Desvalorização da moeda brasileira aumenta o incentivo às exportações e pressiona as cotações internacionais, apesar das perspectivas de menor produção no Centro-Sul
Os preços internacionais do açúcar registraram forte queda na segunda-feira, 26 de outubro, pressionados pela desvalorização do real após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato. A moeda brasileira recuou cerca de 9% frente ao dólar, segundo a Barchart, ampliando o incentivo às exportações brasileiras da commodity. O movimento levou o açúcar bruto a cair 5,63% na Bolsa de Nova York, enquanto o açúcar branco perdeu 3,63% em Londres.
Na ICE Futures, em Nova York, o contrato de açúcar bruto com vencimento em março de 2027 encerrou a sessão cotado a 19,10 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 1,14 centavo, equivalente a 5,63%. Já na Bolsa de Londres, o contrato de açúcar branco para dezembro de 2026 fechou a US$ 515,40 por tonelada, recuo de US$ 19,40, ou 3,63%.
A forte reação cambial ocorreu após a vitória de Lula no segundo turno das eleições presidenciais, realizado em 25 de outubro. Com o real mais fraco, os exportadores brasileiros passam a receber mais em moeda nacional pelas vendas de açúcar negociadas em dólar, o que favorece a comercialização externa e exerce pressão sobre os preços internacionais.
O impacto é significativo devido à participação do Brasil no mercado mundial. Segundo dados citados pela Barchart, o país responde por aproximadamente 24% da produção global de açúcar e por mais de 50% das exportações mundiais da commodity.
Produção menor no Centro-Sul e perspectivas para a safra
Apesar da pressão cambial, fatores relacionados à oferta continuam dando sustentação ao mercado. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), citados pela Barchart, a produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro recuou 5,6% em agosto, na comparação anual, totalizando 7,089 milhões de toneladas. As chuvas intensas registradas recentemente na região também têm prejudicado a colheita e o processamento da cana-de-açúcar.
As perspectivas para a safra 2026/27 também indicam uma redução na oferta brasileira. A consultoria Datagro projetou, na segunda-feira, que a produção de açúcar do Centro-Sul deverá cair 5%, para 38,4 milhões de toneladas, em decorrência de fatores climáticos associados ao El Niño.
O desenvolvimento de um Super El Niño no Oceano Pacífico também permanece no radar dos agentes do mercado. O fenômeno pode alterar os regimes de chuva no Brasil, na Índia e na Tailândia, três importantes regiões produtoras de açúcar, com possíveis impactos sobre a produção global.
Na Índia, a Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) informou que a temporada 2026/27 começou dentro do cronograma, com aproximadamente 107 usinas iniciando as operações de moagem.
Até 25 de outubro, a produção indiana alcançou 400 mil toneladas de açúcar, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período do ciclo anterior. Apesar da redução, a associação considera confortável a situação de abastecimento do país, diante dos estoques de passagem de 3,6 milhões de toneladas da safra 2025/26.
O cenário climático também exige atenção. Durante a temporada de monções, entre junho e setembro, o volume de chuvas na Índia ficou 12,6% abaixo da média, no nível mais baixo dos últimos 11 anos.
Assim, embora a forte desvalorização do real tenha predominado nas negociações de segunda-feira, as perspectivas de menor produção no Centro-Sul brasileiro e os riscos climáticos nas principais regiões produtoras permanecem como fatores de sustentação para os preços internacionais do açúcar.
Com informações da Barchart



