Consultoria praticamente dobra projeção de déficit para 2026/27, enquanto decisão da Índia sobre o etanol e previsão de tempo seco no Brasil pressionam as cotações
Os preços do açúcar encerraram a terça-feira (20) em direções opostas nas bolsas internacionais, após recuperarem parte das perdas registradas durante o pregão. Em Nova York, o contrato março de 2027 do açúcar bruto fechou cotado a 20,52 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,24%. Já em Londres, o açúcar branco para dezembro de 2026 terminou a sessão a US$ 547,10 por tonelada, avanço de 0,05%. Segundo a Barchart, o mercado reagiu à revisão da Green Pool Commodity Specialists, que elevou sua estimativa de déficit global de açúcar na safra 2026/27 para 6,3 milhões de toneladas, o maior volume projetado em quatro anos.
A consultoria ampliou sua previsão de déficit de 3,2 milhões para 6,3 milhões de toneladas, considerando os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a safra brasileira e a temporada de monções abaixo do esperado na Índia. A revisão reforçou as preocupações com a disponibilidade global de açúcar e estimulou a cobertura de posições vendidas nos contratos futuros, permitindo que as cotações se recuperassem das mínimas de uma semana atingidas durante a sessão.
Apesar disso, o mercado iniciou o pregão pressionado pela decisão anunciada pelo governo indiano na segunda-feira (19), determinando que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida poderá ampliar a disponibilidade de matéria-prima para a fabricação de açúcar, favorecendo a oferta da commodity.
Outro fator de pressão veio das previsões meteorológicas para o Centro-Sul do Brasil. A expectativa de temperaturas elevadas e tempo seco ao longo desta semana tende a favorecer a retomada da colheita e da moagem de cana-de-açúcar nas usinas, após as interrupções provocadas pelas chuvas. A melhora das condições operacionais poderá ampliar a produção e a disponibilidade de açúcar no curto prazo.
Além dos fundamentos de oferta e demanda, o posicionamento dos fundos de investimento permanece no radar dos agentes. Segundo o relatório semanal Commitment of Traders, divulgado na sexta-feira (16), os fundos ampliaram suas posições líquidas compradas em açúcar bruto na bolsa de Nova York em 16.184 contratos na semana encerrada em 13 de outubro.
Com isso, a posição líquida comprada alcançou 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos. Esse volume elevado aumenta a exposição do mercado a movimentos de liquidação de posições, que podem intensificar eventuais quedas nas cotações.
Dessa forma, o mercado internacional do açúcar segue dividido entre as perspectivas de um déficit global mais expressivo na safra 2026/27 e fatores de curto prazo que podem favorecer a oferta, especialmente a retomada da moagem no Brasil e as mudanças na destinação da cana-de-açúcar na Índia.
Com informações da Barchart

