Decisão do governo indiano pode ampliar a oferta do adoçante, enquanto previsão de tempo seco no Centro-Sul brasileiro favorece retomada da colheita e da moagem
Os preços internacionais do açúcar encerraram a segunda-feira, 19, em queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela decisão do governo da Índia de interromper, a partir de novembro, a aquisição de etanol produzido a partir de matérias-primas açucareiras pelas distribuidoras estatais de combustíveis. Segundo informações da Barchart, a medida poderá ampliar a disponibilidade de açúcar, somando-se às previsões de tempo mais quente e seco no Centro-Sul do Brasil, que também indicam condições mais favoráveis para a retomada da colheita e da moagem de cana-de-açúcar.
Na bolsa de Nova York, o contrato do açúcar bruto com vencimento em março de 2027 fechou cotado a 20,57 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,28 centavo, equivalente a 1,34%. Em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 recuou US$ 8,10 por tonelada, ou 1,46%, encerrando a sessão a US$ 546,80 por tonelada.
A decisão do governo indiano foi um dos principais fatores de pressão sobre as cotações. A restrição à aquisição de etanol derivado de produtos da cana-de-açúcar pelas companhias estatais de combustíveis deverá reduzir a destinação dessas matérias-primas à produção do biocombustível, favorecendo sua disponibilidade para a fabricação de açúcar.
O mercado também acompanha as condições climáticas no Centro-Sul brasileiro. Após semanas de chuvas frequentes, que dificultaram os trabalhos de colheita e provocaram interrupções no processamento de cana pelas usinas, as previsões indicam temperaturas mais elevadas e tempo seco ao longo desta semana.
Caso se confirmem, essas condições poderão permitir a aceleração das operações agrícolas e industriais, contribuindo para o aumento da oferta de açúcar no curto prazo.
Posições compradas dos fundos ampliam pressão sobre o mercado
Outro fator que pode intensificar o movimento de queda é o elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de investimento nos contratos futuros de açúcar em Nova York.
De acordo com o relatório semanal Commitment of Traders, citado pela Barchart, os fundos elevaram suas posições líquidas compradas em 16.184 contratos na semana encerrada em 13 de outubro, alcançando 228.743 contratos, o maior patamar em mais de cinco anos.
Esse posicionamento aumenta a possibilidade de movimentos de liquidação de contratos e realização de lucros, especialmente diante de notícias que indiquem melhora nas perspectivas de oferta.
A pressão recente ocorre após um período de forte valorização do açúcar nas bolsas internacionais. Ao longo do último mês, as cotações avançaram impulsionadas principalmente pelas chuvas no Centro-Sul brasileiro, que reduziram o ritmo da colheita e da moagem.
Na semana passada, o açúcar bruto chegou ao maior nível em 19 meses nos contratos futuros mais próximos. Em Londres, o açúcar branco havia alcançado, em 7 de outubro, a maior cotação em 22 meses.
Com a mudança nas perspectivas climáticas para o Brasil e a decisão do governo indiano, os investidores passaram a reavaliar os fatores que sustentaram essa valorização. O comportamento dos preços nos próximos dias deverá continuar condicionado à confirmação da melhora das condições de colheita no Centro-Sul e aos possíveis efeitos da política indiana sobre a disponibilidade de açúcar.
Com informações da Barchart
