Cotações do açúcar atingem mínima de duas semanas enquanto projeções indicam excedente na oferta mundial da commodity
Os preços do açúcar voltaram a recuar nesta quinta-feira e o contrato negociado em Nova York atingiu o menor nível em duas semanas, pressionado pela perspectiva de continuidade do superávit global da commodity. A expectativa de oferta excedente nos próximos ciclos tem limitado movimentos de recuperação mais consistentes nas cotações internacionais.
O contrato de açúcar bruto com vencimento em maio caiu 0,01 centavo de dólar, ou 0,1%, para 13,72 centavos de dólar por libra-peso. Já o contrato mais ativo do açúcar branco perdeu 0,7%, para US$ 406,50 por tonelada.
No mercado físico internacional, a Al Khaleej Sugar, operadora da maior refinaria de açúcar do mundo baseada em um porto, informou que segue operando normalmente e permanece aberta para operações de importação e exportação.
As perdas nas cotações foram parcialmente contidas pela forte valorização do petróleo no mercado internacional. O contrato WTI avançou mais de 8% na sessão, alcançando o maior patamar em cerca de 19 meses. O movimento tende a favorecer os preços do etanol e pode incentivar usinas ao redor do mundo a direcionar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, reduzindo potencialmente a oferta de açúcar.
Apesar disso, o cenário predominante no mercado segue sendo de excedente. Em 12 de fevereiro, as cotações do açúcar chegaram a cair para o menor nível dos contratos mais próximos em cinco anos e três meses, diante das preocupações de que o superávit global da commodity possa persistir.
De acordo com analistas da trading Czarnikow, o mercado mundial deverá registrar um superávit de 3,4 milhões de toneladas na safra 2026/27, após um excedente ainda maior de 8,3 milhões de toneladas em 2025/26.
Projeções de outras consultorias também apontam para um cenário semelhante. Segundo a Green Pool Commodity Specialists, o mercado global deverá apresentar um superávit de 2,74 milhões de toneladas na safra 2025/26 e um excedente de 156 mil toneladas em 2026/27.
Já a StoneX estima que o balanço mundial de açúcar registre um superávit de 2,9 milhões de toneladas no ciclo 2025/26.
Produção maior na Ásia sustenta expectativa de excedente
Em relatório divulgado recentemente, a Organização Internacional do Açúcar (ISO) também indicou um cenário de excedente no mercado global. A entidade projeta um superávit de 1,22 milhão de toneladas na safra 2025/26, número inferior à estimativa anterior de 1,63 milhão de toneladas, mas ainda representando uma reversão em relação ao déficit de 3,46 milhões de toneladas registrado em 2024/25.
De acordo com a ISO, o superávit esperado está diretamente ligado ao aumento da produção em importantes países produtores, especialmente Índia, Tailândia e Paquistão.
A organização projeta que a produção global de açúcar deverá crescer 3,0% na comparação anual, alcançando cerca de 181,3 milhões de toneladas na safra 2025/26.
Com informações da Barchart e Reuters