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Santa Terezinha já moeu 8,8 milhões de toneladas, mas chuvas atrasam colheita

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Excesso de chuvas deixa moagem 1,2 milhão de toneladas abaixo do projetado; grupo pode avançar com operações em dezembro e mantém recuperação dos canaviais como prioridade

O excesso de chuvas atrasou a moagem da safra 2026/27 do Grupo Santa Terezinha e tornou mais difícil o processamento de toda a cana disponível no campo. Em entrevista à RPAnews, Paulo Meneguetti, presidente do grupo, afirmou que a companhia deverá avançar com as operações em dezembro, mas que dificilmente conseguirá moer todo o volume ainda disponível.

Até 10 de setembro, a Santa Terezinha havia moído 8,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 1,2 milhão de toneladas abaixo do projetado em decorrência das chuvas e equivalente a aproximadamente 63% da meta de 13,8 milhões de toneladas estabelecida para a safra. A companhia ainda tem pouco mais de 5 milhões de toneladas para processar.

“Temos no campo pouco mais de 5 milhões de toneladas a processar, que, mesmo entrando com moagem no mês de dezembro, dificilmente conseguiremos moer toda essa cana”, afirmou Meneguetti.

Segundo o executivo, desde o início de março a companhia já dispunha de informações sobre uma possível ação forte do El Niño, com excesso de chuvas. De acordo com ele, esse cenário vem ocorrendo e provocou atraso de 11% em relação à moagem prevista. O avanço das operações em dezembro dependerá da janela climática.

Na produtividade agrícola, a estimativa da Santa Terezinha é chegar a 73 toneladas por hectare. Segundo Meneguetti, até o momento a companhia está 3% abaixo dessa estimativa, mas deverá recuperar a média até o final da moagem.

Recuperação dos canaviais permanece no centro da estratégia

A recuperação dos canaviais é uma prioridade da Santa Terezinha desde o início do Projeto Transforma, no final de 2018. Segundo Meneguetti, a iniciativa envolveu a implantação de uma nova governança, com apoio da KPMG e do Conselho de Administração, além da formação de uma nova estrutura de gestão para as operações agroindustriais e áreas corporativas. A safra 2019/20 já foi conduzida pelo novo time operacional.

A partir desse processo, a companhia também desenvolveu novos protocolos agrícolas, que foram sendo aperfeiçoados ao longo das safras e, segundo o presidente, vêm contribuindo para a evolução da produtividade e, principalmente, para uma gestão mais fina dos custos.

Foi nesse período de transformação que a Santa Terezinha também enfrentou um momento financeiro mais difícil. Meneguetti relatou que, em 2019, quando a companhia tinha um Term Sheet de alongamento de dívidas com o mercado financeiro pronto para assinatura, um dos agentes deixou a negociação e entrou com uma execução no início da safra, com bloqueio judicial das contas.

Segundo o presidente, a companhia superou esse período com o apoio dos demais agentes do mercado financeiro e com a aprovação do plano de recuperação na Assembleia Geral. Meneguetti afirmou ainda que, durante todo o processo, a Santa Terezinha manteve 100% de suas certidões negativas, sem apontamentos de títulos em cartório de protestos. De acordo com ele, esse período se encerrou em 2024.

Na sequência, a empresa constituiu um novo Conselho de Administração, com um conselheiro externo, dois conselheiros consultivos e três comitês de assessoramento, mantendo o foco na recuperação dos canaviais e no crescimento da produção de cana.

Atualmente, a idade média dos canaviais da Santa Terezinha está em 3,3 cortes. “Nosso TCH médio de safra nesses 7 anos já cresceu mais de 40%”, afirmou Meneguetti.

O presidente reforçou que a estratégia permanece mesmo após o encerramento da recuperação judicial. “Após 2 anos do encerramento da RJ, nosso foco continua exatamente o mesmo, investir nos canaviais para elevar o TCH.”

