do rating dependerá de ações concretas de fortalecimento da estrutura de capital.

Natália Cherubin para RPAnews

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