Redução na projeção para a safra europeia deu suporte às cotações, enquanto mercado segue atento ao déficit global e às condições climáticas na Índia
Os preços do açúcar avançaram nas bolsas internacionais nesta terça-feira, com suporte da redução na estimativa de produtividade da beterraba açucareira na União Europeia. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto fechou em 17,82 centavos de dólar por libra-peso, alta de 0,36 centavo, ou 2,06%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou US$ 5,40, ou 1,07%, e atingiu a máxima de uma semana.
Segundo análise da Barchart, o movimento de alta ganhou força depois que a unidade Monitoring Agricultural Resources (MARS), da União Europeia, reduziu sua estimativa para a produtividade da beterraba açucareira no bloco em 2026.
A projeção passou de 72,2 toneladas por hectare, estimadas em agosto, para 67,4 toneladas por hectare, em razão das condições excessivamente secas.
Apesar da valorização desta terça-feira, os preços continuam oscilando dentro de uma faixa ampla observada ao longo do último mês, entre a mínima de um mês registrada na semana passada e a máxima de 17 meses e meio alcançada em 10 de setembro.
Déficit global segue no radar
As perspectivas para a oferta mundial continuam dando suporte ao mercado. No início de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou déficit global de 200 mil toneladas para a safra 2026/27, após um superávit estimado em 1,1 milhão de toneladas em 2025/26.
Na Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar, a Thai Sugar Millers Corporation estima que a produção em 2026/27 poderá cair 17% em relação ao ciclo anterior, para 10 milhões de toneladas.
A Covrig Analytics também trabalha com um cenário deficitário. Em agosto, a consultoria passou a projetar déficit global de 300 mil toneladas em 2026/27, ante uma estimativa anterior de superávit de 100 mil toneladas.
Para a safra seguinte, 2027/28, a Czarnikow projeta déficit global de 2,9 milhões de toneladas. A consultoria estima produção mundial de 177 milhões de toneladas, queda de 0,7% na comparação anual, influenciada principalmente por problemas climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia.
Monções na Índia permanecem abaixo da média
Na Índia, as condições climáticas também seguem sendo acompanhadas pelo mercado. Segundo o Departamento Meteorológico do país, as chuvas acumuladas das monções entre junho e setembro estavam 12% abaixo da média em 28 de setembro.
O déficit, no entanto, diminuiu significativamente ao longo da temporada. No fim de junho, as precipitações acumuladas estavam 42% abaixo da média.
O órgão meteorológico indiano também alertou que a temporada de monções deste ano poderá ser a mais fraca em 17 anos. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar.
Natália Cherubin, com informações da Barchart


