Contratos de açúcar recuam nas bolsas internacionais, mas chuvas no Brasil e perspectivas de déficit global continuam no radar do mercado
Os preços do açúcar fecharam em forte queda nas bolsas internacionais nesta quinta-feira, 8, pressionados pela realização de lucros por fundos de investimento após duas semanas de valorização. Segundo informações da Barchart, o açúcar bruto negociado em Nova York, no contrato para março de 2027, recuou 3,26%, ou 0,68 centavo de dólar, encerrando a sessão a 20,15 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco com vencimento em dezembro caiu 2,63%, equivalente a US$ 14,60, cotado a US$ 541,10 por tonelada.
O movimento ocorreu após as cotações atingirem, na quarta-feira, seus maiores patamares em meses. Em Nova York, o açúcar bruto alcançou o maior nível em 19 meses, considerando os contratos mais próximos do vencimento, enquanto o açúcar branco em Londres chegou ao maior valor em 22 meses. A valorização vinha sendo sustentada pelas chuvas persistentes no Centro-Sul do Brasil, que têm dificultado a colheita de cana-de-açúcar e provocado interrupções na moagem das usinas, restringindo a oferta do produto.
Apesar da correção dos preços, as perspectivas para o balanço global de açúcar seguem oferecendo suporte ao mercado. Em 1º de setembro, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) projetou um déficit mundial de 200 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo o superávit de 1,1 milhão de toneladas estimado para 2025/26.
Outro fator de atenção é a produção da Tailândia, segundo maior exportador mundial de açúcar. Em setembro, a Thai Sugar Millers Corporation estimou que a produção do país poderá recuar 17% na safra 2026/27, para 10 milhões de toneladas, reduzindo a disponibilidade do produto no mercado internacional.
El Niño e perspectivas de oferta
As preocupações com os efeitos do El Niño também permanecem no radar dos investidores. A possibilidade de um episódio de forte intensidade pode reduzir as chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar do Brasil, da Índia e da Tailândia, com potenciais impactos sobre a produção global.
Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos (CPC), o fenômeno, identificado no Pacífico Equatorial no mês passado, poderá estar entre os mais intensos dos últimos 75 anos.
As estimativas de consultorias também apontam para um cenário de oferta mais restrita. Em agosto, a Covrig Analytics revisou sua projeção para o balanço mundial de açúcar em 2026/27, passando de um superávit de 100 mil toneladas, previsto em junho, para um déficit de 300 mil toneladas.
Já a Czarnikow projetou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas na safra 2027/28, diante da possibilidade de maior direcionamento da cana-de-açúcar brasileira à produção de etanol, em resposta à valorização do petróleo associada ao conflito entre Estados Unidos e Irã.
A consultoria estima que a produção mundial de açúcar recue 0,7% em relação ao ciclo anterior, para 177 milhões de toneladas, principalmente em razão de problemas climáticos na Índia, na União Europeia e na Tailândia.
Na Índia, outro importante produtor mundial, o Departamento Meteorológico informou que o volume acumulado de chuvas durante a temporada de monções, entre junho e setembro, ficou 12,6% abaixo da média histórica até 30 de setembro. O resultado foi o mais baixo dos últimos 11 anos, reforçando as preocupações com as condições climáticas e seus possíveis efeitos sobre a oferta de açúcar.
Com informações da Barchart


