Mercado se afasta das máximas recentes após analistas reduzirem projeção para compras indianas; açúcar bruto ainda fechou com leve alta em Nova York
Os preços do açúcar fecharam sem direção única nesta segunda-feira, 24, pressionados pela redução das expectativas de importação pela Índia após as máximas alcançadas na semana passada. Na ICE de Nova York, o contrato do açúcar bruto para outubro avançou 0,23%, para 17,44 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para o mesmo vencimento caiu 2,85%, para US$ 526,50 por tonelada.
A pressão veio principalmente de novas avaliações sobre a disponibilidade de açúcar na Índia. A Greenleaf, consultoria indiana especializada no mercado, estimou que o país não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas até 31 de outubro, metade do volume de até 1 milhão de toneladas que havia sido considerado pelo mercado.
A avaliação reduziu parte das preocupações que sustentaram a forte valorização das cotações na semana passada.
Também pesou sobre os preços a manifestação da Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA). Segundo a entidade, não há escassez de açúcar na Índia e os estoques são suficientes para atender ao aumento esperado do consumo durante o período de festividades no país.
A ISMA projeta ainda que a produção indiana de açúcar alcance 1 milhão de toneladas em outubro, volume significativamente superior aos níveis normalmente registrados no mês.
Mercado se afasta das máximas
O movimento ocorre depois de uma forte valorização das cotações. Na quinta-feira passada, o açúcar bruto negociado em Nova York atingiu a máxima em 15 meses, enquanto o branco em Londres alcançou o maior nível em 17 meses, impulsionados pelas perspectivas de aperto na oferta mundial.
Na ocasião, o governo indiano anunciou a redução das tarifas de importação para ampliar a disponibilidade doméstica e conter os preços antes do aumento sazonal da demanda. A medida permite a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos até 31 de outubro.
A possibilidade de a Índia recorrer ao mercado internacional ganhou relevância porque o país tradicionalmente figura entre os grandes produtores e exportadores mundiais de açúcar e não realizava importações em volumes expressivos desde a temporada 2017/18.
Déficit global continua no radar
Apesar da acomodação das cotações, as perspectivas para o balanço global de açúcar continuam oferecendo suporte ao mercado.
No início de agosto, a Covrig Analytics passou a projetar déficit mundial de 300 mil toneladas na safra 2026/27, revertendo a estimativa de superávit de 100 mil toneladas divulgada em junho.
A Green Pool Commodity Specialists também ampliou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente. A StoneX, por sua vez, elevou sua estimativa de déficit de 550 mil para 1,7 milhão de toneladas.
A Czarnikow também revisou sua projeção para o balanço mundial de 2026/27, passando de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para déficit de 100 mil toneladas.
Assim, mesmo com a realização observada após as máximas da semana passada, as expectativas de menor disponibilidade global de açúcar permanecem como fator de sustentação das cotações.
Com informações da Barchart





