Contrato bruto recua em Nova York, enquanto açúcar branco avança em Londres; mercado acompanha petróleo, real e perspectiva de déficit global
Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira em direções opostas nas bolsas internacionais, pressionados pela volatilidade do petróleo, pela desvalorização do real brasileiro e pelas preocupações com a demanda. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto fechou em 17,35 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,04 centavo, ou 0,23%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou US$ 1,50, ou 0,30%, para US$ 501,50 por tonelada.
Segundo análise da Barchart, os preços encontraram suporte inicialmente com a alta de mais de 4% do petróleo WTI. A valorização do petróleo tende a favorecer os preços do etanol e pode estimular usinas a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível, em detrimento do açúcar, reduzindo a disponibilidade do adoçante.
O petróleo, no entanto, devolveu os ganhos ao longo da sessão e passou a operar em baixa, movimento que estimulou liquidação de posições compradas nos futuros de açúcar.
Outro fator de pressão foi o real brasileiro, que caiu para o menor nível em um mês frente ao dólar. A desvalorização da moeda brasileira tende a estimular as vendas para exportação pelos produtores do país, ampliando a disponibilidade do produto no mercado internacional.
Demanda segue no radar
Em Nova York, o mercado também permanece pressionado por preocupações relacionadas à demanda. Segundo a McDougall Global Views, o atual volume de contratos em aberto para o vencimento outubro, que expira nesta quarta-feira, indica que a entrega física contra o contrato pode alcançar cerca de 1,8 milhão de toneladas, volume acima da média dos últimos seis anos e interpretado como um sinal de demanda enfraquecida.
Também pesou sobre as cotações a revisão realizada pela StoneX na semana passada. A consultoria reduziu sua projeção para o déficit global de açúcar na temporada 2026/27 para 900 mil toneladas, ante estimativa anterior de 1,7 milhão de toneladas, divulgada em julho.
Apesar das pressões recentes, a perspectiva de déficit global continua dando suporte ao mercado. Em 10 de setembro, o açúcar negociado em Nova York atingiu a máxima em 17 meses e meio diante das expectativas de menor oferta.
No início de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas em 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas para 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corporation projetou que a produção da temporada 2026/27 poderá cair 17% na comparação anual, para 10 milhões de toneladas.
Com informações da Barchart

