Os contratos futuros do açúcar encerraram os últimos pregões sustentados por preocupações com uma possível redução da oferta global nas próximas temporadas. Apesar da pressão exercida pelo avanço da produção no Brasil e pelas perspectivas de oferta mais confortável no curto prazo, agentes do mercado seguem monitorando riscos climáticos e mudanças no direcionamento da cana para a produção de etanol.
Em Nova York, o contrato do açúcar bruto fechou cotado a 14,27 centavos de dólar por libra-peso, enquanto o açúcar branco negociado em Londres encerrou a US$ 449,20 por tonelada.
O mercado encontrou suporte nas projeções de menor disponibilidade global. O Citigroup estima que a produção brasileira de açúcar na safra 2026/27 possa atingir 39,5 milhões de toneladas, abaixo da previsão de 43,95 milhões de toneladas divulgada pela Conab. Segundo a instituição, o aumento da atratividade do etanol pode levar usinas brasileiras a direcionarem uma parcela maior da cana para a produção do biocombustível.
Outro fator acompanhado pelos investidores é a possibilidade de formação de um forte fenômeno El Niño ao longo dos próximos meses. Caso se confirme, o evento climático poderá afetar as condições de produção em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, aumentando as incertezas sobre a oferta mundial de açúcar.
Por outro lado, o mercado continua encontrando resistência diante dos números robustos da produção brasileira. Dados recentes mostram que a produção de açúcar no Centro-Sul registrou forte crescimento no início da safra 2026/27, impulsionada por melhores rendimentos agrícolas e maior concentração de sacarose na cana. Além disso, as exportações da Tailândia seguem em ritmo acelerado, contribuindo para ampliar a disponibilidade global da commodity.
As oscilações do petróleo e do câmbio também permanecem no radar. Quedas no preço do petróleo tendem a reduzir a competitividade do etanol, favorecendo uma maior produção de açúcar pelas usinas. Já movimentos do real frente ao dólar influenciam diretamente a competitividade das exportações brasileiras.
No cenário internacional, as estimativas para o balanço global seguem divergentes. Enquanto algumas consultorias reduziram suas projeções de superávit para a safra 2026/27, outras apontam até mesmo para déficits de oferta, refletindo a elevada sensibilidade do mercado às condições climáticas e às decisões de mix de produção nas principais regiões produtoras.
Com informações da Barchart


