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Usina Coruripe registra ganhos de produtividade e EBITDA de R$ 397,4 milhões na safra 2026/27

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Moagem avançou 7,7% e produtividade agrícola cresceu 19% no acumulado até agosto; produção de etanol aumentou 31,7%

A Usina Coruripe registrou EBITDA ajustado de R$ 397,4 milhões no acumulado da safra 2026/27 até agosto, período marcado pelo crescimento da moagem e por ganhos de produtividade agrícola. Segundo o relatório operacional-financeiro divulgado pela companhia em setembro, o volume processado alcançou 8,43 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 7,7% em relação ao mesmo período da safra anterior. No campo, a produtividade média avançou 19%, enquanto a produção de etanol cresceu 31,7%.

A produtividade média da cana-de-açúcar (TCH) passou de 77,58 para 92,32 toneladas por hectare. O volume de Açúcar Total Recuperável (ATR) por hectare também avançou 19%, passando de 10.173 para 12.108 quilos. Já o ATR médio por tonelada de cana permaneceu praticamente estável, em 131,15 kg/t, ante 131,12 kg/t na safra anterior.

Do volume total processado, 3,30 milhões de toneladas corresponderam à cana própria, crescimento de 13,9%, enquanto a cana de fornecedores somou 5,12 milhões de toneladas, alta de 4,1%. Segundo a Coruripe, os resultados agrícolas refletem os investimentos realizados e os avanços na eficiência operacional.

Na indústria, a produção de açúcar equivalente aumentou 7,5%, alcançando 21,55 milhões de sacas de 50 quilos. Já a produção total de açúcar recuou 3%, passando de 13,41 milhões para 13,01 milhões de sacas. A fabricação de açúcar VHP caiu 4,7%, para 584,9 mil toneladas, enquanto a de açúcar cristal cresceu 15,2%, chegando a 1,31 milhão de sacas.

A produção de etanol, por sua vez, apresentou crescimento de 31,7%, totalizando 241,9 mil metros cúbicos, ante 183,7 mil metros cúbicos no mesmo período da safra anterior. Desse total, 118,6 mil metros cúbicos corresponderam ao anidro, alta de 30,6%, e 123,3 mil metros cúbicos ao hidratado, avanço de 32,7%.

Preços pressionam resultados financeiros

Apesar dos avanços operacionais, o ambiente de preços menos favorável para o açúcar e o etanol limitou o desempenho financeiro da companhia. O preço médio bruto do açúcar VHP caiu 22,1%, passando de R$ 2.447,58 para R$ 1.907,15 por tonelada, enquanto o açúcar cristal apresentou recuo de 25,5%, para R$ 102,79 por saca. No etanol, o preço médio diminuiu 10,5%, de R$ 3.170,36 para R$ 2.836,26 por metro cúbico.

Nesse cenário, a receita bruta comercial apresentada no relatório caiu 13,6%, de R$ 1,72 bilhão para R$ 1,49 bilhão. A receita líquida de vendas também recuou 13,8%, totalizando R$ 1,41 bilhão.

O EBITDA ajustado de R$ 397,4 milhões representou uma redução de 25,8% em relação aos R$ 535,9 milhões registrados no mesmo período da safra anterior. A margem do indicador passou de 32,7% para 28,1%, refletindo a menor rentabilidade em um cenário de preços mais baixos.

O balanço também apontou prejuízo líquido de R$ 2,08 bilhões no acumulado até agosto, ante resultado negativo de R$ 119,6 milhões no mesmo período do ciclo anterior. O resultado foi impactado pelas despesas financeiras líquidas, que somaram R$ 2,18 bilhões, incluindo efeito negativo de R$ 1,55 bilhão relacionado à atualização monetária dos créditos do processo IAA/4870. Conforme o relatório, esse valor contempla o deságio gerado na operação de venda dos créditos.

Dívida líquida recua após monetização de créditos

Na área financeira, a Usina Coruripe informou que a monetização dos créditos relacionados ao processo IAA/4870 proporcionou um evento de liquidez de R$ 1,5 bilhão, contribuindo para a redução do endividamento.

A dívida líquida passou de aproximadamente R$ 3,64 bilhões, em março, para R$ 2,83 bilhões em agosto, redução de R$ 804,3 milhões, equivalente a 22,1%. Já a dívida bruta encerrou agosto em R$ 3,52 bilhões.

No mercado de açúcar, a Coruripe também informou que, com data-base de 11 de setembro, havia fixado 100% da produção prevista de VHP para a safra 2026/27, equivalente a 1,21 milhão de toneladas, ao preço médio de 17,04 centavos de dólar por libra-peso. Para a safra 2027/28, o percentual fixado era de 43%, correspondente a 560 mil toneladas.

Segundo a companhia, a monetização dos créditos e a consequente redução do endividamento contribuíram para fortalecer sua estrutura de capital, ampliar a liquidez e criar condições mais favoráveis de acesso a novas fontes de financiamento. A Coruripe avalia que os avanços operacionais e a maior flexibilidade financeira são importantes para sustentar suas atividades e os investimentos nos próximos ciclos.

Natália Cherubin para RPAnews

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