Em agosto, vendas cresceram 12,1% em valor, apesar da queda de 17,3% na quantidade embarcada; álcool etílico não desnaturado também registrou retração em receita
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O recuo representa cerca de US$ 2,6 bilhões a menos em vendas e levou os embarques brasileiros ao mercado norte-americano ao menor valor para o período desde 2023, segundo o Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborado pela Amcham Brasil com base em dados do Comexstat.
Em agosto, porém, as exportações brasileiras aos Estados Unidos cresceram 12,1% em valor na comparação com o mesmo mês de 2025. O avanço ocorreu apesar de uma queda de 17,3% na quantidade exportada, que atingiu o menor nível para um mês de agosto desde 2021. O desempenho em valor foi sustentado pelo aumento dos preços médios dos produtos embarcados.
Segundo o levantamento, produtos como carne bovina, semimanufaturados de ferro ou aço, aeronaves e café também apresentaram aumentos relevantes na quantidade exportada durante o mês.
“O comércio bilateral permanece em trajetória de retração em 2026, com queda tanto das exportações quanto das importações. Brasil e Estados Unidos comercializaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos no ano, com perdas para ambas as economias. Esse quadro reforça a importância de buscar soluções que reduzam barreiras e contribuam para fortalecer o comércio bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
Agropecuária tem queda de 26,7%
No acumulado de janeiro a agosto, a retração das exportações brasileiras aos Estados Unidos atingiu os três grandes setores da economia. Na agropecuária, os embarques ao mercado norte-americano caíram 26,7%, enquanto as vendas do setor para os demais mercados cresceram 9,5%.
Na indústria extrativa, a redução das exportações aos Estados Unidos foi de 28,9%, em contraste com crescimento de 19,6% para os demais destinos. Já a indústria de transformação apresentou queda de 4,9% nas vendas ao mercado norte-americano, enquanto as exportações para o restante do mundo avançaram 6,6%.
A indústria de transformação responde por 83,3% das exportações brasileiras aos Estados Unidos. A queda de 4,9% registrada entre janeiro e agosto representa a primeira retração das vendas do segmento ao mercado norte-americano desde 2020. Mesmo assim, os Estados Unidos permanecem como o principal destino das exportações industriais brasileiras, com participação de 15,5%.
Álcool registra queda em valor
Entre os produtos detalhados pelo Monitor, o álcool etílico não desnaturado movimentou US$ 16 milhões em exportações aos Estados Unidos em agosto, queda de 11,4% em relação ao mesmo mês de 2025.
A retração em valor ocorreu mesmo com crescimento de 14,7% na quantidade embarcada. No período, o preço médio do produto caiu 22,8%.
O produto aparece no levantamento entre os bens sujeitos às sobretaxas mais elevadas. No conjunto dos produtos submetidos a alíquotas de 25% a 37,5%, as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 10,5% em agosto.
No acumulado de janeiro a agosto, as vendas desse grupo caíram 29,1%, passando de US$ 5,1 bilhões no mesmo período de 2025 para US$ 3,6 bilhões neste ano.
Considerando todos os produtos sujeitos a alguma sobretaxa, as exportações recuaram 11,4% no acumulado do ano. Entre os bens sem sobretaxa, a redução foi de 8,3%.
Entre os dez principais produtos submetidos às alíquotas de 25% a 37,5%, nove registraram queda nas vendas ao mercado norte-americano. As maiores retrações ocorreram em madeira de coníferas, com 55,3%; fumo não manufaturado, 39,9%; sebo bovino, 39,4%; e granitos trabalhados, 37,4%.
Comércio bilateral permanece em retração
Do lado das importações, agosto marcou o segundo mês consecutivo de crescimento, após sete meses de retração. As compras brasileiras de produtos norte-americanos aumentaram 1,1% no mês.
No acumulado de janeiro a agosto, entretanto, as importações provenientes dos Estados Unidos recuaram 8,6%, para US$ 27,3 bilhões. Com exportações de US$ 24,1 bilhões, o Brasil acumulou déficit de US$ 3,2 bilhões no comércio bilateral no período.
O desempenho das exportações ocorre em um ambiente comercial marcado por novas barreiras tarifárias. Segundo a Amcham, a análise considera a estrutura vigente após as medidas que entraram em vigor em julho, relacionadas às investigações da Seção 301 sobre o Brasil e sobre trabalho forçado, além das sobretaxas aplicadas no âmbito da Seção 232.
Natália Cherubin para RPAnews


