A safra 2026/27 deve apresentar melhora nos indicadores agrícolas, com possibilidade de incremento no TCH e avanço no teor de ART/ton, desde que as condições climáticas sejam favoráveis entre abril e agosto. A avaliação é de Otávio Tufi, diretor técnico agrícola da BENRI Ratings, com base em indicadores agrícolas auditados e organizados em modelo de rating operacional.
A análise do setor é construída a partir de indicadores agrícolas auditados, organizados em uma régua de classificação que vai de excelência operacional (AAA, AA e A) até elevada ineficiência (DDD, DD e D), permitindo avaliar o desempenho das operações e identificar padrões de eficiência.
Na comparação entre 2024 e 2025, os dados mostram leve mudança na distribuição dos ratings. As unidades classificadas nos níveis mais elevados (AAA/AA/A) passaram de 16,10% para 15,15%, enquanto a faixa intermediária (BBB/BB/B) ficou praticamente estável, saindo de 34,50% para 34,82%. Já os níveis CCC/CC/C aumentaram de 30,10% para 32,43%, enquanto as classificações mais baixas (DDD/DD/D) recuaram de 19,30% para 17,60%.
A safra mais recente ainda reflete os impactos climáticos dos últimos anos. “Com a redução de 4,70% no TCH em relação à safra 2024/25, a produtividade média chegou a 74,94 toneladas por hectare no rating B”, afirma Tufi. Ele destaca que, normalmente, a queda do TCH é acompanhada por aumento no ART/ton, o que não ocorreu no último ciclo. “Houve redução de 1,86% no ART/ton, evidenciando impacto também na qualidade da matéria-prima.”4
Plantio reduz mudas, mas colheita perde eficiência
No plantio, os indicadores mostram avanço operacional. O consumo médio de mudas caiu de 14,60 para 14,30 toneladas por hectare, uma redução de 2,05%. “Essa redução é extremamente importante do ponto de vista de custo, visto que a muda é o insumo mais caro do plantio”, afirma. Segundo ele, esse resultado está associado a melhorias na operacionalização do plantio mecanizado.
Também houve redução na porcentagem de falhas no plantio mecanizado, que caiu 6,82%, passando de 17,30% para 16,12%. “Esse índice tem grande representatividade no potencial produtivo e na longevidade do canavial recém implantado”, explica.
Na colheita, os dados indicam perda de eficiência. O rendimento médio das colhedoras apresentou queda de 4,64%, principalmente em função da redução do TCH. Segundo Tufi, essa queda poderia ter sido maior se não fosse o incremento da frota de colhedoras de duas linhas.
Esse movimento também impactou o consumo de combustível. Houve aumento de 1,85% no consumo de diesel pelas colhedoras, relacionado à redução no rendimento operacional, o que elevou o custo do CTT e reduziu a geração de CBIOs.
Os indicadores de qualidade da operação apresentaram evolução. A porcentagem de pisoteio da soqueira teve redução de 4,05%, resultado associado ao uso de tecnologias e ao treinamento contínuo das equipes operacionais.
Outro indicador que passou a integrar o rating é o abalo e arranquio da soqueira, que registrou média de 13,07%. Segundo Tufi, trata-se de um indicador de extrema importância para a preservação da produtividade e da longevidade do canavial.
Tratos dos canaviais evoluiu
Nos tratos culturais, houve avanço no aproveitamento de resíduos industriais. O uso de compostagem e vinhaça atingiu 51,04% das áreas, ampliando a substituição de fertilizantes químicos e contribuindo para ganhos no potencial produtivo e na condução mais sustentável da lavoura.
O controle de pragas também apresentou evolução. A intensidade final de infestação da broca apresentou redução ao longo dos últimos anos, chegando a 2,30%, com impacto direto sobre o TCH e a qualidade tecnológica da matéria-prima.
Outro indicador relevante é a idade média do canavial, que chegou a 10,41 meses na última safra, 1,05% menor que no ciclo anterior. Segundo Tufi, esse indicador está diretamente relacionado ao momento ideal de colheita, visando maximizar o potencial produtivo e de açúcar.
Para a próxima safra, a expectativa é de recuperação dos indicadores agrícolas. “Há possibilidade de incremento no TCH, a depender do clima favorável até o final de abril e agosto, e também de melhor teor de ART/ton”, afirma.
No entanto, ele faz um alerta sobre a condução da safra. “Não adianta o canavial estar mais adequado no campo se não houver um excelente planejamento de safra, juntamente com o acompanhamento incansável dos índices operacionais da colheita mecanizada”, diz.
Ainda de acordo com Tufi, a qualidade da matéria-prima entregue às usinas estará diretamente ligada à execução operacional, especialmente na colheita, que influencia os índices qualitativos ao longo de toda a safra.
Natália Cherubin para RPAews

