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Refino dos EUA diz que cotas recordes de biocombustíveis acentuam alta de preços da guerra

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O governo Trump determinou nesta sexta-feira, 27, que as refinarias dos Estados Unidos misturem uma quantidade recorde de biocombustíveis em sua gasolina e diesel neste ano e no próximo, uma medida destinada a ajudar os agricultores, mas que, segundo o setor de refino, sairia pela culatra, aumentando os preços nas bombas que já estão em alta devido à guerra no Irã.

A fala do setor de refino dos EUA revelou um raro racha público entre a Casa Branca do presidente Donald Trump e as empresas de petróleo que tradicionalmente apoiaram seus esforços para reforçar o setor de energia de combustíveis fósseis.

“É desconcertante, com os preços dos combustíveis já subindo devido ao conflito no Irã, que a EPA (agência ambiental dos EUA) esteja finalizando uma regra que tornará as coisas muito piores para os consumidores”, disse o presidente-executivo da American Fuel & Petrochemical Manufacturers, Chet Thompson.

Trump está tentando consolidar o apoio entre os importantes círculos eleitorais da agricultura e do petróleo antes das eleições de meio de mandato em novembro, enquanto luta contra a inflação do consumidor, mais visível na bomba de gasolina.

Desde o início da guerra contra o Irã, os preços médios da gasolina no varejo dos EUA subiram para quase US$ 4 por galão em todo o país.

Medida bem recebida pelos agricultores

De acordo com o Padrão de Combustível Renovável dos EUA (RFS), as refinarias de petróleo são obrigadas a misturar bilhões de galões de etanol à base de milho e outros biocombustíveis no pacote de combustível do país a cada ano, ou comprar créditos negociáveis chamados RINs daqueles que fazem essa mistura.

Normalmente, um RIN corresponde a um galão misturado. Os agricultores e produtores de biocombustíveis apoiam o programa como vital para o país agrícola norte-americano, mas as refinarias o consideram um ônus caro.

A Agência de Proteção Ambiental informou na sexta-feira que definiu as obrigações totais de biocombustível para 2026 em 26,81 bilhões de RINs e as obrigações para 2027 em 27,02 bilhões de RINs. As novas obrigações incluem 70% de cerca de 2 bilhões de galões que foram dispensados em 2023-2025 sob um programa que permite isenções para pequenas refinarias.

A EPA disse que os números representam as maiores exigências de mistura já registradas. Os aumentos se concentram na produção de biodiesel e diesel renovável, mantendo os mandatos de mistura de etanol estáveis em 15 bilhões de galões por ano.

“O presidente Trump prometeu uma Era de Ouro para a agricultura norte-americana. Mais uma vez, seu governo está cumprindo a promessa”, disse o administrador da EPA, Lee Zeldin.

Em junho de 2025, a EPA propôs obrigações muito mais baixas – 24,02 bilhões de RINs em 2026 e 24,46 bilhões de RINs em 2027 – sem se posicionar sobre a porcentagem de obrigações anteriormente dispensadas que deveriam ser realocadas.

A Associação Nacional de Produtores de Milho recebeu bem o anúncio de sexta-feira, juntamente com a decisão do governo no início desta semana de expandir a disponibilidade sazonal de gasolina com 15% de etanol, dizendo que isso ajudaria os agricultores.

“O anúncio de hoje, juntamente com a medida do governo Trump do E15 no verão no início desta semana, é uma medida positiva para os produtores de milho do país, que estão enfrentando um ambiente econômico excepcionalmente difícil”, disse o grupo em um comunicado.

A Renewable Fuels Association (Associação de Combustíveis Renováveis), que representa os produtores de etanol, disse, no entanto, que queria que 100% dos volumes dispensados fossem realocados, em vez de 70%.

Thompson, da AFPM, disse acreditar que os mandatos de biocombustíveis dos EUA já aumentaram os preços na bomba ao consumidor em 25 centavos de dólar por galão, e que os novos mandatos os aumentariam ainda mais.

Os preços do diesel subiram ainda mais rápido do que os da gasolina comum; o preço do diesel subiu de US$ 3,76 por galão há um mês para US$ 5,38 por galão, de acordo com dados da AAA.

A EPA também afirmou que, a partir de 2028, os combustíveis e matérias-primas estrangeiros receberão apenas metade dos RINs dos produtos fabricados nos Estados Unidos, uma medida que, segundo ela, ajudaria o setor de biocombustíveis nacionais.

Reuters| Siddharth Cavale e Jarrett Renshaw

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