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Açúcar recua com queda da gasolina e perspectiva de maior produção no Brasil pressiona mercado

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Desvalorização do etanol altera mix das usinas e amplia oferta da commodity no curto prazo

Os preços do açúcar voltaram a cair no mercado internacional e atingiram mínimas de uma semana, pressionados pela queda recente da gasolina e pela expectativa de maior produção no Brasil. O contrato do açúcar bruto com vencimento em julho fechou em queda de 0,27 centavo de dólar, ou 1,8%, a 14,54 centavos de dólar por libra-peso. Por sua vez, o contrato mais ativo de açúcar branco perdeu 1,2%, para US$ 431,90 por tonelada.

O movimento amplia as perdas registradas no dia anterior e reflete principalmente o enfraquecimento do mercado de energia. Nos últimos três pregões, os preços da gasolina acumulam queda superior a 8%, o que reduz a competitividade do etanol e impacta diretamente o direcionamento da cana nas usinas.

De acordo com a Covrig Analytics, a queda do etanol já começa a provocar uma mudança no mix produtivo no Brasil. Com o açúcar atualmente entre 0,7 e 1 centavo de dólar por libra-peso mais rentável que o biocombustível, as usinas tendem a redirecionar a moagem para a produção da commodity, ampliando a oferta global e pressionando as cotações.

O cenário ocorre após um movimento recente de alta. Na terça-feira, os preços haviam atingido máximas em cinco semanas, impulsionados por preocupações com a redução da oferta global. Na sexta-feira anterior, a Green Pool elevou sua estimativa de déficit mundial de açúcar para a safra 2026/27 para 4,30 milhões de toneladas, ante 1,66 milhão, citando o aumento da produção de etanol em detrimento do açúcar.

Apesar disso, o mercado segue altamente sensível às oscilações do petróleo. A recente alta da gasolina, que chegou ao maior nível em quase quatro anos, havia sustentado os preços do açúcar ao estimular a produção de etanol e reduzir a disponibilidade da commodity.

No Brasil, dados recentes reforçam essa dinâmica. Segundo a Unica, a produção de açúcar no Centro-Sul na primeira quinzena de abril caiu 11,9% na comparação anual, para 647 mil toneladas. No período, a participação da cana destinada ao açúcar recuou para 32,9%, ante 44,7% no ano anterior.

Já a Conab projeta leve queda de 0,5% na produção brasileira de açúcar na safra 2026/27, estimada em 43,952 milhões de toneladas. Em contrapartida, a produção de etanol deve crescer 7,2%, alcançando 29,259 bilhões de litros.

O cenário evidencia o papel central do mix produtivo brasileiro na formação dos preços globais, com o mercado alternando entre suporte e pressão conforme a relação entre açúcar e etanol e o comportamento do setor de energia.

Com informações da Barchart

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