Os preços do açúcar fecharam em alta nas bolsas internacionais nesta quinta-feira, 10, sustentados principalmente pela forte valorização do petróleo e pelas perspectivas de déficit na oferta global. Segundo a Barchart, na ICE de Nova York, o contrato do açúcar bruto para outubro avançou 1,79%, cotado a 19,46 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para outubro subiu 0,75%, para US$ 537,50 por tonelada.
Em Nova York, os preços atingiram a máxima de uma semana, enquanto em Londres alcançaram o maior nível em duas semanas e meia. O movimento acompanhou a alta de mais de 6% do petróleo WTI, que chegou ao maior nível em três meses e meio.
A valorização do petróleo tende a dar suporte aos preços do etanol e pode estimular as usinas a direcionarem uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, em detrimento do açúcar, reduzindo a disponibilidade do adoçante.
Tailândia pode reduzir produção em 17%
O mercado também segue sustentado pelas perspectivas para a produção da Tailândia. A Thai Sugar Millers Corp projeta que a produção de açúcar do país na safra 2026/27 poderá cair 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas. A Tailândia é o segundo maior exportador mundial de açúcar.
As projeções de déficit global também permanecem no radar. Na semana passada, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) estimou déficit de 200 mil toneladas na safra 2026/27, após um superávit projetado de 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
A Green Pool Commodity Specialists trabalha com um cenário mais deficitário e projeta um saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas em 2026/27. A consultoria também reduziu sua estimativa de superávit para 2025/26, de 4,93 milhões para 4,85 milhões de toneladas.
Na União Europeia, o Sugar Market Observatory estima que a produção de açúcar na safra 2026/27 poderá recuar 19%, para 13,4 milhões de toneladas.
Outras consultorias também projetam déficit para o próximo ciclo. A Covrig Analytics estima saldo negativo de 300 mil toneladas, enquanto a StoneX elevou sua previsão de déficit para 1,7 milhão de toneladas, ante 550 mil toneladas estimadas anteriormente.
Fundos ampliam posições compradas
Outro ponto acompanhado pelo mercado é o posicionamento dos fundos em Nova York. O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os investidores aumentaram em 28.526 contratos suas posições compradas líquidas em açúcar na semana encerrada em 1º de setembro.
Com isso, a posição líquida comprada atingiu 132.496 contratos, o maior nível em três anos. Segundo a Barchart, o elevado volume de posições compradas pode intensificar eventuais quedas dos preços caso ocorra um movimento de liquidação por parte dos fundos.
Com informações da Barchart




