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União Europeia deve voltar a ser importadora líquida de açúcar após quebra de mais de 3 milhões de toneladas

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StoneX projeta produção de 13,3 milhões de toneladas de açúcar, menor volume desde a década de 1980; restrições na Europa e na Ásia devem ampliar a pressão sobre a oferta mundial em 2027

A União Europeia deve voltar à condição de importadora líquida de açúcar na safra 2026/27, após três temporadas, diante de uma quebra de produção superior a 3 milhões de toneladas provocada pelas condições climáticas adversas. Segundo análises da StoneX, as ondas de calor e a escassez de chuvas durante o verão europeu comprometeram as lavouras de beterraba açucareira, reduzindo a estimativa de produção do bloco para 13,3 milhões de toneladas, o menor volume desde a década de 1980. Com a redução da oferta, a necessidade de importações líquidas poderá superar 1 milhão de toneladas, acrescentando uma nova fonte de demanda ao mercado internacional.

A avaliação consta nas análises de mercado divulgadas pela StoneX e na 37ª edição do relatório Perspectivas 2026, referente ao quarto trimestre. De acordo com Marcelo Di Bonifácio, analista de Inteligência de Mercado da companhia, a União Europeia e o Reino Unido enfrentaram sucessivas ondas de calor e precipitações abaixo da normalidade entre junho e agosto, período crítico para o desenvolvimento da beterraba açucareira.

Os impactos atingiram importantes regiões produtoras, especialmente na França, Alemanha, Países Baixos e Bélgica, onde a combinação de temperaturas elevadas e restrição hídrica comprometeu o potencial produtivo das lavouras.

Com os resultados da colheita confirmando as dificuldades enfrentadas pelos produtores europeus, a expectativa é de que o bloco volte a depender de volumes maiores de açúcar importado. Essa mudança ocorre em um momento de perspectiva de déficit no balanço mundial, com restrições de oferta também em países asiáticos.

Menor oferta na Europa e na Tailândia deve pressionar comércio mundial

Além da redução da produção europeia, a StoneX projeta uma queda expressiva na oferta de açúcar da Tailândia, um dos principais fornecedores do mercado internacional de refinado.

Segundo o relatório, o país asiático enfrenta uma temporada com chuvas entre 15% e 30% abaixo da média, dependendo da região. Com isso, a produção de açúcar na safra 2026/27 está estimada em 9,6 milhões de toneladas, redução de 20% em relação ao ciclo anterior.

A combinação das perdas na União Europeia e na Tailândia deverá reduzir em 3 milhões de toneladas as exportações líquidas de açúcar branco dessas duas origens na safra 2026/27, considerada entre outubro e setembro.

Os efeitos devem ser sentidos principalmente no primeiro semestre de 2027. Para esse período, a StoneX projeta um déficit de 340 mil toneladas de açúcar branco nos fluxos comerciais internacionais, diante de uma redução de 1,4 milhão de toneladas nas exportações líquidas europeias e tailandesas.

Na avaliação da consultoria, a menor disponibilidade desses fornecedores poderá estimular a procura por açúcar de outras origens e aumentar o interesse das refinarias do Hemisfério Norte pela importação de açúcar bruto ainda no quarto trimestre de 2026.

O cenário também considera as restrições aos fluxos comerciais pelo Oriente Médio, relacionadas ao conflito no Irã. Nesse contexto, a StoneX aponta que parte da demanda adicional poderá ser direcionada às refinarias do Norte da África e às unidades portuárias da Índia.

Índia também pode ampliar necessidade de importações

A situação da Índia, outro importante participante do mercado mundial, reforça as preocupações com a disponibilidade de açúcar.

A StoneX trabalha com uma estimativa de produção total de 29 milhões de toneladas na safra 2026/27, considerando o direcionamento de 1 milhão de toneladas para a fabricação de etanol. Parte dos agentes do mercado, entretanto, avalia que o governo indiano poderá priorizar o abastecimento doméstico de açúcar, reduzindo ou eliminando esse desvio.

O país também enfrenta os efeitos de chuvas de monções 15% abaixo da normalidade e estoques finais restritos por duas temporadas consecutivas.

Segundo as projeções da consultoria, a produção indiana de açúcar branco deverá alcançar 28 milhões de toneladas, enquanto o consumo está estimado em 28,5 milhões de toneladas.

Diante desse desequilíbrio, a StoneX considera possível que a Índia volte a ampliar suas importações no segundo semestre de 2027, com a abertura de uma nova cota de pelo menos 1 milhão de toneladas.

Em agosto, o país já havia retomado as compras externas de açúcar, movimento que não ocorria desde 2016, conforme destaca o relatório.

Com as dificuldades de produção na Europa e na Ásia, a StoneX estima um déficit mundial de 900 mil toneladas de açúcar na safra internacional 2026/27.

Brasil pode ter oferta limitada para atender à demanda no início de 2027

O cenário internacional também coloca o Brasil em posição de destaque, especialmente diante das dificuldades enfrentadas pelo Centro-Sul na safra atual.

De acordo com a StoneX, as precipitações registradas entre abril e setembro ficaram 93% acima da média dos últimos dez anos, provocando atrasos na colheita e prejudicando o desempenho agrícola e industrial das usinas.

Além de reduzir o ritmo da moagem, as chuvas afetaram os níveis de Açúcar Total Recuperável (ATR) e o direcionamento da matéria-prima para a fabricação de açúcar.

A consultoria estima que o Centro-Sul produza 38 milhões de toneladas de açúcar na safra 2026/27, redução de 2,2 milhões de toneladas em relação ao ciclo anterior.

A perspectiva é de que a moagem se estenda até dezembro, permitindo às usinas ampliar o direcionamento da cana para a fabricação do adoçante. Ainda assim, a StoneX projeta que aproximadamente 32 milhões de toneladas de cana deverão permanecer nos canaviais para colheita no próximo ano.

Embora a disponibilidade exportável ainda seja considerada confortável no quarto trimestre de 2026, o cenário poderá se tornar mais restritivo nos primeiros meses de 2027, quando o Centro-Sul estará na entressafra e a demanda internacional deverá aumentar.

Na avaliação de Di Bonifácio, o Brasil não deverá contar com volumes suficientes para atender integralmente à demanda potencial por importações de açúcar nesse período, o que representa um fator de sustentação para os preços internacionais.

Por outro lado, a StoneX projeta uma recuperação expressiva da produção brasileira na temporada 2027/28. A estimativa é de moagem recorde de 662 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, ante 635 milhões de toneladas esperadas para o ciclo atual.

Com o mix açucareiro projetado em 49,3%, a produção regional poderá alcançar 42,4 milhões de toneladas de açúcar, ampliando a disponibilidade do produto para exportação, principalmente no segundo semestre de 2027.

Essa perspectiva de recuperação da oferta brasileira tende a limitar valorizações mais expressivas das cotações internacionais no próximo ciclo. Até lá, a redução da produção europeia, as dificuldades nas safras asiáticas e a disponibilidade de açúcar brasileiro deverão permanecer entre os principais fatores de atenção do mercado mundial.

Natália Cherubin com informações da StoneX

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