Possibilidade de entrega de cerca de 1,8 milhão de toneladas no vencimento de outubro e revisão do déficit global pela StoneX pressionaram o açúcar bruto
Os preços do açúcar encerraram a quinta-feira em direções opostas nas bolsas internacionais. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto caiu 0,96%, para 17,58 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou 0,77%, cotado a US$ 509,90 por tonelada. As preocupações com a demanda pressionaram as cotações do produto negociado nos Estados Unidos, segundo o Barchart.
De acordo com a McDougall Global Views, o atual volume de contratos em aberto no vencimento outubro do açúcar em Nova York, que expira na próxima quarta-feira, indica que as entregas físicas poderão chegar a cerca de 1,8 milhão de toneladas. O volume ficaria acima da média registrada nos últimos seis anos e é interpretado como um sinal de demanda enfraquecida.
Outro fator negativo para as cotações foi a revisão feita pela StoneX em sua estimativa para o balanço global de açúcar em 2026/27. Na quarta-feira, a consultoria reduziu a projeção de déficit mundial para 900 mil toneladas, ante previsão de 1,7 milhão de toneladas divulgada em julho.
Os preços já vinham sofrendo pressão ao longo da última semana diante das preocupações com a demanda. Na terça-feira, o açúcar negociado em Nova York chegou ao menor nível em um mês, enquanto o açúcar branco em Londres atingiu a mínima em um mês e meio.
O mercado também acompanha o elevado volume de entregas físicas. Na terça-feira da semana passada, o vencimento outubro do açúcar branco em Londres registrou entrega de 499,35 mil toneladas, alta de 91% em relação ao mesmo período do ano anterior e uma das maiores já registradas para um contrato de outubro. Segundo o Barchart, o movimento também sinaliza fraqueza da demanda física.
Fundos mantêm posição comprada elevada
As posições dos fundos de commodities também permanecem no radar do mercado, já que o elevado volume comprado pode ampliar eventuais movimentos de liquidação nos futuros de açúcar em Nova York.
O relatório semanal Commitment of Traders (COT), divulgado na última sexta-feira, mostrou que os fundos elevaram em 791 contratos sua posição líquida comprada em açúcar em Nova York na semana encerrada em 15 de setembro, chegando a 161.342 contratos, o maior patamar em quase três anos.
Apesar da pressão recente, o mercado continua avaliando perspectivas de déficit na oferta global. Em 10 de setembro, o açúcar em Nova York atingiu a máxima em 17,25 meses diante das expectativas de déficit mundial.
No início do mês, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a temporada 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas para 2025/26.
Na Tailândia, segundo a Thai Sugar Millers Corp, a produção de açúcar na safra 2026/27 poderá recuar 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas. O país é o segundo maior exportador mundial da commodity.
Outras projeções também apontam para um mercado global deficitário. A Covrig Analytics estima déficit de 300 mil toneladas em 2026/27, depois de projetar anteriormente um superávit de 100 mil toneladas.
Para 2027/28, a Czarnikow prevê déficit global de 2,9 milhões de toneladas. A consultoria estima que a produção mundial recue 0,7% na comparação anual, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia. A projeção também considera uma maior destinação da cana brasileira à produção de etanol em detrimento do açúcar diante da alta dos preços do petróleo.
Com informações da Barchart



