Preços encontram suporte na menor produção do Centro-Sul, nas perspectivas de déficit global e nas preocupações com a oferta da Índia
Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira (23) em alta nas bolsas de Nova York e Londres, sustentados pela redução da produção brasileira e pelas preocupações com a oferta global diante dos riscos climáticos. Segundo informações da Barchart, o açúcar bruto com vencimento em março de 2027 avançou 0,55%, ou 0,11 centavo, fechando a 20,24 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu 0,17%, equivalente a US$ 0,90, encerrando o pregão a US$ 534,80 por tonelada.
O movimento interrompeu uma sequência de cinco sessões de queda em Nova York, após a valorização registrada no início do mês. Parte da sustentação veio dos dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que apontaram redução de 5,6% na produção de açúcar do Centro-Sul em agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior, para 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas registradas recentemente na região também prejudicaram a colheita e a moagem de cana-de-açúcar, limitando temporariamente a disponibilidade do produto.
Além das condições de produção no Brasil, as perspectivas climáticas para outros importantes países produtores continuam influenciando o mercado. O desenvolvimento de um episódio intenso de El Niño no Oceano Pacífico poderá reduzir as precipitações em regiões produtoras do Brasil, da Índia e da Tailândia, com possíveis impactos sobre as próximas colheitas e a oferta mundial de açúcar.
Na Índia, segundo maior produtor mundial, o Departamento Meteorológico informou que o volume acumulado de chuvas durante a temporada de monções, entre junho e setembro, ficou 12,6% abaixo da média histórica. O resultado, divulgado em 30 de setembro, foi o menor registrado nos últimos 11 anos, ampliando as preocupações com as condições de produção no país.
Outro fator de sustentação para os preços é a decisão do governo indiano de prorrogar o prazo para importação de açúcar bruto com isenção de tarifas. Inicialmente autorizada em 20 de agosto, a medida permite a entrada de até 1 milhão de toneladas do produto. O prazo, que terminaria em 31 de outubro, foi estendido até 31 de dezembro.
A decisão reforça os sinais de restrição na oferta doméstica indiana, considerando que o país tradicionalmente atua como exportador de açúcar. A última vez que a Índia realizou importações expressivas do produto foi na temporada 2017/18.
As perspectivas para a produção indiana também foram revisadas. Em abril, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) reduziu sua estimativa para a safra 2025/26 de 32,4 milhões para 32 milhões de toneladas. A entidade também projeta exportações de 800 mil toneladas no período.
Desde a temporada 2022/23, a Índia mantém um sistema de cotas para exportação de açúcar, adotado após chuvas tardias prejudicarem a produção e restringirem a disponibilidade doméstica.
Déficit global também sustenta as cotações
As perspectivas de déficit no mercado internacional continuam contribuindo para a sustentação dos preços. A Organização Internacional do Açúcar (ISO) projeta que a produção mundial poderá recuar 1% na safra 2026/27, para 180,1 milhões de toneladas.
Com esse desempenho, o balanço global deverá apresentar déficit de aproximadamente 200 mil toneladas, influenciado, entre outros fatores, pelos possíveis efeitos do El Niño sobre as colheitas da Índia e da Tailândia.
As projeções climáticas e a disponibilidade de açúcar nesses países permanecem, assim, entre os principais fatores acompanhados pelo mercado, juntamente com o ritmo de colheita e moagem no Centro-Sul brasileiro.
Informações da Barchart