Entre as mudanças implantadas no campo, Meneguetti cita o planejamento corporativo das operações, a padronização da sistematização e do preparo do solo e a correção e adubação de acordo com as necessidades de cada fundo agrícola. O grupo também adotou plantio mecanizado com controle de qualidade e atenção à colheitabilidade, além do trabalho de reconstituição da vida biológica do solo.

Segundo o presidente, as áreas estão localizadas no Arenito Caiuá e o trabalho de recuperação da vida biológica utiliza bactérias e fungos nativos das florestas da região, após um histórico de 50 anos de queima da cana.

A Santa Terezinha utiliza ainda matérias orgânicas em profundidade em 100% das áreas plantadas e aplica vinhaça enriquecida em linha em 130 mil hectares. Os protocolos incluem controle de plantas daninhas, manejo biológico e químico da broca e controle de Sphenophorus e Migdolus, além da utilização em larga escala de fertilizantes foliares produzidos “on farm”, sanidade de mudas desenvolvidas na biofábrica de mudas pré-brotadas, controle de falhas no plantio e redução de pisoteio.

No planejamento de plantio, a meta de longo prazo é renovar 46 mil hectares por ano, na janela entre janeiro e julho. Para 2026/27, porém, a companhia reduziu o volume em 10 mil hectares por questões de mercado e, segundo Meneguetti, poderá fazer a mesma redução em 2027/28.

O cenário de preços da atual safra também levou o grupo a rever investimentos e custos. “A realidade da safra 2026/27, no que tange aos preços, nos levou a agir fortemente no contingenciamento dos investimentos, no ajuste fino do headcount, na gestão dos custos em todas as áreas, limitações nas consultorias, enfim, na proteção do fluxo saudável do caixa”, afirmou Meneguetti.

Mix volta a 77% e grupo mantém planos para unidades hibernadas

A estratégia industrial também passou por ajustes durante a safra. Meneguetti afirmou que, já em fevereiro, a companhia havia sinalizado que reduziria seu mix de produção de açúcar ao menor nível possível, de 60%, percentual mantido até o final de junho. Depois disso, a Santa Terezinha retornou ao mix tradicional de 77%.

Meneguetti afirmou que as unidades de Moreira Sales e Umuarama estão atualmente hibernadas e fazem parte dos planos de retomada da companhia. No caso de Moreira Sales, Meneguetti condicionou a retomada à expansão das áreas vinculadas à unidade, estimada para ocorrer em 2027/28 e nos anos subsequentes.

“O retorno das operações da unidade de Moreira Sales é fato consumado, dependendo apenas da necessária expansão de áreas naquela unidade, que estimamos ocorrerá no ano 2027/28 e subsequentes”, afirmou.

Para ter as nove unidades em operação, a Santa Terezinha precisa, segundo Meneguetti, dispor de 17 milhões de toneladas de cana. O volume permitiria operar sem necessidade de realizar safras alongadas e sem novos investimentos nas plantas industriais.

“Sem necessidade de expansão de áreas de produção, o crescimento do TCH está nos levando ao crescimento da disponibilidade de cana a cada ano”, afirmou.

Em relação à diversificação, Meneguetti disse que oportunidades de investimento surgem, mas nem sempre levam a companhia a mudar suas prioridades. Segundo ele, manter estudos e planos é importante, assim como avaliar o momento adequado para implementá-los.

Entre essas oportunidades está o etanol de milho. Meneguetti afirmou que o segmento representa uma possibilidade e avaliou que uma planta flex é “100% sustentável” pelo uso da biomassa de cana disponível. Apesar disso, a Santa Terezinha não tem planos para o etanol de milho no médio prazo.

“O etanol de milho veio para ficar, para compor a matriz energética do país”, afirmou.

Segundo Meneguetti, o crescimento de plantas sem biomassa sustentável é limitado. O presidente acrescentou ainda que os excedentes exportáveis deverão passar por uma avaliação de sustentabilidade.

Natália Cherubin para RPAnews

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